A Bruxa do Oeste.
2 Baile de Mascaras
John acordou assustado no meio da noite, estava suando frio, sabia como era aquela sensação pois há seis meses vinha tendendo o mesmo sonho, salvava a vida de uma garota e após um pequeno dialogo ela desaparecia.
Parecia que junto com ela um pedaço de sua alma estava sendo levada. Ele levantou e vestiu uma camisa, caminhou em direção a cozinha, olhou no relógio e ia dar duas da manha, “A hora que as almas voltando para o lugar de onde saíram” dizia Daniel.
Ele morava em uma casa que podia se avaliar como grande, era herança de sua família, John perdeu a mãe, avó, e a irmã e um acidente, não restara mais nenhum parente próximo então ele ficou ali sozinho por algumas semanas até que o namorado de sua irmã pediu para morar com ele.
John sabia que Daniel vinha de uma família pobre, e havia acabado de ser expulso do prédio onde morava, então ele resolveu deixá-lo ficar, ela uma casa muito grande para ele sozinho, e até mesmo se quisessem eles não precisavam se ver.
Mas não era essa intenção de John, ele queria um amigo, na verdade precisava, pois segundo sua “Doutora de Mentes” disseram ele estava a beira de uma depressão. Ele também achou que seria esse o motivo de seus sonhos estranhos com aquela garota.
***
–Açúcar, cara, AÇUCAR! – Daniel falou, enquanto derramava leite na tigela de cereais. – Você tem vinte e um, já esta mais que velho para saber que se comer açúcar demais vai ficar tendo sonhos estranhos.
– Sim, mamãe. – Falou John e os dois riram.
Daniel era o que as garotas consideram “um cara bonito”, tinha cabelo legal, um rosto de modelo, não era gordo nem magro, o que era estranho vindo do fato que ele passava o dia inteiro vendo televisão mais John.
Os dois estavam a procura de um emprego então ficaram o dia inteiro sem fazer nada, as vezes assistiam filmes, faziam os trabalhos domésticos, e saiam para correr.
Daniel achava engraçado o fato de eles serem ricos e não terem uma empregada.
“Se tivermos alguém para fazer as coisas por nos acabaremos virando porcos” Falavam John, sempre que seu amigo tocava no assunto.
– O que vamos fazer hoje? – Perguntou John, sem esperança dele dizer algo que os tirassem da rotina tediosa de sempre.
– Eu e você, vamos ao shopping comprar um terno e uma mascara para o baile de hoje a noite.
O silencio tomou conta da casa,é possível ouvir os insetos que andavam pela casa.
– Primeiro, eu tenho um terno, segundo, para que eu quero uma mascara, terceiro, que merda de baile temos para ir hoje a noite?
Daniel riu da cara de John, e qualquer um que tivesse no local faria o mesmo por era uma expressão tão... que não se conseguia explicar.
– Respondendo as suas perguntas, você precisa de um terno novo, e se é um baile de mascar é óbvio que você precisa de uma, e o baile é a causa disso.
Ele se dirigiu a geladeira, abriu a porta e apontou para a torta de maça que estava dentro dela.
– O que isso tem haver com o baile?
Daniel olhou o relógio, e depois disse:
– Isso. – A campaninha soou, ding dong. – Nossa ela é pontual.
Ele foi até a porta da frente, enquanto passava pela sala chutou as coisas que estavam no chão para o canto.
– Olá, você é pontual,em?
– Se eu não fosse pontual não seria diretora da Filiam Angeli.
Daniel riu
– O seu amigo esta? Eu vim trazer formalmente o convite dele.
– Joooooooooohn – Gritou Daniel.
Assim que ele apareceu na porta um arrepio correu pelas costas da mulher a sua frente.
– Joseph?
– Helena?
O coração de John acelerou, era a mesma sensação que tinha no sonho quando encontrara Withya.
– Vocês se conhecem? – Perguntou Daniel, sem saber o que estava acontecendo.
Helena balançou a cabeça, e disse:
– Desculpe, devo ter lhe confundido com alguém.
– Deve ter sido.
De onde nos conhecemos? E por que sinto que ela fosse a Withya?
– Muito bem, voltando, Sr. John eu gostaria de convidá-lo para o baile que farei hoje á noite, é para comemorar mais um filial da empresa aqui na cidade.
– Obrigado pelo convite, estaremos lar.
– Tenham um bom dia. – Ela olhou no olhos de John e foi como atingi-lo com uma faca.
***
– Corre, temos que chegar lá a tempo. – Disse uma garota loira com um rabo de cabelo no cabelo.
– Já é quase meia-noite. – Falou John.
– Quando o eclipse acabar o feitiço esta completo.
