Tinha sido um dia bom e Edward não podia negar isso a ninguém, mas a noite quando ele se deitou sentia que tinha perdido alguma coisa muito importante. E essa era a pior parte, ele não sabia o que tinha sido. Poderia muito bem ser algum objeto, mas ninguém entrava no quarto dele sem permissão, então só poderia ter sido algo dentro dele, mas esse também era um problema. Edward sempre se orgulhou de praticamente não ter sentimentos por ninguém – ele sabia que era mentira, por justamente ter John na sua vida e os amigos mas isso era uma coisa que ele simplesmente nunca iria admitir.

* *

Isabella estava inclinada sobre a beirada da varanda do quarto. Ela sempre achou que a vista do quarto dela era a mais bonita de toda Aquário. Dali dava para ver as montanhas ao leste, os rios de se cruzavam e formavam um estranho s, as cores do outono só deixava tudo mais bonito, ela ainda estava se recuperado do incidente que ocorrera em Aries a alguns dias atrás. Ela tinha gentilmente dispensado o uso de uma curandeira para desfazer os ferimentos, ela queria se lembrar daquele episódio tinha entrado em pânico e o mais vergonhoso foi que ela ficou agarrada a um soldado ariano. Ninguém tocou no assunto é claro, mas ela não conseguia deixar de pensar em como ele foi gentil em carregá-la por quase toda a Floresta Cinza em busca dos pais dela. Que por sinal nem agradeceram a ele.

Ela andava mais calada que o normal e Renee achava que foi por causa do trauma, ninguém quis tocar muito no assunto, estavam todos muito perdidos em seus próprios pensamentos para se preocupar exclusivamente com ela.

Bella só tinha um pensamento desde que acordara no palácio quando voltaram para casa: ela queria agradecer aquele soldado por tela ajudado em vez de matá-la, porque ele tinha o direito de fazer se quisesse, ela estava dentro de Aries e estava sendo mantida presa como uma criminosa, mas a única coisa que aquele ser irritante fez foi irrita-la profundamente chamando a toda hora de “princesa” toda hora e de ajudá-la a ficar segura. Ela ia agradecer e ninguém ia impedi-la.

Edward tinha sérios problemas para dormir e por isso ele ficava só olhando para o teto, mas naquela noite ele queria sair, ir pra qualquer lugar. Só por uma noite queria conseguir se sentir livre. Então um movimento rápido ele já tinha se levantado de cama e estava vestindo algo melhor do que só uma calça de linho preta.

Enquanto ele ia se misturando a escuridão que era o castelo àquela hora, Edward pensava que a sensação era de liberdade, uma forte e arrebatadora sensação de liberdade.

No meio do caminho até a saída do castelo ele teve alguns imprevistos do tipo um grupo de guardas que ele teve que manipular a mente para conseguir passar e teve um desagradável encontro o general Goflemam, a mente dele foi mais complicada de se manipular, ele tinha que admitir, Goflemam tinha resistência mas depois de algum tempo Edward consegui se livrar de todos eles. Já fora do castelo ele correu até os estábulos atrás do seu cavalo Damom, era simplesmente lindo e como o próprio nome dizia era quase um demônio. Tinha os pelos negros assim como os olhos. Aquele cavalo não gostava de absolutamente ninguém com exceção de Edward, Quando Edward viu Damom pela primeira vez ficou encantado com a beleza do cavalo e correu para perto dele, o porem era que ninguém tinha avisado a ele que um cavalo como o da raça de Damom só tem um dono para a vida toda, e cavalos assim quando são deixados ficam mais violentos. O cavalo deu uma empinada que jogou um pequeno Edward de sete anos para bem longe. Depois disso John proibiu Edward de chegar perto de Damom. Só que Edward não era nem um pouco bom em seguir regras, dois dias depois lá estava ele de volta aos estábulos, escondido é claro. Damom ao que parecia estava arrependido de ter machucado o garoto e estava se mostrando bem manso, e foi de um jeito bem peculiar que Edward passou aquela noite – acariciando Damom.

Uma coisa que só descobriram depois disso era que o cavalo só permitia que Edward se aproximasse. Quem tinha tentado ou tinha acabado em uma situação de saúde péssima ou tinha morrido.

– Ei amigão – disse se aproximando

O cavalo relinchou e Edward entendeu aquilo como aquele som como um: “ei, quero cenoura agora” ou qualquer coisa parecida e pegou um punhado de cenouras que ele furtivamente tinha tirado da cozinha e colocou na boca do cavalo.

