A Bela, o Outro Cara & Eu
29 Esmeralda
Notas iniciais
Caso você não saiba
Baby, eu sou louco por você
E estaria mentindo se dissesse
Que eu poderia viver esta vida sem você
Mesmo que eu não lhe diga o tempo todo
Você tinha meu coração um longo tempo atrás
Caso você não saiba
Você tem tudo de mim
Eu pertenço a você
Sim, você é meu tudo
In Case You Didn't Know — Boyce Avenue
Eu estava prestes a me entregar ao estado de relaxamento e pretendia dormir um pouco. Antes disso, no entanto, Bruce me surpreendeu com duas palavras sussurradas no meu ouvido e, de repente, foi impossível cair no sono.
Não demora muito e elas são absorvidas, o significado me colocando em alerta. Com rapidez, sento-me na cama e busco o olhar do homem recostado à cabeceira.
— O que você disse? — murmuro feito uma idiota, querendo confirmar se entendi direito ou se tudo não passou de um delírio.
— Eu disse... — Bruce desliza um dedo pela minha bochecha, parando no queixo, e franze o cenho com certa timidez. — Case comigo.
Certo, não foi um delírio então. Ainda assim, continuo zonza.
Desvio o olhar e me pego amassando o lençol entre os dedos. O ar fica preso nos meus pulmões, enquanto meu coração enfim compreende o que está acontecendo aqui.
Talvez estranhando o meu silêncio, Bruce pergunta com certo receio:
— Isso foi muito... repentino?
— Não! Não é isso — apresso-me em dizer, voltando a olhar para ele. Avalio a situação por um instante. — Um pouco, na verdade. Sim, foi repentino. Bastante. Desculpe, eu só fiquei... — Solto a respiração com força, cada célula do meu corpo tomada por uma agitação esquisita. — Só fiquei surpresa!
Ótimo, agora estou tagarelando feito uma doida.
— Surpresa de um jeito bom ou de um jeito ruim?
Inclino a cabeça analisando a expressão de Bruce e só então percebo que ele também está nervoso. Lutando para disfarçar, porém incapaz de manter a ansiedade contida sob a superfície.
— Muito bom — esclareço, e o relaxamento em seu rosto é visível. — Mas casar por quê?
— Você precisa mesmo perguntar por quê?
Agora é ele quem parece confuso. É nítido que preciso me explicar melhor, então faço isso na sequência:
— Por que agora? Por que assim? Me corrija se eu estiver enganada, mas não parece que você planejou esse pedido com antecedência.
— Você diz isso só porque eu não tenho um anel?
— Ah, você não tem um anel? Tsc, tsc... Que feio, Bruce Banner. — Finjo choque, levando a mão ao peito. — Realmente, é uma atitude muito espontânea vinda de alguém tão metódico. Sem querer ofender, é claro. Eu gosto do seu jeito certinho. Por isso mesmo, preciso perguntar... O que aconteceu com você?
Ele sorri de um jeito contido e se aproxima. Segura minhas mãos entre as dele com carinho.
— Eu sei que nós temos um problema em suspenso, um grande problema que, infelizmente, ainda vai nos assombrar por um tempo. Acontece que eu não quero continuar pautando a minha vida ou a sua no que o General Ross fez ou ainda planeja fazer. Eu não quero esperar uma resolução para ser feliz. Mais feliz, melhor dizendo. Eu quero viver a minha vida agora e com você. Trilhar um futuro, apesar da ameaça que ainda existe no presente. O que aconteceu comigo? Você aconteceu, Amelia.
A essa altura, meu coração está tão acelerado que respirar se torna uma tarefa muito difícil.
— Eu sei que isso foi repentino e te pegou de surpresa. Acredite, eu também estou. Mas o que posso fazer se me dei conta que te amo cada vez mais e preciso de você ao meu lado definitivamente? Então, por que não agora? Por que não assim? Para que esperar?
E respirar para quê, não é mesmo?
Ainda assim, preciso fazer ao menos um esforço para dizer alguma coisa. Algo à altura do que ouvi.
Lutando contra o turbilhão de emoções que me domina, consigo encontrar algumas palavras:
— Essa é uma atitude e tanto, Bruce, estou orgulhosa de você. E emocionada. E apavorada ao mesmo tempo, afinal... casar? Caramba. Meu Deus! É um passo gigante, convenhamos. — Dou de ombros, rindo de nervosismo e refletindo um pouco. — Certo, maravilhoso e gigante. Eu imaginei isso acontecendo um dia, claro, sonhei com isso. Só não esperava que você fosse pedir logo. Cheguei a pensar que eu teria que fazer a proposta ou pelo menos te dar um empurrãozinho.
