A Ascensão do príncipe
2 Capítulo 1
17 Anos depois
– Você não pode agir como um irresponsável para sempre Edward, existem regras a seguir atitudes a tomar, então pare de agir como um menino mimado – Quem rugiu aquelas palavras foi o rei Jonah– tenha a atitude de um homem e encare os seus problemas com um.
As palavras do rei podiam ser ouvidas por todo o castelo e Edward na sua posição não poderia fazer outra coisa a não ser escutar em silêncio sem realmente absorver uma palavra sequer
– Você tem toda razão, foi uma atitude tola, mas eu não me arrependo nem um pouco da minha decisão, e sinceramente, eu não preciso ficar aqui escutando lições de moral e bons costumes.
Esse era o príncipe, não tinha a menor noção da hora de parar e escutar.
Edward era bem arrogante por assim dizer. Bom o que esperar de alguém que desde os sete anos de idade não escuta um “não” como resposta?
– Sinceramente, não entendo o que se passa pela sua cabeça. – O rei certamente já estava com a paciência no limite – Suas variações de humor estão me deixando a ponto de perder a cabeça Edward, por favor, haja como você sempre foi: responsável, disciplinado e competente a ponto de não deixar nada te abalar.
Àquela altura, o príncipe que aparentemente não estava escutando nada parou abruptamente de imaginar opções para se usar em um campo de batalha e voltou a sua atenção exclusivamente para o rei, a quem ele chamava sem nenhum respeito só de John.
– E não é assim que eu estou agindo a dez anos? Eu sempre estou focado nas minhas responsabilidades.
– Pois não parece, você está a um bom tempo agindo feito uma criança.
– Sinceramente John, você já acabou de me dar lição de moral ou tem mais? Porque eu tenho mais o que fazer, com licença.
Edward realmente estava frustrado demais para se virar e responder aos berros de irritação do rei com ele. Estava farto de ser tratado como criança, não depois de tudo o que ele passou quando era criança, coisa que nunca realmente foi, não depois de tudo o que ele passou e sacrificou. Estava distraído demais para perceber que vinha duas pessoas da ala leste do castelo bem na direção dele.
– E então?
– E então o que?
– Edward você está me ouvindo? Edward? – Chamou aos berros
Depois do que pareceu uma eternidade ele percebeu que era com ele que os dois estavam falando, ou melhor, tentando falar porque ele não estava escutando nada na realidade.
– O que foi
– Você ouviu alguma coisa do que a gente disse? – Perguntou a loira com uma cara irritadiça – Sério Edward qualquer coisa, nada? Tá bom. Fala com ele Tom, não estou com paciência para crises existenciais.
– Eu não estou com crise existencial, é só cansaço, eu acho. – disse ele despertando da sua pequena “crise existencial” que de fato ele estava tendo, mesmo que Edward não admitisse isso nem sobre tortura – E Tom, ficar invisível e sair bisbilhotando a conversa dos outros é falta de educação, o Duque não te ensinou isso quando você era pequeno? – debochou ele.
– Eu não estava “bisbilhotando” só estava passando por perto quando ouvi a voz alterada da vossa majestade e fiquei preocupado que fosse alguma coisa séria – o moreno ficou com o rosto em um incrível tom de vermelho. Edward teria rido se não tivesse fingindo estar com uma expressão séria. Tom era um daqueles garotos lindo, não, não garoto, um homem lindo. Tinha incríveis olhos pretos, característicos de todos os arianos, mas os deles tinha um brilho a mais. Como se estivesse escondendo um segredo, e um dos grandes. O sorriso, a aquele sorriso seria capaz de acabar com qualquer guerra. Simplesmente lindo. Lindo e maldoso era assim que ele ara conhecido.
O clima de nervosismo que atingiu Edward mais cedo pareceu não existir mais, estava calmo, como que se de algum modo a aflição estranha que tomou conta dele pela manhã tivesse desaparecido como num passe de mágica. Bem isso certamente não existia, porque a mágica a muito tinha sido abolida a muito tempo de Aries, mas mesmo assim tinha começado e tão rápido quanto tinha acabado.
– Bom, sendo assim, o que você achou da bronca que eu levei? – perguntou se recostando em uma pilastra que por sinal, era a única coisa que impedia alguém de cair na armadilha mortal que era aquela parte do castelo. – E não finja que não escutou essa parte Tom você quando quer consegue ser mais silencioso do que um silensce, o que seria muito engraçado já que você não consegue calar a boca.
