Acampamento Meio-Sangue; Casa Grande; 7:00.

Visto que, passar os últimos minutos chorando ao lado dela não iria adiantar em nada, Dipper correu até a casa grande.

―Quíron! ― chama ele.

Quíron estava na varanda. Se assusta ao ver o quão abalado o campista a sua frente está.

― Marcroft! O que aconteceu? Você parece triste... Andou chorando? ― pergunta ele.

― Skyler... ela está morta! ― Dipper Marcroft sente o peso das próprias palavras enquanto as lagrimas quentes descem pelo rosto. – Alguém a assassinou! – diz ele.

― Oh. Isso não é nada bom. ― afirma o velho centauro. ― Algum monstro deve ter conseguido ultrapassar nossos limites mágicos. Precisamos agir.

O modo como ele reage a morte de um campista deixa Dipper um pouco desconfortável. Mas ele tinha seus motivos. Tudo na vida tem um motivo, certo?

Dipper olha para os pés.

― Não acho que seja isso, senhor. Quer dizer, Skyler estava estranha ontem a noite, antes de ir dormir ― diz ele ― e o senhor deve saber mais do que ninguém que muita gente não gostava de Skyler por sua competividade exagerada.

― Tem razão meu jovem, Skyler era a melhor em todas as atividades do Acampamento. Mesmo assim, isso não seria motivo para algum campista assassinar a garota ― Quíron coça sua barba enquanto pensa ― Lembra-se de algo suspeito que aconteceu ontem?

O garoto procura em sua mente.

― Hey, Dip! ― salda Skyler.

O garoto sorri.

― Skyler! ― vira-se em direção a voz. ― O que faz aqui?

― Bom... ― faz uma careta ― Infelizmente, perdi minha adaga na Captura a Bandeira de ontem, vim saber se você me consegue outra.

― Acho que consigo, sim.

― Sem problemas pra você? ― Skyler franze o cenho.

― Sem problemas ― repete ― E eu ganho o que em troca? ― pergunta abrindo um sorriso de orelha a orelha.

Skyler revira os olhos enquanto sorri.

― Olha, eu preciso dela pra amanhã. ― adverte ― Acha que consegue?

― Você está falando com o melhor ferreiro deste Acampamento!

― E o mais esquecido também ― diz Skyler ― Você jura que não vai esquecer-se disso?

― Eu juro! ― diz ele.

― De dedinho? ― Skyler arqueia uma sobrancelha enquanto ergue o dedo mindinho.

― Eu juro... ― revira os olhos. ― De dedinho.

Dipper cruza o dedinho junto ao da garota e sorri.

― Esse juramento é sagrado, Dip. Não se esqueça. ― acrescenta enquanto se afasta do chalé 9.

― E então? ― pergunta Quíron. ― lembra-se de algo?

Dipper ainda olhava para Quíron, mas estava longe. Com a cabeça em outro lugar. Depois de algum tempo respondeu:

― Não, nada... ― faz uma espécie de sinal negativo com a cabeça ― Tudo que sei é que tenho uma adaga para forjar. ― sorriu pela primeira vez no dia.

Enquanto caminhava de volta para seu chalé, podia sentir os olhares de pena sobre ele. Deuses, como ele odiava isso. Não, definitivamente não, não é um bom sentimento, principalmente quando se trata de pena de si mesmo. Era o que ele sentia.

Alguns campistas paravam-no pelo caminho para dizer coisas que geralmente são ditas em velórios: “Sinto muito!” ou “Meus pêsames...”

Bom, eram frases de consolo, mas pioravam tudo.

Edwin Conthrief do chalé de Hermes corre até ele.

Edwin tem a conhecida aparência élfica de filho de Hermes. Com seu sorriso divertido e seus olhos verde-escuro, ele convence qualquer um de qualquer coisa. Era conhecido por ser um dos melhores ladrões do chalé de Hermes. Geralmente, procuram ele para conseguir coisas que são proibidas no Acampamento. Se você precisa de algo que sabe que não vai encontrar no Acampamento, Edwin é o cara que pode te ajudar. Bom, desde que você pague bem ele, é claro. Não sabem como ele consegue todas as coisas, mas se ele não conseguir, acredite, ninguém mais consegue.

― Ei, cara! ― Edwin pousa a mão no ombro de Dipper ―Sinto muito...

― Tudo bem, eu estou bem, eu preciso ir agora Edwin, eu preciso pensar um pouco. ― diz Dipper.

― Entendo. Só queria te avisar que vão queimar a mortalha dela hoje, pela noite. ― Edwin tenta dizer isso da maneira mais sútil que consegue.

― Ok ― foi tudo que conseguiu responder.

― Olha, não quero te incomodar com isso mas você já soube dos boatos? ― pergunta Edwin.

― Que boatos? ― Dipper se interessa pela primeira vez no que Edwin diz.

― Estão dizendo que Walden Von Pless, de Apolo, não estava em seu chalé na hora do você sabe... assassinato ― ele sussurra.

― Espera, como sabem que horas ocorreu o assassinato? ― pergunta Dipper.

― Não me pergunte como eles sabem, mas os filhos de Apolo disseram a mim que foi por volta das 5 da manhã ― diz Edwin ― E eles me disseram sobre Walden também, disseram que ele não estava no chalé nesse horário.

― Eu não entendo... ― murmura Dipper.

― É cara, eu também não . Agora vou deixar você descansar, tem muita coisa pra pensar não é? ― Edwin dá tapinhas de encorajamento nas costas do colega e se afasta.

Acampamento Meio-Sangue; Chalé 9-Hefesto; 9:00.

Dipper estava deitado na parte de cima de um dos beliches do chalé 9. Pensava sobre o que Edwin lhe dissera hoje mais cedo.

Walden Von Pless, filho de Apolo, não estava em seu chalé na hora que ocorrera o assassinato. Que motivos ele teria para matar Skyler? Certamente ele era rabugento, provavelmente o único filho de Apolo que tinha essa personalidade. Ele teria coragem de matar Skyler? Porque?

A mente do garoto estava trabalhando rápido demais, em busca de memórias, uma explicação, um motivo para qual teria Walden de matar Skyler.

Um flashback vem a tona.