Notas iniciais
Hello!!! Primeiramente, muito obrigada pelas visualizações, comentários, favoritos, acompanhamentos e fofura! Fiquei muito happy com o alcance da história já com o prólogo, viram? É maravilhoso contar com criaturinhas tão ungidas e com certeza esse retorno me motiva muiiiiito a continuar nadando, rá! Segundamente, esse capítulo é narrado pela Amy e, cronologicamente, se passa dois meses depois do casório Loki & Olivia. Aliás, se você caiu de paraquedas nessa história (desculpe o spoiler aí em cima), eu cito muito a personagem Olivia/Liv porque ela é a BFF da Amy. Também menciono fatos ocorridos na duologia que deu origem a esse spin-off (Trapaças do Destino e Trapaças do Coração). Se ficarem perdidos, tem um post explicativo no índice da história. Boa leitura!

Tenho procurado por você
Eu escutei um clamor de dentro da minha alma
Nunca tinha sentido uma ansiedade como essa antes

Again — Lenny Kravitz

Sejamos honestos. Às vezes, tomamos certas atitudes sabendo muito bem que são inadequadas. Mesmo assim, aceitamos o risco e cruzamos a linha que separa o certo do errado sem pestanejar, como se essa barreira ética não importasse de verdade, como se ela sequer existisse.

Vocês já fizeram isso alguma vez? Porque eu já. Mais de uma, aliás.

Começou com uma curiosidade inocente sobre o paradeiro de Bruce Banner. Tudo o que eu precisava era de um gatilho para me render. E, de repente, lá estava o gatilho, bem diante dos meus olhos.

Olivia, minha famosa melhor amiga, ainda estava na Terra nessa época. Havia discutido com Loki por razões que a própria razão desconhece e fugido de Asgard após descobrir que estava grávida dele. Tenho certeza que vocês se lembram dessa história complicada, certo?

Pois bem. Quando eu soube da sua volta repentina, fui visitá-la na Torre dos Vingadores. Acontece que Olivia estava no banho quando adentrei o quarto sem qualquer anúncio. E, o mais importante, o seu notebook repousava esquecido sobre a cama.

Uma pessoa educada não iria xeretar, eu sei. Mas... bem, é de mim que estamos falando. Não sou muito adepta das boas normas de conduta, sou muito mais impulso nessas horas.

Não esperava encontrar grande coisa a princípio. Acho que, no fundo, presumi que a maluca havia deixado um perfil de alguma rede social aberto, como volta e meia fazia. Talvez estivesse checando a repercussão do seu romance com o Deus da Trapaça nos noticiários. Ou, quem sabe, pensando em comprar alguma coisa para o enxoval dos gêmeos.

No entanto, tudo o que encontrei, ao dar a volta na cama, foi uma tela preta, letras garrafais formando o acrônimo S.H.I.E.L.D. e o emblema inconfundível em forma de escudo da organização girando na interface como um chamariz, uma armadilha, o fatídico gatilho.

Isso mesmo, Olivia tinha esquecido de deslogar o seu usuário do sistema. Sem perceber, acabou me dando a ferramenta necessária para deixar a curiosidade sobre Bruce falar mais alto e me guiar. Cruzei aquela linha que separa o certo do errado após um instante de hesitação apenas, mais por medo de ser pega em flagrante do que por nobreza ou bom senso mesmo. De repente, lá estava eu, sentada sobre a cama, debruçada em frente ao pequeno computador, ansiosa, tentando entender como o software funcionava.

Para minha infelicidade, logo descobri que uma agente nível 2, como Liv, tinha muitas restrições e acesso mínimo a informações confidenciais. Por outro lado, eu sabia que se alguém podia saber para onde Bruce havia ido, depois do embate final com Ultron, seria a S.H.I.E.L.D. Sendo assim, eu não podia simplesmente desistir diante da primeira dificuldade. Ao invés disso, deixei um aspecto do meu passado vir à tona.

Em resumo, digamos que eu tive uma época meio rebelde há alguns anos. Namorei um cara metido a hacker e que me ensinou alguns dos seus truques cibernéticos entre um amasso e outro. Não cometemos nenhum grande crime, mas confesso que usei essa má influência meses depois dele terminar comigo, para acessar a lista de aprovados da Universidade de Nova York, antes da divulgação oficial. Tudo isso porque eu estava em cólicas para saber se eu e Josh tínhamos sido aceitos ou não.

