Notas iniciais
Alguém aí? Cheguei depois de 84 anos com um capítulo novo *-* Desculpem pela demora e por isso não ser um retorno definitivo. Tem sido complicado para mim manter um ritmo de escrita e atualização por N motivos, mas fé em Cher porque, mesmo que demore, eu sempre volto. Boa leitura ♥

Mas ela é meu furacão
E eu, eu sou o seu oceano
E nós poderíamos fazer as maiores ondas
Porque ela me faz mover; ela me move

Waves — Kris Allen

Em algum momento, me distanciei. Não sei como, mas sei o porquê. Foi difícil me concentrar na animada conversa enquanto caminhava com Amelia, seu irmão, o Dr. Christian Patel e o cachorro Hulk pelo Central Park.

Difícil porque, a todo instante, eu olhava a cidade ao redor, esperando qualquer movimento suspeito, qualquer olhar atravessado para mim, qualquer pista que indicasse que algo ruim estava sendo orquestrado nas sombras.

É impossível esquecer que, há poucas semanas, esse lugar voou pelos ares enquanto eu vivia um dia relativamente comum. Comum e inocente como este. Com a diferença que, naquele dia, eu me dei ao luxo de me distrair.

— Planeta Terra chamando Bruce Banner. Olá? Bruce?

De repente, sinto uma pressão atípica na mão direita e o estado de alerta é abalado. Olho para baixo, encontrando a origem do apertão — Amelia entrelaçou meus dedos com certa força —, e ergo a cabeça para ela.

Algo transpassa seus olhos expressivos um segundo depois. Um sentimento de compreensão e tristeza, acho. Ela não questiona por que eu fiquei tão distante. Tenho certeza que já adivinhou.

Indicando o namorado de Josh e depois o enorme cachorro ao seu lado, ela me atualiza rapidamente sobre o assunto da conversa:

— O Christian estava perguntando o que você achou do nome que eu dei para essa fofura aqui.

Antes que eu responda, no entanto, seu irmão intromete-se:

Fofura? Esse cachorro é um demônio! Destrói tudo que vê pela frente e é muito espaçoso! Francamente, Amelinha, ele só se comporta com você.

— Viu? Mais uma razão para se chamar Hulk.

O comentário dela me faz relaxar e sorrir, mesmo que o sorriso não chegue aos olhos. Volto-me para o Dr. Patel e dou meu parecer:

— Eu encarei como uma homenagem. Ela disse que foi.

Mas isso é o máximo de descontração que consigo sentir e apenas por um breve momento. Depois que Amelia sela nossos lábios por um instante carinhoso, volto a ficar preocupado com o mundo a minha volta e me perco na conversa de novo.

Quando dou por mim, Josh e seu namorado estão se despedindo de nós e levando Hulk — o cachorro — para longe.

Amelia não faz nenhum comentário, limitando-se a caminhar rumo ao seu carro, estacionado rente ao meio-fio. Apresso-me para abrir a porta para ela.

— Que cavalheiro, assim meu coração não aguenta — brinca, abrindo um sorriso tão encantador antes de entrar que demoro a me mexer simplesmente porque esqueço da vida.

Depois que desperto do transe, dou a volta no veículo e me acomodo no banco do passageiro. Ela gira a chave na ignição, pondo-nos em movimento pelas ruas movimentadas da cidade. O silêncio não dura quase nada porque me vejo muito inclinado a me explicar.

— Desculpe.

— Por quê?

— Por ter estragado o passeio.

Amelia me lança um olhar de soslaio acompanhado de um sorriso enternecedor.

— Não estragou nada, relaxa. — Uma breve pausa depois, continua um tanto sem jeito: — Eu entendo, sabe? Que você tenha ficado meio... hum, traumatizado depois de tudo. Mas aquilo não vai acontecer de novo, Bruce.