— Então você...? — ele murmura em tom interrogativo, e consigo vislumbrar a expectativa em seus olhos tão fixos em mim. — Está dizendo que...?
Sorrio e alcanço seu rosto. Fecho os olhos e toco seus lábios suavemente com um beijo doce e demorado. Bruce coloca a mão sobre a minha, mantendo-me presa por mais algum tempo. Sua pele tão quente, que me pergunto se ele não está prestes a ter um piripaque.
Enfim, afasto-me apenas o suficiente para reencontrar seus olhos sempre acolhedores. Sorrio para ele.
— Estou dizendo que eu topo. Digo, sim. É lógico que a resposta é sim, Bruce. Sem dúvida. — Uma risada me vence, porém me esforço para ficar séria ao estreitar os olhos e alfinetá-lo: — Eu farei o enorme sacrifício de me tornar a respeitável esposa do homem que eu amo mais que tudo. Mesmo que ele não tenha tido a decência de fazer o pedido com um anel.
Prestes a dizer que estou brincando, que não ligo para anel algum, que isso é apenas uma formalidade com a qual não me importo, me detenho ao perceber que Bruce parece ter algo em mente.
Nervoso e feliz ao mesmo tempo, ele se atrapalha tentando tirar algo do dedo às pressas.
— Não é adequado, mas aceite como provisório, por favor. É do meu primeiro doutorado. O mais especial pra mim. Eu não estou sempre com ele, porque nunca se sabe quando eu vou precisar ficar verde e gigante, mas hoje, coincidência ou destino, decidi usá-lo.
Quando ele por fim vence a batalha contra a joia e busca minha mão direita, meu coração está mais disparado do que nunca. Uma emoção violenta mantém meu corpo à deriva num mar de felicidade indescritível. Nunca me senti tão radiante.
Com um cuidado que beira à reverência, Bruce desliza o anel prateado pelo meu dedo e me vejo prendendo a respiração de novo. O único problema é que a peça fica praticamente dançando no anelar de tão largo.
Rindo, ofereço o polegar e Bruce prontamente faz a troca. Ainda fica um pouco folgado, é verdade, mas decido que isso não importa. O significado do gesto, a intenção, esse momento, isso sim importa.
— Por mim não precisa de outro, esse aqui é perfeito — elogio baixinho, admirando a delicada esmeralda que adorna o anel mais lindo que já vi.
Bruce ergue meu queixo e o amor que reconheço em seus olhos me deixa arrepiada e quente ao mesmo tempo.
— Não, você é perfeita.
— Conte algo novo — brinco, antes de partir para cima dele e unir nossos lábios mais uma vez.
Com uma mão, Bruce envolve meu rosto, enquanto a outra desliza pelas minhas costas me puxando para mais perto. Deitamos na cama e me aninho ao seu corpo, abraçando-o forte e sendo envolvida com o mesmo calor. Um suspiro contra o seu pescoço se torna inevitável.
— Amelia Prescott Banner. Eu gosto da sonoridade.
Não preciso olhar para Bruce agora para saber que meu comentário desenhou um sorriso bobo em seu rosto.
— E os seus padrinhos? Quem pretende chamar?
— Tony e Pepper.
— O quê?! Seu melhor amigo e a namorada dele? Chocada — comento com ironia, rindo da resposta previsível.
— E você? — ele devolve, enquanto acaricia meu ombro desnudo. — Tem alguém em mente?
Não preciso pensar muito para encontrar a resposta.
— Meu irmão, é claro — assumo um tom de suspense ao completar: — E minha melhor amiga. Também conhecida como Olivia Mills, a doida. Lembra dela?
Bruce fica em silêncio por alguns instantes. Depois, diz com cuidado:
— Impossível esquecer. Pena que ela não está na Terra no momento.
— É, eu sei. Temos um problema.
A saudade desperta dentro de mim e reforça o desejo de rever minha amiga, de tê-la como minha madrinha, não imagino outra pessoa em seu lugar.
Sei muito bem que Olivia agiu como cupido, levando Bruce a se aproximar de mim, mesmo que de forma anônima a princípio, e sempre serei grata por ela ter acreditado em nós antes de qualquer pessoa.
