Notas iniciais
Espero que eu consiga contextualizar vocês, o capítulo talvez seja um pouco denso de informações

A estrada seguia silenciosa e escura, o som baixo do motor do SUV sendo a única coisa preenchendo o espaço entre nós. Nikolaus, agora sem a máscara, tinha o olhar fixo no caminho, a expressão indecifrável sob a luz fraca que vinha dos postes. Eu permaneci quieta, olhando a paisagem escura, perdida nos meus próprios pensamentos.

A capital do país, onde ficava o palácio, era realmente incrível com suas casas majestosas e prédios deslumbrantes, até mesmo arranha-céus. Mas fazia uns bons minutos que deixamos a capital para trás e dirigíamos pelas cidades de Novorsk, uma das onze províncias do Estado, onde a paisagem era menos tecnológica e muito mais tranquila, com casas mais espaçadas e florestas mais densas.

Depois de cerca de quarenta minutos, começamos a nos aproximar de algo mais movimentado. Luzes de postes se tornaram mais frequentes e, aos poucos, a silhueta de uma cidade pequena começou a tomar forma. Pelo o que ainda me lembro do mapa de Osteland, deveríamos estar em Sonegeade, a capital de Novorsk.

As ruas estavam vazias, mas havia um clima estranho, algo que eu não conseguia explicar. Uma sensação pesada, como se o lugar inteiro estivesse respirando um ar carregado demais. Nikolaus estacionou o carro em um encostamento discreto, longe da praça central que já começava a ficar visível pelas luzes mais fortes. Poucos segundos depois, um segundo SUV parou logo atrás e uma figura saiu de dentro dela carregando uma mochila nas costas. Cris.

Ele bateu duas vezes no vidro, e Nikolaus abaixou o dele. Cris jogou a mochila para dentro, se curvando para nos olhar.

— Trouxe o que pediu. — Cris disse baixo, olhando rapidamente para mim e rindo ao ver minha expressão de dúvida. — Está pronta para se disfarçar, senhorita Petrova?

— Isso parece desnecessário... — comecei, mas ele apenas balançou a cabeça.

— Você vai entender em breve. — Nikolaus interrompeu, lançando um olhar breve, mas firme na minha direção.

Eu cruzei os braços, exasperada. Nikolaus estendeu a mochila para mim.

— Vá em frente. Troque de roupa.

Olhei para ele, incrédula.

— Aqui? No carro?

— Você prefere trocar na praça? — ele rebateu, a voz compartilhada de sarcasmo.

— Não é como se a praça fosse pior do que você me observando aqui. — retruquei, arrancando a mochila da mão dele.

Observando? — ele arqueou uma sobrancelha, os lábios puxando um sorriso que não se expandiu. — Confiança é algo que ainda precisamos trabalhar, não é, Evie?

Bufei. Cris já tinha voltado para o próprio carro, me dando ao menos o mínimo de privacidade. O vidro já havia sido erguido, mas o dono nem fazia menção de se mover.

— Você não vai sair? — questionei, com um tom de julgamento.

— Seria estranho um guarda parado ao lado de um carro preto, não acha? — ele respondeu como se fosse óbvio.

— Vá para o outro carro, então.

— E deixá-la sozinha nesse sem nenhuma proteção? — ele balançou a cabeça soltando ar pelo nariz, parecendo que eu havia dito algum absurdo. — Não vai acontecer.

A julgar pelo olhar tranquilo de Nikolaus enquanto mexia em seu relógio, ele não parecia se importar nem um pouco com a situação.

— Vire para o outro lado. — exigi, apontando para a janela.

Ele arqueou uma sobrancelha, mas, para minha surpresa, obedeceu.

Revirei os olhos enquanto abria a mochila, encontrando um uniforme de guarda semelhante ao dele, junto com uma máscara idêntica, tudo impecavelmente dobrado. Retirei meu casaco e as botas, agradecendo ter escolhido uma legging e camisa justa para usar e poder colocar o uniforme por cima, sem precisar ficar de lingerie na frente do príncipe. Errei no look uma ova, caiu como uma luva.

