A Bela e a Fera-Captain Swan
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Quando August e Neal chegaram, já começava a anoitecer. Eu estava em meu quarto, com o meu exemplar de Once Upon A Time no colo, lendo a história da Branca de Neve, quando uma das empregadas me chamou dizendo que meus amigos haviam chegado. Eu me senti quase decepcionada quando tive que parar a leitura, a história estava bem emocionante. Branca de Neve estava fugindo a cavalo depois de ter atingido o rosto do Príncipe Encantado com uma pedra (aquela cena me rendeu boas risadas, e eu teria que mostrar para August e Neal depois). É claro que aquele era apenas o começo. A história era uma das mais longas do livro, e uma das últimas também. Mas eu teria que terminá-la mais tarde. Antes de sair do quarto, paro diante do espelho -algo que, sem dúvidas, eu não fazia com frequência. E naquele momento eu me senti outra pessoa (pelo menos fisicamente). Meu cabelo estava mais comprido, e meus olhos pareciam brilhar mais. E eu nunca tinha me sentido tão bem em um vestido. A vestimenta, aliás, fora dada por Killian quando estávamos voltando da casa de Tia Katherine. Passeávamos pela cidade antes de voltar para casa, ele viu o vestido azul em uma vitrine, disse que ficaria bem em mim, e me deu. Era um dos meus vestidos favoritos. Conferi que ele não estava amassado, e saí do meu quarto.
Em um minuto eu estava na sala de estar. A mesma era equipada com uma lareira, um tapete felpudo e um sofá e duas poltronas, onde Killian e eu costumávamos nos sentar para ler ou conversar. E nelas estavam sentados Neal e August, rindo de alguma coisa. Por um instante eu só fiquei escorada na porta da sala, observando-os e finalmente me dando conta do quanto eu havia sentido a falta dos meus melhores amigos. Mas não demorou muito para eu ser notada por August, que abriu um grande sorriso ao me ver, e imediatamente veio correndo ao meu encontro –sendo seguido por Neal. Os dois me esmagaram em um abraço apertado, o que nos fez rir. Eu definitivamente tinha sentido falta deles.
Aquela noite foi repleta de risadas, lembranças de nossas infâncias e muita nostalgia. Eu fiquei sabendo das novidades da nossa (eu ainda a considerava minha?) aldeia –Belle fechara a livraria logo após a minha partida, tinha arrumado as malas e partido, sem dar explicações, e ninguém sabia nada dela (o que me deixou intrigada); Tom, o dono do Caldeirão Furado tinha ampliado o bar, e meu pai decidira largar o trabalho de ferreiro e estava se dedicando somente ao cuidado das vacas que tínhamos. Pelo que disseram Neal e August, ele parecia feliz. Eu teria que me encarregar de lhe enviar uma carta depois.
Além disso, eu contei a Neal e August as coisas que eu tinha feito desde o início da minha estadia ali –omitindo os eventos da biblioteca e o surto de Katherine, porque agora, mais do que nunca, eu queria poder dar um motivo para Killian confiar mais em mim.
E então o assunto foi para o meu casamento. Eu tentara evitar aquele tópico a noite toda, mas parecia que seria inevitável. Naquele momento estávamos os três na sala. Eu em uma poltrona, August na outra, e Neal no tapete na nossa frente. Tínhamos terminado a janta há pouco tempo e nos instalamos na sala para ficarmos mais perto da lareira. Um silêncio confortável se instalou no ambiente, e eu me peguei observando a lareira e pensando em Killian. Quando ele voltaria? Talvez demorasse alguns dias... Eu já sentia falta dele. Muita falta dele. Da sua risada doce, dos seus olhos azuis como o mar, do sorriso de lado quando eu o pegava me observando. Eu sentia falta as suas brincadeiras, das nossas aulas de manejo de espada, e sentia falta do tempo que passávamos juntos. E sentia falta de...
-Emma? Emma! Estou falando com você!
-Ahn?
-Emma! –August me repreendeu. –Estamos falando com você! Dá pra prestar atenção, por favor?
-Eu...desculpa, eu estava pensando...
Neal revirou os olhos.
-Você está muito pensativa –ele comentou.
-Enfim. –August mandou um olhar sério para mim – Eu estava perguntando para você sobre o seu casamento.
-Eu... espera o que você quer dizer com isso?
-Emma, Emma, você tem fugido do assunto a noite inteira. –droga, eles tinham percebido- Eu e Neal estamos preocupados com você, e queremos saber como está o seu casamento. Você sabe, como é o Killian, se ele te trata bem, como foi a primeira noite de casados, e...
-AUGUST! –eu interrompi, sentindo o rosto corar. –Não se pergunta isso para uma mulher.
Ele fez uma cara de falso ofendido, o que gerou risadas em mim e em Neal.
-Por favor, senhora “eu sou uma dama”! Somos seus amigos! Qual o problema de responder isso? –ele olhou para Neal como que buscando apoio, ao que foi respondido por um olhar de “não me inclua nisso”. Eu ri antes de responder.
-Eu definitivamente não vou responder isso! –por favor, aquilo nem tinha acontecido, como eu ia inventar algo assim? –Mas Killian é legal. Ele é bem divertido, e a gente fez várias coisas legais juntos.
-Tipo...?—a pergunta foi seguida por um levantar de sobrancelha de August.
-Tipo andar a cavalo, ler, conversar, ir até a cidade... Killian também está me ensinando a usar a espada. É divertido, mas ainda falta muito para eu aprender.
-Você gosta dele? –a pergunta veio de Neal.
-Ele é um bom amigo. –respondo simplesmente.
-Mas você gosta dele de verdade. Digo, como mais que um amigo? Você sabe, em casamentos arranjados nem sempre há uma relação...amorosa.
-Eu...realmente não sei. Não consigo entender direito o que se passa na minha cabeça. Não sei se estou preparada para responder isso.
-Tudo bem. Você não tem que se sentir obrigada a amar ele, sabe? Mas Emma, não são todas as respostas que você encontra pensando com a cabeça. Algumas você tem que usar o coração para achar.
Depois disso, a conversa acabou indo para outro lugar. Mas a noite, embaixo dos lençóis, depois de me despedir dos meus amigos (que insistiram que preferiam dormir em casa e foram embora), eu pensei muito na frase de Neal. Eu estava acostumada a usar a cabeça. O coração não era o que se podia chamar de minha ferramenta predileta. Eu tinha até certo medo das peças que ele podia me pregar. Eu estava pronta para amar alguém? Eu não demorei muito para descobrir.
No meio da madrugada, o barulho do portão do castelo me acordou. Vesti meu robe e saí silenciosamente do quarto, curiosa. Mais barulhos na sala e pelo corredor me assustaram um pouco. Mas segui meu caminho. Quando cheguei ao corredor principal, vi algumas manchas vermelhas no chão lustroso. Me abaixei apenas para confirmar minhas suspeitas. Sangue. Com cuidado para não fazer barulho, peguei uma espada encaixada a uma armadura que adornava a porta da sala. Adentrei o local em silêncio para sentir algo puxando o meu braço. Esperei pela dor ou pelo perigo, mas ele não veio. Em vez disso, apenas uma voz baixa e entrecortada.
-E-Emma?
E eu me virei para ver Killian, todo coberto de cortes ensanguentados, que definitivamente não tinham sido feitos por uma espada normal.
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