A Arte da Alma
2 Capítulo 2
Notas iniciais
No campo de batalha estão os soldados representantes por governos diferentes: Cuba e Uruguai. Entre arranha-céus foram explodidas bombas de todas as freqüências e potencias, milhares de corpos mortos enfeitavam as ruas da cidade grande. E Gin estava observando tudo de mal que estava acontecendo dentro de um prédio abandonado, do estacionamento:
– Caramba! Que proporção está tomando isso... Pelas bandeiras estampadas nos capacetes creio que Cuba esteja vencendo. America Central nunca foi referência porém...
Gin foi interrompido por algo de concreto e feito de metal encostando na sua nuca. Uma arma:
– O que está fazendo aqui, terrorista russo?
Com as mãos para o alto, Gin respondeu de forma grossa:
– Primeiro, não sou terrorista. Sou um mag... Um geek matemático, físico e químico. Estudante e sou americano, não Russo. E quem é você? Pela voz é mulher, mas está um pouco mais grossa que ao comum. O seu timbre, sua freqüência esta um pouco mais próxima do chão. Isso esta fazendo você mais... Máscula.
– Meu nome é Matilde e sou americana também. Então você é um refugiado?
– Na verdade, um andarilho nerd tentando sobreviver sem ser abordado por uma estranha com uma arma enorme apontada pra minha nuca.
Matilde estranhou e perguntou:
– Minha arma realmente é grande. Como você sabe?
– Calculei a distância da sua voz, de acordo com a mediana formada por um triangulo imaginário do seu tronco, com o braço. Multipliquei pela freqüência da sua voz e pelo atrito da arma com minha pele, em Newton. Creio que sua arma tenha a largura de uma régua. 30 cm.
– Exatamente!! Incrível! — por um momento Matilde se fez doce com uma voz meiga e feliz, guardou a arma no suporte em sua cintura. — você é muito inteligente mesmo. Qual seu nome?
– Posso me virar?
– Claro. Desde que não tente me bater.
– Relaxa. Não sou bom de briga. Só em mag... Magnificamente você é linda!
Gin tentava que tentava esconder que era um mago. Alguns acreditavam que por causa da magia que o mundo ficou no caos absoluto e alguns presidentes deram ordem de fogo contra os magos que não fizessem parte dos batalhões. Death estava livre dessa punição política.
– Meu nome é Gin, tenho treze anos e nasci em New York City.
– Desse tamanho? Com esse porte físico e com essa voz? Você está mentindo sua idade por quê?
– Não. Provo isso com meu Registro Geral depois, mas estou na América do Sul por causa da guerra que esta afetando todos os países do mundo inteiro. Aqui demorou mais, porem esta aqui o sangue derramado por causa da magia.
– Nunca vi um mago até agora.
– Eles estão sendo extintos. Todos acreditam que a guerra vai acabar quando o ultimo mago for morto.
– Odeio magos. Matei vários por causa disso. Na verdade, estou sozinha nesse momento por causa de um mago que derrotou meu irmão na guerra e aproveitou e explodiu minha casa com toda minha família que se refugiavam, inocentemente. O próximo mago que eu ver será morto.
Gin engoliu seco e ganhou mais um motivo para não falar à Matilde que era um mago, mesmo sabendo que se ficasse com ela pelo resto dos dias, ela iria saber quando chegasse um momento oportuno para ele usar sua magia.
– Mas percebi que você inofensivo. Gosta de magos?
– Eu não tenho nada contra, afinal nunca nenhum fez nada contra mim.
– Quando você achar um, me avise.
– Vai embora?
– Não exatamente. Estou esgotada de alimento e água artificial. Frutas hidrogenadas estão se esgotando nos mercados.
– Eu tenho bastante aqui, o suficiente para nós dois por uma semana.
– Que bom, mas não podemos ficar aqui no estacionamento. Estamos muito próximo do campo de batalha e ainda não sei como eles não nos viu ainda.
– A luz do sol está refletindo sobre o topo desse prédio e a sombra que se parte do ponto de origem, que é esse estacionamento, até a margem do quadrante da guerra com certeza está nos impermeabilizando da visão deles. Por isso fiquei aqui, mas com certeza o Sol vai se mover pelo horário então é melhor nos apressarmos.
Matilde ficou com uma luz de esperança nos olhos:
– Você realmente é surpreendentemente inteligente.
– Você usou 'ente' três vezes na mesma frase. Isso é surpreendente!