Por aquilo, sei muito bem que ela está falando do ataque orquestrado para me atingir e que acabou atingindo civis inocentes, inclusive Amelia. Também sei que ela não pode garantir que algo assim ou pior não vá se repetir. Mas, nesse momento, decido acreditar nela. Vou juntar as peças desse quebra-cabeça e impedir que mais gente se machuque por minha causa. Vou deter Ross antes que ele dê o próximo passo. Tudo vai ficar bem eventualmente.

Paro de pensar nisso quando Amelia entra numa avenida diferente. Estranho a escolha.

— Esse não é o caminho da Torre, é?

— Esperto — ela zomba, apertando os lábios para não rir.

Analiso o percurso, passando os olhos pelas sinalizações e fachada das lojas. O trajeto me parece muito familiar de alguma forma e não demoro muito para matar a charada.

— Estamos indo para a sua casa?

Um riso escapa da garganta de Amelia.

— Eu sempre soube que você não era só um rostinho bonito, Bruce.

Penso em perguntar por que estamos indo para lá, mas percebo que não é realmente importante. A verdade é que iria para qualquer lugar que Amelia quisesse me levar agora.

Em qualquer momento que fosse.

***

Algum tempo depois, ela abre a porta do apartamento e entra acendendo a luz da sala.

— Mi casa es su casa.

Ela caminha devagar pelo lugar, olhando tudo em volta com uma postura de reconhecimento e nostalgia.

Fecho a porta atrás de mim, enquanto ela passa os dedos por alguns filmes na estante. Com um olhar estreito em cada título. Um deles parece agradá-la em especial, já que o puxa para si e aperta-o junto ao coração. Depois, gira nos calcanhares e propõe:

— Que tal um filme para relaxar?

— Algo romântico? — pergunto, desconfiado.

Ela dá de ombros e me mostra o título.

— Não deixa de ser.

Não consigo conter uma leve risada. Eu devia ter imaginado que o seu gosto para filmes era um pouco... agressivo.

— O que tem de romântico em Duro de Matar, Amelia?

— Ora, tem um casal — diz num tom óbvio, quase debochado. — E até acontece um beijo. Meio ensanguentado, mas não deixa de ser lindo.

Arqueio as sobrancelhas, ressalvando:

— E cenas absurdas de ação, com muita pancadaria desnecessária e explosões surreais. Isso para não falar dos efeitos sonoros exagerados beirando o cômico.

— Exato! E é tudo isso que torna a história de John McClane tão divertida! É o meu filme de Natal favorito, sabia? Não que eu só assista no Natal...

— Chocado — limito-me a comentar.

No fundo, acho encantador e engraçado que ela seja tão apaixonada por esse tipo de filme, e só estou implicando da boca para fora. É a cara dela afinal, já que tem o Hulk como Vingador favorito. Só não entendo por que, subitamente, a empolgação desaparece do seu semblante.

— Se bem que talvez não seja uma boa ideia você assistir, considerando... — Amelia engole em seco e soa muito constrangida quando desconversa: — Eu não sei onde estava com a minha cabeça. Vamos achar outra coisa!

Ela me dá as costas e começa a procurar outro filme na prateleira. E é então que entendo o que está acontecendo. Ao que parece, Amelia fez uma relação entre a temática do enredo e as explosões à bomba de alguns dias. Acho que ficou com receio do filme me afetar de maneira negativa.

Essa possibilidade quase me faz rir. Em parte, porque acho gentil sua preocupação e, em parte, porque é um absurdo que esse filme me traumatize. Aliás, posso até dar algumas risadas com ele.

— Eu acho que Duro de Matar será ótimo na sua companhia — insinuo, fazendo Amelia hesitar entre guardar ou não o DVD. — E como você mesma disse, é um filme divertido. Quem sabe me ajude a esquecer um pouco da vida real e tudo o que aconteceu?

Ela se vira, exalando aquela empolgação de novo. Antes de passar por mim, me dá um beijo estalado.

— Já que insiste.

Amelia liga o aparelho de DVD e coloca o filme na bandeja dele. Liga a televisão e pega os dois controles. Se joga no sofá e dá alguns tapinhas no lugar ao seu lado. E eu vou.

Antes do filme começar, reflito sobre um detalhe em toda essa situação e um riso baixo me escapa.

