A Besta
2 Capítulo 2- O Chefe
2 O chefe
Notei que Akira passava de branco para ruborizado de raiva enquanto contávamos sobre a caixa e sobre a boneca russa que se abriu e deixou cair seja lá o que for que houvesse dentro.
Ele era japonês, tinha marcas de expressões pela idade, e de certa forma seu rosto tinha uma expressão tão impenetrável que me assustava.
Joe e eu estávamos cara a cara com ele: nosso chefe. O silêncio era absoluto e eu tinha a certeza de que seria demitido. Por fim, ele falou, ou melhor, gritou:
-Seuuus imbecis!!! O destino de vocês será pior que uma simples demissão, pior que a morte! – praguejou- eu deveria saber que precisava selecionar melhor os funcionários que carregariam algo tão valioso! Vocês sabiam o que havia dentro daquela boneca?! Hein? Respondam!
Joe e eu olhamo-nos por um momento e baixamos a cabeça permanecendo assim, no silêncio, até que:
-Insisto, respondam idiotas! Eu ordeno — gritou quebrando o silêncio como um uivo do vento durante a noite calma. Outro momento de silêncio se deu e Akira tinha a cabeça entre as mãos, voltando lentamente a sua cor normal.
-Não, senhor. Sinto muito — por fim decidi dizer.
-Vocês nos condenaram a morte, não são capazes de compreender não é?- falou quase aos sussurros, mas ainda mantendo a raiva em sua voz. E, repentinamente, recuperou o tom raivoso e disse- Vocês libertaram a pior criatura existente no mundo. Uma fera cuja força é tamanha, e ela matará um a um que se opor em seu caminho. Era isso que estava naquela boneca, isso!
Eu fiquei confuso de imediato, duvidei instantaneamente da sanidade mental de nosso chefe. Pensei até que ele se referisse ser o conteúdo da boneca de valor único, e que alguém com certeza nos fariam pagar um preço muito caro.
Mas, mesmo assim, suas palavras não faziam sentido. Nada hoje fazia sentido! Parecia que minha vida, a vida do “honesto Marius, homem humilde, trabalhador!”, virara de cabeça para baixo! Tudo por causa de uma maldita boneca!
Todos esses pensamentos vieram em uma enxurrada em apenas um segundo, mas Akira voltou a falar e eu voltei a mim:
-Por agora, continuarão trabalhando normalmente. Teremos de esperar para ver como as coisas irão ficar. Mas, solenemente, terão de jurar que não comentarão nada disso com ninguém! Vocês entenderam?! Jurem, agora!
“Juro”, dissemos eu e Joe ao mesmo tempo. Eu tinha a certeza, de que como eu, Joe só queria era sair desta sala sinistra, pequena e mal iluminada, e juraria qualquer coisa que fosse para escapar dali.
Saímos quase correndo para fora, olhamo-nos por um momento, mas a confusão nos tomou novamente e seguimos lentamente em direções opostas, cada um para a sua casa.
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