– A gente vai dar uma volta certo. Vai ser bem rápida, é só pra esticar as pernas, ou no seu aso as patas

Ele esperou até Damom terminar a pequena refeição montou no cavalo e disparou noite a dentro – essa era uma das melhores coisas em Damom, ele era veloz para se ter uma noção só Tom conseguia correr mais rápido que Damom.

Eles já tinham percorrido uma grande distância quando Edward paro para Damom poder beber água em um rio que tinha escondido na floresta, ele já estava quase montando no cavalo quando ouviu som de passos se aproximando. As vezes acontecia, ele conseguia sentir a presença das pessoas antes delas chegarem, na maioria das vezes dala a ele uma vantagem maior numa luta.

Então ele decidiu fazer uma coisa totalmente idiota denunciar que ele estava ali

– Tem alguém ai?

E quando a pessoa finalmente ficou no campo de visão dele Edward quase pulou de susto com quem estava na frente dele.

Era Isabella, ali parada com uma expressão paralisada de medo, ou choque Edward não tinha muita certeza de qual das duas se encaixava melhor na situação.

Bella se recuperou do choque se estar na frente de Edward primeiro do que ele.

– O que você está fazendo aqui? – ela perguntou

– Eu é que te faço a mesma pergunta

Quem ele achava que era? Um rei, um príncipe ao algo parecido?

– Você está achando o que querido? Isso aqui é Libra. E para a sua informação está quase nos limites das terras.

– Não precisa ser estupida princesa, eu só fiquei surpreso em ver vossa senhorita a noite e ainda mais sozinha por essas terras desertas. Não tem medo de ser atacada? – ele deu um sorrisinho cínico.

Ele achava mesmo que estava sendo engraçado? Porque não estava funcionando nem um pouco. Na verdade ela já estava praticamente desistindo de agradecer a ele por te lá ajudado.

E olhando ele com mais atenção Bella percebeu que ele não estava vestido feito um guarda, na verdade as roupas mais se pareciam em muito com as de alguém da nobreza.

– O que aconteceu com as suas roupas?

– O que? – ele pareceu confuso com o rumo que a conversa tinha tomado

– As suas roupas.

– O que é que tem elas? – ele perguntou obviamente não entendendo onde Bella queria chegar.

– Quem lhe deu essas roupas? Porque eu posso claramente morar em Aries mas eu reconheço a diferença entra as roupas de alguém da nobreza com as de um simples soldado. E você não está vestido como um.

Bella percebeu que ele ficou pálido no momento em que ela disse “nobreza”. E também ele tinha ficado bastante desconfortável em responder.

Qual era o problema em admitir que as roupas eram doadas? Não tinha nada de errado nisso.

– Olha eu já entendi tudo!

Pronto, agora ele estava completamente pálido, ela só não entendia o porquê.

– Entendeu o que? – disse com uma voz tremula.

– Ora, que as suas roupas foram doadas a você pelo filho do duque. Tonmmy. Certo?

Um minuto de silencio pelo fato de Edward não conseguir abrir a boca a falar nada.

– É sim, é isso mesmo. E o nome dele é Thomas.

Ela realmente não entendeu o motivo dele ter ficado tão nervoso com a pergunta, foi tão inocente.

– E você não falou o que está fazendo por aqui. Está pretendendo invadir Aquário?

– Olhe só para mim. Eu tenho cara de quer invadir algum lugar? – outro sorriso cínico, ele não ficava cansado disso?

– Você é um completo ogro, insignificante e grosso.

– Olha só, eu estou verdadeiramente me divertindo com você aqui mas eu não preciso ficar ouvindo insultos vindos da sua parte. Agora se me der licença, eu já estou me retirando, até mais princesa. – ele disse já se preparando para partir,

Bella engoliu todo o seu orgulho quando ele já estava desamarrando a fivela do cavalo, – que por sinal estava deixando ela morrendo de medo que aquele bicho demoníaco se soltasse a avançasse contra ela – para ir embora e chamou o nome dele quase como um suspiro. Ele não se virou, mas ela tinha completa certeza de que tinha escutado

– Soldado Edward? – tentou de novo. Silencio – Edward? Olha se você não quiser se virar tudo bem, vai ser melhor pra mim assim, mas eu só queria agradecer pela sua ajuda a alguns dias atrás.

Quando ela se calou ele foi se virando lentamente na direção dela com uma expressão indecifrável.

– Não precisa agradecer, eu só fiz o meu dever – ele respondeu com a voz calma e sem o mínimo de sarcasmo costumeiro.

