A Besta
1 Capítulo 1
1 A boneca russa
Trabalhando por seis horas seguidas, eu e Joe estávamos exaustos. Mas, finalmente, essa era a última caixa enviada para o museu.
Transportávamos com maior cuidado possível, pois eram peças valiosas e únicas, na maioria das vezes. Mas Joe, como sempre, vacilou e deixou uma caixa cair no chão.
Uma boneca russa saltou da caixa e se abriu várias vezes, revelando inúmeras bonecas dentro dela. Quando a última se abriu, algo como areia voou para fora.
A coisa mais estranha aconteceu: senti um poder se manifestando ali, algo terrível se daria deste episódio. A coisa voou até a floresta, e lá se transformou em algo maior e sólido, um animal! Não! Eu estava louco!
Eu não sei o que vi ou o que aconteceu há poucos segundos atrás, mas estava certo de que não queria pensar nisso, pois agora teria de encarar consequências mais sérias: meu chefe!
***
Acordei hoje com dor de cabeça. Por sorte só teria de ir pra escola e encarar algumas aulas chatas. Por mim, tudo bem! Já me acostumei a ter que ir a escola todos os dias. Tudo o que eu tinha de fazer era prestar atenção nas coisas importantes, escrever algumas redações e ficar quieta no meu lugar.
Escolheria algum dos meus livros para ler, eles eram uma ótima desculpa para que, quando me vessem lendo, soubessem que eu não queria ser incomodada.
Ivy foi até a escola e fez o que já havia planejado. As horas se passaram rapidamente até o intervalo.
Ela e as amigas caminharam até cantina e escolheram algo para comer. Suas amigas, Julia e Alice, eram bem tranquilas. Às vezes faziam algumas péssimas escolhas amorosas, outras vezes também faziam gracejos de que todas riam, mas fora a isso, eram calmas.
Julia era apenas irmã adotiva de Alice, elas tiveram muita dificuldade no começo, ainda tinham, mas eram grandes amigas!
As meninas implicavam sempre com o jeito controlado e sério de Ivy, mas elas gostavam da amiga, e as garotas sabiam que ela era teimosa como uma criança e não iria mudar. Então, elas aprenderam a conviver.
Na visão de Alice, Ivy era pequena, delicada e fácil de magoar, assim como um cristal pequeno prestes a quebrar! Em situações ruins, ela protegia a amiga, nem que para isso tivesse de se prejudicar. "Ivy é apenas minha pequena, doce e indefesa amiga. Sempre a protegerei!", pensou.
Ivy percorreu o refeitório com os olhos e, por acidente, seus olhos se encontraram com os olhos de Richard. Sua expressão gélida e seu olhar frio a fizeram tremer e a baixar a cabeça imediatamente.
Richard a assustava mais do que qualquer criatura no mundo. Ele sempre tinha um olhar frio, estava sempre quieto e não tinha nenhum amigo. Ele olhava como se tivesse ódio por todos.
O garoto aparentava força e ar superior. Seus cabelos eram morenos, escuros como a noite, seus olhos eram de um tom azul escuro, muito amedrontador, ele era branco e também, muito alto e forte.
Nas aulas de educação física masculina, pelo menos nas que Ivy assistiu, ele era o mais rápido. "Os outros garotos não tem chance contra ele se entrar em uma luta, de jeito nenhum!" pensou ela.
Ivy era excepcionalmente comum: seus cabelos eram de um tom castanho sem vida e muito lisos, e eles ganhavam um brilho loiro no Sol. Seus olhos eram castanhos e não transmitiam nada de extraordinário, nenhuma força. Ela não era alta, nem um pouco! Era pequena e inofensiva.
Ela não gostava que as pessoas pensassem o que pensavam dela, que ela era tão impotente quanto a uma formiguinha. "Mas deixem que pensem! É melhor que não saibam que eu sou forte, pelo menos por dentro. Assim, sempre terei quem proteja a pobre Ivy!" ela balançou a cabeça se perguntando de onde partira esse pensamento tão egoísta de dentro dela. Ela não era assim! Ou pelo menos não queria ser...
A aula acabou. Ivy e as meninas ficariam por mais um tempo na praça em frente à escola para que fizessem um trabalho extraclasse dado pelo professor Albin, o chato do professor Albin!
Ivy preferia trabalhar sozinha nesse tipo de atividade, mas como era um trabalho extenso, ela decidiu se juntar as amigas. Julia e Alice, na maioria das vezes davam apenas uma pequena pesquisada e Ivy era quem resumia e declarava se a fonte da pesquisa era confiável ou não. Depois de resumido cada uma pegava uma parte para si e começavam a copiar.
A brisa estava suave na praça, as meninas curtiam a sombra das árvores e o barulho das crianças brincando. Estava tudo perfeito, mas algo fez a “garotinha” se assustar: ela avistou Richard, sentado em uma das mesinhas de pedra da praça, provavelmente fazendo alguma tarefa.
Ele parecia não ter as notado. A menina quis imediatamente ir embora e pensou em arrastar as amigas pelos cabelos se fosse preciso! Mas depois se aquietou e não chegou nem a sugerir ir pra outro lugar com as outras. "Que estupidez a minha, ele não é nenhum demônio para que eu fuja feito um ratinho assustado! É só eu fazer o que sempre faço: ficar quieta no meu canto, e ninguém vai me incomodar. Ninguém ousará!", pensou ainda um pouco receosa.
Ela bateu as mãos com força nos joelhos como sempre fazia para fugir de seus pensamentos aleatórios, e se concentrou no que tinha que fazer: "Vamos ao trabalho", falou, rindo consigo mesma pelos pensamentos ridículos de minutos atrás.
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