A Bela, o Outro Cara & Eu
8 Cama de pregos
Notas iniciais

Eu quero te deitar numa cama de rosas
porque esta noite eu vou dormir numa cama de pregos.
Bed of roses — Bon Jovi
É como estar deitado sobre uma cama de pregos. Como aquela famosa música do Bon Jovi. Não consigo relaxar ou encontrar uma posição confortável, tampouco dormir. Por mais que eu feche os olhos e tente esvaziar minha mente, os pensamentos acabam sempre voltando para Amelia e a conversa em seu apartamento, há algumas horas. Irremediavelmente, suas palavras martelam na minha cabeça e me assombram. Amizade. Ela disse que agora só quer a minha amizade.
Sei que é o justo e o óbvio nessa situação, afinal, o que eu esperava que Amelia dissesse de tão diferente? Esperava que ela continuasse insistindo em mim? Num possível nós, quando eu mesmo fiz questão de deixar claro, incontáveis vezes, que não acredito num futuro assim? Numa relação assim?
Futuro. Relação. Por que ela desdenhou quando eu mencionei esses termos? Por que fez eu me sentir um careta idiota?
Amassos. Ela esclareceu taxativa, direta, com um brilho malicioso e prático no olhar. Amelia disse que só queria me dar uns amassos. E que agora não quer mais.
Será mesmo?
Que diferença isso faz agora? Ela afirmou com todas as letras que perdeu o interesse, e eu devia estar conformado e nem um pouco surpreso com sua reação.
Ao invés disso, no entanto, sinto-me estranho e incompleto de um jeito esquisito. Sinto que perdi algo. Algo que deixei escapar por entre os dedos. Algo que eu não tinha certeza se queria de fato. Mas que agora eu sei. Eu queria. Ainda quero.
— O que... No que você está pensando, Bruce? — Reviro-me na cama e pressiono as pálpebras com as pontas dos dedos. — Não, você não pode.
Lembro a mim mesmo que não sou como os outros caras. Isso porque eu tenho o Outro Cara sob minha pele. A fera verde e destruidora dentro de mim me impede de ter uma vida normal e até mesmo de dar uns amassos sem compromisso, como Amelia soltou no ar.
Mesmo querendo... Digo, mesmo que eu quisesse, não seria prudente, seria impossível me envolver com ela. Assim como foi inviável continuar a minha história com Betty depois do Hulk.
Por mais que eu tenha aprendido a controlá-lo na maior parte do tempo, não sei como esse meu lado reagiria numa situação mais... carnal. Betty foi minha última tentativa e não deu certo. Desde então, eu nunca mais arrisquei. Com o tempo, acabei me conformando. Ou, como Tony costuma me provocar, acho que virei um monge.
Expiro com força. Mais uma vez tentando afastar essas questões da minha cabeça — tentando afastar Amelia da minha cabeça. Tentando acalmar meu coração — cada vez mais acelerado por pensar nela.
Ciente de que não vou conseguir me desligar, muito menos dormir por ora, checo as horas num relógio digital ao lado da cabeceira. Levanto da cama, na sequência. Deixo o quarto para trás. São duas da madrugada e estou caminhando sem rumo certo pela Torre dos Vingadores.
***
Vou até a cozinha, com a intenção de beber um copo d'água. Quem sabe o líquido ajude a limpar meus pensamentos e aplaque um pouco o calor febril que sinto pelo corpo?
Bem, de nada adiantou. Ainda em alerta e inquieto, coloco o copo vazio sobre a pia e fico olhando para a parede branca azulejada à minha frente.
Desanimado com a ideia de voltar para a cama, decido fazer uma visita ao meu antigo laboratório. Com nostalgia, constato que tudo está exatamente como eu deixei, há um ano. Tony não tirou um mísero aparelho do lugar. Ainda teve a delicadeza de manter o local perfeitamente limpo e organizado, como se acreditasse que, a qualquer momento, eu fosse voltar.
