A Batalha com os os Doze Mestres
4 Capítulo IV - Casa de Gêmeos
Notas iniciais
Os cavaleiros de bronze subiam rumo à terceira casa, de Gêmeos. Estavam mais tranqüilos, pois sabiam que Saga não estaria lá. Sempre que Shion saía do Santuário, deixava Saga no comando. Não perderiam tempo tendo que bolar planos desnecessários, como foi em Áries. Se continuassem naquele ritmo, com certeza chegariam ao seu destino bem rápido.
– Nada de ficar lerdando na casa de Gêmeos! Temos que aproveitar essas casas vazias e sermos rápidos. – disse Ikki.
– Quem te nomeou chefe? – disse Seiya.
– Alguém tem que pensar nessa porra! – disse Ikki. – E se eu fosse você, guardaria energias já que a quinta casa é do seu mestre e é você quem terá que se virar pra fazer a gente passar.
Seiya engoliu em seco e Ikki começou a gargalhar. Claro que Seiya não teria condições de fazer nada sozinho, mas era sempre divertido provocá-lo.
– Podemos aumentar a velocidade então. A quarta casa, de Câncer, também será rápido. Provavelmente Máscara da Morte não está lá, já que passa a maior parte do tempo em Peixes. – disse Shiryu.
– Aquele viado de Peixes também não será problema. Isso está mais fácil do que eu esperava. – disse Ikki.
– Não fique tão animadinho. Ainda tem vários cavaleiros que podem nos empacar. – disse Hyoga.
– Quem? Seu mestre? – Ikki gargalhou. – Essa eu pago para ver!
– Não duvide de nosso mestre, Ikki. Você nunca o viu irritado. – disse Isaac sentindo um arrepio subindo a espinha.
– Vocês são uns patos. Sem trocadilhos, Hyoga. – Ikki riu debochado.
Hyoga fechou a cara e Seiya acabou rindo. Eles continuaram correndo, cada vez mais rápido. Chegaram à entrada da casa de Gêmeos. Todos se assustaram. Havia um poderoso cosmos emanando de dentro da casa. Será que Saga estava mesmo ali?
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POV Saga
Eu estava tremendamente ocupado. E pensar que Shion dava conta de todo aquele trabalho praticamente sozinho. Não tinha tempo a perder, pois não gosto de demonstrar ineficiência. Queria resolver tudo antes que o Grande Mestre chegasse. Mas logo pela manhã recebi a notícia descabida de que os cavaleiros de bronze queriam roubar o cetro de Athena, sabe-se lá por que. Sinceramente, recusei-me a acreditar de início. Eles não seriam tão idiotas de enfrentar os cavaleiros de ouro e, acima de tudo, seus mestres. Então continuei com meu serviço, até que senti uma movimentação nas primeiras casas. Sim, eles eram idiotas! Eu não acredito que teria que perder mais tempo com uma coisa tão insignificante. Ah! Mas se eles pensaram que passariam pela casa de Gêmeos facilmente só porque não me encontro lá, eles estavam muito enganados. Vou acabar com essa palhaçada e enviar cada um deles para suas respectivas casas. Onde já se viu? Eles já eram cavaleiros, deviam saber de suas obrigações e responsabilidades. Quando eu tinha a idade deles era super centrado. Se não fosse por aquele desvio que aconteceu por culpa do meu irmão, teria sido um dos cavaleiros mais honrosos do Santuário. E Athena? Por que raios ela também estava envolvida nisso? Ela, acima de todos, deveria saber sobre o quanto aquilo era uma atitude irresponsável. Eu não tinha paciência para isso. Mas não tinha mesmo.
Sentei-me no trono de Grande Mestre e concentrei meu cosmos. Nem acreditava que estava mesmo fazendo isso. Sequer concebia aquela situação. Eu não conseguia acreditar que os mestres daqueles delinqüentes iam permitir algo tão estapafúrdio. Bom, eu não permitiria, mas não mesmo.
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Os cavaleiros entraram na casa. Estava muito escura, mesmo sendo dia. Eles estavam sendo cautelosos, pois sentiam um cosmos no ar. Será que Saga ia querer lutar contra eles? Se isso fosse verdade, gastariam muito tempo. Todos sabiam da força de Saga. Só pelo fato de que ele era quem substituía Shion na posição de Grande Mestre, já demonstrava o quanto teriam trabalho para passar por Gêmeos se ele estivesse lá. Porém, era tarde demais para voltar. Teriam que enfrentá-lo se fosse necessário.
Continuaram adentrando a casa de Gêmeos e nada aparecia. De repente o chão começou a se movimentar. Os cavaleiros foram pegos de surpresa.
– Que merda é essa? – perguntou Ikki tentando se equilibrar.
– Saga está aqui! Está brincando com a gente! – disse Shiryu.
– E agora? O que vamos fazer? – perguntou Shun temeroso.
