A Besta (em hiato)

2 Capitulo 2 – O sonho de Hannes


Notas iniciais
Eu disse que levaria um tempo, mas no fim não levou tanto tempo a postar o novo capitulo. Espero que vocês estejam gostando :)

Trinta anos antes.

Inochin entrou no grupo dos corvos por um motivo: ele se agarrou ao sonho de Hannes. Era como se aquele fosse o sonho dele também, ter o mundo aos seus pés, ter tudo oque quer, ou talvez quisesse achar um proposito para si próprio, ele cresceu sem um sonho, já que foi criado por mercenários, seu sonho sempre era matar e brandir a sua espada.

O grupo dos corvos era um grupo que saqueava os corpos após batalhas, mas eles foram crescendo e participando de reais batalhas, rapidamente Inochin teve muita importância no grupo e naturalmente Hannes também, já que ele era o fundador do grupo.

Era uma manhã muito fria, a neve cobria os casebres em que os mercenários estavam alojados. Ao fundo fumaça, da batalha anterior, milhares de mortos, montanhas de mortos, todos mortos, amontoados como o lixo que são, não tem família, muito menos tem um sonho, tal qual como Inochin.

Inochin levantou de sua cama e olhou para a lareira, havia apagado, ela havia sido acendida na noite anterior, mas parece que não durou muito. Não demorou para Hannes acordar também, Hannes e Annie, namorada de Hannes, estavam dividindo o quarto com Inochin.

Não posso imaginar o incomodo que tiveram, um ao lado do outro sem poder fazer sexo em uma noite fria como aquela que passou.

—Eu vou lá para fora-disse Annie vestindo a sua roupa, ela estava completamente nua, seus peitos estavam eriçados, e sua cabeleira loira corria como agua por seu corpo.

—Está bem, vou ficar um pouco mais na cama.-disse Hannes, ele também tinha uma cabeleira, mas era negra como as sombras, levemente cacheada e belos olhos azuis, como os de um nobre que viviam no mais alto escalão da sociedade.

—Temos que nos apressar, Hannes, temos que ir a aquele reino no norte, nos contrataram por lá, dizem que foi o rei do norte. Francamente, se o rei do norte não pode vencer esses caras, quem ele acha que venceria?-perguntou Inochin, ele tinha cabelo curto e muito arrepiado e tinha uma cicatriz gigante no seu olho esquerdo.

Inochin teve um sonho estranho na noite que passou, um corvo descia dos céus e pousava a sua frente e dia que não deveria ficar, “ficar aonde?”, se perguntava Inochin, mas então o sonho acabou com um barulho estridente, como algo arranhando .

Inochin também se levantou e começou a se vestir, quando Hannes disse algo:

—Ino, ele conhece quem nos somos, sabe sobre eu e você, sabe que você empunha uma espada gigante, maior que você mesmo e sabem que eu sou o espadachim mais rápido da Europa e sabem que nosso exercito só tem crescendo, mais e mais. Eles esperam muito de nós, por favor, não os decepcione, traria muita vergonha para o grupo.

—Sim, sim...

Ele terminou de se vestir e foi para a rua, estava muito mais frio do que na noite anterior, não gostava de imaginar o frio que passaria na próxima noite, já que estará cavalgando rumo ao norte.

...

Se aprontou e botou sua enorme espada nas costas, eram trinta e cinco quilos de puro aço, anos antes ele havia roubado um trilho de uma antiga mina e feito a espada com auxilio de um ferreiro chamado Pauck, ele era um ferreiro muito habilidoso, forjou as melhores espadas que a Europa já havia visto.

Hannes estava cansado pela noite mal dormida, ele se enchia de pesadelos, parecia que os seus lordes queria ele rápido, não aguentavam mais espera-lo, ou era somente um pesadelo qualquer?, na verdade, não importa, ele iria ao norte, derrotaria os orientais e seria consagrado cavaleiro pelo rei Tobias, apesar de ser um homem cruel e frio, Hannes acreditava que ele concederia um titulo na nobreza a ele e seu bando.

Annie já estava de prontidão para a saída. Aparentemente não aguentava mais aquelas crianças, filhas do dono dos casebres que alugaram.