A balaclava foi um problema, era difícil esconder tanto cabelo dentro dela, mas logo consegui prender duas tranças longas no topo da cabeça para diminuir o volume. Mas o pior foram as botas que eram pelo menos dois números maiores que o meu.

— As botas estão grandes demais. — falei para ele, chamando sua atenção.

— Esqueci de perguntar seu número. — ele falou, como se pedisse desculpas. — Consegue andar com elas?

— Acho que sim, mas talvez elas fiquem saindo.

— Não se preocupe, podemos andar com calma.

Nikolaus virou o rosto de volta para mim assim que também ajustou a balaclava, os olhos azuis — agora os únicos visíveis — me analisaram por um momento. O olhar dele fez meu estômago revirar, mas ele apenas soltou um resmungo baixo.

— Consegue passar por um guarda agora, um jovem guarda talvez. — comentou.

— Vou tentar não estragar seu disfarce. — murmurei, olhando para minhas mãos cobertas pelas luvas escuras.

— Não é o meu disfarce que me preocupa. — ele retrucou, seco, antes de abrir a porta e sair.

Bufei, fechando mais o casaco do uniforme e ajeitando as botas desajeitadas antes de segui-lo. O ar frio da noite bateu no meu rosto assim que pisei fora do carro, e a visão ao meu redor me fez engolir em seco. Os sentinelas de Nikolaus se posicionaram estrategicamente ao nosso redor, como se fossemos somente um grupo de guardas, sem deixar óbvio demais que haviam dois ali sendo protegidos.

A praça central de Sonegeade parecia quase fantasmagórica sob as luzes amareladas dos postes e era para ela que estávamos indo. As ruas eram desertas, mas não silenciosas. Um latido distante ecoou entre os prédios baixos, seguido por uma rajada de vento que arrastava folhas secas pelo asfalto. Algumas vitrines tinham luzes acesas, mas estavam vazias, como se a vida tivesse paralisado por ali.

A poucos metros de distância, um grupo de pessoas estava sentado no chão, cercado por guardas reais que os vigiavam com expressões duras. Mesmo de longe, pude ver que a maioria parecia ser homens e mulheres jovens, suas roupas sujas e desgastadas. Alguns tinham cortes ou hematomas nos braços, como se tivessem resistido antes de serem contidos.

— O que aconteceu aqui? — perguntei baixo, para ninguém em específico.

– Protesto. — Nikolaus respondeu de forma direta, sem olhar para mim. Sua voz mais fria do que eu esperava. — A situação escalou.

Seguimos em direção ao coração da praça, onde marcas evidentes de destruição pintavam o chão. Alguns postes estavam quebrados, com vidros estilhaçados espalhados pelo pavimento. Cartazes amassados ​​e rasgados estavam espalhados pelo chão, alguns pisoteados demais para serem lidos, mas outros ainda eram visíveis.

Um, em particular, chamou minha atenção. Me abaixei para pegá-lo antes de perceber o olhar atento de Nikolaus sobre mim.

“Geróvia queimará.”

Senti um nó no estômago enquanto lia as palavras pintadas em vermelho vivo. O papel estava rasgado e manchado, mas a mensagem era clara. Outro pedaço de papel, enterrado sob a lama, trouxe uma imagem ainda pior: um desenho grosseiro e ofensivo de Katerina, com chifres e um título que me fez perder o fôlego.

“Traidores não terão perdão.”

— Isso é um absurdo. — murmurei, mas o nó na garganta me impediu de falar mais.

Segurei o papel com força, como se pudesse rasgar aquela mensagem odiosa com as mãos. A imagem de Kate — doce e esperançosa — parecia completamente fora de lugar ali, pisoteada e manchada.

— Isso é só o começo. — Nikolaus respondeu, parado a poucos passos de mim. Seu olhar não estava mais frio, mas sim carregado de algo mais profundo. Desgosto? Frustração? — As pessoas não esquecem, Evelina. Não de uma geração para outra.