Embora o sistema da S.H.I.E.L.D. tenha mais travas do que o de uma universidade, nenhum software é 100% seguro ou confiável. Esse era o lema de Kurt Lookwood, esse antigo namorado. E foi relembrando esse lema e alguns comandos gravados em minha memória, que hackeei o usuário da minha própria amiga naquela tarde, criando uma réplica fantasma, como um segundo perfil, dentro do seu original.

Mais tarde, em meu apartamento, com todo o tempo do mundo e certa calma, pude me dedicar com afinco ao propósito de burlar um firewall atrás do outro até conseguir aumentar o nível de acesso do perfil fake de Olivia Mills. Horas depois, já madrugada adentro, finalmente consegui permissão para abrir documentos que só o topo hierárquico da S.H.I.E.L.D. seria capaz de acessar.

Como eu havia imaginado, a organização estava mesmo à procura de Bruce, desaparecido desde que resolveu partir daquele jeito que eu detestei, mas que tive que aceitar. Não que no fundo eu tenha engolido, afinal assumi um risco para investigar seu paradeiro. Movida por algo bem maior do que uma simples curiosidade, fiz algo ilegal só porque precisava descobrir se ele estava bem. Pior, continuo fazendo isso desde então.

Quando se cruza essa linha é difícil voltar atrás. É quase viciante e, de fato, irresistível. É como chocolate. Você sabe que engorda, mas é só um pedacinho, portanto, que mal tem? Ou um vício mais pesado — numa droga, por exemplo —, quando você diz para si mesmo que consegue parar quando quiser. E não consegue.

Estou contando tudo isso porque, dois meses depois do casamento de Olivia e Loki, e da partida do casalzinho para algum lugar da galáxia — Asgard ou Spartax, não sei ao certo —, aqui estou eu. Enfurnada em casa em plena sexta-feira à noite, repetindo essa atitude inadequada e ilegal. Descobrindo, à medida em que abro imagens registradas por satélites e drones, que apesar dos esforços para determinar o paradeiro de Bruce Banner, ele torna a desaparecer, feito um fantasma, evaporando no ar feito fumaça, toda vez que a S.H.I.E.L.D. se aproxima demais daquela que seria a sua localização atual.

Distraio-me por bem mais que um segundo olhando para uma das fotos. Ela mostra o alter ego do Incrível Hulk com mais precisão e proximidade. De cabeça baixa, roupas escuras, o rosto parcialmente escondido pelo capuz da blusa, ombros retraídos e mãos nos bolsos. Uma desfocada cidade ao seu redor e uma legenda no rodapé informa "Bangkok — Tailândia", além da data do registro, de três semanas atrás.

Estou apostando que Bruce não se encontra mais nesse local, quando a campainha estridente ressoa por todo o apartamento, dando-me um baita susto que quase termina com um desastre: minha caneca de café caindo sobre o teclado do notebook.

— Droga... — resmungo, segurando-a bem a tempo de evitar a tragédia.

Levanto do sofá e desisto de procurar meus chinelos quando alguém toca a campainha de novo. Descalça mesmo e irritada com a urgência, abro a porta um instante depois, reconhecendo de imediato o semblante do visitante.

— Diretor Coulson! — Arregalo os olhos, sem conseguir disfarçar a surpresa desconfortável que sinto. — Você por aqui? A essa hora e sem ser anunciado? Nem um pouco estranho, hein?

Percebo que estou tagarelando e resolvo me calar para colocar a cabeça em ordem. Por que eu não pensei antes de abrir a porta? Por que o interfone não tocou? E o que o Diretor da S.H.I.E.L.D. está fazendo aqui? Algo me diz que isso não é uma visita social qualquer.

— Atrapalho? — ele indaga, com um olhar estreito cravado em mim e um leve sorriso enigmático.

— Não, de jeito nenhum — apresso-me em mentir. — Mas como você descobriu o meu endereço?

— Sério? — Coulson limita-se a rebater, lembrando-me de quem ele é, dos recursos e informações que dispõe. Ao mesmo tempo, cruza a porta, dizendo: — Posso entrar?

Vou responder que ele já entrou mesmo, mas engulo a ironia. Opto por ser educada:

— Claro, fique à vontade. Não repare a bagunça. Segundo Josh, eu sou meio desorganizada por natureza.