— O que foi?

Pelo visto, não tão baixo assim.

— Você sabe que existe uma coisa chamada streaming, certo? Outra chamada download? Já ouviu falar, por exemplo, de Netflix ou Torrent?

Ela ri, não sei se do comentário, de si mesma ou das duas coisas, acertando o cotovelo de leve nas minhas costelas. Depois, dá de ombros, rendida.

— Eis o meu segredo obscuro, Bruce Banner: eu gosto de colecionar DVDs e Blu-rays. É como as pessoas que compram livros físicos, ao invés de e-books, porque amam alisar a capa, folhear cada página, sentir o cheiro do papel, arrumá-los na estante depois. Eu gosto de sentir o filme nas mãos, ouvir o click quando abro a capa, pegar o disco com cuidado como se fosse um tesouro, porque é um tesouro, apreciar o menu interativo e os extras. Sei lá, é como se o filme me pertencesse de alguma forma. É outro nível de diversão e envolvimento.

A maneira como ela se explica atrai totalmente minha atenção. Não que Amelia precise fazer muito esforço para isso, mas o ar inocente, o brilho no olhar e o tom de confissão me encantam. Por mim, ela pode ter todos os DVDs ou Blu-rays do mundo se isso a deixa feliz, com esse leve e sincero sorriso.

Talvez percebendo minha cara de bobo, ela ri novamente e me dá um beijo rápido. Em seguida, se aninha no meu corpo, respira fundo cheia de expectativa e aperta o play.

— Agora, silêncio e vamos ao filme.

***

E quem diria? Acabei me divertindo mesmo com a sessão romântica. O filme, cuja história eu nem lembrava direito, é mesmo... impactante? Difícil encontrar uma palavra melhor para defini-lo do que explosivo.

O que mais gostei foi de ouvir as risadas de Amelia a cada cena surreal e piadinha clássica do personagem que ela parece admirar tanto. O som da sua risada mexendo de forma curiosa comigo...

Também gostei muito da nossa proximidade no sofá durante o filme, sua cabeça inquieta no meu ombro, o braço entrelaçado ao meu e os dedos desenhando círculos no meu pulso. O perfume suave e de alguma forma marcante que emana dela, a perna de Amelia roçando na minha o tempo todo, tê-la tão perto e tão minha, foi ótimo.

Tudo bem, talvez eu não tenha prestado tanta atenção ao filme quanto deveria.

— Obrigado — agradeço, quase sem perceber, enquanto os créditos sobem.

Ela se ajeita no sofá, esfrega os olhos que ainda lacrimejam de tanto rir e replica:

— Pelo quê?

Penso sobre esse dia, essa tarde na sua companhia, esse momento, sobre todos os momentos bons que tivemos até aqui, sobre o que ela significa para mim.

— Por ter trazido normalidade à minha vida. Uma normalidade reconfortante e pacífica.

Ela me encara com certo choque e ri da minha resposta.

— Reconfortante e pacífica? Eu?

Alcanço seu rosto e deslizo um dedo lentamente pelo queixo. Amelia para de rir na mesma hora e encontra o meu olhar com uma seriedade que faz o meu pulso acelerar. Percebendo que preciso me explicar melhor, deixo que as palavras fluam:

— Você pode ser como um furacão, cheia de caos e intensidade, mas há algo de reconfortante e pacífico nisso. Em como você arrasta tudo o que vê pela frente, em como revirou todas as certezas que eu tinha, em como me fez gostar desse filme maluco.

Ela beija a minha mão e me encara com um olhar carinhoso e interessado.

— Continua.

Simplesmente obedeço, abrindo-me mais:

— Eu nunca sei o que esperar de você, Amelia. Ou de mim quando estou com você. Mas é sempre fascinante descobrir. As coisas mais simples se tornam especiais ao seu lado.

— Você diz cada coisa. — Ela brinca com meu cabelo, desviando o foco de si mesma, mas é nítido que gostou do que ouviu.

Decido continuar.