Seus olhos se fixaram no grupo de manifestantes. Por um segundo, vi algo diferente em seu olhar.

— Eles realmente nos odeiam tanto assim? — questionei, finalmente me levantando para encará-lo.

Ele sustentou meu olhar por alguns segundos antes de responder.

— Eles não odeiam você. Eles odeiam o que Geróvia representa. — a voz de Nikolaus era controlada, mas havia algo a mais ali. Uma exaustão quase imperceptível. — A ferida nunca cicatrizou. E nós... — ele fez uma pausa, desviando o olhar. — Nós estamos pisando em cima dela.

Pisquei, absorvendo suas palavras. Eu sabia da rivalidade, sabia da história, mas era diferente do ódio materializado daquele jeito.

— Isso não faz sentido. — murmurei. — A aliança é para o bem dos dois reinos. Para a paz.

Nikolaus riu, mas sem humor algum.

— Paz? Talvez. Mas ninguém quer ser o lado que abaixa a cabeça primeiro.

Ele tinha razão, de certa forma. Voltar rastejando para o reino que um dia traímos não era um ato de orgulho. Mas será que eles não enxergavam que Geróvia não tinha escolha? Uma terra sem exércitos, sem defesas suficientes. O orgulho não valia muito diante de uma ameaça tão real.

— Talvez eles nos vejam assim — falei finalmente, levantando o olhar para ele. — Mas prefiro acreditar que essa aliança é uma chance para ambos. — engoli em seco. — E Kate merece uma oportunidade de provar isso.

Ficamos em silêncio por um momento, enquanto os guardas continuavam a organizar o caos ao nosso redor. Eu observei mais um pouco os rostos abatidos das pessoas sentadas no chão, tentando ignorar o peso que parecia ter se instalado no meu peito.

— Venha. — ele disse, sua voz mais branda desta vez. — Há algo mais que você precisa ver.

Nikolaus começou a caminhar, e eu segui seus passos, ainda apertando o papel amassado em minhas mãos. O chão sob minhas botas parecia mais frio a cada passo, como se o peso daquelas palavras estivessem sugando toda a temperatura ao meu redor.

— Para onde estamos indo? — perguntei.

— Ver mais de perto. — Nikolaus respondeu sem se virar, mas o tom da voz dele não deixou espaço para perguntas.

Ele me guiou até o centro da praça, onde uma pequena estrutura parecia ter sido improvisada como base temporária dos guardas reais. Havia um grupo concentrado ali, discutindo algo em voz baixa. Nikolaus acenou para um dos homens, que rapidamente se retirou levando os outros junto consigo, liberando para nós uma espécie de mesa improvisada coberta por panfletos, cartazes e uma grande pasta preta.

— O que é isso? — indaguei, olhando para os papeis.

Nikolaus retirou as luvas e começou a revirar a pasta, espalhando documentos e fotos sobre a superfície. Algumas das imagens mostravam prédios pichados, chamas consumindo partes de mercadorias e uma multidão carregando cartazes agressivos. Reconheci as mesmas frases que vi no panfleto.

— “Geróvia queimará”. — li ​​em voz alta, sentindo um frio subir pela espinha.

Nikolaus apoiou as mãos na mesa, inclinando-se para que seu rosto ficasse ao mesmo nível do meu. Seus olhos azuis, tão calmos e calculados normalmente, agora tinham um brilho sombrio.

— Isso não é um protesto isolado, Evelina. É uma faísca. — Ele apontou para uma das fotos, onde jovens mascarados lançavam pedras. — E sabe o que acontece quando uma faísca encontra um barril de pólvora?

Suspirei fundo.

— Explode. — respondi, quase sem voz.

Nikolaus assentiu devagar, seu olhar fixo no meu, como se quisesse garantir que eu entendesse o que ele estava dizendo.

— Esses grupos estão crescendo. São pequenos agora, mas eles estão organizados. E os panfletos... — ele pegou um e o entregou para mim. — Não foram impressos em porões clandestinos. Isso tem dinheiro por trás. Influência.