– Eu não estava... Quer saber? Deixe pra lá – disse já começando a ficar irritado – Foi muito bem feito isso sim, para você aprender a se comportar um pouco melhor e não dar trabalho aos seus amigos – exclamou.
Bem, se antes Tom estava vermelho de vergonha agora era de raiva, e ele não ficava nada amigável com raiva.
– Certo, já chega dessa ceninha entre vocês dois – a voz feminina foi de Roselie Hale que até então tinha se mantido fora da discursão. Roselie era do tipo rainha da beleza, linda como um anjo dos tempos antigos e perigosa feito um demônio. Loira, alta, esguia feições delicadas. Era do tipo pra casar se não fosse pelo pequeno fato de ser um soldado treinado para matar.
Linda e letal – Essa era a Roselie que amaram desde o primeiro momento em que a viram.
– Vamos nos acalmar seguir em frente é o melhor que a gente faz. – disse ela com as mãos estendidas prontas para qualquer imprevisto que tivesse que aparar. O que de fato acontecia com mais frequência do que ela desejava. – O que é que está acontecendo com vocês dois? Estão a semanas assim, o que quer que isso seja, tem que parar, antes que alguém saia ferido, a sinceramente eu não vou tomar partido de nenhum dos dois
O reto da calma que ela tinha parecia que estava se esgotando, quem visse a cena de longe acharia que estava acontecendo algum tipo de mini guerra; o que não deixava de ser verdade.
– Essa vai ser a última vez que eu vou perguntar: o que está acontecendo – perguntou já com a voz elevada. O que Edward achou meio cômico já que começou a rir e o mais surpreendente é que Tom o acompanhou – Do que vocês estão rindo? Respondam não fiquem ai parecendo dois cavalos relinchando!
Eles se acalmaram olharam um dos olhos do outro e tornaram a rir novamente.
– Rose, não leve a gente a mal.... – quem visse o príncipe agora ia ver uma coisa inédita, já que demonstrações de públicas de diversão (ou qualquer tipo de emoção) erma raras na vida dele – é que você tá meio... – Bom, ele não conseguiu terminar a frase.
– Tom, você que continuar?
– A bem... – outra crise de riso – é só que você...
—... Tá meio engraçada toda raivosa e....
–... Vestida feito uma garotinha delicada – E todos sabiam que de garotinha delicada Roselie Hale não tinha nada.
– Parem!
– Não dá Rose desculpe – Edward sabia que deveriam parar, eles só não conseguiam.
– Bom, já que vocês não vão se comportar só me resta uma alternativa: bater em vocês.
E toda aquela tensão que havia a pouco sumiu, como se nunca tivesse aconrecido.
– Guardas, em prontidão! Ao meu comando!
– Marchando
Só mais um dia normal de treinamento em Aries e o duque Sturridge já estava a ponto de acabar com toda aquela besteira e mandar aqueles meninos para casa, não precisava ficar se preocupando com mais nenhum garoto além do próprio filho e do príncipe, a garota Roselie era responsável o bastante para não precisar de nenhuma vigia, mas com os dois a situação ara bastante diferente.
– Duque. – disse uma voz extremamente seca. O duque não precisou levantar a cabeça para saber de quem era aquela voz desagradável.
– Sim general, o que você deseja?
– Temos assuntos a tratar, Samuel. – Era o general Golflemam, um homem de aparência fria e caráter mais congelante ainda – Seu filho aquele moleque insolente...
– Não ouse abrir a sua boca nojenta para insultar meu filho – disse com a boca a centímetros do ouvido do general e a palma da mão pressionada firmemente na garganta dele, estava tão forte o aperto que Golflemam estava ficando roxo. – Está me entendendo bem? Ouvi? Vamos amigo balance a cabeça para confirmar, não é tão difícil assim. Agora saia da minha frente e não ouse me importunar mais.
Estava começando a nevar em Aries o que não era de modo algum uma surpresa, já que o que mais tinha no reino eram partes tomadas pela neve ou pela chuva que insistia em cair nos momentos mais importunos. Como agora, era terrível ter que andar por Aries com o tempo tão frio, sabia mais que qualquer um naquele castelo como podia ser horrível não ter uma roupa quente o suficiente ou um lugar confortável o bastante para deitar e tentar dormir. Simplesmente insuportável.
Era o começo da semana, infelizmente não era uma semana qualquer, era a semana do Raifh. O Raifh era comemorado a milênios entre todos os reinos, – era a única coisa que eles compartilhavam além do ódio mutuo que nutriam havia muito tempo – nos tempos antigos os mais velhos costumavam dizer que o Raifh era a época em que signos abençoavam seus filhos com todos os sentimentos puros que irradiam pela terra. Bom como todos sabem isso não acontece e milênios, mas as pessoas insistiam em manter aquela tradição.