— Você trouxe cor para a minha vida. Uma enxurrada de nuances onde antes só existia verde. Um verde que não significava esperança, mas solidão. E que agora não significa mais.

O calor que arde em seus olhos me aquece de imediato. O sorriso travesso que surge no seu rosto eleva ainda mais meus batimentos. Estou mesmo perdido, não sei mais como viver sem ela.

— Estou gostando muito dessa conversa. — Amelia joga os braços no meu pescoço e beija o lóbulo da minha orelha devagar.

E isso me desconcentra mais do que consigo suportar. Quando dou por mim... faço um comentário infeliz:

— Eu, por outro lado, virei a sua vida de cabeça para baixo. Interferi na rotina e te arrastei para essa situação complicada.

Infeliz porque sinto que estraguei o momento trazendo a realidade de volta a nós.

— Droga, Bruce! — Amelia abafa uma risada no meu pescoço. — Você estava indo tão bem, poxa...

Com destreza e me surpreendendo, ela parte para o meu colo. Talvez eu não tenha estragado tudo afinal.

— Desculpe — lamento sinceramente, unindo o cenho e olhando-a sem jeito. — Força do hábito.

Ela retribui o olhar de um jeito compreensivo e, enquanto desenha linhas no meu queixo com a ponta do dedo, responde incrivelmente calma:

— Okay, em um ou outro aspecto, minha vida se complicou depois de você, é verdade. Mas não no que realmente importa. No que importa, ela melhorou demais e eu não troco isso por nada. Se um pouco de estresse é o preço a pagar, por mim tudo bem. Você vale a pena.

Não sei se um pouco de estresse é uma definição justa para a ameaça que ainda me ronda e que pode atingi-la por seguir ao meu lado, porém, mais uma vez hoje, decido acreditar nela.

— Sabe... Estou gostando muito dessa conversa também.

É a última coisa que digo antes de aninhar o seu rosto com as mãos e beijá-la. Um beijo a princípio tranquilo, mas que pouco a pouco nos arrasta para águas profundas de provocações e desejo mútuo.

Minha pele simplesmente queima em contato com Amelia e sinto que preciso cada vez mais desse calor que nos envolve. Meu corpo responde, implora por ela e por alívio.

É por isso que não sou capaz de soltá-la por completo quando ela afasta o rosto apenas o suficiente para dizer num tom sedutor:

— Eu acabei de perceber uma coisa. Você ainda não conhece o meu quarto.

Não sei de onde tiro concentração para responder:

— Isso parece... imperdoável.

Amelia se levanta, puxando-me pela mão, e replica de um jeito divertido:

— Pois é! Não é um absurdo?

— Completamente absurdo.

Concordaria com qualquer outra coisa que ela dissesse agora.

Sigo-a pelo corredor, sem conseguir parar de olhar para ela. Tanto que tropeço em alguma coisa que não faço a menor ideia do que seja. Um aparador, talvez? Não tem importância.

Passamos em frente ao quarto que acredito ser de Josh e logo cruzamos a porta daquele que interessa a nós dois no momento.

O lugar está um tanto bagunçado. Não como se alguém o tivesse revirado de propósito ou como se Amelia tivesse saído dele às pressas da última vez, ele parece ser assim por natureza, um reflexo da dona.

A colcha sobre a cama está um pouco desalinhada, há sapatos amontoados num canto, uma toalha repousa esquecida sobre a poltrona perto da janela, as cortinas estão divididas de um jeito torto e há retratos sobre a cômoda disputando espaço com perfumes e... uma caixa de bombons vazia com as embalagens dentro.

— Sim, eu sou bagunceira, e daí? — Amelia admite, meio sem graça, indicando que eu reparei demais na falta de organização.

Balanço a cabeça, contendo um riso.

— Ninguém é perfeito. Eu te amo mesmo assim.

Suas bochechas ganham uma leve coloração rosa, que ela prontamente disfarça ao me empurrar na direção da cama e me seduzir com uma proposta tentadora:

— Então prove. Seja um herói e me ajuda a bagunçar o resto.

Tentadora e irrecusável.

