Quando Edward voltou ele sinceramente tinha pensado que já teriam controlado a revolta. Estava totalmente enganado. Tinha fogo por toda a parte, parecia mais o inferno. Ele tirou a espada da cintura e entrou na batalha.

Ele tinha que admitir que era um excelente soldado de combate, vários rebeldes vieram pra cima dele na hora que ele pegou a espada, estava afim de diversão por isso não usou o seu poder, queria que tudo fosse muito divertido. Quando o primeiro avançou ele virou o corpo e bateu com a parte chata da espada no estomago dele, foi um golpe certeiro, mas o rebelde não desistiu fácil mesmo se curvando de dor ele continuou a ir pra cima e teria acertado se não estivesse tão tonto e sangrando por conta do golpe de Edward.

– O que foi? Já cansou?

Quando ele voltou a atacar Edward já estava preparado e queria acabar com aquele logo, no momento em que ele ia atacar, Edward abaixou e acertou um golpe bem abaixo do tornozelo dele o rebelde caiu no chão se curvando de dor e só então percebeu que tinha caído em uma armadilha, com um único golpe Edward enfiou a espada na coluna do homem que ainda estremeceu um pouco antes de parar de se mexer.

Esse tinha sido fácil.

– Que venha os outros

Ele teve o pedido aceito, e em troca derrotou os adversários com um pouco mais de dificuldade. Quando acabou com aqueles que estava lutando Edward decidiu acabar com a brincadeira e procurar os amigos que desde que ele tinha chegado não tinha visto. Por onde ele passava um rebelde cia morto, fosse cortando a própria garganta, se atirando no fogo ou simplesmente caindo morto, era ele era Edward quem estava fazendo aquilo, e as pessoas percebiam, quando ele passava eles recuavam era a lei da vida. O mais poderoso primeiro.

Quando enfim achou Tom viu que o amigo era tão bom quando ele. Perecia uma flecha, em um segundo estava ali lutando corpo a corpo e no outro estava enfiando uma espada na garganta de um rebelde, eles nem chegavam a perceber o que tinha atingido eles. Juntando a invisibilidade e a super velocidade era praticamente imbatível.

Quando Tom se virou e viu Edward ele mandou um olhar que dizia mais ou menos isso: “onde você estava, seu idiota” Que carinhoso.

Edward foi se aproximando de Tom sem se importar com os rebeldes que iam caindo conforme ele avançava.

– Onde você estava, seu idiota?

– Tive alguns problemas. – disse sem se aprofundar muito no assunto.

– Teve alguns problemas? Sério, esse é a sua desculpa? Porque não é muito convincente se você quer saber. – Edward sabia ele não ia desistir fácil.

– Olha Tom, depois eu explico tudo tá bom. E onde está a Rose? – pergunto olhando em volta e não achando a loira em lugar nenhum.

– Mais tarde eu vou te cobrar cada detalhe dessa história. E eu não sei. – disse assumindo um tom preocupado, tinha procurado Roselie por toda parte sem ter sucesso.

– Como assim não sabe? – Edward perguntou já alarmado

– Não sei, não sabendo. Olha só me deixe terminar aqui e ai a gente vai procurar ela.

Edward só entendeu o que Tom quis dizer quando este já estava com uma adaga na garganta de um invasor.

– Pronto. – disse se aproximando e limpando o sangue na parte inferior da camisa.

– Vamos, eu quero acabar logo dia medonho.

Roselie estava começando a achar que existiam dois tipos de pessoas burras no mundo: as desavisadas – que não faziam ideia de que se tocassem nela iam ter uma morte horrorosa – e as idiotas – que mesmo sabendo que não podia tocar nela e mesmo assim iam. – E ela já estava cheia dos dois tipos.

Ela não precisava lutar, era só ficar ali parada e esperar alguém idiota o bastante tentar tocar nela e esperar a magia acontecer. Fácil, rápido e eficiente. E na maioria das vezes ela não deixava a pessoa tocar nela até morrer. Não queria ter que conviver sabendo que a própria pele tinha tirado a vida de alguém. – E não é como se ela nunca tivesse matado alguém, coisa que já tinha feito muitas vezes e sem remorso nenhum.

Ela estava encostada contra uma árvore alta quando escutou passos se aproximando. Bom, menos idiotas no mundo, ela pensou cheia de sarcasmo.

– Rose?

– É amor, aparece. Eu quero dormir.

Certo, eram de fato dois idiotas, mas eram os seus amigos idiotas, que a irritavam mais que tudo, mas que ela não aguentaria viver sem.