Há pouco tempo, eu diria que meu amigo alimentou uma esperança tola, já que eu não pretendia colocar os pés em Nova York de novo. Estava decidido a continuar nas sombras pelo tempo que fosse necessário, talvez para sempre.
Entretanto, aqui estou eu agora. Apesar de não ter planejado um retorno, tive que voltar. Fui praticamente intimado a isso. Arrastado de volta por uma preocupação latente que passei a sentir quando recebi o recado da S.H.I.E.L.D.
Há pouco mais de duas semanas, em uma missão designada por Phil Coulson, Natasha me localizou numa espelunca no interior do Sri Lanka. A sensação de déjà vu foi inevitável, já que, anos antes, ela havia me interceptado em circunstâncias semelhantes, quando foi enviada para me recrutar à Iniciativa Vingadores.
Eu sabia que para ter ido atrás de mim, algo grave estava acontecendo. Quando Natasha jogou um tipo de dossiê sobre a mesa, eu tive certeza. Ao encarar as fotos que se amontavam dentro da grossa pasta negra, percebi que o meu exílio tinha chegado ao fim.
Nas imagens: ela. Amelia estava em todas as fotos recebidas de forma anônima pelo Diretor interino da S.H.I.E.L.D. Um bilhete em fonte eletrônica deixava claro que o recado não era para Phil, para os outros Vingadores ou para qualquer agente, mas para mim. Única e exclusivamente para mim.
A mensagem me causou arrepios por sua frieza perigosa e ameaça subentendida. Tudo o que as poucas palavras diziam era: "Ansioso para o nosso acerto de contas. Hora de voltar para casa, Hulk."
Nas fotos, momentos registrados sem a permissão de Amelia seguiam uma linha cronológica sob o olhar de um misterioso stalker. Na última, datada deste mês, ela levava um copo térmico e descartável aos lábios, sentada à mesa de uma cafeteria, em Nova York mesmo, na companhia do irmão.
O recado era claro e eu não pude ignorar. Alguém está monitorando e seguindo Amelia há meses. Por minha causa. Alguém sabe que temos um tipo de... ligação pessoal. Talvez esse alguém venha a seguindo por imaginar que eu fosse entrar em contato com ela eventualmente. Ao perceber que eu estava determinado a manter distância, apelou para a chantagem porque sabia que funcionaria.
Não quero nem imaginar o que aconteceria se eu ignorasse as dezenas de fotos, o significado de todas elas reunidas e deixasse o caso para a S.H.I.E.L.D. conduzir. Não pude fazer isso, estava fora de cogitação. A ideia de que Amelia estava em perigo — e ainda está — me fez deixar o Sri Lanka às pressas e aceitar a carona de Clint de bom grado. Pilotando um Quinjet idêntico àquele que usei para fugir, o Gavião Arqueiro levou a mim e Romanoff de volta para Nova York.
Com esse assunto fervilhando na minha cabeça, somado à conversa que tive com Amelia — completamente alheia ao perigo que pode estar correndo —, me convenço de que dormir esta noite não é mesmo uma opção.
É bem nesse momento que escuto um ruído vindo da oficina de Tony. Sigo para lá, desço a escadaria e logo descubro que não sou a única pessoa acordada na Torre dos Vingadores. Também percebo que o ruído é música, rock, AC/DC, vindo de toda a parte através do sistema de som espalhado pela sala subterrânea.
Ele não demora muito a notar que tem companhia. Sem deixar de trabalhar em algo que parece ser um novo software para a armadura de ferro, fazendo alguns cálculos e ajustes em dados espalhados em uma tela holográfica a sua volta, Tony olha para mim e diz:
— O que foi, amigão? Perdeu o sono?
— Quem dera fosse isso... Eu não estava dormindo.
A resposta simplesmente me escapa, sem que eu tenha tempo de medir as consequências ou a forma como Stark a receberia.
Fico receoso e incomodado quando ele me lança um olhar de alguém que matou uma charada. E, como eu temia, deduz com segurança na voz:
— Pensando na doce Amy?