– Sim, mas eu quero agradecer do mesmo jeito.

Ele ficou calado por um longo tempo e por fim disse:

– Certo, você já agradeceu agora eu já posso ir?

– Sim. Quer dizer não, – ela tinha que admitir que tinha se decepcionado com a reação dele mas isso não a impediu de continuar. – eu também gostaria de me desculpar pelo comportamento do meu pai com você, foi totalmente inapropriado.

Nessa última parte o rosto dele se contorceu um pouco formando uma careta. O que será que o pai dela tinha dito a ele?

– O que o meu pai te falou? – perguntou no impulso, ela não achou que ele fosse responder, por isso ficou surpresa quando Edward falou:

– E você não sabe? – perguntou em um tom debochado

– Se eu estou te perguntando é porque eu não sei. Então, o que ele te falou?

– Não sei direito, só que ou ele estava me acusando de tentar sequestrar você ou de te levar para a floresta e abusar de você.

Bella esperou até que ele começasse a rir mas ele não fez isso.

– Ele não fez isso.

– Ah fez sim princesa, praticamente cuspiu as palavras na minha cara.

Balla estava tão abismada com o comportamento do pai que nem se importou ou não percebeu que Edward usou aquele apelido idiota.

– Então eu peso desculpas mais uma vez pelo meu pai.

– Não precisa. Agora eu tenho mesmo que ir, pra falar a verdade eu nem deveria estar aqui.

Quando ele terminou de falar já estava montado no calavo.

– Certo, adeus Edward.

– Adeus Isabella.

– É Bella.

Mas ela disse tão baixo que teve certeza de que ele não tinha escutado

O passeio que Bella tinha planejado já não tinha tanta graça assim e por isso decidiu volta para Aquário antes que dessem pela falta dela.

Edward ficou todo o caminho de volta pensando em como Isabella tinha parecido sincera quando disse que não sabia de nada do que o pai tinha dito a ele. Ele balançou a cabeça tentando afastar os pensamentos de Isabella. O que foi bem fácil porque enquanto ele seguia com Damom viu uma sombra conhecida na entrada do castelo.

– Oi Rose – ele disse se aproximando

– Afaste esse cavalo de mim e ai nós vamos conversar

Ela era um doce de pessoa.

Edward desmontou de Damom e foi levando ele de volta para os estábulos com Roselie em silencio atrás dele, Rose conseguia ser bem assustadora quando queria, e nem era pela habilidade dela nem nada. Ela só era intimidadora, como uma mamãe leoa super protetora com os filhotinhos; era bem assim que ela era com ele e Tom. Eles não reclamavam porque achavam bonitinho o jeito dela de ser.

Quando ele acabou de prendar Damom que ficava relinchando toda hora por estar de volta a cela, se virou para Rose com uma expressão inocente no rosto que ele suspeitava que não fosse enganar ela.

– E então?

– Onde você estava a essa hora? – tinha sido um tiro direto e certeiro.

– Então vai ser assim? Sem um “oi Edward” ou quem sabe um “como vai querido”, vai ser só “onde você estava a essa hora” que seco Rose

– Não brinque com a minha cara Edward, eu fui te procurar para te desejar boa noite e me deparo com a cama vazia. E se tivesse sido o rei Jonah?

– Nesse caso ele também não iria me encontrar lá.

Se ele pudesse disser que ela estava ficando meio vermelha de fúria teria sido verdade

– Eu não estou achando graça Edward.

– Eu também não já que eu não estou brincando.

Ela já ia a começar a falar de novo quando ela a interrompeu.

– Olha Rose, eu só fui dar uma volta, tomar um pouco de ar, não teve nada demais, e eu já sou bem grandinho e sei me cuidar sozinho, certo?

– Eu só fiquei preocupada.

– Eu sei meu amor, mas não precisa, você sabe que eu consigo me cuidar sozinho melhor do que se tivesse dez guardas na minha cola.

Ela esboçou um pequeno sorriso

– Olha só, ela sabe sorrir, vamos lá. Onde está aquele sorriso que eu amo?

– Idiota – ela disse dando um tapa no braço dele.

E estava tudo bem de novo, eles seguiram para a cozinha por que estavam os dois com fome, Edward não era surpresa, já que ele estava com fome na maioria das vezes, mas ele ficou espantado quando viu Rose com uma coxa de frango gigante na boca.

Onde aquela criatura magra conseguia guardar tanta comida. Tom dizia que Rose era um posso sem fim para comer, e com certeza tinha toda a razão.

