A Busca.
16 Um acontecimento inesperado - Por Atena
Notas iniciais
Afrodite havia me acalmado, – reformulando, ela TENTOU me acalmar, pois ela estava mais nervosa que eu – depois, ela reclamou que estava com sono e foi dormir. Já eu fiquei no quarto de Sofie. Ela dormia igual a um anjinho. Qualquer mortal (e imortal) que a visse, nunca pensaria que ela faria parte de uma profecia, que previa sua morte.
Não estava com nenhum pingo de sono. Estava faminta. Fui até a cozinha para pegar algo para comer.
Quando desci as escadas me deparei com uma cena que jamais viria em toda a minha eternidade. Apolo e Ártemis estavam dormindo no sofá de conchinha! Eu fiquei boquiaberta, mas, decidi não acordá-los. Finalmente, depois de tantas brigas, eles estavam juntos.
Caminhei até a cozinha nas pontas dos pés. Acendi a luz e preparei um sanduiche. Comi depressa e subi para o meu quarto.
Escovei os dentes e fui tentar dormir. Eu tentava de todas as maneiras pegar no sono. Contar carneirinhos, olhar as estrelas, formulas matemáticas (o que foi? Sou Atena, deusa da sabedoria e da estratégia. Mas eu tenho que confessar que formulas matemáticas me dão sono), enfim, mil e uma maneiras de conseguir dormir e NADA. Fui ao quarto de Sofie. Ela continuava dormindo.
Quando eu ia sair. Me deparei com outra cena que eu sempre julguei impossível. O mais novo casal do chalé estava entrando no quarto aos beijos. Fechei a porta e esperei alguns minutos. A abri de novo, ninguém estava no corredor fazendo coisas que adolescentes costumam fazer.
Voltei para o meu quarto e deitei na cama.
“Apolo e Ártemis estão juntos. Agora eu tenho que me acertar com... Não! NÃO! Eu NUNCA vou me acertar com aquele... lindo, gentil, sincero, um ótimo pai e avô... O que está acontecendo comigo? Será que eu estou apaixonada por Poseidon?” pensei.
Senti meus olhos pesando “Outra tática para ter sono. Pensar nos lindos olhos verdes mar de Poseidon.”
Acordei soando frio. Olhei para o relógio e eram 6:30 das manhã. “Melhor eu acordar” pensei “Vou tomar um banho, tenho que tirar esse sonho de minha cabeça.”
Sonho on
Eu praticamente virei um “fantasma” e vi o seguinte:
Eu estava na praia, Poseidon estava segurando minha mão. Na nossa frente haviam duas lindas menininhas. Uma loira com os olhos verdes (como Sofie) e outra morena com os olhos cinzas. Uma delas (a morena) disse:
— Papai! Nada comigo e com a Aurora até o fundo?
“Papai? Como assim?” pensei, mas no sonho eu apenas sorri e disse:
— Claro que o papai vai Alicia. Você vai, não vai amor? – ela, quer dizer eu, dei... Hã... Deu um selinho em Poseidon que saiu correndo pegando as duas meninas no colo e pularam no mar desaparecendo de vista. Eu... Quer dizer ela... sentou na areia e ficou observando o horizonte.
Até que Poseidon apareceu apavorado com as duas meninas no colo. Me levantei em um pulo (a Atena do sonho, quer saber? Deixe pra lá) e perguntei:
- O que foi?
- Ele quer as gêmeas. Vocês precisam fugir. Vão para o chalé.
- NÃO! – gritei – Eu fico aqui com você!
- Atena vá! – ele disse com a voz firme – Não quero que ele machuque vocês. – ele me deu um beijo – Eu te amo.
- Eu também. – disse segurando a mão das meninas – Vamos queridas, temos que ir. – saímos correndo, mas não foi rápido o bastante.
Olhei para trás e vi Poseidon lutando contra... CRONOS! Corri o mais rápido possível, mas as meninas eram pequenas demais para me acompanhar.
- Mamãe. – Alicia me chamou – Papai vai voltar para o chalé?