Os dois saíram correndo para o elevador principal rindo, como se nada houvesse acontecendo. No 25o andar, na cobertura, analisavam o estado da cidade e quais caminhos mais seguros.
– Isso é a mesma coisa que um holocausto zumbi. Muita gente na rua que te mata ao te ver, porém a diferença é que eles fazem isso a curta e longa distancia. Zumbis não possuem armas.
– Tem razão. Tem algum plano?
Gin pensou e concluiu:
"Na verdade eu tenho, mas para isso usaria magia. Já sei!"
– Sim! Você tem uma faca e uma corda com você?
– Hum... Só faca.
– Ok. Na minha bolsa tem uma corda. Pegue-a e amarre na haste da porta do elevador. Antes disso, verifique se ele desceu, está no térreo. Corte as suas correias, elas são cabos de aços com moléculas flexíveis, servem como cordas porem são mais resistentes. Vou fazer uma Tirolesa.
– Como?? Olha a distancia dos prédios. O mais próximo tem cerca de...
– Exatamente 2,74 km. Isso é o suficiente.
– Como calculou a distancia?
– Pela quantidade de carros quebrados estacionados, números de quarteirões e andares desse prédio. É uma equação de terceiro grau com razão de Euller.
– Como??
– Vai ou não? Está escurecendo.
– Ok.
Enquanto fazia seus cálculos inimagináveis, Matilde fez os primeiros passos. Agora estava suspensa no ar.
Quando estava quase conseguindo cortar a primeira correia o elevador começou a subir em alta velocidade. Num grito e num impulso, tentou subir mas sua bota vermelha com perolas e diamantes prendeu no vão do lado da correia com a parede. Cada vez mais próximo, o elevador botava medo em Matilde. Não demorou muito para Gin dar um salto sobre o elevador lá embaixo e pular novamente para cima, impulsionando a retirada de Matilde — voltando para cobertura de onde veio:
– Como fez isso?
– Tiro de guerra.
– Que... Loucura...
– Vamos nos esconder. Tem alguém vindo.
Os dois se esconderam do lado do cubículo feito de tijolos no qual o elevador estava interiorizado.
– Juro que vi alguém aqui, comandante.
– Death, sei que você é um mago mas às vezes erramos as contas.
Gin mesmo tendo matado os irmãos deste comandante ainda não fazia idéia de que ele existia e Matilde, ao ouvir a palavra "mago", já sacou sua arma e deu três tiros na cabeça de Death. O comandante se virou e com sua metralhadora já em mãos estraçalhou todo o peito da caçadora de magos. Gin conseguiu, diante toda a cena grotesca, se esconder no outro lado do cubículo. Tampava o choro com as duas mãos cobrindo a boca e as lagrimas desenhavam linhas sujas em suas mãos.
– Death... Se cure...
Assim o mago fez, as balas dentro do crânio se tornaram glóbulos vermelhos e células-tronco, reconstruindo a estrutura craniana.
– O que aconteceu?
– Matei Matilde. A filha do presidente socialista.
– Presidente de Cuba?
– Sim.
Chocado, Gin:
"Filha do presidente de Cuba? Mas o nome real da filha do presidente não é esse."
– Era ela que você viu.
– Sim, mas tinha um garoto. Ele me transmitia exatidão e pensamentos exatos. Algo que já me fez sofrer antes.
– Fala de uma presença perturbadora?
– Não. Historia dos antepassados. Enfim... Acho que como você disse, errei na conta e somei 1 com 0 e deu 2. Vamos embora!
– Sim... E o que aconteceu aqui morre aqui!
– Claro!
Depois de Gin ter certeza que os dois realmente foram embora, ele se aproximou do corpo já sendo decomposto por vermes:
– Matilde ou Estela? Qual seu nome real? Quem é você? Devo curar uma farsa ou não? Não sabia que estava me tornando amigo de uma traficante de armas.
Gin sabia que a ajuda 'titular' que Matilde, ou melhor, Estela iria lhe oferecer seria excelentemente viável. Então resolveu curá-la com células que criara antes de sair de casa, em seu laboratório subterrâneo. E com magia aceleradora de elétrons, fez com que a cura se efetuasse em fração de segundo. Uma luz forte saiu dos orifícios do corpo de Estela..
– Gin!! — gritou ela, o abraçando forte.
– Você está bem! Desmaiou pela insolação e teve um pesadelo.
– Mas foi tão real...
– Sim, acho que o calor e a altura te atacou na estrutura do elevador. Vamos terminar a tirolesa...
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