A Busca

1 O encontro com velhos conhecidos


Notas iniciais
O primeiro capítulo de uma minissérie com três no total. Espero que gostem.

Sem mais delongas, boa leitura.

Gritos agudos ecoam sobre as telhas que cobrem as casas, indo cada vez mais longe. E junto a tais gritos também são ouvidos latidos e rosnados.

Mais a baixo se era percebido o porquê de tais barulhos.

-Chris! Aqui, rápido! –Grita um garoto de não mais que treze anos, enquanto aponta para um beco a sua direita. E em seguida adentrando o mesmo beco.

Logo atrás um garoto de mesma idade corria desesperadamente sendo perseguido por três homens armados com espadas e um deles levando uma coleira, a qual prendia um cachorro. O garoto segue o amigo e entra também no beco, sendo seguido ainda por seus perseguidores.

-Não deixem esses moleques escaparem! –Grita o homem que estava entre os outros dois. O mesmo homem então olha para o da sua esquerda, o que segurava o cachorro, e faz um aceno de cabeça. Juntos então eles fazem a curva e chegam à entrada do beco, porém o homem com o cachorro passa direto enquanto os outros dois continuam a perseguir os garotos.

Os jovens corriam para frente, em direção a uma parede.

-Desistam! Vocês não tem saída! –Gritou por fim o homem quando os garotos chegaram ao muro que deixava o beco sem saída. –Entregue-nos todo o dinheiro que vocês tem e talvez não quebremos alguns de seus ossos...

-Não hoje Billy Sapão. –Ladrou de volta Chris. Em seguida correndo para o lado, onde havia alguns sacos e latas de lixo e jogando os mesmos para trás em direção aos homens.

-Maldito! –Praguejou o outro homem enquanto desviava dos restos e das latas de lixo. –Acha que isso irá nos parar? –Mas quando voltou os olhos para onde estava os jovens ele soube o porquê do garoto fazer aquilo.

A parede que dava fim ao beco estava quebrada, um buraco não maior do que uns trinta centímetros adornava um dos cantos, onde o muro se juntava a parede lateral de uma casa. O garoto que lhes atirara o lixo já tinha passado com metade de seu corpo, faltando-lhe apenas as pernas. Enquanto que o outro se encontrava agachado empurrando o da frente.

-Rápido seu idiota pegue eles! –Grita Billy para o outro homem.

O homem começou a correr em direção ao garoto de trás, o da frente já se encontrava do outro lado e o de trás só havia passado a cabeça para o outro lado do muro, mas começara a se apressar ainda mais quando ouviu as palavras de Billy. Mas antes que o jovem conseguisse seguir seu caminho o homem saltou rumo ao seu objetivo e agarrou-lhe o pé, puxando logo em seguida.

O garoto que fazia a passagem oscila e vai ao chão em seguida cedendo ao puxão e sendo arrastado para trás, ele então se segura nas beiradas do buraco e começa a tentar se puxar. Seu amigo então começa a lhe puxar pelo braço também e os dois lados começam um cabo de guerra, com o garoto servindo-lhes como corda. Ambos os lados grunhem e gemem enquanto fazem esforços para superar seus opositores, mas então a corda, ou melhor, o menino levanta sua perna acertando um chute no rosto do homem que lhe agarrara o pé. Os dois garotos caem do lado seguro do muro. Se levantando em seguida e batendo em suas roupas para tirar a poeira, Tudo isso rindo, do modo mais alto que sabiam, para que suas vozes fossem ouvidas do outro lado do muro e um pouco além.

-Hoje não Sapão! –Gritou um.

-Tente de novo amanhã Gordão! –Gritou outro.

Depois de deduzirem que não obteriam respostas eles se viraram e tomaram seus caminhos em direção à saída do beco. (a parede deixou-lhes outro beco à frente)

-Nossa, realmente conseguimos!

-Isso mesmo Tobby. E ainda arranjamos uns trocados. –Falou Chris, enquanto puxava um saco de seu bolso. Ele o jogou no ar e o saco tilintou quando o pegou de novo nas mãos ao cair.

-Isso foi fá....cil... –Tobby balbuciou enquanto uma sombra surgia a sua frente, e a mão da sombra se estendia por uma mais fina que por fim formava uma figura hirsuta e com patas longas demais para o que seria o corpo, e então a sombra encontrava sua versão em três dimensões em uma cadela de pelo amarelo surrado e emaranhado. E o mesmo acontecia com a sombra do homem . –Ja...Jack focinheira...

-Acharam que tinham se livrado moleques? –Perguntou maldosamente Jack, com sua boca torta e o nariz adunco. –Vai Mordedora! Pega eles! –Gritou Jack soltando a corrente que carregava.