- Claro que sim filha. – eu disse querendo convencer a mim mesma – Vamos, temos que ir mais rápido.
- Mas as minhas pernas estão doendo! – elas reclamaram.
Ouvi uma explosão, olhei para trás e o vi caído. Cronos (ou melhor, o espirito dele, ou seja lá o que era aquilo) estava o olhando vitorioso. Fiquei paralisada. Ele o machucou. Automaticamente machucou a mim também. Não suportaria perde-lo.
As meninas me olharam assustadas. Cronos estava correndo (ou voando) cada vez mais rápido em nossa direção. Ele estava vivo, porém machucado.
- Mamãe! – elas me puxaram – Vamos!
Ele não iria machuca-las. Não se eu estivesse viva. Se ele as machucassem nunca me perdoaria. Entreguei uma pérola para cada uma e disse:
- Pisem nelas e pensem no chalé.
- Mas e você? – elas perguntaram com lágrimas nos olhos, e isso me cortou o coração. Dei um beijo na testa de cada uma e falei:
- Eu vou ficar bem. Vocês precisam sair daqui. – elas assentiram, com cara de choro – Mamãe ama vocês, ok?
- Nós também mãe. – elas me abraçaram.
- Agora vão! – elas pisaram nas pérolas e viraram névoa.
- VOCÊS ME PAGAM! – gritou Cronos que desapareceu em névoa. Corri para Poseidon:
- Meu amor, você está bem? Por favor, me responde. – já estava com lágrimas. Ele abriu os olhos e eu o abracei.
- Onde estão as meninas? – ele me perguntou.
- Dei as pérolas de Perséfone para elas. Agora elas estão no chalé. Mas o que ele queria com elas?
- É uma longa história. – ele hesitou.
- Me conte. Por favor.
- É meio complicado... – ele começou a falar, mas eu o interrompi:
- Vou fazer qualquer coisa para mantê-las a salvo.
- Atena, meu amor, eu não... – antes dele terminar o tempo fechou, e uma tempestade de raios começou – A culpa não é minha! Eu não o reergui do Tártaro! – ele gritou em direção as nuvens – Eu nunca, em hipótese alguma faria mal para as minhas filhas!
A última coisa do sonho que eu vi foi um raio me acertando e Poseidon falando algo que eu não entendi.
Sonho off
Sai do chalé e fui dar uma volta na floresta para esfriar a cabeça e pensar no sonho. Várias perguntas estavam se formando em minha cabeça “Aquelas eram mesmo as minhas filhas com Poseidon?”, “O que Cronos estava fazendo de novo no mundo mortal?”, “O que ele queria com as minhas filhas?”, essas e outras perguntas estavam passando a mil em minha cabeça.
Quando voltei, subi para o me quarto e tinha uma cama de casal! UMA CAMA DE CASAL! E um dos entregadores de Hermes me pediu para assinar uma prancheta. Recusei, e ele desceu para a cozinha. Eu o segui, e adivinha quem estava na cozinha com um certo avental escrito “Kiss the cook” e assando bolinhos azuis? Se você disse Poseidon acertou!
— Oi Atena! – Ele disse com um imenso sorriso no rosto – Estava te esperando! Fiz bolinhos... Azuis! – disse ele mostrando a travessa cheia de bolinhos realmente azuis. – Arrumei a mesa. Pode ir se sentar.
— O que você tá fazendo aqui Poseidon? – Perguntei indignada
— Ora bolas, vim ficar com a minha neta! – ele disse com um sorriso maior ainda
— E que cama é aquela no meu quarto? – perguntei na defensiva
— Ora, é o NOSSO quarto. – ele me serviu bolinhos – Eu resolvi que deveria acompanhar o crescimento da minha neta e como eu não tinha quarto, resolvi ficar no seu. Ai pedi pra Hermes mandar uma cama de casal o mais rápido possível.
— Quem disse que você vai ficar no MEU quarto?! – perguntei um pouco mais alto que o normal.
— Eu falei com Ártemis, ela disse que eu podia escolher um quarto e como eu não quero dividir quarto com a Afrodite e Ártemis já tem um companheiro de quarto, – disse ele dando um sorriso malicioso – eu tive que escolher você. – eu o olhei nos olhos.
