A festa já estava chata, agora sem Withya, não havia mais o que fazer ali, Daniel se aproximou e perguntou se tinha algo errado.

– A garota. – Foi tudo que John disse.

– Qual?

– A dos sonhos, cara, ela estava aqui.

Daniel olhou para todos os lados, procurando alguém com as mesmas características descritas pelo amigo.

– Onde? – Ele quis saber.

John revirou os olhos.

– Ela saiu correndo. – Um sorriso maligno abriu em seu rosto. – Mas eu sei que ela vai voltar, pois não conseguira ir muito longe seu isso.

Ele pegou o colar no bolso do terno, e mostrou para Daniel.

– Colar de... Pulchrior.

– Idris. – Corrigiu John. – Mas como você sabe esse nome?

– Helena tem um, e ela me contou a historia dos colares. – John olhou para Helena furiosamente, sentia que ela estava escondendo algo, sentia também que ela e Withya tinha alguma coisa em relação a outra. – Você quer que eu a chame? Ela pode lhe contar também se quiser.

John assentiu e Daniel saiu a procura de Helena, quando eles voltaram ela parecia nervosa, e sim, usava um colar so que com a lua crescente, ou no fim de um eclipse, ele pensou.

Helena estava com o cabelo preso como as mulheres do século 19, seu vestido azul marinho apertado mostrava um pouco das suas curvas.

– Então... você quer saber a historia dos Insignis,os colares, como diz a lenda.

– Sim, é que eu encontrei uma moça aqui no baile usando um parecido.

Os olhos de Helena se arregalaram e sua pele ficou mais branca de costume, e Daniel que segurava sua mão há sentiu congelar.

– Esta bem? – Perguntaram.

– Sim, não é nada.

***

– Segundo a lenda, estes são os colares de Insignis, que significa, Marcadas em latim, haviam também os Laceratum, marcados, isso porque eles foram criados por quatro amigos, e duas deles eram bruxas, e para selar o feitiço que haviam feito e se proteger dos efeitos colaterais elas fizeram os colares, junto a eles, elas seriam bruxas sem eles não teriam a mesma força nem as memórias que tinham antes.

– Qual o nome dos colares?

– Insignis, e Laceratum.

– Não, os nomes “pessoais” dos colares.

– Pulchrior, (Eclipse), Noctis, (Noite), Sanguis, (Sangue), e Idris.

– Qual a tradução de Idris? – Perguntou Daniel, curioso.

– Não existe uma tradução pro latim, ainda mais por que a palavra so ira fazer sentido de trás para frente, Sirdi, que em outra língua significa Coração. – Respondeu John.

Os dois olhavam assombrados para ele.

– Como você sabe disso? – Perguntou Helena.

Não tinha resposta, ele simplesmente sabia.

***

Saíram da festa e foram para casa, John subiu as escadas e foi para o quarto, tirou o terno e se deitou na cama, e algo estranho aconteceu.

Seu sonho mudou.

Não era mais a mesma cena em que ele salvava Withya e ela desaparecia agora eles estava aparentemente em uma sala de aula, a professora estava desenhando um circulo grande na lousa, ele olhou em volta e viu Withya do seu lado, pensou em varias coisas mais o que disse foi:

– Eu não estou entendendo nada, pode me explicar depois.

Withya o empurrou.

– Se você deixar eu prestar atenção quem sabe?

Alguém atrás dele riu. Era Daniel. Esta vestindo camisa social branca, calça e um suspensório, o que definitivamente ele nunca imaginara seu amigo vestir.

– Que fora, cara. – Daniel riu, e bateu no ombro de John.

A professora dividiu o circulo no meio com uma linha vertical e depois com uma linha horizontal, deixando o circulo como uma pizza de quatro fatias, por fim o circula acabou dividido em oito.

Ela se virou para os alunos e olhou diretamente para John.

– Sr. Joseph, algum problema?

– Não, senhora.

Todos da sala riram, até a garota loira do lado esquerdo de John, ele a reconheceu na mesma hora, o nome dela era Helena.

– Calados. – Ela ergueu a mão e cerrou o punho rapidamente, o silencio reinou e ela continuou a falar. – Este é um Calendário Lunar Bruxo. – Ela desenhou na ponta de cada linha uma bola, seguindo a ordem da linha inicial ficavam, pequena, totalmente branca, media, totalmente negra, pequena, pintada como a primeira, uma maior, com uma linha contando a no meio em um traço vertical, o lado esquerdo era negro e o direito branco.

Novamente a bola pequena, uma bola negra, outra pequena, e antes de terminar o circulo uma bola grande, com um traço vertical, dessa vez o lado direito era negro e o outro branco.

Ela escreveu o numero seis, ao lado de cada bola.

– Nos temos as Três luas, a Album, a Nigrum, e a Crescit. Nosso poder ficar mais forte no eclipse que este acontece sem um dia exato, mas podemos calculá-lo se soubermos onde esta o sol.

Ela esticou as mão para cima e as luzes se apagaram, ela falou algumas palavras e as linhas de giz começaram a brilhar, e no meio delas apareceu uma seta que apontava para próximo a sétima lua, uma Nigrum.

– Essa seta mostrara o caminho para o sol, não, você não precisa fazer tudo isso com as luzes, é só olhar para o centro do circulo e veras.

Ela passou a não na seta e foi descendo em diagonal, até chagar em um lugar vazio da louça, próxima a segunda lua Nigrum, e um desenho do sol apareceu.

Em seguida a professora, escreveu em cada fatia do circulo um numero, nove, quinze, dezessete, dezesseis, dezoito, vinte, trinta, e quatorze.

No canto de cada uma também tinha um numero pequeno, três, seis, dois, doze, dezoito, seis, trinta, e dois três quartos.

– Joseph acorda, se você quiser encontrá-la novamente tem que correr.

***

Quando John acordou estava na sala de cima, no escritório, ele nunca entrava ali, o local cheirava a mofo e papeis velhos, ele estava debruçado sobre a mesa de madeira, que estava cheia de mapas, e em um deles tinha um circulo gigante igual o do sonho, e no lugar que estava a cidade tinha uma Nigrum, e ao lado o sol e escrito.

Seis, Dois três quartos, quatorze.

Ele olhou o visor do celular.

Ano 14

Dia 6

Hora 1:56

John saiu correndo até o quarto de Daniel.

– Cara, acorda.

– O que foi?

– Já sei onde encontra-la.