A Bela e a Fera-Captain Swan
9 Capítulo 9
Notas iniciais
—Ai! Emma, isso dói.
Eu olho para Killian dividida entre a raiva e a preocupação. Como resposta a sua reclamação, apenas desvio o olhar e continuo limpando os seus inúmeros ferimentos com o algodão e o remédio que achei no lavabo do meu quarto.
-Se você não tivesse tido a brilhante ideia de se machucar, não estaria doendo –murmuro.
-E você acha que eu simplesmente escolhi me machucar? Acha que eu queria ter que passar cada dia imaginando quando vou me machucar e pelo que? Por mim, eu estaria o tempo todo aqui dentro, seguro, que nem você faz. –ele retrucou secamente, o que me fez parar de limpar o machucado e o olhar brava e incrédula.
-Não fale assim comigo Killian. Caso você não tenha percebido, eu estou tentando ajudar.
Ele suspirou.
-Você tem razão. Desculpe, tá? Eu fico nervoso quando me machuco, e também não queria que você me visse assim, e... desculpa Emma. Só não fique brava comigo. Por favor.
A cara dele realmente dava dó, mas eu tentei manter meu rosto imparcial. Tentei. Por que ao olhar para aqueles olhos azuis que brilhavam como se precisassem do meu perdão, fez algo desabar dentro de mim. Suspirei derrotada.
-Tudo bem. Não estou brava com você. Talvez só um pouco. –ele riu fraco- Agora pare de se mexer para que eu possa acabar esse curativo.
Assim que todos os ferimentos estavam limpos e enfaixados, deixei Killian sentado na poltrona da sala mais perto da lareira.
-Eu já volto. Vou trazer uma coberta e algo para você comer. – e depositando um suave beijo em sua bochecha, eu saí da sala.
Enquanto me dirigia para a cozinha, pensava porque tinha feito aquilo. Deus, o que dera em mim? E porque meu coração estava batendo mais rápido e... Meus pensamentos foram interrompidos quando eu desastradamente dei de cara com a porta da cozinha. Tentando manter a mente limpa, adentrei o local agora vazio, me dirigindo ao fogão. Quando eu era pequena e me machucava, Marie preparava chocolate quente para mim. E foi isso que eu fiz. Também enchi um prato com alguns cookies que achei guardado em um dos armários, e voltei para a sala. Antes, porém, passei pelo meu quarto e peguei a coberta de encima da cama, levando-a também.
Quando chego na sala, Killian ainda está na mesma posição, observando o fogo. Meus passos soam altos pelo piso, e ele se vira para me olhar adentrando o aposento. Deixo a caneca e o prato de biscoitos na pequena mesa a sua frente, e estico a coberta em Killian. Ele me olha agradecido, e eu lhe entrego a caneca.
-É chocolate quente. Minha…mãe fazia para mim quando eu não me sentia bem. O meu não é tão bom quanto o dela, mas acho que serve.
Ele dá uma risada fraca e toma um gole da bebida, ao mesmo tempo em que aperta a coberta para si. Espero ele já ter tomado um tanto e ter comido alguns dos cookies, para finalmente iniciar a conversa que vinha sendo adiada desde o início da noite.
-Killian? –começo hesitante- Acho que temos que conversar.
Seu olhar se torna sofrido, mas ele coloca a caneca na mesa e se vira para mim.
-Sobre o que você quer conversar?
-Acho que você sabe exatamente sobre o que quero conversar.
Ele suspira antes de responder.
-Eu tinha que tentar, não é? –ele responde, com um mínimo sorriso, mas eu continuo séria. Ele suspira novamente, se dando por vencido. –Por onde eu começo?
-Comece por onde você estava. Deve ser um lugar e tanto, já que você nem me contou onde é. –eu retruquei, e tenho certeza de que ele percebeu o ressentimento em minha voz.
-Eu… Emma, é perigoso, talvez seja melhor você não se meter nisso, eles podem te usar para ir atrás de mim, e…
-Tudo bem Killian, JÁ CHEGA. -eu me exaltei- Eu estou CANSADA desse, desse… ah, por deus, eu nem sei o que é isso! Eu só sei que tem alguma coisa a ver comigo e com essa tal de Neverland. Então você poderia facilitar para mim, por que eu vou descobrir o que você está tramando de qualquer jeito.
Killian olhou meio assustado para mim, talvez por nunca ter me visto gritar antes, ou pela quantidade de coisas que joguei em sua cara. Assim que ele se recuperou, ele seguiu o meu exemplo e ficou de pé também, me encarando mais de perto. E eu percebi que aquela noite seria longa.
-Como você sabe sobre Neverland? E de onde tirou que isso tem alguma coisa a ver com você?
