A Beutiful Lie
3 3 - Alice
Notas iniciais
Achei que a semana nunca acabaria. Sem duvida, foi a pior da minha vida, e nada mudaria isso. Primeiro descobrimos que sim, atropelamos uma pessoa no fim de semana passado, depois descobrimos que foi Mike, um amigo do colégio. Mas por sorte ele estava bem, precisaria ficar em repouso, mas em algumas semanas receberia alta. Depois decidiram que precisávamos ir visita-lo (falei como isso era idiotice, mas ninguém me escuta). E para piorar tudo, algum idiota viu tudo o que fazíamos e agora estamos sendo perseguidos.
Estou dizendo que isso é apenas uma brincadeira de algum retardado, mas ninguém me escuta. Acho que já disse isso. Chris e Brandon — não me perguntem como sei isso — estão recebendo ameaças e fotos... dos dois... juntos. Bem suspeito. Na verdade, sempre senti algo entre eles. Mais uma vez ninguém me escutou. Hannah recebe fotos de um corpo na estrada, de todos saindo do carro e abandonando o local. Parece uma pessoa esperta, que sabe brincar. E assustadora.
Em uma semana eu só recebi uma mensagem. "Eu sei o que você teme" dizia, e eu acho que é a maior idiotice. Eu tenho dinheiro, o Tomas, amigos, mais dinheiro. O que eu devia temer?
Não sei com o que andam ameaçando Tom, mas ele parece bem assustado.
No sábado acordei relutante. Minha opinião sobre ter ido visita-lo no hospital não havia mudado, mas mesmo assim fui obrigada a ir.
Por mim não sairia da cama. Sábado. Nove horas. Qual o sentido em acordar cedo? Permaneci na cama por algum tempo, até meu celular tocar. Poderia muito bem ir atender, mas resolvi ignorar. Mas ligaram de novo, e de novo, e de novo. Quando aquele barulhinho estava começando a me irritar levantei. Não conseguia acreditar que Chuck estava me ligando aquela hora.
— Chuck? — falei pegando meu telefone e me jogando na cama novamente. Evitei me olhar no espelho, levando em conta o estado da minha voz, eu ainda estava dormindo. — Está tudo bem?
Chuck tossiu umas duas vezes até responder:
— Hm, sim — seu tom de voz estava baixo, mas logo estabilizou. — Você vai sair hoje.
Pensei se devia falar onde eu ia. Seria suspeita, pois nunca fui tão amiga de Mike, os outros eram.
— Vou sair com o pessoal.
— Ah...
— Você está bem? — ele realmente não parecia bem.
— Vou ao cinema com a Anna, se você quiser ir. — Meus nervos explodiram, quis jogar o celular pela janela, ou então explodi-lo. Como ele ousa falar dessa garota idiota? Ele sabe muito bem como eu a odeio. Aquela anã estranha. Ele não podia. Não podia.
— Anna?! Não vou poder ir. Desculpa — e desliguei o telefone, antes que ele dissesse mais alguma coisa.
Continuei deitada sobre as cobertas, tentando reconquistar a calma que reinava antes do idiota ligar. E pelo visto, isso era impossível. Eu não tinha um minuto de sossego, um minuto para descansar. Logo depois que me deitei novamente alguém bateu na porta.
Me levantei correndo e amarrei meu cabelo para trás, amarrei um roupão em volta do corpo e fui abrir.
— Pai, o que f... — felizmente não era meu pai, era Tomas. Ele me esperava com um grande sorriso no rosto, deu um passo para se aproximar de mim, mas bati a porta. Ele ficou do lado de fora se perguntando o que havia acontecido. — Você não pode aparecer aqui sem avisar e me ver assim.
— Ah, Alice, para de bobagem, vamos, abra a porta — ele estava com aquela voz doce e seu jeito meigo. Não havia maneira de permanecer com a porta fechada.
Assim que abri ele me recebeu com um beijo acompanhado de um abraço apertado.
— O que faz aqui? — perguntei me livrando dos seus braços e pegando uma toalha.