— Outro problema — anuncio, lembrando de mais uma coisa. — Meus pais. Com certeza, vão querer conhecer o meu noivo antes do casamento. Eles não têm ideia que você é o Hulk, e eu acho melhor manter segredo por enquanto. Precisamos combinar a história e seguir o roteiro à risca. Minha mãe vive no mundo da lua, mas meu pai é esperto e naturalmente desconfiado.
Após um silêncio relativamente longo, Bruce confessa sem jeito:
— Eu não quero entrar para a família mentindo para os meus sogros.
— Ah, isso é muito fofo, Bruce. Mas não vai funcionar. — Rio um pouco da sua inocência, dando um tapinha em seu rosto. — Se eles souberem a verdade, vão entrar em pânico e serão contra o casamento. Vão pensar que é maluquice, perigoso, ficarão preocupados comigo, será um drama sem fim.
— Entendo — ele murmura, e consigo captar o tom de culpa surgindo. — Eu não tinha pensado nas implicâncias que isso terá para você.
Reviro os olhos antes de erguer a cabeça o suficiente para encará-lo. Com toda a paciência do mundo, argumento:
— Vai ficar tudo bem, deixa comigo. Eu só preciso de tempo para preparar o terreno e contar aos poucos. Depois de casada, sã e salva, eles vão aceitar. Por enquanto, vou manter o que eles já sabem sobre você.
Um brilho orgulhoso arde nos olhos de Bruce e dissipa a preocupação de antes.
— Você falou de mim para os seus pais?
— Claro. Mesmo à distância, eu gosto de dividir as coisas boas que acontecem na minha vida. — Capturo sua boca com um beijo rápido, recostando a cabeça em seu peito logo depois. — Para todos os efeitos, meu namorado, agora noivo, é um grande amigo do Homem de Ferro. Eles sabem que eu trabalhei com o Tony, então compraram a história sem problemas. Viu? Nem menti tanto assim.
— Só esqueceu de um pequeno detalhe.
Dou risada ao entender de quem ele está falando e protesto de imediato:
— Não esqueci, não. “Grande amigo do Homem de Ferro” é uma descrição perfeita do Hulk também.
Bruce respira fundo. Não parece ter visto graça.
— Desculpe. Eu não gosto que você minta por minha causa.
E lá vem o tom de pesar novamente...
— Não é mentir, é guardar um segredo que não é meu. Chama-se cumplicidade.
— E eu agradeço, Amelia, de verdade. Mesmo assim, me incomoda te colocar nessa situação.
— Eles vão saber eventualmente, é o que importa — friso. — Ah! E não se preocupe, quando descobrirem e passado o choque inicial, meus pais serão discretos.
— Não é com a discrição deles que eu estou preocupado. Como minha mulher, carregar o meu segredo será um peso para você. Sempre será.
Minha mulher. Caramba. Não nego que meu coração se agita ao ouvir essas palavras e sou vencida por um sorriso sonhador.
— Eu estou ciente e perfeitamente bem com isso. Ou não me casaria com você, Bruce.
Abraço-o com mais força e sou envolvida pelo seu calor em resposta. Ele apoia o queixo no topo da minha cabeça e retoma o carinho em meu ombro.
— Por falar nisso, eu não faço questão de uma grande cerimônia ou festança, acho melhor sermos discretos. Só faço questão da lua de mel. Pelo menos uma semana em algum lugar de clima ameno, deserto, romântico e... — Entrelaço seus dedos e completo em tom insinuante: — Com uma cama confortável e bem resistente porque pretendo passar muito tempo nela.
Seus dedos param de acariciar minha pele por um momento. Quando voltam a se mexer, há uma intensidade maior na maneira como me tocam.
— Eu gosto desse plano — confessa com a voz meio rouca.
A temperatura na cama parece subir alguns graus e meu coração acelera mais algumas batidas. Eu devia acabar logo com isso e partir para o segundo round. Quem estou tentando enganar? É lógico que tirar uma soneca não está mais nos meus planos.
Entretanto, falar sobre o futuro está se mostrando tão prazeroso, que decido alimentar a conversa mais um pouco:
— Muito cedo para perguntar onde nós vamos morar? Não podemos continuar na Torre depois de casados. E mesmo fora no momento, Josh ainda mora aqui, então eu não posso enxotá-lo. Além disso, acho que precisamos de um lugar novo, nosso, para trilhar o tal futuro juntos.
Uma risada baixinha escapa da garganta de Bruce, e me pergunto se de repente fiquei muito tagarela aos seus olhos.