-Aquela noite, que você me encontrou biblioteca, eu escutei você e um homem discutindo. Acho que o nome dele era Theodore. Você o estava ameaçando, ou algo assim. E dizia sobre não chegar perto de alguém. Era de mim não é? –Ele não respondeu, então eu continuei- E depois que você viajou, eu fui na biblioteca procurar alguma pista sobre onde você estava –ele me olhou bravo- Eu estava preocupada, ok?! Você não tinha me falado para onde estava indo, e eu não sei absolutamente nada sobre o seu trabalho, ou o que quer que você faça! Enfim, eu achei uma carta de Katherine, alertando você sobre um acordo, e dizendo algo sobre procurar alguém em Neverland. Eu deduzi que você tinha ido para lá. E deduzi certo, não é? Quem você está procurando, Killian? E porque você voltou todo machucado?
-Você não entenderia.
Eu alcei uma das sobrancelhas.
-Se você explicasse eu entenderia.
-É muito complicado, Emma. Tem relação com mundos diferentes do seu, e tem coisas que você não deveria saber. É melhor para você.
-Então TEM SIM a ver comigo. Eu sabia. Agora, pode ter certeza que não vou te deixar sair daqui até me contar TUDO, Killian. Tudo.
Ele suspirou derrotado.
-Eu não posso te contar tudo Emma. De verdade. Mas um dia você vai saber, eu prometo. Mas eu posso te contar alguma coisa.
Meus olhos brilharam. Eu finalmente teria respostas. Me sentei novamente, e Killian fez o mesmo.
-O mundo em que estamos não é o único, por dizer assim. Existem mundos e realidades diferentes e incontáveis (alguns inclusive nunca foram visitados). Neverland é um deles. Aquele seu livro, Once Upon A Time, tem uma história sobre Neverland.
-Como você sabe?
-Você já a leu? –neguei- Eu sei porque apareço nela.
Eu o fitei incrédula. Aquilo só podia ser piada.
-Você está brincando comigo, não é? Killian não tem graça. Se você aparecesse no meu livro, significaria que você é um personagem de … de contos de fadas… -minha voz foi morrendo quando percebi que o semblante de Killian era bem sério. –Você é um personagem de contos de fadas –sussurrei. Ele meneou a cabeça, confirmando.
-Sou, love. E você também é. Os seus pais são a Branca de Neve e o Príncipe Encantado. Você nasceu num lugar chamado Floresta Encantada, mas foi mandada pro mundo “normal” quando ainda era um bebê. Tem sua história na edição original de Once Upon A Time. Que por acaso é a que eu tenho. A questão é que você está destinada a fazer…coisas importantes. E a ser bastante perseguida por pessoas indesejadas que não querem que você cumpra o seu destino. Por isso eu te trouxe para cá. Poderia ficar de olho em você para que nada te acontecesse até que chegasse a hora. Mas eu não contava que você seria tão curiosa –ele completou com um meio sorriso.
Então eu era um…personagem. Era com certeza a coisa mais estranha que já tinha me acontecido. Eu só não entendia porque meus pais tinham me abandonado. Mas talvez não era momento de pensar nisso.
-Por que você foi para Neverland?
Killian se mexeu desconfortável.
-Eu fiz um acordo com alguém perigoso para poder vir para este mundo e te proteger. Digamos que o preço é alto. Eu tenho que encontrar uma pessoa que eu não sei quem é, antes que o prazo acabe. Se não… bem, as consequências não são as melhores. A busca ia bem, mas fui atacado por um exército de sombras. Elas são perigosas. E foi assim que ganhei todos esses cortes.
-Você encontrou o que procurava?
-Não. E é por isso que vou voltar para Neverland amanhã. O prazo está acabando, e é realmente importante para mim.
-Eu vou com você.
Killian me olhou incrédulo.
-De jeito nenhum, Emma. Você não entendeu que é perigoso?
-É uma parte da minha vida também, Killian. Eu quero ir. Por favor.
Ele suspirou.
-Tudo bem. Mas você vai ter que fazer o que eu dizer. Neverland pode ser um lugar traiçoeiro. E se eu disser para você voltar para casa, com ou sem mim, me prometa que vai fazê-lo.
Eu concordei.
-Saímos amanhã bem cedo. Esteja preparada. É melhor irmos dormir, Emma.
Eu me levantei e me dirigi à porta, murmurando um “boa noite” para Killian. Mas antes que eu pudesse sair do aposento, Killian me chamou. Me virei para encontra-lo a poucos centímetros de mim.
-Eu queria te agradecer por ter me cuidado. E por ter entendido e querer me ajudar. Vindo de você significa muito para mim, Emma.
-Quem ama cuida, não é? –as palavras escorregaram da minha boca antes que eu pudesse impedir.
-É. E pode ter certeza de que eu vou fazer o mesmo, love.
E antes que eu pudesse raciocinar ou responder, Killian selou seus lábios nos meus.
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