— Alguém está financiando isso? — minha voz saiu mais aguda do que pretendia.

Ele não respondeu imediatamente. Apenas olhou de volta para a praça em silêncio, onde os guardas ainda mantinham o grupo apreendido sob vigilância.

— E alguém está incentivando a instabilidade. — ele finalmente disse, com uma calma que me assustou.

Minha mente girava. Eu sabia que a aliança não seria bem recebida por todos, mas ver o ódio estampado nas imagens e palavras era algo completamente diferente. rivalidade histórica parecia ter se transformado em algo mais profundo. Mais perigoso.

— Não faz sentido. — murmurei, olhando para uma das fotos. — Por que alguém faria isso?

Nikolaus me lançou um olhar rápido antes de responder:

— Porque o medo é uma arma poderosa. Eles usam o passado para inflamar o presente. Para muitos aqui, Geróvia nunca deixou de ser uma nação traidora. E agora, ao nos unirmos, é como se nós, ostelenses, estivéssemos perdoando algo imperdoável.

— Mas não é perdão. É sobrevivência. — retruquei, sem pensar.

Nikolaus me olhou, como se estivesse avaliando minhas palavras. Depois de um momento, ele deu um pequeno sorriso, embora sem humor.

— Nem todos conseguem enxergar isso.

Ele pegou outro documento, uma carta aberta que parecia ter sido assinada por um grupo de nobres locais.

— A questão vai além de cartazes e pedras. Há membros da aristocracia ostelense que compartilham esses sentimentos. Eles veem essa aliança como uma humilhação. — a expressão de Nikolaus espelhava frustração. — E, pior ainda, eles estão começando a ganhar apoio.

— Dos nobres? — questionei, alarmada.

— Dos indecisos. Dos que preferem olhar para trás, para um tempo onde Osteland não fazia concessões. — ele respirou fundo, ajeitando os papeis na pasta. — Quando os ventos mudam, as pessoas se agarram ao que conhecem.

Eu senti o peso das palavras dele. Se a própria aristocracia estava se dividindo, como Kate conseguiria cumprir sua missão? Como Nikolaus conseguiria manter seu país estável?

O príncipe fechou a pasta e olhou para mim.

— Viu o suficiente? — perguntou.

Eu assenti lentamente, ainda processando tudo.

— Sim... — respondi. — Mas o que podemos fazer?

Ele não respondeu de imediato. Ao invés disso, Nikolaus abriu um grande mapa-múndi, os pontos vermelhos brilhando como uma luz fluorescente.

— Você já parou para pensar por que exatamente estão tão interessados em Geróvia queimando? — perguntou. Quando não respondi, ele continuou. — Não é apenas rancor, Evelina. É medo.

Seus dedos percorreram as marcas no território do meu país e ao redor.

— O petróleo de Geróvia. — ele continuou, sua voz grave cortando o silêncio. — É uma mina de ouro esperando para ser explorada. O suficiente para enriquecer qualquer nação e desequilibrar a balança mundial.

— Eu sei disso. — respondi, firme, surpreendendo-o. Seus olhos se voltaram para mim, claramente curiosos. — Acha que a família real de Geróvia desconhece a própria fragilidade? Nós sabemos o que temos e o perigo que isso atrai.

— E ainda assim, vocês demoraram para procurar aliados. — ele rebateu, mas sem o tom acusador que eu esperava. — A demora foi um erro. Deu tempo para outros países notarem o que vocês possuem.

— E que alternativa tínhamos? — cruzei os braços, sentindo o nó no meu peito apertar. — Geróvia não tem um exército capaz de enfrentar uma ameaça sozinha. A aliança com Osteland é nossa única chance.

Nikolaus inclinou a cabeça levemente, os olhos analisando-me com uma intensidade que parecia pesar minhas palavras. Então ele suspirou, passando a mão pelo mapa.