— Levando em conta que eu acabei de pedir a sua mão, confesso que ainda não pensei em todos os detalhes. Você quer continuar em Nova York ou se mudar para uma cidade mais tranquila?
Penso na pergunta por alguns instantes e percebo que...
— Honestamente? Não tenho a menor ideia. Nós ainda temos tempo para decidir esses detalhes, certo?
— Certo.
Noto que Bruce já não está tão interessado assim em bater papo. Aposto que meu comentário sobre a lua de mel ainda está ecoando na sua mente e despertando certos efeitos em seu corpo.
Movo a perna para cima, roçando a dele embaixo do lençol. Bruce fica inquieto e meio tenso. Controlo a vontade de rir e, para provocá-lo um pouco mais, prossigo com falsa inocência:
— Nada a ver com o casamento, mas eu vou precisar de um emprego novo também. Tenho pensado muito nisso ultimamente.
Para minha surpresa, ele ainda tem foco suficiente para sugerir:
— Por que não volta a trabalhar com o Tony?
Pondero a possibilidade por algum tempo. Embora hoje eu entenda que Stark inventou aquele cargo a pedido de Bruce, para me manter por perto e zelar pela minha segurança, não me vejo retornando para as Indústrias Stark por um motivo muito simples.
— Não, eu nunca me senti realmente útil lá. Acho que não daria certo, mesmo se dessa vez fosse pra valer. — Deslizo o braço pela barriga de Bruce e me enrosco mais ao seu corpo. Sua respiração parece difícil. — Também não me vejo trabalhando na minha área de formação, sabe? Preciso de novos ares, recomeçar do zero, fazer algo que eu goste de verdade, descobrir como ser útil para o mundo e realizada ao mesmo tempo. E claro, ganhar o suficiente para comprar muito chocolate e pagar meus boletos. São minhas prioridades.
— Você vai encontrar alguma coisa. E seja lá o que fizer, tenho certeza que você será brilhante, Amelia. — Bruce procura pelo meu rosto, erguendo-o em sua direção com uma impaciência muito tocante. — Porque você é brilhante.
Como parece sincero na observação final — que, aliás, gostei muito de ouvir —, decido que a tortura já foi suficiente.
E assim, com aquela falsa inocência de novo, deslizo o indicador pelo seu rosto, pescoço, faço um círculo suave em seu peito, e pergunto como quem não quer nada:
— Ei... A fim de novo?
Num instante, sua boca pressiona a minha e tenho a resposta que previa. Sorrio contra seus lábios, puxando Bruce para cima de mim, envolvendo-o com as pernas e entrelaçando seu pescoço. Reduzimos a mínima distância à absolutamente nada.
Mãos quentes percorrem meu corpo, espalhando uma trilha de formigamento e me roubando o ar, ao mesmo tempo em que o beijo fica mais desconcertante e atiça a onda de desejo já irresistível.
Infelizmente, um ruído ecoa pelo quarto e interrompe a diversão. Avisto o celular de Bruce em meio às roupas no assoalho. Volto a olhar para ele de um jeito interrogativo.
— Podemos ignorar? — proponho, arqueando uma sobrancelha com malícia.
Ele parece ponderar a opção por um momento. E, por um momento, quase o ouço concordando comigo. Entretanto, Bruce deve se recordar da última vez que ignorou o celular, quando recebeu mensagens ameaçadoras de Ross e a cidade voou pelos ares.
Não que a história esteja se repetindo agora, mas paranoia é paranoia.
— Eu quero, mas acho que não é uma boa ideia.
A contragosto, estico o braço rumo ao chão e trago o aparelho para ele. Antes disso, vejo o nome de quem incomoda. Tony.
Faço uma última tentativa:
— Aposto que podemos ignorar.
— E se for importante?
— Ele liga de novo.
Aproveito certa hesitação de Bruce e que o celular parou de tocar. Pego-o de volta e coloco sobre o criado-mudo.
O problema é que Tony continua ligando sem cessar e, confesso, começo a estranhar a insistência.
A ideia de desligar o aparelho é tentadora. Ao invés disso, o bom senso vence e afasto-me o suficiente para sentar na cama, permitindo que Bruce faça o mesmo. Ele aceita a chamada poucos toques depois e coloca no viva-voz.
— Tony? O que houve?
— Ei, Bruce. Foi mal interromper seja lá o que você estiver fazendo agora, é que... Bom, aconteceu uma coisa.