Fecho a porta, enquanto Coulson esquadrinha meu apartamento com um olhar de águia à procura de um lanchinho. Quando se aproxima do sofá de forma perigosa, já que é lá que meu notebook se encontra como uma prova inegável da minha transgressão, finalmente tenho a confirmação do motivo que trouxe o diretor da S.H.I.E.L.D. até aqui no meio do noite.

Coulson olha para a tela e depois para mim. Profundamente sem graça, antecipo-me à sua pergunta não formulada:

— Eu posso explicar. — Penso um pouco enquanto ele me encara. Volto atrás: — Não, na verdade, acho melhor pular essa parte. Pode ir para aquela em que você explica quais são os meus direitos e que qualquer coisa que eu diga pode ser usada contra mim.

Sem cerimônia, Coulson acomoda meu computador em seu colo e examina, rapidamente, o conteúdo da minha pesquisa no banco de dados da S.H.I.E.L.D. Vez ou outra, ergue o olhar em minha direção com certa incredulidade, ao que parece.

— Acho que esse é o momento em que eu peço desculpas e juro, de pé junto, que isso não vai se repetir — proponho, constrangida, porém não de todo arrependida do que fiz.

— Eu poderia te prender, Srta. Prescott. — Ele abaixa a tela do notebook e se levanta com o aparelho em mãos.

Tento contornar:

— Poderia, mas não vai porque nós somos amigos, certo?

Coulson permanece impassível, com um olhar estático sobre mim, como se eu tivesse falado grego.

— Não somos? — Sorrio amarelo, insegura e um pouco nervosa. — Conhecidos pelo menos?

Ao invés de confirmar ou negar, ele retoma o raciocínio anterior, comunicando com firmeza:

— Por enquanto, eu vou apreender apenas o seu computador e acreditar na sua promessa.

Quando faz menção de seguir rumo à saída, coloco-me em sua frente sob protestos:

— Ei! Espera aí! Eu ainda estou pagando por essa coisa! Em muitas prestações!

Engulo a indignação ao receber um olhar incisivo de volta. Ciente de que não tenho alternativa, assinto vencida:

— Tudo bem, fique com ele. Quem liga? — Faço uma pausa. — Há quanto tempo você sabe?

— Desde o seu primeiro acesso, é claro.

Sua resposta me deixa profundamente surpresa, afinal, uma vez que tinha conhecimento da minha espionagem marota, por que permitiu que ela continuasse acontecendo bem embaixo do seu nariz? Por que não veio atrás de mim antes? Imediatamente?

Acredito que essas interrogações estejam estampadas no meu rosto, já que Coulson acrescenta em tom explicativo:

— Eu tinha esperança que você parasse por aí, resolvi te dar uma chance, mas você continuou. A propósito, eu fiquei impressionado, você é uma excelente hacker. Principiante, mas com grande potencial.

Sentindo certo orgulho por me destacar em alguma coisa, sou vencida por um sorriso. No fundo, estou surpresa por ter me saído tão bem, como ele disse. Será que sou inteligente assim e não sabia? Será que tenho mesmo um talento nato para invadir servidores teoricamente impenetráveis? Afinal, Kurt me ensinou o básico, o caminho das pedras, mas foi por minha conta, durante longas madrugadas sozinha, que expandi meu conhecimento e desenvolvi certa técnica e dedução no assunto.

— Poxa, obrigada!

— Não foi um elogio — Coulson esclarece.

Volto a ficar séria. Sentindo-me contrariada, percebo que não foi mesmo. Ele está dizendo que eu cometi um crime e sendo irônico.

Por mais que seja verdade, preciso me defender. Acabo fazendo pouco caso do sistema de segurança da S.H.I.E.L.D. quando argumento:

— Ótimo, porque eu não sou isso aí que você disse. Uma hacker... Foi só uma vez. Algumas vezes, ok. Mas eu nem sei direito como consegui acessar. Foi puro instinto e um pouco de sorte, acho.

Causando-me uma nova onda de orgulho, ele insiste:

— Acredite, eu sei reconhecer um talento quando estou diante de um.

Antes que eu me sinta o próprio Walter O'Brien dos computadores, no entanto, Coulson ressalva com um balde de água fria:

— E isso também não foi um elogio. Passar bem, Srta. Prescott.

