A Arte da Alma

1 Capítulo 1


- Não sou eu o culpado de tudo isso. Não venha com promessas impossíveis. Você não trará minha felicidade de volta.
- Se acalme, Gin. Não é da sua conveniência se estressar por qualquer coisa. Você tem a paciência mais resistível do mundo mágico.
- Não importa os detalhes dos meus atributos. Seus status é o que me preocupa. Durante todas as quatro guerras você esteve presente e foi na terceira que a magia surgiu e de lá pra cá tudo mudou. O mundo se transformou num caos molecular, onde a química, alquimia e física se tornou fatores de um produto muito forte: a magia!
- Sua inteligência é surpreendente, mas sua matemática não pode lhe livrar de tudo que é ruim na Terra! Terá de provar seu valor. Como usar multiplicação para a prova de um quociente exato.
- Nem todos os quocientes são exatos. Considero-te uma dízima periódica!

A Morte riu mais uma vez de Gin, o mago matemático que há dias tenta provar seu valor ao Conselho Mundial de Magia Exata:

- Vou dar-lhe mais uma chance, Gin Bhaskara. Da próxima vez que numa luta com algum mago você vir para o Círculo do Juízo Primário, não vou lhe ceder o perdão. Irá para o submundo sem sua magia e sofrerá o que eu sofri e com muito sangue escorrendo pelo corpo consegui dominar.
- A chance de isso ocorrer é de... 57%.
- Não use matemática agora!
- Não uso matemática e sim a ciência exata. Magia e a inteligência são medianas e sua baretriz é a fonte da magia.

Gin estava com frio pois em seu corpo havia apenas sua calça jeans, que cobria parte da tatuagem: o número 3,14 — pegava parte da virilha.

- Vai me deixar ir embora?
- Não. Responda a uma pergunta!
- Qual?
- Quem venceu a quarta guerra mundial?
- Não sou bom em Ciências Humanas. Mas creio que foi... Japão.
- Errado! Japão foi o primeiro a perder. EUA e Rússia com sua munição e Brasil com seus recursos foram os vencedores.
- Brasil... Um país onde tudo é relativo a nada. Uma razão sem quociente.
- Agora pode ir.

Num pulo, Gin acordou no meio da rua, onde todos os prédios estavam em chamas e o caos tomara conta de tudo que era concreto. Sangue regia mais que a metade, em porcentagem, do que havia ali.

- Que enxaqueca desgraçada. E essa guerra ainda não acabou. Porque eu tenho que presenciar a quinta guerra mundial? Se fosse a primeira, ou a quarta.

Gin continuou andando e chegou a alguma floresta que ainda não havia sido campo de batalha. No momento, a América do Norte tinha dominado a América Central e do Sul.

Depois de horas caminhando, ele resolveu se deitar. Na verdade sentou-se próximo a uma caçamba colocada ali por um motivo inútil. Enquanto revirava sua bolsa e seus pertences — facas, bolachas, garrafinhas d'água, materiais de higiene pessoal — foi sendo tomado pelo cansaço e sono. Por fim dormiu.

-x-

- Andem! Mais rápido com ele antes que acorde.
- Olha para ele, Martin. Aparenta lá ter seus doze anos de idade.
- Mesmo assim, Karaku. É melhor seguir adiante antes que o chefe nos penalize.
- O chefe. Rigoroso e vilão como sempre.
- E não tem razão? Você é uma lesma.
- Quer levar o garoto?
- NÃO!
- Então não enche o saco.

Martin e Karaku, alemão e chinês; respectivamente. Estavam passeando por caça quando encontrou Gin dormindo, às 21h. Soldados do bloco A (Europa, Oceania e Ásia) da guerra. Pretendiam levar o pobre maguinho das ciências exatas para o comandante do bloco, chamado Yankuru — mais conhecido como a Treva das Luas.

- Chegamos! — gritou Martin, acordando e assustando Gin; num soco quebrou o cadeado da sela em que estava sendo carregado. Estava liberto, porém não tinha fugido pois estava analisando a situação.

- Quem são vocês? Onde estamos? Cadê minhas coisas?
- Olha, Martin. A criança está assustada. Você e seus escândalos.
- Não tenho culpa, Karaku. Apenas comemorei.

Um silêncio tomou conta e entediado, chateado, Gin tornou a perguntar:
- Onde... Estão... Minhas... Coisas?
- Está conosco. Eu e Karaku.
- Pode devolver?
- Não. Estamos diante a uma guerra e tudo que vier é lucro.
- Na verdade não diríamos lucro, mas enfim... Vocês são magos?

Os irmãos estranharam a pergunta e acenaram com a cabeça que não. Mesmo o mundo domado pela magia, era raro encontrar um mago. O que tinha mais aparência era os mercenários — soldados com emissores de algum tipo de magia, ao contrario dos magos que tinham uma fonte misteriosa e natural de magia.

- Eu sou um e posso provar essa informação caso vocês não me devolverem o que é meu por posse.

Karaku pegou seu calibre e Martin, sua katana a carga elétrica.

- Uau. Uma katana que é composta por fios de alta tensão que absorve energia térmica e transforma em energia mecânica e elétrica! No caso, só elétrica mesmo.
- Caralho! O cara é inteligente! Deve ser um ótimo mago!
- Não subestime meu ego, Karaku. Vamos matá-lo.

Gin deu as costas e deu um super salto para trás, pairando no ar de ponta cabeça há uns treze metros dos irmãos.

- 15,27 metros de altura. Minha faca tem uma massa metálica de 450 gramas. Isso... Velocidade de queda perfeita. Agora, a diferença da variação de velocidade do meu corpo e da faca, e a tangente será 0. PERFEITO!

- Karaku!
- Martin?
- O que ele está fazendo?
- A pergunta seria: o que ele está dizendo?

Toda a conta de Gin se resumiu nas seguintes ações:

Ação 1: Soltou a faca e seu corpo da suspensão aérea.
Ação 2: Ele caiu primeiro que a faca, em pé, deu dois socos simultâneos nos irmãos.
Ação/Efeito 3: Os irmãos foram longe com a força do soco e no exato momento a faca caiu e explodiu, com os irmãos no chão.

- Deu certo! Consegui jogar os dois soldados chatos próximo a faca com o selo explosivo. Estão mortos!

Como sempre, a inteligência e conhecimento de Exatas salvou a vida de Gin, despertando sonoramente a atenção das centenas de soldados que estavam em modo de defesa escondidos há meio quilometro de distancia:

- Ouviu isso, comandante?
- Sim. Uma explosão vinda em direção da cabana dos meus irmãos.
- Será que aconteceu algo?
- Vou verificar. Levarei comigo vinte soldados. A chance é que tenha parte de um pelotão inimigo na redondeza e se um for ferido, há chance de outros avisarem vocês.
- Então eu fico?
- Sim, Death. Você é meu melhor soldado. Se algo acontecer comigo, você se vingará com sua magia orgânica, com certeza.

Gin derrotou os irmãos do comandante, o que vai lhe trazer mais encrencas. Uma das conseqüências desse ocorrido foi ter chamado a atenção o bloco A, e principalmente de Yankuru, que fez uma promessa paralela a situação atual. Gin está encrencado!

Notas finais
Por enquanto, irei descrever ao decorrer dos captulos os personagens em notas finais.
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