Ciente de que é inútil negar o óbvio, procuro pelo menos manter certo foco e evitar uma conversa mais constrangedora:
— Pensando em tudo. — Dou mais alguns passos rumo ao interior da oficina, cruzo os braços e esfrego a testa, preocupado. — Ela está em perigo por minha causa, não tem ideia disso e, até agora, não fizemos nenhum progresso sobre quem está por trás daquele maldito recado.
Meu desabafo impede Tony de continuar trabalhando. Com um gesto simples de mão, ele faz desaparecer todas as informações que encontravam-se flutuando no ar até há pouco. Em seguida, comanda:
— Sem música.
De imediato e de forma automática, a sala fica no mais absoluto silêncio, nem sinal do rock que tocava até então. Logo depois, Tony gira a cadeira na qual se encontra sentado, voltando-se para mim, e rebate:
— Primeiro, Amy não está em perigo por sua causa, mas sim por causa de alguém que parece nutrir um ressentimento em relação ao Hulk. Esse alguém é o culpado e o inimigo a ser caçado, não você, Verdão. Segundo, nós podemos não ter feito nenhum progresso, mas isso deve acontecer a qualquer momento. Romanoff e Barton estão trabalhando nisso junto com a S.H.I.E.L.D., portanto, tente relaxar um pouco e dar tempo ao tempo. Terceiro e o mais importante, você não precisa se preocupar tanto com a Amy. Os gêmeos esquisitos estão por perto, monitorando e, ao menor de sinal de movimento suspeito, têm ordens para intervir e mantê-la sã e salva. O Papa-Léguas pode afastar Amy do perigo num piscar de olhos, e com certeza a Wandinha Adams é capaz de desnortear o filho da mãe até a chegada de reforços.
Ao ouvir a última parte, relembro um passado recente e rio sem humor. Sem conseguir me controlar, solto com um resmungo amargurado:
— É, Wanda Maximoff é mesmo especialista em desnortear as pessoas.
O olhar de Stark fica meio distante por um segundo. Na sequência, ele lembra com um pesar tangível:
— Ela mexeu com a minha cabeça também, Bruce.
Sinto-me obrigado a destacar:
— Você não perdeu o controle de uma fera dentro de si nem destruiu uma cidade inteira por causa disso.
— Não — ele assente e faz uma breve pausa —, mas eu criei Ultron e quase destruí o mundo inteiro por causa disso. Pior, eu te envolvi no plano.
Ficamos em silêncio. Por um momento, parece que não é necessário dizer mais nada. É inútil recordar o passado, na verdade. Nós dois perdemos muito quando Wanda manipulou nossas mentes. Natasha, Steve e Thor com certeza não apreciaram a experiência também.
— Eu preciso de uma bebida — Tony anuncia de súbito, já caminhando com determinação rumo ao pequeno home bar num canto da oficina. — E você também, meu amigo.
— Não, obrigado.
Apesar de recusar com toda a educação do mundo, sou totalmente ignorado. Logo Tony está na minha frente de novo, bebendo a sua dose e agitando, de forma insistente, um segundo copo com whisky na minha direção.
— Obrigado — aceito, vencido.
Enquanto o líquido forte desce raspando pela garganta e aquece meu estômago, Stark retoma o assunto:
— Olha, eu também não confio totalmente na Wanda e no seu irmão platinado, mas nós temos que reconhecer que eles admitiram seus erros e fizeram de tudo para deter Ultron no final, não foi?
— Eu sei.
— Eles são parte do time agora, Bruce. São Vingadores, como eu e você.
— Eu não sou mais um Vingador, não pretendo voltar a ser... — começo a argumentar, meio distraído em pensamentos.
Sem me deixar prosseguir, provavelmente por discordar, Tony faz de conta que não ouviu e me interrompe elevando mais a voz:
— Além disso, o Capicolé confia neles e está orientando os dois em cada passo, vai guiá-los em cada ação que for necessária também, está por perto quando não está à procura do tal Bucky. Nunca diga que eu falei isso, mas eu confio nele. Chato, careta e entediante na maior parte do tempo, mas, sem dúvida, um sujeito correto e responsável.