– Aqui crianças.

E em um piscar de olhos Tom estava na frete dela.

– Olá rainha da beleza.

– Pare com isso, eu odeio quando vocês me chamam assim – E era verdade, Roselie odiava se chamada de “rainha da beleza” achava completamente sem moção e ridículo. Por favor, ela era demais pra isso.

– Só estou comentando, você sabe, não perder o jeito

– Eu vou dar um jeito na sua cara isso sim, ai você vai aprender.

– Acalmem se crianças – Era Edward.

E ele estava sujo de sangue?

– O que aconteceu com você? – Aquilo não podia se nada relacionado a batalha. Edward era habilidoso demais para ser atingido, mesmo se ele estivesse distraído.

– Depois, tá bom?

– Eu também estou curioso se você quer saber, mas ele não abriu a boca para me explicar nada, nem um mínimo detalhe. Simplesmente nada.

Tom era assim, curioso além da conta, e o fato de ficar invisível só tornava as coisas melhores para ele. Conveniente.

– Quando é que você não está curioso com alguma coisa Tom?

– Não comece, eu sei que você está se corroendo de curiosidade tanto quanto eu.

Depois dessa Roselie ficou calada. Tom tinha ração, mesmo que ela não admitisse. Ela já estava a ponto de falar quando escutaram o grito de guerra que os soldados de Aries usavam depois de uma vitória em batalhas.

Pelo Signo!

Pela Vitoria!

Por Aries!

Então com isso os três se dirigiram junto com os outros soldados até a entrada subterrânea que tinha perto da margem da enseada de Barthof. Muitas pessoas inocentes tinham morrido naquela noite e os rebeldes que tinham sobrado – o que não foi muita coisa levando em consideração que tinha sido um ataque totalmente desorganizado – foram encaminhados para as três prisões que existia em Aries: Steleiar, Dorthiem e Lucidium. Todos sabiam que não existia destino pior do que ser mandado para um dessas três prisões.

Edward sabia que querer adiar o momento em que teria que voltar ao castelo era pura besteira, John não ia deixar ele escapar assim tão fácil, mas ele já estava no quarto a algum tempo e John ainda não tinha aparecido para tentar matar ele por deixar a realeza de Aquário escapar. O fato de John não ter aparecido só queria dizer que ele estava irritado demais com Edward para aparecer. Ele é que não ia ficar pensando naquilo.

O único problema foi que ele teve sair da formação praticamente correndo para não ter que responder as perguntas de Tom e Roselie, esses dois não iam deixar ele escapar na próxima vez que se encontrassem.

Edward estava morto de cansaço, não tinha dormido bem na noite anterior e muito menos tinha comido também, e Sam teve que fazer o favor de tirar ele da cama logo cedo. E tudo que Edward tinha desejado durante o dia todo era a sua cama que estava bem ali e ele simplesmente não conseguia descansar.

Estava pensando em tudo que fez naquele dia, na sua cabeça passou desde Isabella Swan e Esmee Cullen até a pequena batalha que tinha acontecido. Ele não percebeu quando exatamente adormeceu mas a última coisa de que se lembrava era de estar pensando nos olhos de Isabella.

Namanhã seguinte ele acordou decidido a falar com John e assumir a consequência pela irresponsabilidade que tinha feito em liberta os prisioneiros, o único problema era que Edward não se arrependia de ter feito aquilo. Enquanto ele se encaminhava para a sala do trono onde ele imaginava que John estaria foi inventando várias desculpas pouco convincentes para justificar o que tinha feito.

Quando já estava quase chegando lá Sam apareceu na frente dele com uma cara que queria dizer:” não vá, você provavelmente vai preferir enfrentar um leão raivoso”

– É melhor você voltar outra hora Edward.

– Você acha?

– É meio que uma certeza absoluta. O rei Jonah está muito estressado pelo modo que es coisas estão acontecendo Edward, você entende?

Não. Ele não entendia nem um pouco para falar a verdade.

– Claro Sam, eu realmente entendo, mas eu preciso falar com o John.

E com isso ele foi entrando na sala do trono só para perceber que o clima não estava nada agradável por ali – tinha muitos súditos tentando chegar per do rei e parecia que isso não estava dando certo porque a cada olhada que John dava para o seu chefe de guarda aparecia mais dois guardas em questão de segundos. – Ele foi tentando chegar perto do rei no meio de tantas pessoas. Como tinha tantas pessoas que ele não conhecia e provavelmente elas também não o conheciam Edward fez o que mais era comum em situações como aquela. Se fingir de soldado.

