A Busca

3 Um fim inesperado


Notas iniciais
Bem, aqui está, a ultima parte da aventura de Oliver, espero que tenham gostado. Sem mais delongas, vamos ver como isso tudo termina...

–Um gigante... –Oliver percebeu. –O guarda da Biblioteca... –O gigante deu mais um passo, cada passo dele correspondia a três de Oliver, se ele fosse fazer algo precisava fazê-lo rápido. Mais um passo, o gigante estava bem a sua frente agora. Com o gigante se aproximando, até mesmo o homem com que lutara a pouco já desistira e estava sentado, esperando simplesmente que o mesmo o pegasse. Oliver não viu outra escolha... Ele correu, correu para trás, corredor adentro, passando pelas estantes a passos largos e rápido. Não olhou para trás, não precisou, os barulhos dos longos passos do gigante vinham como estrondos, trovões que ecoavam pelo teto abobadado. Mas Oliver continuou seu caminho, sempre enfrente e sem virar a cabeça, com as estantes se fazendo de barreira, como se tudo fosse uma enorme corrida, Oliver continuou e continuou, até que o corredor se findou em uma parede.

–Nanico não poder mais correr... – Fala o gigante. Oliver vira-se de imediato ao ouvir a voz dele. O grandalhão agora caminhava devagar e meio agachado, de modo a tentar tapar as brechas para fuga, lentamente encurralando-o. –Você estar ferrado. –Oliver agora segurava sua espada com ambas as mãos. Contra aquilo ele sabia que usar a espada e nada eram coisas parecidas, a pele dos gigantes era mais dura do que aço pelas historias que o haviam contado e isso só o desencorajava mais. Só havia uma solução, tentar passar por ele, mas essa era uma tarefa difícil, do jeito que o gigante se agachava não restavam muitos caminhos e um erro poderia ser fatal.

Oliver se pegou dando alguns passos para trás enquanto pensava, aquilo era inevitável, mas só o fazia pensar mais ainda como estava encurralado, ele fitava o corpo do gigante, olhando o espaço entre cada membro, procurando uma rota de fuga, nada, pelo menos nada que ele pudesse se aproveitar. O gigante continuou a avançar, o fazendo ir para o canto de uma estante. Ele continuou a se aproximar, mas então parou um momento. Oliver o fitou, não entendendo. O monstro então se moveu de maneira estranha, virando-se de costas muito rapidamente, Oliver continuou sem entender, mas quando o gigante voltou a ficar frente a frente com ele, ele viu. Na grande mão da coisa estava um livro, em seu avanço ele havia derrubado-o, mas assim que o fizera se apressou em pegá-lo e colocá-lo no lugar. Claro... O trabalho dele era proteger tais livros.

–Agora eu te peguei... –E com essas palavras Oliver se virou, guardando sua espada na bainha e pondo-se a pegar livros de inúmeros tamanhos e cores. Quando ele voltou-se novamente para frente estava com um monte de livros no braço e o Gigante o olhava com uma expressão confusa.

–O que Nanico fazer com isso?

–Nanico fazer isso! –E com rápidos movimentos Oliver começou a tacar um livro atrás do outro em cima do monstro a sua frente, lentamente a criatura recuava agora, sua pele dura e sua vestimenta suada pela perseguição era um perigo para aquelas páginas antigas, se devido ao suor um dos livros que era jogado aberto grudasse a pagina em sua pele ou até na roupa e com a queda rasgasse ele estaria fazendo o que fora mandado impedir. O gigante retrocedera mais e mais, ficando vermelho a cada passo, franzindo as sobrancelhas e grunhindo, quase parecendo rosnar. Mas então os livros de Oliver acabaram. O gigante soltou um urro ao ver isso e se pós então a correr para frente, recuperando todo o espaço que dera a Oliver. O jovem então se preparou, flexionando os joelhos. O gigante continuava a correr em sua direção, os braços se direcionando para onde Oliver estava, como que esperando pegá-lo pelo pescoço e esgana-lo, e assim o monstro se aproximava, Oliver deu alguns passos para trás, para manter certa distancia, mas seu pé logo encontrou a parede atrás de si. Mas o gigante continuou, sete metros, cinco, quatro, três... Então a brecha surgiu, usando o pé na parede para se impulsionar Oliver então foi em direção ao monstro a sua frente. O gigante continuou com suas mãos erguidas, somente esperando Oliver chegar perto o suficiente para pegá-lo, rapidamente ele foi abrindo mais as mãos e então, quando Oliver chegou perto o suficiente ele as fechou, cerrando os dedos, mas tudo o que pegou foi ar. Bem diante dele o humano deixou um de seus pés escorregar, e este foi logo seguido pelo outro e no momento seguinte Oliver passava por entre as pernas do Gigante, deslizando no chão. Outro grunhido então veio da garganta do monstro, o rosto dele agora parecia queimar de tão vermelho. Ele então voltou sua cabeça para trás, por cima do ombro esquerdo, olhando para trás, vendo Oliver sair se levantar rapidamente e então começar a correr, pelo caminho que viera. O gigante então começou a se virar, continuando a correr, mas já era tarde demais, com a olhada para trás ele não vira o que estava a sua frente e assim colidiu com uma das enormes estantes, caindo no chão em seguida.