Sim, de fato confio em Steve também. De olhos fechados. É o que me deixa um pouco mais tranquilo.
Estou refletindo sobre a confiança natural que o Capitão América inspira em qualquer um, quando meu amigo joga algo no ar, de um jeito insinuante:
— Claro que ninguém poderia zelar melhor pela segurança e bem-estar da doce Amy do que o próprio Hulk... Quem, em sã consciência, ousaria mexer em um reles fio de cabelo daquela cabecinha maluca com você ao lado dela?
Entendo de imediato o que Tony está fazendo. Desde que voltei, ele vem tentando me convencer a procurá-la. E agora que eu já a reencontrei, parece que ele quer que eu fique por perto. Algo me diz que não tem a ver apenas com estratégia, Tony quer me reaproximar de Amelia pessoalmente.
— Fora de cogitação — esquivo-me. — Ter feito aquela visita, ido ao apartamento dela, já foi muito arriscado.
Com insistência, ele contrapõe:
— Talvez, mas também foi inteligente. —Tony volta para a sua moderna cadeira giratória, bebe um longo gole do whisky e argumenta: — Se o inimigo misterioso tinha alguma dúvida do seu retorno, se estava por perto e vigiando o prédio de alguma forma, agora sabe que você voltou e não tem motivo para usar Amy para chamar a sua atenção de novo. Pelo menos por enquanto, ela está a salvo. Porque você finalmente saiu das sombras e respondeu o recado dele.
— É um cenário muito otimista, Tony. Mas, de um jeito ou de outro, eu sempre vou representar um risco para Amelia se me manter por perto. É por isso que, quando tudo for resolvido, eu devo ir embora de novo. — Apoio-me numa banqueta e coloco o copo vazio sobre ela. Só então percebo que ele está sorrindo com descrença. — O que foi? Eu disse algo engraçado?
— Você não vai embora, Bruce.
Seu tom taxativo e certeiro me deixa intrigado. Franzo o cenho e procuro entender melhor:
— O que te faz pensar que não?
Prontamente e como se possuísse toda a certeza do mundo, Stark pontua:
— Você disse “eu devo ir”, e não “eu vou embora.” Você não quer deixá-la para trás de novo, admita.
Ele arremata com uma piscadela, deixando-me ainda mais introspectivo e um pouco incomodado também.
É duro reconhecer que realmente não quero desaparecer mais uma vez. Cada parte de mim anseia por ficar em Nova York por um motivo que parece estar muito óbvio para Tony por mais que eu continue negando.
Mesmo sabendo que não seria prudente ou o correto, quero ficar perto dela. Vai ser muito mais difícil me despedir de Amelia pela segunda vez. Talvez, inconscientemente, eu fico repetindo que devo ir embora numa tentativa de silenciar esse desejo primordial pela companhia dela.
Subjugo esse desejo como posso e o álcool queima dolorosamente no meu estômago. Agarro-me à conversa que tivemos no dia anterior e argumento:
— Não importa o que eu quero. Amelia seguiu em frente, me esqueceu, disse que tudo o que quer agora é ser minha amiga. — Paro de falar tão logo percebo o teor do que deixei escapar e como Tony recebeu a informação. — Eu vou me arrepender de ter dito isso...
— Ela o quê?! — Ele arqueia as sobrancelhas, soando muito interessado em algo que eu preferia manter apenas para mim.
— Posso sentir o arrependimento agora, bem agora... Por favor, Tony, esqueça o que ouviu.