— E é isso que assusta os nobres daqui. — ele continuou, quase para si mesmo. — Se outros países tomarem Geróvia e seu petróleo, Osteland deixará de ser intocável. Eles acham que seria melhor tomarmos o poder de vocês antes que outros o façam.

Aquelas palavras caíram como uma pedra no meu estômago. Senti o coração acelerar, o medo subindo pela minha garganta.

— Essa... — respirei fundo, tentando manter a compostura. — Essa é uma possibilidade para você?

Por um instante, Nikolaus não respondeu, seus olhos fixos no mapa. Quando finalmente voltou a olhar para mim, havia uma seriedade brutal em sua expressão, mas também algo mais profundo.

— Não. — ele disse, a voz firme. — Não é o que meu pai escolheria. E não é o que eu escolheria.

Engoli em seco, aliviada, mas ainda tensa.

— Por quê? — arrisquei perguntar, minha voz baixa.

Nikolaus voltou a olhar o mapa, seus dedos traçando as linhas da fronteira de Geróvia e Osteland.

— Atacar Geróvia não resolveria nada. — ele começou. — Não se trata apenas de vocês. Uma guerra daria às outras potências a desculpa perfeita para se envolver. Eles poderiam se unir contra nós, usando Geróvia como desculpa para atacar Osteland. — Ele parou, olhando diretamente para mim. — Não seríamos os únicos a sangrar.

Eu não consegui desviar o olhar. Havia uma franqueza cortante nas palavras dele, uma clareza que me fez perceber o peso que Nikolaus carregava. Ele não era apenas um príncipe herdeiro; Ele era alguém que sabia exatamente o que estava em jogo e que estava tentando, do seu jeito, evitar uma catástrofe.

— A aliança é a melhor saída. — ele concluiu, mais baixo. — Mas não espere que todos aqui enxerguem isso tão facilmente.

— E você? — perguntei, antes de conseguir me conter. — Você realmente acredita nessa aliança?

Nikolaus me encarou por um momento longo demais, como se estivesse decidindo o quanto deveria me dizer.

— Eu acredito que, às vezes, é preciso escolher o caminho mais difícil para evitar o pior.

Seu tom era neutro, mas havia algo mais ali. Algo que ele não disse em voz alta.

Eu respirei fundo, desviando os olhos dele e olhando para o mapa mais uma vez. Não era difícil imaginar o caos que ele descrevia. Guerras, invasões, Geróvia destruída, Osteland enfraquecida. Katerina, sozinha, no meio de tudo isso.

— Nós não temos escolha. — murmurei, quase para mim mesma.

Nikolaus não respondeu. Ele apenas relaxou enquanto eu tentava digerir tudo.

O barulho de passos chamou nossa atenção, e Cris apareceu próximo à entrada da base, lançando um olhar significativo para Nikolaus.

— Vamos ir. Já é tarde. — Cris anunciou, em sua voz baixa, mas autoritária e urgente.

Nikolaus concordou e olhou uma última vez para mim.

— Espero que tenha entendido o que você precisava entender.

Eu concordei, sem conseguir encontrar as palavras.

Enquanto seguíamos de volta para o SUV, as imagens dos mapas, dos pontos vermelhos, das frases de ódio estampadas na praça, tudo rodava em minha mente. Pela primeira vez, senti o verdadeiro peso da missão de Katerina e o quão tênue era a linha que separava a paz da guerra.

Quando entrei no carro, não olhei para Nikolaus, apenas observei as luzes da praça ficarem para trás enquanto o carro acelerava pela estrada deserta. Dessa vez, foi minha voz que quebrou a parede silenciosa entre nós, quando finalmente me virei para ele.

— E se não der certo?

Não precisei explicar sobre o que estava me referindo. Nikolaus segurou meu olhar, seus olhos azuis mais sérios do que eu já vi.

— Vai dar certo, Evie. — ele disse, como se estivesse me fazendo uma promessa. — Porque nós não temos outra escolha.

Notas finais
Acho que esse foi o capítulo mais emocionante de escrever, espero que tenham gostado! Deixem a opinião de vocês e me digam o que estão achando