“Besteira” Edward costumava pensar, era só um costume medíocre que as pessoas insistiam em manter para um dia acreditar que as coisas voltariam a ser como eram antes. O que era uma besteira completa. Os que eles achavam? Que se continuassem celebrando tudo voltariam a ser como nas histórias antigas? Tá bom continuem pensando assim, ignorantes.
Edward sabia que tinha que levantar, tinha um assunto pendente a resolver, e ele não gostava nem um pouco de não terminar o que tinha começado, mesmo que tivesse que passar por cima do próprio orgulho, sendo assim ele se levantou caminhou para fora do quarto atravessou toda a torre na ala leste do castelo e subiu as escadas, como se sair nesse frio não fosse o bastante ainda tinha que subir escadas.
Sempre positivo esse menino, é o nosso garoto de ouro.
Depois de subir aquela imensidão de escadas ele chegou aos aposentos do rei John já quase sem folego e com uma vontade esmagadora de dar meia volta e caminhar de volta para o quarto. Ele era um homem ou um rato? Um rato disse em pensamento, pronto. Agora estava ficando louco, ele ia passar e as pessoas iam apontar “olha o príncipe pirado” ou então “garoto é completamente maluco” ele ia ser jogado nas masmorras e....
– Para, para com isso Edward, vamos lá não deve ser tão difícil. É só bater na porta e se desculpar. Só isso.
Com uma nova onda de coragem ele levantou o braço e bateu na grande porta de carvalho das florestas do sul. Não tinha nenhum som do outro lado da porta, mas isso não significava nada John sempre presou pelo silencio em vez de agitação.
Quando estava quase desistindo ouviu a voz de John do outro lado.
– Samuel? Já conseguiu a rota de transição?
– Não é o Sam. Sou eu John.
– Edward? Entre, o que você está fazendo aqui? Não, o que você está fazendo fora dos seus aposentos a essa hora da madrugada? – Perguntou em um tom autoritário mas mesmo assim fraternal.
– Olha John, eu quero me... é.... – bom o nervosismo era até compreensível, ele nunca tinha se desculpado com ninguém por nada
– Respire Edward, respire – ele estava com a forte impressão de que John estava na verdade se divertindo internamente com tudo aquilo.
– Eu só queria me desculpar pelo meu comportamento mais cedo, foi totalmente errado e não condiz com as minha atitudes e nem com as minhas palavras, e eu tenho real consciência dos meus atos, – ele estava falando sem parar e sabia disso, mas não conseguia parar e John não fez nenhum esforço para isso também – e também queria dizer que sinto muito por não ter escutado quando você tentou me alertar a não entrar naquela luta, e eu acho que já estou falando demais e você pode me mandar parar a qualquer momento, e... ei! Porque você está rindo?
Sério, ele estava ali praticamente se humilhando e engolindo seu orgulho. Oque já era algo de se admirar já que não acontecia com muita frequência e o rei John estava rindo! Totalmente injusto.
Coitado do nosso garoto.
– Certo, eu não vou negar que estava me divertindo um pouco com você falando sem parar mas eu também entendo que deve estar sendo um esforço muito grande para você se desculpar, – ele ia interromper mas John não deixou – e é por isso que você não precisa se lamentar por nada. Está entendendo?
– Sim, mas – ele parou procurando as palavras certas, despois de tantos anos ela as ainda procurava – eu ainda me pergunto?
– Sim...
– Porque eu?
– Ora, Edward, de novo?
– Sim de novo, eu preciso saber John. Eu ainda me pergunto o porquê disso tudo. É pelas minhas habilidades?
– Não Edward, não é. Eu gosto muito de você, é por isso, satisfeito?
Edward sabia que não conseguir mais nada por isso não insistiu, mas satisfeito ele com certeza não estava, nem um pouco.
– Claro, agora se me der licença vou voltar pro meu quarto e tentar dormir um pouco
E mais uma vez ele saiu sem esperar uma resposta, também, estava irritado tinha ido se desculpar mesmo contra a vontade e só conseguiu voltar com mais dúvidas ainda.
Ele chegou ao quarto sem maiores problemas o que se tratando dele ara uma coisa rara já que não conseguia ficar longe de problemas. Já com a cabeça no travesseiro aquela sensação de que alguma coisa ia acontecer voltou com tudo, ele passou o dia todo tentando se livrar dela sem sucesso, parecia que alguma coisa ia acontecer e com certeza não era nada muito agradável
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