Certo, admito que a voz do Homem de Ferro está estranha. Ele parece tenso e acabo ficando preocupada também.
— O que houve? — pergunto dessa vez.
— Oh... Olá, Amy. Atrapalhei algo romântico? Algo impróprio?
Troco um rápido olhar com Bruce e minhas bochechas queimam.
— Não. Você estava dizendo que...
A resposta demora um pouco e, quando vem, soa mais como um enigma:
— Talvez vocês queiram ligar a televisão agora.
Um instante depois, já estou indo para a sala. Bruce vem no meu encalço, carregando o celular junto.
— Em qual canal? — questiona, mais aflito.
Tony solta um suspiro cansado.
— Não fará diferença, Bruce. Está em todos.
Encontro o controle remoto e aperto o primeiro canal que meus dedos trêmulos conseguem selecionar.
Um plantão está sendo transmitido, algo muito grave aconteceu em uma cidade da África do Sul. Um andar de um enorme hospital está em ruínas e há muita fumaça. Uma bomba é mencionada. Pacientes, médicos e enfermeiras morreram. Uma verdadeira tragédia.
— Não tem nada a ver com você e Ross, Bruce. Relaxa — Tony esclarece, enquanto tento juntar as peças que a reportagem joga no ar. — Mas nos afeta mesmo assim.
Nomes familiares são ditos. Steve Rogers, Sam Wilson, Natasha Romanoff e Wanda Maximoff. Lembro que os quatro saíram numa missão há semanas.
Sem querer, ouvi uma conversa entre Bruce e Tony, um dia desses. Pelo o que entendi, os colegas de equipe estavam seguindo uma pista sobre o agente duplo da HYDRA, Brock Rumlow, também conhecido como Ossos Cruzados.
O sujeito tem uma rivalidade especial contra Steve desde a queda da S.H.I.E.L.D., onde ficou infiltrado por anos sem levantar suspeitas. Matou muitos agentes quando a HYDRA veio à tona.
Melhor dizendo, ele tinha uma rivalidade contra Steve. Pelo o que entendi, Rumlow morreu no incidente de hoje.
Antes disso, acionou uma bomba presa ao próprio corpo. E Wanda parece ter feito uma tentativa de desarmá-la ou pelo menos afastar o perigo maior dos civis que passavam por perto na hora. Infelizmente, ela não conseguiu impedir que a bomba atingisse o hospital.
Agora, toda a ação dos Vingadores envolvidos na missão está sendo questionada. Pior, eles estão sendo massacrados pela opinião pública sem dó nem piedade. Todo o heroísmo posto em cheque diante do ocorrido.
Em menos de dois minutos, percebo que a opinião pública está em polvorosa e cobrando explicações. O governo parece pressionado a tomar sanções contra os heróis mais poderosos da Terra. Retrospectivas mostram danos causados por eles ao longo dos anos, colocando mais lenha na fogueira.
Sinto-me zonza.
O Hulk ganha destaque de repente, pelas explosões de semanas atrás, ainda muito frescas na memória das pessoas. É dito — como se fosse necessário — que ele perdeu o controle na mesma cidade onde Loki comandou o exército de Chitauris anos antes.
Gravações de uma cidade na Nigéria mostram ainda o Gigante Esmeralda totalmente fora de controle, há cerca de um ano.
Sinto raiva.
Ninguém sabe que Bruce estava sob o efeito perturbador de Wanda Maximoff na época. A mesma Wanda que agora é massacrada por não ter sido capaz de impedir que uma bomba explodisse o andar inteiro de um hospital. A mesma Wanda que agora não é chamada de Vingadora, mas sim de vigilante.
Aliás, todos os Vingadores passaram a ser mencionados dessa forma pela mídia.
— Acho melhor vocês voltarem para a Torre, pombinhos — Tony aconselha. Seu tom agora é tão sério que, por um momento, quase não o reconheço. — Isso está longe de acabar.
Desligo a TV ao mesmo tempo em que Bruce encerra a ligação:
— Estamos a caminho.
Ele olha para mim e a preocupação estampada na palidez do seu rosto desperta um aperto incômodo no meu peito.
— Não é tão grave assim — tento convencê-lo.
É inútil. Nós dois sabemos que estou mentindo.
Queria que o tempo voltasse. Queria estar de novo na minha cama. Nos braços de Bruce. Apenas alguns minutos atrás.
Mas não dá. Não podemos.
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