– E a Withya?
– Ela morrerá, assim como diz as lendas antigas.
***
Helena se virou de costas e seguiu para fora do gramado, a cabeça de John doeu, era como se estivessem espremendo seu cérebro como se faz com uma lata de refrigerante vazia
Ele caiu no chão e olhou para a mulher que acabara de sair de sua casa, ela estava com os punhos cerrados e assim que abriu a mão a dor que John sentia se aliviou.
– Tudo bem cara? – Perguntou Daniel.
– Estou bem, agora vamos comprar o ternos, algo me diz que não devemos faltar esse baile por nada.
***
A noite chegou rápido, e os rapazes não demoram de se arrumar, os dois pegaram ternos quase que iguais, não queriam isso mais foi o que acharam, dois ternos pretos, e as mascaras eram simples.
O carro buzinou na porta, John desceu as escadas correndo , abriu a porta e entrou no carro, era uma BMW preta, eles tinham alugado só para ir ao baile, John queria a qualquer custo parecer um nível melhor do que já estava.
Daniel chegou, e motorista deu partida no carro, não demorou muito para eles chegarem ao prédio da FA – Filiam Angeli, era grande deveria ter mais de seis andares, e pelo que estava escrito no convite a festa seria o ultimo.
Após subir a primeira escada Daniel disse:
– Espero que eles tenham elevadores, se não antes do terceiro andar eu caio morto.
John riu, e apontou para o elevador no fim do corredor, eles seguiram andando, ao se aproximar do elevador eles já conseguiram ouvir a musica que tocara acima deles.
As portas do elevador se abriram, e dentro estava uma menina, com um vestido cinza escuro, quase preto, ela estava com uma mascara da mesma cor, amarrada com fitas, a mascara possuía arabescos parecia uma renda mágica.
Os lábios da garota estavam pintados de vermelho, que davam uma cor viva ao seu rosto pálido. Os olhos dela se arregalaram ao ver os garotos, ela se espremeu no canto do elevador. Por favor, não, ela pensou.
John se aproximou e esticou a mão para tocar na dela.
– Meu Nome é...
Antes que ele terminasse a frase a garota saiu o elevador e seguiu em direção a escada.
***
A festa seguia calmamente, as pessoas dançavam, e os garçom vestidos de smoking passavam servindo a comida e as bebidas.
– Atenção. – Falou Helena no microfone, assim que todos pararam o que estavam fazendo e começaram a prestar atenção ela falou. – Queria agradecer a todos que estão aqui esta noite, e eu estou muito feliz, pois sempre foi meu sonho conseguir abrir uma empresa aqui. Pois para quem não sabe, esta é minha cidade natal.
Todos aplaudiram, e ela sorriu.
– Que viva a Filiam Angeli, vamos a ultima dança.
Alguém começou a tocar piano, e em seguida o resto da pequena orquestra continuou a musica.
Daniel dançava a musica lenta com Helena, enquanto John procurava um par, e do nada a garota apareceu em seu radar, a menina do elevador, ele seguiu até ela segurou sua mão, era gelada, e tinha uma maciez familiar, a garota respirou fundo e tentou se acalmar, assim que John segurou em sua cintura conseguiu sentir seus batimentos se tornando regulares.
A dança não durou um minuto e a garota já estava tentando escapar, sempre desviando, até que ela parou de lutar e o abraçou, naquele movimento rápido John só pensou em um coisa, o colar de Idris que estava no pescoço dela.
***
– O que fizemos? – Perguntou Withya.
– Não se culpe por isso, você não fez nada.
– Eu a matei, Joseph.
Daniel se aproximou correndo.
– Na escola todos já sabem, por que... Elas estavam ligas, um circulo completo.
Withya começou a chorar, Joseph a envolveu em seus braços e outros para o céu. A Lua. O Eclipse.
– Podemos salva-las, ainda da tempo.
– Como? – Perguntou Daniel e Withya ao mesmo tempo.
– Idris, o ritual de cancelamento pode ser feito no eclipse.
– Trazer os mortos de volta atrapalha o equilíbrio da natureza.
– Temos que tentar. – Joseph falou.
***
John olhou no fundo dos olhos da garota e teve a certeza que a conhecia.
– É você mesma? Withya?
Uma lagrima escorreu pela bochecha da menina e ela saiu correndo, segurando o vestido para não tropeçasse, “Em breve”, Ele imaginou aquilo saindo já boca dela, como uma musica para dormir.
Ele sentiu vontade de ir atrás dela, mas assim como o príncipe tinha o sapato do cristal, ele tinha o colar de Idris, e não importava mais como, ele sabia que veria a Cinderela novamente.
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