– Onde você guarda tanta comida Rose?

– Cala a boca!

E assim terminaram aquela noite.

Era quase de manhã e Edward estava no quarto olhando para o teto sem imaginar como esse dia poderia ser mais chato. Ele tinha começado chato e pelo visto ia terminar assim também. Ou era o que ele achava até ver Tom parado na porta com um traje de batalha completo. Ah, não, hoje não.

– Por favor não

– Desculpe cara, você vai ter que levantar.

– E o que aconteceu? – ele não queria realmente saber o que tinha acontecido, só queria continuar falando para não cair no sono.

– Algum aquariano invadiu e matou uma família.

– Como? – perguntou já se levantando e colocando a roupa de batalha.

– Ninguém sabe, só que ele invadiu e matou uma mulher e os quatro filhos dela.

Edward estava travando uma batalha contra o sapato a tinha misteriosamente sumido.

– Onde foi?

– Na divisa de Yales e Gales. O cara parece que cortou a garganta de todos e depois tacou fogo na casa. Era todo mundo criança Edward, a mais velha tinha oito anos.

Tom estava com uma expressão triste no rosto e Edward sabia, Tom adorava crianças, e ver algum machucando elas enfurecia ele.

– Então vamos lá. Vamos pegar esse bastardo.

No fim foram: Edward, Tom, Roselie, o grneral Goflemam e o duque Samuel.

Não foi difícil encontrar a casa, era a única queimando que tinha em toda Aries. O lugar que parecia ser bem pacato estava tomado por pessoas curiosas que quando viram que eram os guardas do castelo correram para as suas casas.

Estava tudo queimado, não tinha uma parte sequer que não estivesse envolta em chamas. A cena era de puro horror, os corpos estirados no chão: alguns queimados demais para saber se eram de meninos ou meninas outros no entanto dava para ver com clareza as gargantas dilaceradas

Era horrível de se ver como alguém faria isso com crianças? Ele não conseguia entender. Estavam todos olhando para ver se achavam alguma evidencia de quem tinha feito aquilo. Quando Edward e Tom que estavam quase na entrada da casa, – sem entra porque ela ainda estava pegando fogo. – ouviram um choro lá dentro.

– Tem alguém lá dentro Edward. – Tom disse aumentando a voz

– É eu sei, o único problema vai ser conseguir entrar.

– A gente dá um jeito, nos sempre nós viramos em situações assim.

E assim os dois começaram a empurrar a porta que estava emperrada.

– O que vocês estão fazendo ai? – Sam perguntou aumentando a voz.

– Tem alguém lá dentro. – disse Tom enquanto ele e Edward continuavam a empurrar a porta

Assim que ele terminou de dizer aquelas palavras todos correram para ajudar a abrir a porta.

– Não dá, ela tá trancada por dentro, não tem como abrir. – Roselie disse completamente suada.

– Tem que dá Rose, tem alguém lá dentro e eu só vou sair daqui quando quem tiver lá dentro esteja aqui fora e viva. – Edward disse, ele estava cansado e tossindo muito graças a fumaça mas ele só ia sair dali com quem quer que estivesse dentro da casa.

Graças a falta de sorte de Tom a porta abriu, e derrubou ele junto.

– Pelo Signo, o que é isso?

A casa estava completamente tomada pelo fogo e pela fumaça negra, não dava pra enxergar nada e muito menos respirar também.

Edward sentia que o ar estava escapulindo por entre os pulmões, era pior do que estar se afogando – ele não conseguia ver ninguém. Onde estava Tom e Rose?

Ele sabia que não tinha tempo para se preocupar com os amigos, tinham que achar quem estava ali dentro, e logo porque a casa parecia que ia desabar sobre eles.

– Ei! Tem alguém aqui? Nós viemos te ajudar. Apareça

Edward sinceramente achava que a menina já tinha morrido – Ele tinha presumido que fosse uma menina, porque se eram quatro crianças e uma mulher, estava faltando uma corpo de criança, e essa só poderia estar dentro casa. Um tempo depois porem Sam disse que não tinha ninguém na casa e era para eles saírem dali porque a casa iria desabar a qualquer momento.

– Edward vamos, não tem ninguém aqui

– Tem sim Sam, eu ouvi os gritos, e o Tom também – ele estava relutando em se deixar guiar por Sam, tinha alguém na casa e ele sabia isso.

– Não tem, Edward vamos, só falta nos dois.

– Se você quiser sair, você sai, eu vou ficar aqui e achar quem está aqui.