— Você não pode dormir no mesmo quarto que eu, muito menos na mesma cama! – ele sorriu e disse:
— Vai ser legal Atena! Sou um ótimo companheiro de quarto. – disse ele dando mais um sorriso malicioso.
Então Afrodite entra na cozinha.
— Oi Atena... Poseidon? – ela virou a cabeça de lado, como um cachorrinho que não entendeu uma ordem – O que tá fazendo aqui?
— Vim ficar!
— Que ótimo! Onde vai dormir? – ela sorriu
— No quarto da Atena! – ele distribuía sorrisos gratuitamente.
— Que fofo! – ela pôs a mão no coração – Espero que se divirtam! — ela olhou pra mesa – Bolinhos azuis! – ela disse pulando — Que saudade dos seus bolinhos tio! – ela pegou um bolinho – Onde está o novo casal? – ela perguntou, e Poseidon arqueou uma sobrancelha. Ele fica lindo quando faz isso.
— Qual “novo casal” Afrodite? – ele perguntou. Lerdinho como sempre.
— Ora titio. – Afrodite falou como quem fala com uma criança – Se eu tenho Ares E Hefesto, Atena não tem ninguém...
— Ei! – reclamei, mas ela me mandou um olhar de tipo “Não me atrapalhe mais, se não eu faço sua vida amorosa ir por água abaixo” – me desculpe, continue.
— Continuando. O mais novo casal são os únicos deuses que não estão presentes no café da manhã. – quando ele finalmente sacou, ele espirrou café em TODA a cozinha.
— Ártemis? A deusa casta, que odeia homens?
— Ela odeia quase todos os homens. – Afrodite disse com um sorriso malicioso – POSEIDON! LIMPE A MINHA COZINHA AGORA MESMO! – ela gritou. Poseidon me lançou um olhar de “Ela é bipolar?” e eu apenas sorri.
Ele pegou um pano e começou a limpar o chão da cozinha que ele sujou de café.
Quando quase todos os bolinhos foram comidos. “Além de lindo, cozinha bem” pesei. Ártemis e Apolo desceram as escadas. Ártemis estava com o cabelo descente, mas a camisola, na minha opinião, era um pouco curta demais. Poseidon ficou olhando fixamente para ela, e Apolo quando notou gritou:
— PARE DE OLHAR DESSE JEITO PARA A MINHA IRMÃ POSEIDON!
— Foi mal.
— NUNCA MAIS A OLHE ASSIM! A ATENA ESTÁ SOLTEIRA!
— O QUE VOCÊ DISSE APOLO? – gritei, acho que ele se esqueceu que eu estava presente na sala.
— Nada Ateninha, nada... – antes que eu pudesse dar uns tapas nele, ouvimos Sofie chorar.
— Olha o que vocês fizeram! – Ártemis nos repreendeu– Acordaram a Sofie! – dizendo isso ela subiu correndo as escadas.
— Eu faço a mamadeira. – eu afirmei, deixando Afrodite emburrada. Algo me diz que ela vai ser muito mimada – Quem quer amamenta-la? – perguntei.
— EU! – Apolo, Poseidon e Afrodite gritaram em uníssono.
— Eu sou o avô! – Poseidon reclamou – E eu nunca a amamentei! – os deuses começaram a brigar. Antes que o chalé demolisse, eu disse:
— Deixa que a Ártemis faz isso!
— Sempre a Ártemis! – reclamaram Apolo e Afrodite.
— Sim, sempre ela. Depois vai você Poseidon. – ele deu um sorriso mostrando todos os dentes. Eu tive que me segurar para não sorrir também. Pois Afrodite iria fazer de tudo para ficarmos juntos.
Ártemis apareceu com Sofie no colo, e quando ela viu Poseidon começou a falar:
— Popo! – e estendeu os bracinhos. Poseidon a pegou com o maior cuidado do mundo.
