A Bela, o Outro Cara & Eu

5 A volta dos que não foram


Notas iniciais
Hello, meu povo e minha pova! Eu estou viva, rá! Demorei, mas cheguei com mais um capítulo. Ele é narrado pelo Bruce ♥ Muito obrigada a todos que estão acompanhando ♥ e me desculpem pela demora. Ando meio enrolada, lenta e com problemas de internet ultimamente... PS: Super indico a musiqueta Scars do fofíneo James Bay (ela me lembra mais a despedida de Bruce e Amy em Trapaças do Coração, mas também me inspirou para escrever esse reencontro. Enfim, me lembra os dois ♥)


E assim que eu puder te segurar mais uma vez

Eu não sairei de perto de você, eu juro.

Scars – James Bay

É como estar diante de um fantasma. Só que de alguém vivo, é claro. Não uma assombração, e sim um tipo de miragem que remete a lembranças e certas coisas que eu pensei estarem sob controle e adormecidas.

É assim que me sinto agora, frente a frente com Amelia, na sala de Tony, aqui na sede das Indústrias Stark. Sinto que me enganei feio e que não a esqueci nem por um segundo mesmo após um ano de distância e, no mínimo, nove meses sem ouvir sua voz ao telefone.

Como eu poderia ter esquecido Amelia? De certa forma, foi pensando nela que decidi sair das sombras e voltar para Nova York. Era preciso, o certo a se fazer e, além disso, uma parte de mim se alegrou com a ideia de estar de novo na mesma cidade que ela.

Não planejava revê-la, no entanto. Não achei que seria necessário. Tampouco, recomendado. Mas aqui estamos nós, diante um do outro, mesmo que acidentalmente, depois de um longo ano distante.

Ela me encara com visível surpresa. Certamente, está confusa com o meu retorno. Em choque. Não sei qual reação esperar, além da confusão em seu semblante. Nunca soube decifrar Amelia, muito menos prever qual atitude tomará em determinadas situações.

Confesso que vejo isso como um dos seus encantos. A capacidade genuína de me surpreender e me desarmar ora com um sorriso, ora com um olhar firme. Às vezes, ela é doce e compreensiva. Em outras ocasiões, explode e desliga o telefone na minha cara.

Noto que está um pouco abatida. Será que tem dormido direito?

Apesar do olhar cansado, está mais bonita do que eu me lembro. Linda, sendo bem franco. Não consigo parar de olhar para ela, na verdade. É como um ímã.

Nervoso, percebo que ela ainda me atrai. E isso será um problema. Preciso me controlar.

— Ora, ora. — Ela cruza os braços e franze o cenho. — Se não é a volta dos que não foram...

Com certo alívio, relaxo consideravelmente. Podia ser uma reação muito pior, mas ela só foi irônica. É menos do que eu mereço por ter ido embora e a magoado com a minha decisão.

Vejo que ela endireita a postura e estreita o olhar de mim para Tony algumas vezes, um claro sinal de que espera uma boa explicação. Engulo em seco ao lembrar que não me preparei para explicar coisa alguma. Realmente esse reencontro não estava nos meus planos.

Sou salvo pelo gongo quando Tony interrompe o pesado silêncio, questionando em tom divertido:

— Amy, você se lembra do Bruce, certo?

— Quem? — ela rebate com outra brincadeira. Depois, torna a olhar para mim, aproxima-se com passos rápidos e me surpreende com um abraço. — Eu não estou entendendo nada, mas... bem-vindo de volta, Bruce.

Meio desajeitado, retribuo o gesto. Tenho que me controlar para não abraçá-la com muita força. Só então me dou conta do quanto senti sua falta. Não quero soltá-la. Sei apenas que devo.

Infelizmente, ela rompe o contato de forma brusca, como se tivesse lembrado da minha partida. Recua um passo e cruza os braços de novo.

— Então... Há quanto tempo você voltou?

Hesito por um instante e troco um olhar com Tony. Decido não mentir.

— Mais ou menos... duas semanas.

— Duas semanas?! Uau! Nossa! — Amelia fica ainda mais estarrecida. — E você demorou duas semanas para procurar o seu melhor amigo?

Ela indica Stark, que parece lisonjeado com o título recebido. Aos poucos, Amelia desmancha o sorriso amarelo que sustentava até então. Logo, sua expressão se torna dura e incrédula. Antes que eu consiga dizer qualquer coisa, deduz:

— Essa não é a primeira vez que vocês se veem, é?

Tony olha para mim e depois confirma:

— Não.

Parecendo desapontada, mas não surpresa, Amelia mata a charada:

— E foi por isso que nós não conversamos aqui, na sua sala, certo? Por que você não queria que eu descobrisse que tinha uma visita ilustre te aguardando?

Seu sarcasmo está mais ácido agora. Ela está com raiva, sem sombra de dúvida.

De imediato, Stark começa a responder:

— Veja bem, não fui eu quem não quis que...

Também de imediato, ele para de falar. Talvez ao se dar conta do que acabou de insinuar e de como isso me compromete de um jeito vergonhoso e negativo.

Ele ainda está me encarando, como quem diz que sente muito por ter batido a língua nos dentes e se desculpa em silêncio por isso, quando Amelia se volta para mim com um olhar em chamas e despeja em tom de acusação:

— Oh! Entendo. Você não queria que eu soubesse do seu retorno. — Ela ri sem humor. — Desculpe por ter entrado aqui assim e arruinado tudo. Que gafe a minha...