A cachorra com nome nenhum pouco criativo correu na direção dos dois jovens, ela pulou em direção a Tobby, mas Chris o puxou para o lado e o animal passou direto abocanhando o ar. Mas a felicidade não durou muito tempo a cadela já se virava para o próximo ataque, durante os próximos dois os garotos conseguiram se sair bem, pulado cada um para um lado bem a tempo e em seguida Chris rolando para o lado e fazendo bater de cabeça com a parede atrás dele. Porém, agora ela o encurralou, as suas costas estavam duas paredes que se encontravam formando ângulo, a sua frente uma boca pronta para arrancar-lhe o braço de uma só vez. A cachorra pareceu sorrir-lhe com aqueles pontiagudos dentes, como um último escárnio para com sua presa.

-Tobby! Pegue as moedas! –E Chris jogou o saco pelo ar, ele descreveu um arco e caiu sobre as mãos juntas de Tobby. –Não deixa esses canalhas ficarem com elas. Fuja pelo buraco no muro eles devem estar vindo dar apoio ao Focinheira.

-Mas... e você Chris?

-Eu vou ficar bem, só vá! –A cadela agora ia se aproximando um passo a cada palavra.

Tobby então olhou para o buraco e em seguida de novo para Chris. Deu um passo em direção ao muro, mas em seguida voltou-se novamente para o amigo.

-Desculpe, mas eu me recuso a te deixar aqui pra eles. –Tobby então segurou firme o saco de moedas e... correu, correu com tudo que tinha em direção a cachorra. Esta, por sua vez viu o que se aproximava e pôs-se também a correr em direção ao garoto. E assim ambos foram se aproximando um do outro até que...

Um som corta o vento, uma bala, não algo maior e também mais lento.

Uma pedra, ela passa zumbindo ao lado de Focinheira, e vai direto a pata da cadela que começa a grasnir e foge em seguida mancando sobre três patas.

-Um bom amigo, um tanto quanto idiota, mas um bom amigo esse que você arranjou hein Chris?

Os olhos de Chris brilharam ao ouvir aquela voz enquanto que o rosto de Focinheira empalidecera.

-O...Oliver... eu achei que você... –Gaguejou Focinheira

-Estava preso? É tempo de busca se esqueceu Focinheira? Nós sempre temos uma segunda chance. –Oliver sorriu e, no segundo seguinte, se pós a correr em direção ao homem. Focinheira deu um passo para trás e em seguida outro enquanto Oliver se punha a caminho. E então tudo pareceu acontecer em um segundo. Focinheira sorriu levemente durante um momento e então puxou um canivete de seu bolso. Chris tentou gritar ao ver aquilo, mas sua voz pareceu se perder na garganta. Focinheira então investiu com o canivete enquanto Oliver dava mais um passo, nesse momento Oliver percebeu a arma e uma expressão de surpresa e medo tomou seu rosto, enquanto que um sorriso de abria no de Focinheira. Mas então, os pés de Oliver deslizaram pela calçada de ladrilhos, seu corpo começou a se inclinar se estendendo perpendicularmente e aproximando-se do solo, ainda indo para frente. As expressões foram trocadas, agora o temor e a surpresa adornavam o rosto esticado de Focinheira enquanto que Oliver deixara um sorriso surgir em seus lábios. O canivete passou logo acima da cabeça de Oliver, se ele estivesse na posição de antes talvez o acertasse no peito, ou caso se virasse no braço, mas agora ele passara direto, fazendo com que fosse seguindo pelo braço de focinheira e obrigando o mesmo a dar um passo a mais para frente. Quando o pé direito de Focinheira se aproximava do chão e ele trocava o apoio do corpo Oliver fez o movimento, ele moveu os pés rapidamente, fazendo-os pararem de deslizar e firmando seu peso, ele girou levemente com o pé esquerdo e em seguida esticou a perna direita, ainda girando sobre seu eixo. Sua perna pegou velocidade com a virada de seu corpo e atingiu a perna direita de focinheira bem na canela, quando o pé estava a milímetros do chão, o que fez o homem com rosto esticado ser atirado ao chão segurando a perna.

-Desgraçado... –Praguejou Focinheira, ainda no chão. Mas se silenciou quando Oliver enterrou sua bota sobre uma das costelas dele. Passos começaram a serem ouvidos de longe. Oliver se virou para os garotos.

-Acho melhor vocês saírem daqui. –Já puxando sua espada da bainha em suas costas.

Tobby tentou retrucar, mas foi puxado por Chris.

-Chris, são dois contra um... Ele não tem chance. –Mas quando Tobby voltou seu olhar para seu amigo ele sorria, como se acabasse de ouvir uma piada que só ele entendera.

-Eles não têm chance. –Corrigiu Chris. E assim ambos escaparam, passando pelo buraco sob o muro e continuando a rumar para lugar algum. Quando já haviam virado a esquina um grito ecoara pelas ruas. Chris sorrira e virara-se para Tobby. –Sapão parece mais uma princesa com esse grito fino. –E então eles continuaram o caminho...

Notas finais
e assim acaba nosso primeiro capitulo, prometo que antes da semana que vem o próximo já estará postado.

Não esqueçam da Review, ela é de grande importância para nós autores.