– Teremos que lutar! – disse Seiya de prontidão, mas mal conseguindo ficar de pé.
– Lutar contra quem, animal? Consegue ver Saga em algum lugar? – disse Isaac.
– Isaac tem razão! Não vejo Saga aqui. – disse Hyoga.
– Isso só pode significar que...
Shiryu não conseguiu terminar de falar. O chão começou a se dobrar, criando ondas que separavam cada vez mais os cavaleiros. Tanto que em determinado momento, eles já não conseguiam mais se ver. Foram separados quase que estrategicamente, para não dizer proposital. Ikki agarrou-se ao braço do irmão e permaneceram juntos. Isaac e Hyoga também foram para o mesmo lado. Shiryu ainda tentou segurar Seiya, mas acabaram sendo separados.
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POV Ikki
Aquilo já estava começando a me irritar. Não sabia por que raios eu tinha resolvido me juntar àquela boneca de bolo de casamento e ao seu bando de lacaios. Só esperava que isso desse algum retorno descente, pois todo aquele trabalho não era do meu feitio. Era óbvio que Saga não estava ali. Percebi quando o chão começou a se movimentar. Aquilo era uma ilusão. Ficava me perguntando se Saga achava mesmo que éramos idiotas o suficiente para cair naquele truque barato. De qualquer forma, fiz de tudo para continuar junto com Shun. Ele estava assustado demais com tudo aquilo para perceber que se tratava de uma armadilha. Além do que, ele já estava completamente ressentido pelo que aconteceu na casa de Áries. Eu não podia deixá-lo sozinho ali.
– IKKIIIIIIIIIIIIIIIII!!! – ouvi aquela voz estridente que parecia música para meus ouvidos.
– AQUI SHUN!
Segurei em sua mão até que toda aquela movimentação parasse. Fomos jogados em um canto da casa. Estava escuro. Não conseguia enxergar nada. Levantei-me e dei a mão para que Shun se levantasse também.
– Você está bem? – perguntei.
– Sim. – ele se levantou junto comigo. – Mas o que foi isso?
– Não seja burro, Shun. É claro que foi...
Não terminei de falar. Uma luz forte apareceu de surpresa. Tanto Shun quanto eu tivemos que fechar os olhos por um instante. Quando senti que a luz estava mais fraca, abri meus olhos bem devagar.
– Mas que porra é essa? – perguntei ao ver as duas figuras a nossa frente.
– Me-meestree... – disse Shun já se tremendo todo ao ver Shaka e Mu.
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POV Hyoga
Eu não queria acreditar no que eu estava vendo. Eu podia jurar que aquilo era uma ilusão, mas estava real demais. Olhei para Isaac e ele também estava preocupado. Com razão! Nosso mestre estava bem ali, a nossa frente, e não estava com uma expressão muito amigável.
– Isso só pode ser piada, né Hyoga? – Isaac me perguntou em tom de voz baixo.
– Minha mente quer responder que sim, mas minhas pernas querem correr nesse exato momento. – respondi no mesmo tom.
– Posso saber o que tanto cochicham? – ouvi a voz grave de nosso mestre.
– Na-nada mestre Camus. – respondeu Isaac com a voz trêmula. – Só estamos nos perguntando o que o senhor faz aqui.
– É mestre. Você está sempre tão atolado de serviço. Por que se deu ao trabalho de vir até aqui? – perguntei ainda rezando para que fosse uma ilusão.
– Como se vocês não soubessem! – ele falou e nós demos um passo para trás, por puro reflexo. – Estou decepcionado com vocês! Eu não os criei para isso! Mas podem ter certeza que resolverei esse problema imediatamente!
Ele veio em nossa direção e nós fomos apenas dando mais e mais passos para trás.
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POV Shiryu
– Não acredito que esteja envolvido nisso, Shiryu.
Eu ouvia meu mestre falando com minha cabeça abaixada. Era realmente vergonhoso ser pego naquela situação. Nem precisava comentar o quanto minhas pernas tremiam. Dohko era aquele poço de calma, mas não negava ser o melhor amigo de Shion. Quando o assunto era disciplina, ele não tolerava deslizes como aquele. Mas não era do meu mestre ter aquele tipo de conversa em um lugar como aquele. Claro que aquilo era uma ilusão. Eu estava apenas fingindo ter acreditado. Assim seria mais fácil enganar Saga, que era o autor daquela pegadinha.
– Você me decepcionou muito. Por isso espero que saiba o que lhe aguarda.
Dohko veio em minha direção. Era realmente muito verdadeiro. Se eu não fosse um cavaleiro, com certeza cairia naquela armadilha. Era exatamente igual ao meu mestre. Até o jeito de falar e andar. Ele veio até mim e eu, quando vi que ele estava próximo, me desviei e corri em direção à parede atrás dele. Esperava estar certo ou daria um galo e tanto. Fechei meus olhos e corri. Senti que estava atravessando algo. Quando a sensação se foi, logo me deparei com um Seiya jogado no chão.