O gigante urrou mais uma vez, sua vez ecoou pelo teto abobadado e pareceu tomar toda a biblioteca para si. Virando-se mais uma vez para trás de si ele então pode ver Oliver continuando a correr rumo a saída do corredor, mas ele corria com a cabeça virada para o lado, os olhos focados atrás, olhando o gigante também por cima dos ombros, seu olhar se manteve fixo por dois segundos, mas então seu lábio se mexeu levemente e sua cabeça voltou-se para frente. O gigante achou que de algum modo algo naquela cena pareceu-lhe estranha, mas não sabia dizer o que. Até que voltou-se para sua frente. A estante em que ele batera começava a se inclinar, se inclinar muito, tombando para frente. A criatura só teve o tempo de se levantar, para que assim aplacasse o peso que pendia sobre si. Com dos dois braços erguidos o Gigante então se pós a segurar a estante, fazendo o possível para que ela não caísse e com isso levasse mais consigo.

Oliver havia chegado ao local onde ele lutara com o outro buscador, depois de correr por alguns poucos minutos, até mesmo o fundo do extenso corredor não poder ser mais visto. Mas ali somente a espada presa na madeira restava. Seus olhos percorreram o chão e o livro não encontraram. Ele havia ido... Sua ultima chance de fugir do cárcere, havia ido juntamente com seu rival. Ele deu então um soco numa estante próxima. “Eu cheguei tão perto, ele estava em minhas mãos...” A voz ecoava em sua cabeça. “Se eu ao menos...”

–Naniiiiiiico!!!!! –O grito vinha ainda do fundo do corredor. Mas serviu para trazer Oliver de volta, ele podia ter perdido o livro, mas a prisão ainda era melhor do que enfrentar aquele gigante. Balançando a cabeça e esfregando os olhos, como se acabasse de despertar de um sonho Oliver se pós novamente a correr. Ele precisava sair daquela Biblioteca o mais rápido possível.

A porta se abriu devagar, não queria que nenhum barulho despertasse atenção, mas durante a os últimos centímetros do empurrão, quando ele somente queria abrir um mínimo de espaço suficiente para seu corpo passar, as dobradiças gemeram alto. Alto demais. A voz dela veio logo em seguida.

–Oliver? É você garoto? –A voz dela ecoou pela casa, e em seguida o som de passos pode ser ouvido, passadas apressadas rumo a sala. E então ela surgiu. Uma mulher talvez um pouco mais que 30 anos, com seu corpo arredondado e rosto oval, uma rede estava sobre os cabelos e um avental sobre o vestido azul simples que usava, as mãos cobertas por luvas de borracha e em uma delas umas esponja.

–Bênça... Mãe... –A voz de Oliver saiu como o garoto que era, um rapaz com não mais que dose anos e ainda meio franzino.

–O sinhô pode me explicar o que aconteceu esta tarde? A mãe daquele seu colega de classe Juninho veio aqui falar que você bateu nele.

–Mas mãe... ele estava mexendo com o Chris... Christiano, ele não tem nem 8 anos de idade...

–Não importa, você poderia ter levado seu priminho pra falar com os pais dele.

–Isso nunca dá certo... –Murmurou Oliver.

–Oxe, O que você disse ai?

–Na-nada...

–Hmm... Inda bem. Mas então muleque cadê o livro? o trabalho para você não ir para a recuperação é pra amanhã! –Oliver virou o rosto levemente quando ouviu a pergunta e começou a olhar para baixo logo em seguida. –Que isso na tua orelha? Tá sangrando... Menino, não me diz que u ficou brincando na rua de não foi para a biblioteca.

–Não, eu fui, eu juro que eu fui! –Oliver voltou a levantar o rosto, olhando agora sua mãe nos olhos.

–Então cadê o livro ô peste? –Oliver voltou a ficar inquieto, sua mãe já havia começado a perder a paciência e agora iria começar a perguntar de novo, mas então o telefone tocou. –Fica aqui. Vou ver quem é. –E com essas palavras a mãe de Oliver se dirigiu para seu quarto, ao pegando o corredor a direita, em frente à cozinha.

Oliver ignorou seu aviso, ele sabia muito bem quem era no telefone e o que queria, câmeras, há sempre câmeras. Ele então começou a subir as escadas silenciosamente e levemente encurvado, como que a cada passo o peso fosse maior, talvez teria sido melhor realmente enfrentar o gigante. Quando ele chegou ao topo da escada ainda podia ouvir claramente a voz de sua mãe gritando.

–O QUE? ELE ARRANJOU BRIGA NA BIBLIOTECA?

Ele só pode abrir a porta de seu quarto, entrar nele e trancar a mesma em seguida, se jogando na cama e já pegando um livro de história para estudar... Dois meses sem poder sair pra rua e o mais importante, sem seu precioso Chrono Trigger... essa era sua pena.

Notas finais
E aqui estamos encerrando essa aventura, muito obrigado a todos que acompanharam. Foi minha primeira experiência com uma obra "grande" como já falei, mas foi algo extremamente divertido de se escrever, e espero tenha sido o mesmo para vocês lendo. Bem, não esqueçam do review, é algo extremamente importante. E mais uma vez, muito obrigado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!