O bando, saiu de seus alojamentos e foi a viagem. Saria uma viagem longa, um mês, eles estavam no extremo sul e iriam ao extremo norte, era de se esperar que fosse uma viagem muito longa. Enquanto passavam pelos feudos destruídos pela peste, a peste era um dos sinais, segundo sacerdotes da igreja, que o apocalipse viria em breve até a terra e a destruiria.

Haviam muitas cenas violentas, passando por uma cidade grande, viram uma mulher, acusada de ser uma bruxa, ser queimada viva. Viam pessoas empaladas, em damas-de-ferro, rodas da tortura, tudo isso ao ar livre, também haviam homens considerados desertores esfolados e castrados, dizem que tiveram os testículos cortados quando ainda estavam vivos.

No final do décimo sexto dia de viagem, acamparam em uma clareira, havia muita neve caindo ainda, apesar de terem completado dois quartos do caminho, ainda não estavam no norte, Inochin conhecia muito bem o frio do norte, ele foi criado lá, como um guerreiro.

Dês de pequeno Inochin treinou com as espadas de seu pai adotivo, Percival,ele era um habilidoso guerreiro na arte da espada, usava uma rapiera, uma arma pequena, mas mortal, Percival nunca deixou Inochin sequer encostar naquela espada, por isso ele usava pesadas espadas antigas, provavelmente usadas nas cruzadas, elas pesavam aproximadamente doze quilos, e então nunca se acostumou com uma espada pequena desde então.

Ele mandou forjar sua primeira grande espada aos dez anos, a espada tinha vinte quilos, e com o passar dos anos foi mandando forjar mais espadas, de dez em dez anos, quando podia brandir sua espada bem, mandava forjar dez quilos mais pesados do que a anterior.

Atualmente sua espada tinha trinta quilos e planejava pedir uma de quarenta logo, mas parecia que não conseguia se acostumar com o peso da própria espada, talvez requeresse mais treinamento, ou talvez estava chegando a seu limite de força, não, ele não deveria pensar isso, ele derrotou o cavaleiro cebola de Cathenworth.

A comida estava ótima, ele não comeu muito, mas o suficiente, depois disso conversou com Hannes.

—Hannes, seus objetivos não me parecem claros...

—Não tema-disse ele fixando seus olhos em Inochin, aquele olhar era amedrontador, dava um certo desconforto a Ino-, lhe garanto, todos que morreram e estão para morrer são a chave do meu objetivo, pois somente com sacrifício vem o triunfo, não é mesmo?

Hannes mostrou um sorriso, deixando a amostra seus belos dentes brancos .

—As vezes, parece que eu não tenho um sonho...-disse Inochin, fitando uma das fogueira, seus olhos lacrimegavam-é como se os sonhos fossem fogueiras, todos se aquecem nessas fogueiras, certo momento as fogueiras se apagam, indicando que o sonho foi completo, mas eu me sinto como se eu fosse um viajante que parou, sentou-se e se aqueceu em uma dessas fogueiras e então quando sentia-se confortável, foi embora.

—Você está querendo nos deixar, não?

—Desculpe, tenho que achar meu sonho, o sonho que tanto cobiço, quero algo para dar sentido a minha existência, quero realizar um feito que nunca será esquecido.

—Que incomum, seu sonho é buscar um sonho. Você não sairá de nosso bando, porque seu sonho está aqui, seu sonho é o meu sonho, como o de toda essa gente, todos achavam que viviam a toa, mas se agarraram a meu sonho, e passaram a entender o sentido de suas, vidas, vidas que achavam que eram miseráveis, mas não eram, porque pela primeira vez na vida, tinham algo para seguir, mesmo que fosse um grupo de ladrões de corpos, tinham algo a seguir. E olhe para nós agora, indo enfrentar um exercito do oriente a serviço do rei, o mini que posso dizer é que o meu, nosso, sonho está andando bem...

—É... você está certo, acho que aqui é o meu lugar, boa noite, se precisar de algo, estarei em minha tenda.

—Claro.

Hannes olhou para o alto um bom tempo, Inochin nem conseguia pensar no que se passava na cabeça daquele homem, aquele desejo, aquele sonho, aquela ânsia por poder.

Notas finais
Talvez eu poste semana que vem, então, até...