Passar bem? — repito, seguindo-o rumo à porta quando ele se afasta. — Só isso? Você vai mesmo levar o meu notebook assim? Veio aqui só e exclusivamente para afanar o meu patrimônio?

Meu queixume surte efeito imediato, fazendo o Diretor da S.H.I.E.L.D. girar nos calcanhares e indagar com certa confusão:

— Desculpe?

Só então me dou conta do que estou fazendo. Tentanto ganhar tempo. Só agora percebo que a visita de Coulson funciona como um segundo gatilho. Algo que faz uma ideia perigosa, porém irresistível, surgir em minha mente.

— Bem, já que você disse que eu tenho potencial, por que não usá-lo? — exponho, antes de explicar melhor o que estou matutando: — Talvez eu possa... sei lá, colaborar de alguma forma. Para encontrar o Bruce antes que ele desapareça de novo.

Phil Coulson me analisa atentamente por um breve momento, enquanto me dou conta que realmente nunca me conformei com o exílio que Bruce impôs a si mesmo. Nunca engoli sua partida. Então, se tiver algo ao meu alcance para acabar com isso, vejo-me muito inclinada a ajudar.

— Eu agradeço a oferta, mas envolvê-la nisso está fora de cogitação.

A dispensa curta e grossa de Coulson me desperta do pensamento anterior. Frustrada, ouço-me retorquindo na lata:

— Por quê?

Depois de expirar de um jeito sonoro e abandonar um pouco a postura profissional, ele explica pausadamente:

— Por ser quem é, há um alvo constante nas costas de Bruce Banner, Amy. Duvido muito que somos os únicos procurando por ele. E eu não vou te colocar em risco, pondo um alvo nas suas costas também. Certamente, não é o que ele gostaria que eu fizesse.

Embora até entenda o seu ponto de vista, não consigo disfarçar a vontade de rir e questiono:

— Você está com medo do Bruce?

— De despertar a fúria de um homem que carrega uma fera destruidora sob a própria pele? Sim.

Ao ouvir isso, minha vontade de rir dá lugar a um desejo ainda mais irresistível. Desta vez, de sorrir. Afinal, é muito bom imaginar que, apesar de tudo, Bruce Banner se importaria com a minha segurança — logo, comigo — de alguma forma.

É tentando confirmar isso, que deixo escapar com um sorriso bobo e um tanto distraída em pensamentos:

— Você acha mesmo que ele ficaria tão furioso por minha causa a ponto de te esmagar? — Ergo o olhar para Coulson e, notando que ele não viu a menor graça nesse possível cenário, fico séria e proponho: — Vamos fingir que eu não soltei essa pérola?

— De acordo. — Após uma pausa, ele emenda em tom de conselho, mas também de aviso: — Para o seu próprio bem, mantenha distância desse assunto. E não se preocupe, a S.H.I.E.L.D. tem tudo sob controle e seus próprios recursos para encontrá-lo.

Não resisto e, ainda frustrada por ter tido minha ajuda dispensada, acabo alfinetando:

— Mas não para interceptá-lo a tempo, pelo o que eu percebi. Tampouco para convencer o Mister Teimosia a voltar, aposto.

— Nós não estamos tentando trazer o Dr. Banner de volta — o Diretor esclarece, deixando-me intrigada. — Ainda não, pelo menos. Estamos apenas monitorando os seus passos para saber onde achá-lo exatamente, caso alguma ameaça surja e sua ajuda seja necessária. É um procedimento padrão, que já foi utilizado antes inclusive.

Ao me lembrar de todos os registros que vi no banco de dados só nos últimos dias, pergunto com uma desconfiança repentina:

— Está acontecendo alguma coisa no momento? Porque a S.H.I.E.L.D. anda monitorando demais os passos dele.

— Nada com que você deva se preocupar — Coulson responde de imediato, porém, não sei por qual razão, não me convence. — Ah! E eu pretendo devolver o seu patrimônio. — Ele muda de assunto, aumentando assim minha desconfiança, e indica meu notebook junto ao seu corpo. — Tão logo sejam realizados os bloqueios necessários, é claro. Boa noite, Srta. Prescott.

Fico imóvel enquanto ele finalmente alcança a porta. Avalio o exílio de Bruce e tudo o que ouvi de Coulson até agora. Junto, pouco a pouco, peças de um quebra-cabeça. Uma imagem pessimista se forma.