Ignorando-me magistralmente, o Homem de Ferro começa a rir e despeja com um tom de deboche crescente:
— É por isso que você não conseguiu dormir? Porque Amy te colocou na maldita friendzone? Desculpe, mas é engraçado... Eu sou um péssimo ser humano e amigo por estar rindo agora? Na sua cara? Rindo com respeito, é claro. Você está mais do que preocupado com a segurança dela, você está amargurado por ter perdido a chance com ela! Claro! É isso? O motivo da insônia? Oh, pobre Doutor Banner... Quem diria que alguém fosse partir o seu coraçãozinho desse jeito, hum?
Há exatamente doze meses não me transformo no Hulk. Confesso que cogito romper o hiatus agora mesmo. Libertar o gigante destruidor sob minha pele é um pensamento tentador que não consigo evitar. Mas como Tony é meu amigo e não seria de bom tom esmagá-lo, sou obrigado a descartar essa ideia de imediato, claro. Que pena. Se o Outro Cara lhe desse pelo menos um susto, já seria libertador e, com certeza, encerraria a piada por ora.
— Ótimo, você não vai esquecer — ironizo, preferindo me afastar. — Sabe? Acho melhor eu voltar para o quarto.
Já estou subindo os degraus e quase alcançando a saída, quando Tony para de rir e me chama:
— Bruce, espere.
A contragosto e prevendo ouvir mais deboches, viro em sua direção. Para minha surpresa, ele diz de um jeito sério:
— Amy não quer só a sua amizade. Vai por mim. Encare isso como a opinião de alguém que entende um pouco de mulheres.
Embora uma parte de mim fique inevitavelmente feliz com a sua teoria, decido não perder a chance de alfinetá-lo:
— Sem ofensa, mas ter sido um mulherengo no passado não faz de você um especialista na alma feminina, Tony.
Parecendo não ter se ofendido — na verdade, cheio de si e sem qualquer modéstia —, ele se defende:
— Eu não preciso ser um especialista, só minimamente inteligente; o que sou e muito, aliás. — Então termina a dose de bebida, recosta-se na cadeira e, com uma certeza palpável no rosto, articula: — Eu vi o jeito que ela te olhou na minha sala. Foi do mesmo jeito que te olhava um ano atrás. Não... foi mais intenso. Havia choque e surpresa, claro, mas tinha outra coisa também, algo mais. Estou cem por cento convencido que se eu não estivesse lá, Amy teria te jogado em cima da mesa e arrancado suas roupas, Bruce. Ela pode ter dito que só quer a sua amizade agora, mas não é o que ela realmente quer. E sinto muito, mas você não conseguiu ficar indiferente àquele olhar, meu amigo. Cá entre nós, talvez nunca consiga.
O teor de suas palavras me atingem mais do que eu gostaria. Um calor se agita dentro de mim e me pego com uma vontade incontrolável de sorrir feito um imbecil, um bobo. Acho que pela primeira vez admito para mim mesmo que estou apaixonado por Amelia e gosto da ideia de que ela sinta o mesmo.
Antes que isso fique ainda mais óbvio para meu amigo inconveniente, disfarço como posso e encerro a conversa de forma definitiva e seca:
— Boa noite, Tony.
Assim que deixo a oficina para trás, o sorriso vem, teimoso e irresponsável. Eu não devia, mas imaginar que Amelia pode ter mentido para se preservar e que, no fundo, sempre esteve e continua interessada por mim me deixa feliz de um jeito profundo, forte, inevitável.
Lamento, realmente lamento, por não poder viver isso em toda a sua plenitude e intensidade. Lamento pelas coisas serem tão complicadas para mim e, em consequência, para Amelia. Lamento tê-la colocado em risco por ter deixado transparecer a um inimigo invisível como ela é importante para mim. Lamento por tê-la tornado o meu calcanhar de Aquiles, posto um alvo em suas costas e a feito pensar que nunca senti o que, de fato, sinto.
Ao me lembrar de todos esses detalhes cruciais da história, o sorriso esperançoso é, pouco a pouco, derrotado. Volto à realidade tão logo chego ao andar do meu quarto. Cruzo a porta.
À minha espera, a cama de pregos me encara, fria e determinada, reafirmando que será uma longa noite.
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