Sentindo-me péssimo por ter agido dessa forma e por vê-la levando isso para um lado muito pessoal, dou um passo à frente e sibilo:

— Amelia... Eu posso explicar.

Visivelmente magoada, ela me corta, dispensando com rispidez:

— Não se dê ao trabalho. Aliás, você não me deve nenhum tipo de explicação, na verdade. E não se preocupe, eu não vou te colocar numa saia justa constrangedora de ter que responder se pretendia me procurar em algum momento ou não. Eu já sei a resposta. — Com um gesto pesado, com uma violência incontida num momento de extrema raiva, ela coloca o celular de Tony sobre a mesa perto de mim, causando um baque forte. — Bem-vindo a Nova York e passe muito bem, Dr. Banner — conclui com um olhar feroz, carregado de ironia e fúria.

Zonzo e sem saber o que fazer para consertar a má impressão que causei, sigo-a com o olhar enquanto ela marcha com passos resolutos até a porta, logo deixando a sala.

— Uau! — Tony exclama, chamando minha atenção e soando impressionado. — Cada vez mais eu entendo o que você viu nela. É como o Hulk, só que de saia e maquiagem.

Incomodado com o comentário — mesmo que tenha fundamento, já que o Outro Cara dentro de mim se identifica com o lado explosivo de Amelia Prescott —, pressiono a têmpora direita e repreendo:

— Tony, agora não é um bom momento para piadas.

Mais sério, ele se aproxima e apoia a mão no meu ombro.

— Você tem razão. Esse é o momento de você ir atrás dela, meu amigo.

Apesar de apreciar a preocupação de Stark e constatar, mais uma vez, que ele se tornou um homem muito melhor nos últimos anos, ao ponto de se importar com os sentimentos de outras pessoas, continuo me sentindo perdido no meio dessa situação. Estou de mãos atadas e não sei o que poderia fazer para contornar o provável dano que causei.

Ciente disso, uno as sobrancelhas e lembro a Tony:

— Eu não posso ser totalmente sincero com ela. Quanto menos Amelia souber dos meus motivos para ter voltado, melhor. Você sabe disso.

— É, eu tô sabendo — ele assente. E apertando o meu ombro mais uma vez, sugere: — Mas você pode dar a ela alguma coisa, não pode? Mesmo que seja uma explicação parcial? Qualquer coisa melhor do que isso? — Tony se detém por um instante, recua um pouco e questiona: — Eu não estou soando sensível demais, estou? Pareço uma mulherzinha falando?

Suas perguntas cheias de um temor masculino desnecessário me levam a relaxar e sorrir um pouco. Suas perguntas anteriores ecoam na minha cabeça e me pego pensando mesmo sobre elas.

Ao chegar a uma conclusão, bato no ombro de Tony algumas vezes, com um agradecimento subentendido, e rumo na direção da porta. Determinado a esclarecer pelo menos uma parte dessa história, sigo no encalço de Amelia.

Avisto-a diante dos elevadores. Braços cruzados e o pé direito em constante movimento, batendo-o repetidamente e de um jeito nervoso contra o porcelanato. Volta e meia, aciona o botão para chamar o elevador.

Quando, finalmente, as portas se abrem, ela adentra a cabine de aço feito um foguete. Apresso-me e consigo impedir o fechamento no último instante.

Ao notar minha presença, Amelia arregala os olhos por alguns instantes. Antes que eles passem a me fulminar, penso em algo que seja verdade e que eu possa lhe contar. Então despejo:

— Eu pensei que você não ia querer me ver.

Para minha surpresa, e azar, a sinceridade não amolece a sua postura. Logo Amelia está me encarando com cara de poucos amigos e alfineta:

— Bem, agora que mencionou, realmente. Você tem toda a razão, eu não quero mesmo. Com licença.

Ela tenta fechar as portas do elevador apertando o botão de algum andar, mas eu estou entre elas, impedindo o fechamento com as mãos. Um aviso sonoro indica que algo está atrapalhando o funcionamento normal do mecanismo — eu mesmo.

Visivelmente impaciente, Amelia expira com força e tenta encerrar o momento:

— Bruce, você não me deve nada. Mesmo. Só me deixe ir embora, sim? Por favor?

Algo no seu tom de voz e no seu olhar me fazem entender que ela precisa de espaço e distanciamento imediato. Realmente a magoei. De novo. E tentar explicar qualquer coisa agora pode piorar a situação e atingi-la ainda mais. Sinto-me péssimo.

Apesar de saber que é melhor deixá-la ir, não quero fazer isso. Pelo menos, não sem antes lhe dizer algo mais consistente. Algo genuinamente real e verdadeiro. Preciso ser mais sincero com Amelia. Sobre algum ponto ao menos. Sobre o ponto que mais importa.

Pensando assim, deixo essas palavras saírem pura e simplesmente:

— Eu senti sua falta.

Enquanto Amelia me encara de volta com um olhar indecifrável, afasto as mãos das portas e recuo um passo. O elevador se fecha antes que eu consiga ouvir a sua resposta.

Seja como for, tenho certeza que vi seus lábios se movimentarem no último instante e algo foi dito por eles. Não esperava que ela se pronunciasse, mas tenho certeza que não imaginei. Pelo espaço entre as portas, vi Amelia dizer algo.

Se ela respondeu que também sentiu a minha falta ou me mandou para o inferno, não tenho como saber agora. Por via das dúvidas, vou ficar com a segunda alternativa. É a mais provável, afinal.

Notas finais
Vou postar o próximo capítulo mais rápido, juro juradinho kkkkkk Obrigada a quem leu e fiquem à vontade para prosear comigo :-)