Enquanto se aproximava de John os guardas abriam caminho para ele – e não era por causa do controle mental nem nada era só porque eles conheciam Edward desde que ele chegara ao reino dez anos atrás e tratavam ele como um legitimo príncipe.

– Majestade.

Silencio

Então John estava mesmo irritado com ele.

Edward não ia desistir de falar com ele, poderia ter de ficar o dia todo ali em pé se fosse preciso.

– Majestade, por favor eu queria apenas me...

– Quantas vezes eu vou ter que continuar te dizendo para nunca pedir “por favor” e muito menos se desculpar – ele disse sussurrando para ninguém escutar – principalmente quando você acha que fez a coisa certa.

Edward ficou se perguntando se ele disso por achar que ele fez a coisa certa ou se era algo que ele não tinha a mínima ideia do que era.

– Venha. – ele disse levantando e dispensando os guardas com um olhar, ele foi seguindo por uma passagem que existia atrás de uma pilastra no canto direito do trono, Edward não teve outra opção senão seguir John.

Eles só pararam quando chegaram em uma salinha úmida e fria que Edward achava ser mais velha que os próprios signos.

Quando John voltou a falar estava com a voz calma.

– Nunca. Nunca se arrependa de algo que você julgue ser verdadeiro, se você tiver convicção naquilo que você acredita, vá até o fim sem se importar com o que as pessoas estão dizendo. Porque no fim, é isso que vai diferenciar quem você é de quem você quer ser. Você entendeu?

– Sim – e ele tinha mesmo, só não estava seguro se ia conseguir ou não saber quem ele queria ser.

– Isso é bom.

– Sim é, então, isso quer dizer que você não está irritado comigo por ter libertado o seu filho e os outros?

– É isso mesmo Edward, não se preocupe com isso. Não era e nem nunca foi o plano manter o Carlisle aqui, eu só queria que ele visse uma coisa.

– E ele viu?

– Sim, mas isso é assunto para outra conversa que nós ainda vamos ter um dia.

Edward não gostou nem um pouco do tom de John, pareci que ele estava escondendo algo importante.

– Se você não quer falar não vai ser eu quem vai impedir.

– Sabia resposta. E então você quer mais alguma coisa?

Ele deu um meio sorriso, sabia como decifrar as pessoas, e Edward sabia disso muito bem.

– Na verdade sim.

Se tinha alguma coisa que Edward não tinha o menor receio em admitir era que ele não tinha vergonha nenhuma.

– É o que é?

– Quero sair um pouco, em Libra talvez

– Edward, é perigoso, e você sabe.

– Olha John eu não quero, e nem nunca quis ficar com a minha parada em função dos sagitarianos.

– Certo, suponho que você vai querer ir com os seus amigos, certo?

– É isso mesmo.

E com isso a conversa tinha terminado. Não tinha mais nada a dizer para John e ele não parecia querer falar mais nada também.

Edward já tinha tudo preparado, quando estivesse com os amigos em Libra iam ficar por lá um pouco e depois iam aproveitar o dia nos campos de Dasdhart. E no meio disso tudo ia ter que cuidar para que nem Tom e muito menos Rose ficassem importunando ele com o que tinha acontecido ontem, o que ele ia fale? Não tinha nada para contar.

Não tinha nada a esconder, só não queria ter que explicar aos dois o que tinha acontecido nos mínimos detalhes. E também não queria ter que dizer a Tom o que tinha feito depois que tinha sumido nos tuneis. E ainda tinha Isabella – não que tivesse acontecido nada entre eles, mas ele só não queria contar nada.

Depois de passar na cozinha Edward foi direto para o quarto de Tom. Ele se lembrava de como era fácil se perder por aquela imensidão de corredores. Quando tinha sete anos ele ficou abismado na primeira vez que estivera ali, fazia muito tempo porem Edward conseguia se lembrar com perfeita clareza o dia em que tinha chegado lá. Nunca teve boas recordações da vida que levava antes, na verdade, ele preferia deixar tudo trancado no fundo da mente. Se lembrar doía, é como quando jogam sal em uma ferida aberta.

Ele sempre tinha achado besteira quando diziam que o tempo curava tudo, era a maior mentira que já haviam contado na história. O tempo não curava nada, só fazia a pessoa ficar mais amargurada com a vida que tinha deixado para trás ou com todo o sofrimento que tinham tido, aqueles eram os piores: deixavam marcas que não poderiam ser apagadas nunca.

E com esses pensamentos ele continuou caminhando até o quarto de Tom.