E assim ele voltou se para olhar a casa de novo

Bem, se ele morresse ali iria aliviar tudo o que ele sentia, mas ele não podia se dar aquele luxo e sabia – Tinha alguém ali precisando da ajuda dele e Edward não ia desapontar quem estava ali dentro. Ele tinha que tomar medidas drásticas. Iria usar o seu poder, mas o problema era que não era o controle de mentes, Às vezes ele conseguia ler os pensamentos das pessoas, mas era muito perigoso e ele não ficava muito bem depois que fazia aquilo, mas não custava nada tentar.

Tudo o que ele precisava fazer era se concentrar bastante e implorar aos signos que achasse a criança e sair de lá antes que ficasse tonto e caísse desmaiado. Ia ser horrível para ele morrer queimado.

Tentar ler a mente das pessoas exigia um esforço sobre-humano para ele, agora tentar ler a mente de alguém que provavelmente estava inconsciente em algum lugar no meio daquela fumaça e fogo era praticamente insuportável, ele não conseguia identificar a sensação enquanto praticava a leitura de mentes, era como se algo estivesse sendo arrancado dele e ele não sabia exatamente o que era. Edward só conseguia enxergar vermelho – e ele não sabia se era por causa do fogo ou se era por estar fazendo tanto esforço.

Estava dando certo, ele podia sentir no fundo da mente que ali tinha pensamentos que não eram os dele. Era tudo uma bolha desconexa que ele não sabia por onde começar a estourar. Tinha todo tipo de pensamento ali. Uma garota não conseguindo respirar e chamando pela mãe, uma luz azul irradiando da mesma menina, ela gritando quando não conseguiu passar, ela caindo e gritando pela mãe, um homem louro arrombando a porta e matando os irmãos dela, esse mesmo homem colocando fogo na casa e por fim ela tinha ouvido alguém gritar perguntando se tinha alguém ali e ela não conseguindo responder. Naquele momento Edward percebeu que a garota tinha parado de lutar e estava se entregando. Lutando contra a tontura, ele andou cambaleante até onde tinha visto a menina se arrasta já completamente sem forças.

Era a parte mais limpa e longe do fogo que tinha na casa, mas estava completamente coberta de fumaça e ele não conseguia enxergar nada. Edward se encostou em alguma coisa que tinha ali e lutou para respirar, ele já não sabia se era por conta do fogo ou dos efeitos do seu poder, mas ele sabia que tinha que achar a garota logo se não estariam os dois mortos.

Se ele ao menos conseguisse respirar...

Estava quase desistindo e esperando pela morte quando percebeu um gemido bem atrás onde ele estava. Ele foi se virando lentamente por não poder se mexer demais e encontrou um corpo encolhido em posição fetal, a garota estava coberta de fuligem.

– Graças ao Signo – ele disse coberto de alivio

Edward pegou ela no colo com bastante esforço e mesmo cambaleante foi seguindo na direção de uma porta que tinha ali no fundo.

Quando os dois conseguiram sair de lá, a primeira coisa que Edward fez foi tentar gritar por ajuda.

E então ele percebeu, era um homem escondido em meio as árvores, e Edward reconheceu ele como sendo o autor dos crimes. Com puro esforço ele conseguiu usar o controle mental no homem que caiu no chão completamente paralisado.

Ele desmoronou no chão e no exato momento em que as suas pernas iam bater no chão assim derrubando a garota, mas duas mãos apareceram e seguraram eles. Edward foi gentilmente posto no chão e mesmo sentindo-se como se alguém tivesse fogo na sua cabeça ele conseguiu abrir os olhos e ver Tom e Sam olhando com preocupação para ele.

– Edward! Pelo Signo você está bem? – era Tom, ele tentou olhar para o amigo sem sucesso

– O homem... ele... lá...

– Respira e me fala, que homem?

Ele estava sentindo que ia morrer de tanto tossir e Tom queria que ele respirasse. Se ele tivesse forças teria dito:” e é o que é que eu estou fazendo?” Tentando controlar a respiração ele tentou apontar na direção do homem.

– O infeliz que fez isso está lá. – disse tendo uma crise de tosse logo depois

– Eu vou lá pegar ele. – e com isso Tom disparou na direção do homem paralisado atrás das árvores

– E a menina? – perguntou fechando os olhos novamente

– Calma, você está fraco. – Era a voz sempre serena de Sam falando com ele. Mas porque parecia tão distante?

– A menina, ela está bem? – tentou de novo.

– Sim Edward, ela está bem.

E com isso ele parou de resistir à vontade de fechar os olhos.