— Oi bebê! Quem é a bebezinha mais linda de todo o Olimpo? – ele disse fazendo uma vozinha fininha, o que fez todo mundo na sala rir. Ele nos olhou e disse, com a voz normal – Estão rindo do quê? Aposto que vocês também fazem isso.
— Fazemos sim, mas ver o deus do mar, um dos três grandes fazendo o mesmo é muito hilário. – disse Apolo depois de rir para um século.
Poseidon ficou emburrado, fui até a cozinha e coloquei a água morna dentro da mamadeira e o leite em pó. Entreguei a mamadeira para Afrodite ver se a temperatura estava boa.
Depois ela entregou para Ártemis que depois de muito esforço, conseguiu tirar Sofie do colo de Poseidon. Quando Ártemis a pegou, ela começou a espernear e chorar. Não teve jeito, ela voltou para o colo de Poseidon que teve que aprender como se dá uma mamadeira para uma criança prodígio. E adivinha quem teve que ensiná-lo? EU!
Poseidon é muito atrapalhado. Mas, graças a nós, ele pegou o jeito. Depois de alimentada, deixamos Sofie no cercadinho (presente de Poseidon) para brincar.
Ártemis e Apolo foram para a floresta namorar, Afrodite voltou para o Olimpo para namorar, e eu fiquei sozinha com Poseidon.
- Vamos assistir um filme? – perguntou Poseidon
- Claro. – respondi com uma animação tão inesperada que o fez rir – Qual?
- Calma, apressadinha! – ele disse sorrindo – Primeiro vou levar Sofie para o berço.
- Ok, vou ver qual filme está passando.
Ele subiu as escadas com uma Sofie adormecida nos braços. Como eu podia ter brigado com ele por tanto tempo? Ele é atencioso, calmo, cuidadoso, fofo e lindo! MUITO lindo! Espera... O que eu acabei de dizer? Essa não sou eu! O que aconteceu com a Atena? Será que fui abduzida por ETs? Ou foi o sonho maluco?
Balancei a cabeça para tirar esses pensamentos da minha cabeça. E fui ligar a TV. Só tinha uns canais de filmes e como estávamos próximos do Halloween só tinham filmes de terror. E eu ODEIO filme de terror. Mas, era só o que tinha e eu não queria perder a chance de ver um filminho com o deus dos mares (essa não sou eu de novo).
Ele desceu as escadas e coloquei no canal em que estava começando a passar “Atividade Paranormal 4”. Ótimo, o filme de terror mais aterrorizante de todos e eu sendo medrosa desse jeito.
Poseidon se sentou ao meu lado e pegou umas pipocas que ele havia estourado. O filme começou e eu já fiquei com medo nos primeiros segundos de filme. Para se aproveitar da situação, Poseidon passou o braço pelo meu ombro e me abraçou, falando que estava tudo bem e que era só um filme. E o pior é que eu gostei.
O filme acabou e no final dizia: Baseado em fatos reais. Foi o necessário para eu me aninhar nos braços de Poseidon e sentir seu cheiro de mar, a brisa quente que me envolvia sempre que ele estava por perto. Fomos chegando perto, ele olhando em meus olhos e eu compenetrada nos dele, ele foi se aproximando até que sem notar, nossos lábios se encontraram e por incrível que pareça eu retribui. Agora sabia como Ártemis se sentia a respeito de seu voto. Confusa, arrependida por tê-lo feito, com medo do futuro, com medo de meu pai.
Afrodite tinha razão em eu não ter jurado pelo Estige, pois disse que eu iria me arrepender depois. E foi exatamente o que aconteceu.
Rolei para cima de Poseidon que me olhou confuso.
- Atena, você, tem seu voto... E – ele estava realmente confuso.
- Não tem voto nenhum, não jurei pelo Estige, posso ter você pra mim Poseidon.
Ele abriu um sorriso enorme.
- Repete?
- O que? – Agora eu estava confusa.
- Fala que agora você pode me ter.
- EU POSSO TE TER POSEIDON! – disse dando risadas depois.
Ele deu mais um sorriso e me beijou. De novo e de novo e de novo.
Eu só não sabia o preço desse amor.
Notas finais
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d
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