Preocupada, giro nos calcanhares quando ouço o ruído da maçaneta e peço:

— Coulson! Só me responde uma última coisa. Por favor. — Assim que ele se volta para mim, formulo meu raciocínio: — Você falou em alvo e sobre a S.H.I.E.L.D. não ser a única atrás dele. Por acaso... Por acaso, Bruce não está em perigo, está?

O Diretor fica em silêncio e com um olhar impassível cravado no meu; o que, de certa forma, eu já entendo como uma resposta nada boa. De repente, ele sorri discretamente, numa clara tentativa de me tranquilizar e me induzir a esquecer o assunto. Tudo o que diz, antes de ir embora, são essas palavras:

— Não se preocupe. Ele é o Hulk. Tenha um pouco de fé.

Fico um bom tempo estagnada, olhando para a porta ainda aberta, tentando entender o que diabos isso significa exatamente. Devo me dar por satisfeita com esse argumento? Bruce Banner é o Incrível Hulk e, por isso, tudo vai ficar bem? Simples assim?

Fecho a porta e volto para o sofá. No fundo, tenho raiva de mim mesma por estar preocupada. Bruce foi embora, portanto, não merece qualquer consideração da minha parte.

Eu disse que seguiria em frente e, no entanto, aqui estou eu, presa ao passado, inconformada com a sua partida, imaginando que tipo de inimigos o Gigante Esmeralda pode ter e o que seriam capazes de fazer. Por mais que Bruce seja imortal no que depender do Hulk, não consigo deixar de imaginar que alguma coisa pode desestabilizá-lo, mexer com ele de alguma forma, fazê-lo sofrer.

Resumo da ópera: sou uma idiota incorrigível.

Onde eu estava com a cabeça quando me coloquei à disposição da S.H.I.E.L.D.? O que eu estava pensando?

Coulson podia mesmo ter me prendido. Tive uma baita sorte por não ter sido o FBI batendo na minha porta essa noite.

Por tudo isso, eu devia ouvir o conselho de Coulson e manter uma distância segura dessa história. Porém, sem saber, ele acabou me dando mais um gatilho para fazer justamente o contrário. Preciso saber se Bruce está bem e alertá-lo para que tome cuidado com a própria sombra. Pelo menos isso. Talvez assim eu consiga seguir em frente depois.

Estou matutando uma forma de hackear a S.H.I.E.L.D. outra vez, quando sinto uma vibração ao meu lado. Ao mesmo tempo, Shiny Happy People começa a tocar de forma crescente, espalhando minha música favorita por todo o apartamento.

Estico a mão e pego o celular sobre o encosto. De uma forma geral, não atendo números privados. Acho um desaforo não se identificar previamente e tenho vontade de esmagar o aparelho quando me vejo numa situação assim. Mas querem saber?

— Alô?

Há um intenso momento de silêncio do outro lado da linha, cortado apenas pelo ruído baixo de uma respiração calma. No meio dela uma voz, que eu não ouvia há meses, se sobressai:

— Amelia.

Do mesmo jeito doce que me lembro que soava toda vez que ele dizia meu nome.

Surpresa, sinto meu coração dar um salto. Ajeito-me no sofá e seguro o aparelho com mais força contra meu ouvido. Com uma mistura de raiva e saudade, respondo:

— Bruce?

Notas finais
A saber: Nessa parte da história (dois meses depois do casório híbrido que abalou Acapulco), todos ainda pensam que a Olivia está grávida de gêmeos. Por isso, a Amy menciona algo sobre o enxoval dos gêmeos, sendo que vocês que leram Trapaças do Coração até o fim sabem que não foi bem assim que a banda tocou por lá XD Kurt Lookwood é um personagem original que pretendo inserir mais para a frente, possivelmente para colocar lenha na fogueira com um triângulo amoroso aí. Oi? Não é muito relevante, mas eu o imagino como o ator Neil Hopkins. A Amy tem um pézinho no lado hacker da força e isso é algo que pretendo explorar mais para a frente também. Digamos que andei assistindo muito Scorpion nos últimos meses e me inspirou ♥ Apesar de Again do Lenny Kravitz ser linda de viver, esse relacionamento by phone de Bruce e Amy me lembra a musiqueta "Desliga e vem" do Exaltasamba kkkkk Pronto, falei! Comentem, chuchus! Qualquer comentário é bem-vindo e respondido com carinho ♥ Beijos de luz!