Despenco sentado na cama quando ela me dá um leve e último empurrão, o coração batendo cada vez mais depressa.

Amelia se abaixa e tira os meus sapatos com agilidade. Parte para cima de mim, depois de se livrar da blusa, e eu simplesmente a recebo com minha paixão, envolvendo-a em um abraço apertado.

Entre um beijo desconcertante e outro, nossas roupas se amontoam por toda a parte. Até que somos apenas nós dois, envoltos por um calor excitante e pele, perdidos em carícias, guiados por uma fome crescente que precisa ser saciada.

Viro-me sobre ela e avanço no seu corpo quente e molhado, mergulhando por completo, implacável e trêmulo ao mesmo tempo. Sinto-me em casa. E maluco de desejo quando ela geme o meu nome e diz que também me ama.

Não há qualquer sinal do Hulk na minha mente enquanto me mexo dentro de Amelia, subindo e descendo num ritmo constante. Essa parte perigosa de mim parece ter sido conquistada em definitivo. Não é mais uma ameaça aos momentos de intimidade já há algum tempo.

O Hulk sabe que a amo e estou cada vez mais convencido de que não suporta a ideia de machucá-la. Por isso, não importa o quanto Amelia leve meu coração ao limite, os batimentos frenéticos não representam mais perigo algum. A menos que eu deixe a raiva me guiar e queira me transformar, tenho certeza que o Hulk está sob controle.

Abandono esse pensamento quando Amelia aperta minhas costas e arqueia o corpo na minha direção, pedindo por mais. Sua respiração ofegante me deixa arrepiado a cada arremetida. Minha pele arde em contato com a sua e nossos movimentos se tornam mais rápidos, intensos e sincronizados. Nossos corpos se conhecem e se completam muito além do físico, é algo maior, como se nossas almas se unissem nesse momento também.

Seguro com força na cabeceira da cama, tentando manter o controle antes de me permitir chegar ao clímax.

Por um instante, noto que derrubamos os travesseiros perto da cama e realmente fizemos uma bagunça pela colcha e pelos lençóis, agora amarfanhados a nossa volta. A constatação me faz sorrir antes de voltar a olhar para Amelia.

Encaro seu rosto reluzente enquanto me movo, sentindo seu corpo estremecer e se retesar, seus gemidos ficando mais altos e urgentes. Sinto sua intimidade me apertar por um longo e ardente momento e finalmente perco o resto de controle quando ela relaxa sob mim.

Explodo num prazer maravilhoso e forte com uma última e profunda investida, roçando os lábios em suas bochechas quentes e rosadas, gemendo o seu nome com sofreguidão.

Dou um beijo demorado em sua testa, meus braços cedem e despenco sobre ela com cuidado. Sobre a mulher que amo, sobre o meu lar, ouvindo seus batimentos disparados logo depois, feliz por ser a causa do ritmo frenético deles.

Ficamos assim por alguns segundos, até que me viro na cama, invertendo as posições. Abraço-a junto ao meu peito e ajeito um lençol sobre nós.

Amelia suspira e fecha os olhos, relaxando mais um pouco.

Nesse momento, enquanto olho para o teto e acaricio o ombro dela suavemente, uma ideia sussurra na minha mente. Uma ideia tentadora e natural que ganha forma e força. Não sei como não me ocorreu antes.

Logo me dou conta que não é mais uma mera ideia, é um desejo forte, uma necessidade, um caminho que preciso e quero muito trilhar porque, agora, não imagino minha vida de outro jeito.

— Amelia?

Com a voz rouca, exausta e quase se rendendo ao sono, ela murmura:

— Hum?

Inclino o rosto em sua direção. Seus olhos permanecem fechados. Talvez eu devesse esperar outro momento. Mas não consigo. Simplesmente não posso adiar.

Devagar, aproximo a boca da sua orelha. O pedido sai com um sussurro, quase uma prece:

— Case comigo.

Notas finais
Amelia está desmaiada :v PS: Perguntinha marota, qual o filme favorito de vocês? O meu é Mamma Mia *-----------------------*