A Assassina de Adarlan
7 Os herdeiros de Arobynn
Notas iniciais
O dia começara com os amigos reunidos no apartamento de Celaena, estavam na mesa se preparando para tomar o café da manhã. Lysandra ficara responsável pelo café. Celaena estava fritando os ovos. Enquanto Samael saiu para comprar os pães. Logo depois seguiram até o Forte dos Assassinos.
Samael voltou alguns minutos mais tarde, com pães quentinhos. Celaena não conseguira dormir direito, pois ficara pensando em como o rapaz chorou no dia anterior. A menina não queria pressioná-lo, mas ficara preocupada. Poderia ser algum assunto grave. Em meses de treino nunca vira Samael derramar uma lágrima. E no dia anterior ele chorara feito uma criança.
Enquanto comia, viu que Samael parecia nervoso. Parecia pensar em algo, como se estivesse tendo uma discussão interna sobre algo. Seus olhares se cruzaram e Celaena deu a ele um sorriso tranquilizador, o rapaz retribuiu o sorriso e desviou o olhar. Lysandra também estava monitorando o rapaz, seu rosto deixava transparecer a curiosidade que estava sentindo.
— Preciso contar uma coisa a vocês. — começou Samael, enquanto terminava de comer — Já deixei muita coisa do meu passado escondida. Eu queria começar essa nova guilda, essa nova amizade, sem nenhuma mentira e sem esconder nada de vocês.
— Espera então — disse Lysandra, que estava com a boca cheia de comida — vamos fazer uma promessa. A partir de hoje não iremos esconder e nem mentir um para os outros, vamos cuidar um do outro como uma família.
— Só iremos aceitar novos integrantes na guilda, se os aceitarmos também na nossa família. — acrescentou Celaena. Os dois concordaram com um aceno de cabeça e então sorriram um para os outros — Juro que vou me esforçar.
— Acho que agora eu posso falar... — prosseguiu Samael, e obteve um sorriso encorajador das meninas — Ontem eu estava pronto para aceitar fazer parte da guilda, então fui encontrar vocês… eu não sabia quem era Arobynn Hamel, até que o vi… e me lembrei da descrição que minha mãe fez da aparência do meu pai… cabelos avermelhados, olhos cinzentos e um belo rosto que não deixa transparecer sua verdadeira idade… — as duas o olhavam atentamente com uma feição de espanto, mas permaneceram quietas — Com essas informações posso dizer que, infelizmente sou filho de Arobynn Hamel.
— Então… quer dizer que não somos as herdeiras de Arobynn? — perguntou Lysandra com um tom de zombaria — Sei que não é nada legal ser o filho de Arobynn, mas veja pelo lado bom, ele está preso e você pode gastar toda a grana dele.
— Lembre-se que você foi a única que usou o dinheiro até agora — disse Celaena zombando da amiga — tecnicamente você deve dinheiro a ele.
— Meninas... eu não quero o dinheiro dele… não quero ser o filho de Arobynn… não quero ser um monstro igual ele..
— Então não seja — disse Celaena, tentando soar animadora — Arobynn é seu pai somente por ter tido uma aventura com a sua mãe... ele não participou em nada da sua vida… você não se parece em nada com ele… e tem Will… ele cuidou de você... é ele quem você deve chamar de pai.
— Se esse Will cuidou de você, é porque ele o ama como um filho — acrescentou Lysandra — você pode ter o sangue de Arobynn correndo em suas veias, mas isso não muda em nada quem você é. O importante mesmo é o que você sente, se você ama Will como um pai, então ele é seu pai e pronto.
Samael permaneceu quieto por um longo momento, depois pareceu entender tudo o que as meninas disseram. Pareceu procurar dentro de si o que realmente importava. E então sorriu para elas, um sorriso puro e verdadeiro, Celaena nunca o vira sorrir assim antes. Samael, com seus cabelos pretos e longos, olhos negros como a noite, e o rosto de traços fortes e marcados, sempre parecera belo e amedrontador. Mas no momento os olhos brilhavam e aquele sorriso deixou seu rosto mais sereno. O mesmo se aproximou das meninas — que estavam agora sentadas lado a lado no pequeno sofá — os olhos ainda brilhavam, e o sorriso, se tornou zombeteiro quando ele sentou no meio delas e bagunçou os cabelos de ambas.
— Obrigado — disse ele, enquanto passava os braços em volta dos ombros das duas — vocês duas apesar de serem rabugentas, mandonas e zombeteiras, são a única família que eu tenho — ele então beijou a testa de cada uma e acrescentou — tirando o Will, é claro. Mas vocês são as únicas coisas boas que o Arobynn me deu… e talvez por isso, eu não o odeie tanto assim...
— Eu sou uma assassina, a mais temida de Adarlan — rebateu Celaena secando os olhos — você não deveria me fazer chorar desse jeito.
— Eu sou uma ex-cortesã e futura assassina — disse Lysandra com um sorriso zombeteiro, também secando as lágrimas — você também não deveria me fazer chorar desse jeito.
— Juro que não farei isso em público — disse ele, com um largo sorriso zombeteiro se formando — isso fica entre nós, ninguém precisa saber que esses assassinos tem sentimentos, não é mesmo?
— Então temos aqui duas lindas assassinas que se emocionam facilmente e um lindo assassino que emociona as pessoas — disse Lysandra rindo — isso parece interessante.
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Algumas horas mais tarde os três amigos estavam reunidos na Fortaleza dos Assassinos, estavam deixando os outros a par dos acontecimentos. Já sabiam que Arobynn fora mandado para Endovier, mas não imaginavam que Celaena o havia feito assinar um documento que dera a ela o direito de assumir a Fortaleza. Não imaginavam que no meio deles estava o filho que Arobynn não sabia que existia.
Todos estavam bravos com os três, mas não poderiam fazer nada. O documento já estava assinado, e ali estavam eles, assumindo o papel de cada um. Ficaram durante alguns minutos discutindo, agora estavam em um tipo de conversa “civilizada”, Celaena sabia que não entrariam em um consenso. Estava tentada a expulsar todos de lá, mas daria uma chance a eles.
— Não vou trabalhar para você — Celaena nem sabia quem dissera isso, mas todos os outros pareceram concordar — não vou obedecer ordens de uma pirralha.
— Não vai trabalhar para mim? — perguntou Celaena, parecia a fúria em pessoa — Você não é obrigado a isso, basta sair da minha Fortaleza e estará livre para fazer o que quiser.
— Você está me expulsando?
— Na verdade estou te dando a chance de escolher — rebateu a assassina — pode sair por aquela porta e ser livre, mas se ficar, terá que obedecer às minhas ordens.
— Teremos que pagar a dívida? — perguntaram todos juntos.
— Não sou como Arobynn — sibilou Celaena — não vou cobrar dívida nenhuma. Se quiserem podem ir, são homens livres para tomarem suas decisões.
Depois, Celaena percebeu que aquilo não foi a coisa certa a falar, ela permaneceu sentada no sofá com os amigos ao lado.
Os assassinos estavam todos no andar de cima arrumando suas coisas, alguns já haviam ido embora e os outros permaneciam apenas para pegar seus pertences.
Celaena fora tola ao acreditar que alguém ficaria, depois do que tinham permitido acontecer a ela, a Sam, a Wesley e aos outros. Nenhum deles realmente se importava, os que se importariam, agora estavam mortos.
Agora, ela tinha apenas Lysandra e Samael, seriam uma família como haviam prometido, e isso bastaria. Teria que bastar. A partir de hoje seriam os três contra o resto do mundo.
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