Notas iniciais
Mais um núcleo da história é apresentado neste capítulo.

Curiosos pra descobrí-lo?

CAPÍTULO DOIS

Wolf mother, where you been?

You look so worn, so thin

You're a taker, devil's maker

Let me hear you sing, hey ya hey ya

Wolf, First Aid Kit

Em Correrrio, Robb havia reunido os vassalos novamente e planejava seus próximos movimentos. A fortaleza que abrigara a mãe em sua juventude era grandiosa, toda feita em pedra escura e resistente, e muito fria à noite, o que lhes obrigava a acender as lareiras todas as noites, e conferenciar sob a luz das chamas bruxuleantes.

Catelyn visitava o pai, Lord Hoster Tully, durante grande parte da manhã, mas quando não estava adormecido o velho Tully tinha poucos momentos de lucidez antes de confundi-la com Lysa ou a falecida esposa. Era possível sentir em seus aposentos o cheiro das poções e unguentos com especiarias que o meistre lhe dava para abrandar-lhe. Embora houvesse também um cheiro mais suave e ainda mais penetrante. Catelyn acreditava que a vida do pai lhe estava deixando cada vez mais rápido.

”Talvez seja melhor assim” – ela refletiu passando a mão delicadamente sobre a nuvem de cabelos brancos do pai, cuja cabeça jazia imóvel no travesseiro – “Meu pai não merece mais ver tanta dor e sofrimento do seu povo. A morte será sua libertação desse estado deplorável em que se encontra. Sua transição, sua redenção...” – beijou-lhe a testa – “Quando chegar a hora, meu pai poderá voltar a viver com a grandiosidade que vivia em sua juventude, nos Salões Imortais de nossos ancestrais”.

– Cat – a voz que lhe afastara de seus devaneios era firme e vigorosa como seu dono – o Jovem Lobo gostaria de falar-lhe, minha querida. – Peixe Negro entrara no aposento do irmão e setara-se ao lado de Catelyn, abraçando-a como um pai.

Ela tocou a mão que ele pousara sobre seu ombro, ainda a sorrir para o pai. Um breve suspiro e a mãe do Rei do Norte sentia-se novamente como a menina que corria dentro e fora da fortaleza com Lysa, e Petyr sempre no encalço delas.

– Não acho que a dor dele durará muito mais tempo, tio – as palavras saíram doloridas de seus lábios róseos.

– Logo, criança, seu pai descansará. Ele está bem aqui, todos zelam com atenção e carinho por Lord Hoster. Seu pai foi um senhor justo e muito amado por seu povo. Não deve se preocupar com ele, minha senhora, mas ore por sua alma enquanto se empenha a dar ao neto de meu senhor os bons conselhos que ele um dia lhe deu.

Então levaram-se juntos, e deixaram o velho a descansar, imerso em seus sonhos e delírios de outrora.

“Família, dever, honra” – Catelyn refletia enquanto descia os degraus da escada espiralada para encontrar o filho e seus vassalos. O lema de sua Casa a chamava. Caminhava em direção ao Salão Principal de Correrrio, onde outrora o pai celebrava os dias festivos com seus vassalos, comida e bebida em abundância. Viajava com frequência e conhecia de perto cada um dos homens que lhe jurara fidelidade, e não por acaso agora todos também se dobravam a Edmure e Robb.

Ned sempre dissera que seu primogênito era um Stark, austero, justo e honrado, mas via nele muito de si, e de sua família. Leal, amistoso, e gentil, embora pudesse ser bastante voluntarioso, assim como Hoster e Edmure.

As pesadas portas de madeira e ferro que guardavam o Salão Principal, onde Robb agora conferenciava, estavam abertas, e Catelyn entrou sem ser anunciada. Imediatamente o recinto silenciou-se, homens antes ruidosos pela animação e pelo vinho lhe proferiam cumprimentos e saudações corteses em voz baixa. Ela os respondia com palavras gentis, mas não muitos sorrisos. Não em tempos como aqueles.

Robb sentava-se ao lado do tio, Edmure, a quem cedera cortesmente o lugar de destaque, o assento mais superior. Poderia ser o Rei do Norte, além de irmão de sua mãe, era Senhor de Correrrio que estava ao seu lado. Ambos levantaram-se para recebê-la, e Catelyn beijou o irmão no rosto e deixou que o filho lhe beijasse a mão. Robb não gostava que a mãe lhe beijasse em público.

– Como ele está, Cat? – Edmure lhe perguntou com carinho, enquanto enchia uma pequena taça de vinho para a irmã. – Veio do Sul, e é doce como você. – o jovem senhor riu enquanto lhe entregava o cálice dourado com ornamentos de sua Casa.

– Penso que ele está bem, Ed, se pensarmos em como estão homens que tem a mesma idade de nosso pai. Não sente muitas dores, e tem um bom meistre e a ti, que apesar de teimoso nunca negou sua boa vontade e dedicação à família. – levando o vinho aos lábios, provou seu sabor, seco e tinto. Não era doce, mas também ela não era. Virou-se para o primogênito, sorrindo – Encontrei na Casa Frey uma jovem para ti. Bonita, vigorosa e ponderada, com tais atributos lhe servirá bem como rainha.

Robb engoliu em seco e riu. Conhecia a mãe bem o suficiente para saber que Lady Catelyn insistiria em lhe achar uma moça para gerar um herdeiro, honrar a aliança com os Frey e, especialmente, tentar lhe incutir algum juízo. A nenhum deles agradava a Casa Frey, mas este fora um preço que pagaram para atravessar as Gêmeas.

Contudo, cada vez que pensava em como seria sua vida após o fim das batalhas, só conseguia imaginar-se com uma única mulher. A jovem Westerling que pacientemente curara a ferida que ganhou ao invadir a própria fortaleza da família dela. Jeyne, recordava de ouvi-la sussurrar quando ele perguntou seu nome.

Ainda podia sentir as mãos firmes e quentes da jovem dama percorrerem seu corpo cuidadosamente, tratando de seu ferimento, e à noite, quando dormia, a sentia perto e podia vê-la novamente em seus sonhos. E, sempre, depois de cada batalha, ou depois de cada vez que o Conselho de Guerra se reunia, ia sempre ter com ela, conversar, esquecer-se dos problemas e temores ao ver aquele sorriso tímido mais uma vez.

Naquele momento, quando a mãe e o tio já se afastava, Brynden Tully aproximou-se de Robb e sorriu. Ele pousara a mão sobre seu ombro, como costumava fazer sempre que falava com aqueles que lhe eram mais próximos.

– Melhore este semblante, Jovem Lobo. Não deve deixar transparecer suas inquietações e incertezas perante seus vassalos. Há muitos que o julgam imaturo e incapaz de governar o Norte, muito embora venha provando o contrário – Peixe Negro lhe sorriu — A juventude, às vezes, pode parecer uma idade horrível, que apreciamos apenas no momento em que sentimos saudade dela. Não se deixe viver seus tenros anos pensando que são apenas dever e obrigações, filho. Faça o que lhe parece ser certo, sem trair suas raízes e a si mesmo.

Notas finais
Espero que tenha sido uma boa leitura.

Será que já temos shippers de Desmera&Robb?

Não garanto nada...