Tom sorriu enquanto eu abria o roupão. Acompanhei seu olhar, que se encontrava no meu pijama e logo me cobri com a toalha. Ele continuava sorrindo, então passou a mão pelo meu braço e me jogou novamente na cama. Ele não tinha mais o rosto meigo e sim o pronto para ataque.
— Seus pais saíram — murmurou ele no meu ouvido. Tentei dizer não, mas saiu como um gemido, fazendo o voltar a me beijar. — Ninguém vai perceber nossa falta — ele sorria e continuava a me beijar.
Sua mão deslizava pelo meu corpo, enquanto ele beijava meu pescoço.
— Tom, não!
E ele se jogou do lado.
— Estamos atrasados, espere aqui.
Me levantei e fui para o banheiro. Quarenta minutos depois — quarenta minutos ouvindo Tom me mandar ir depressa — eu estava pronta. Não pronta. Apresentável, digamos. Vesti uma camiseta rosa, arrumei o cabelo para trás e uma calça jeans, normalmente eu não saíria assim, mas não existe pessoa mais impaciente que Tom.
Menos de quarenta minutos depois já havíamos chegado ao hospital Joseph Clinn, um hospital particular. Os outros — Brandon, Hannah e Chris — nos esperavam na porta, pareciam impacientes. Brandon estava abraçado a Hannah e Chris olhando a paisagem, não pude evitar o riso.
— Oh, achei que não chegariam mais — disse Hannah, impaciente, enquanto entrávamos no grande prédio azul.
— Calada — retruquei, sem olhar para ela. Podia sentir a raiva tomando seu rosto. Era engraçada a maneira como ela me odiava e eu não ligava.
Ela retrucou mais alguma coisa, mas não dei ouvido. Continuei andando, enquanto ela resmungava. Mais uma vez me tornei superior.
Todos pareciam bem tensos, mais uma vez disse que isso era idiotice, Mike estava vivo e isso ia levantar suspeitas MAS QUEM ME OUVE?!
Ficamos esperando cerca de vinte minutos até a enfermeira nos deixar no quarto asqueroso de hospital. Como eu odeio hospitais.
O quarto era azul, tinha uma janela e um monte de tubos que iam direto para Mike. Ele estava deitado, com os olhos abertos, parecia doente. Uma cena horrível. Tentei sair da sala, mas Chris pegou meu braço. Fui obrigada a ficar vendo aquela cena ridícula. Todos fingindo uma preocupação que não sentiam, ver Hannah chorando, não por ver uma pessoa entre a vida e a morte, mas sim por ter causado aquilo. Ela não se importava com ele, ninguém se importava. Só se importavam consigo mesmo.
Como eu não me importava com ele, e conseguia admitir isso permaneci afastada e seria.
O garoto devia se sentir sufocado com tanta gente em volta dele, por mim eu não iria vê-lo, mas quando Hannah o tocou, ele se encolheu na cama e afastou a mão dela. Eu não queria perder aquela cena por nada.
— Saía... —ele mal conseguia terminar uma frase. — Saía... daqui...
Hannah começou a tremer e se afastou dele, Chris parecia intacta.
— Mike, não fala nada. Você está muito fraco — disse Tomas, tentando acalma-lo.
— Vocês... Fizeram... Isso... — agora sim todos estavam assustados, inclusive eu. — Eu vi vocês... Polícia... Vocês...
— Ele tá delirando — disse Brandon pegando o braço de Hannah. — Vamos embora.
E todos saíram. Pensei em dizer algo como "eu avisei" mas eles ficariam irritados. Ninguém falou nada até chegarmos na porta do hospital. Se eu os achava tensos quando chegamos, quando saímos eles estavam a ponto de explodir.
Assim que pisamos fora do hospital todos os celulares tocaram ao mesmo tempo. Nos entreolhamos boquiabertos. Era uma mensagem.
— Ele sabe, eu sei, logo todos saberão — dissemos todos em coro, lendo a mensagem. Certo, agora aquilo começava a me assustar.
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