– Seiya! – corri até ele.
Olhei para frente e logo vi Aioria ali. Será que Seiya não percebeu que era uma ilusão? Apesar de ser meu amigo, tinha que concordar que Seiya era um idiota.
– Como chegou aqui, Shiryu? – ele me perguntou, se levantando.
– Isso é uma ilusão, Seiya. Apenas ignorei.
– Impossível! Olha ali! É meu mestre! Tentei atacá-lo e o golpe se voltou contra mim. – ele me respondeu apavorado.
– Seiya, acalme-se! Veja, não é possível sentir a presença dele. – disse tentando fazer com que ele percebesse.
– Está enganado, Shiryu. Eu estou bem aqui! – disse Aioria atrás de mim. – E sugiro que não atrapalhe, pois Seiya precisa aprender que, apesar de tudo, não tolerarei esse tipo de atitude rebelde.
Ele vinha em nossa direção e Seiya se levantou rapidamente.
– Para trás Shiryu! – Seiya falou já se preparando para o ataque.
– Não Seiya!
Tentei evitar, mas Seiya atacou Aioria. Vi um sorriso no rosto do leonino e o golpe foi repelido. Seiya voou longe. Tentei correr até ele, mas o chão começou a se movimentar novamente.
– SEIYAAAA!! – gritei.
Ele parecia não me ouvir. De repente algo começou a se modificar e outra dimensão parecia ter sido aberta. Seiya estava caído, como se estivesse inconsciente. Eu tentava me aproximar em vão, vendo Seiya ser engolido por aquela dimensão. Para onde aquilo o levaria? O que Saga estava pensando? O chão movimentava-se cada vez mais, formando ondas enormes. Chegou ao ponto que eu não consegui mais ver Seiya e a dimensão se fechou.
Olhei para trás e lá estavam os outros cavaleiros.
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POV Saga
– O QUE PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? – berrei extremamente nervoso por ter sido interrompido.
– Estou evitando que você estrague essa pequena diversão.
Kanon estava apoiado na parte de trás do trono onde eu estava sentado. Ele olhava para mim com cara de deboche. Eu queria matar aquele infeliz por ter estragado meus planos.
– VOCÊ TEM IDEIA DO QUE FEZ? – berrei novamente.
– Claro que tenho. – ele falava de maneira calma e debochada, o que me irritava ainda mais.
– ENTÃO QUAL O SEU PROBLEMA?
– Para de gritar que eu não sou surdo. – ele falou coçando o ouvido, como se estivesse incomodando. – Você é muito estressado, maninho. Deixe os meninos acharem que podem fazer alguma coisa. Precisamos de um pouco de diversão enquanto o carneiro chefe não se encontra.
Ele deu a volta no trono do Grande Mestre e sentou-se displicentemente. Eu cruzei meus braços, ainda com cara de poucos amigos.
– E se eles realmente conseguirem o que querem? Tem idéia da confusão que isso vai gerar?
Kanon gargalhou alto e eu tive que usar de todo meu autocontrole, que já não era muito, para não voar no pescoço dele.
– Você acredita mesmo que eles vão conseguir? Nem parece meu sábio irmão, Saga.
Ele tinha razão. Mas eu não poderia simplesmente permitir aquele tipo de revolta enquanto eu estava no poder do Santuário. De qualquer forma, agora teria que deixar nas mãos dos outros, pois os cavaleiros já tinham saído da casa de Gêmeos.
– Você me paga se algo acontecer! – falei bufando e me dirigindo para meus afazeres.
– Relaxa! O máximo que pode acontecer é que eu me torne o cavaleiro de Gêmeos em seu lugar!
Ele falava e ria enquanto eu me afastava dali. Não tinha tempo para perder com as ambições sem sentido do meu irmão gêmeo desocupado. Pelo menos consegui enviar um deles para onde queria. Seiya não daria mais problemas.
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Assim que a ilusão se desfez, todos se encontravam na mesma sala, um de costas para o outro.
– Que palhaçada foi essa? – perguntou Isaac revoltado.
– Era uma ilusão. Saga estava brincando com a gente. – disse Shiryu.
– Não vamos perder tempo, então. Vamos nos dirigir para a próxima casa. – disse Hyoga.
– Espera! Onde está o cavalo alado? – perguntou Ikki.
– Foi enganado pela ilusão e Saga o enviou para outra dimensão. – disse Shiryu.
– É um imbecil mesmo! – disse Ikki. – Esquece ele, não faz falta. Vamos depressa!
Eles se dirigiram para a próxima casa.
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POV Seiya
Meu corpo estava pesado. Aquele ataque me derrubou legal. Meus olhos se abriram com certa dificuldade. Onde eu estava?
Continua...
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