A Arte Da Vingança

1 O pior pesadelo de todos


– Vamos lá, Diego. Eu e a Raquel só vamos passear com o carro um pouco, voltaremos antes que o nossos pais acordem. – Disse Daniel tentando convencer Diego a entregar a chave do carro.

Diego olhou para seu irmão bravo, não estava disposto a deixa-lo arriscar sua própria vida e a de sua amada Raquel. Muito menos de noite na chuva.

– Daniel, você ainda não tirou carteira, é perigoso. E não é só a sua vida que está em jogo, mas a da Raquel também. Você só tem 19 anos, se preocupe com os outros pelo menos uma vez!

– Larga de ser todo certinho, maninho. Nada de ruim vai acontecer. A Raquel é muito importante para mim, não deixarei que nada a aconteça.

Diego não estava tão convencido disso. Sentia que algo de ruim iria acontecer com Raquel e com seu irmão mais novo.

– Já disse que não. Daqui vocês só saem por cima do meu cadáver, e ponto final!

Raquel então se aproximou de Diego e lhe deu um beijo na bochecha. Diego sentiu seu estômago se revirar. Desde criança fora apaixonado por Raquel, mas a mesma era apaixonada por Daniel, que também a amava. Por isso nunca revelou esse amor platônico.

– Por favor, Diego. Nada de ruim vai acontecer, seu irmão é cuidadoso – Disse Raquel com aquele seu jeito doce que sempre convencia Diego.

Diego olhou para o teto, não queria que nada de ruim acontecesse com nenhum dos dois, mas quando Raquel o olhou e pediu “por favor”, com tanta doçura sentiu seu coração derreter e não resistiu.

– Está bem. Vão! Mas tomem cuidado. Dirigir a noite é perigoso. Usem o cinto de segurança, e se o sin...

– E se o sinal estiver vermelho, não ultrapassem. Se estiver amarelo, espere. Se estiver verde, pode passar. Eu já sei maninho, não sou mais um bebê. – Daniel disse com pressa.

– Não é, mas age como um. – Cochichou Diego

– Disse algo, maninho?

– Não, nada. Vão agora antes que eu me arrependa.

Diego entregou, então, a chave de seu carro para Daniel. Raquel o abraçou e lhe deu outro beijo na bochecha. Então os dois entraram no carro e saíram. Diego pôs a mão em cima da bochecha e olhou para o céu. Estava chovendo e o céu parecia triste, como se algo ruim estivesse para acontecer.

De repente uma sensação ruim invadiu seu corpo. Será que fizera o certo ao permitir seu irmão de sair com Raquel? Não importava mais, não tinha como voltar atrás. Olhou novamente para o céu e entrou para a casa. Subiu as escadas, verificou se seus pais estavam dormindo e foi para seu quarto.

Deitou na cama, ainda com a luz acesa, pegou um livro e o leu até, finalmente, adormecer. E então sonhou. Sonhou que estava dentro de um carro que estava se locomovendo. Seu irmão e Raquel estavam lá também. Os dois olhavam para Diego e brigavam com ele.

– Como pôde permitir que eu pegasse o carro, maninho? Você sabe que eu não sei dirigir. A culpa é sua. – Daniel estava gritando com o irmão e o culpando de algo que Diego não sabia.

– Você ficou louco, Diego? É tudo culpa sua. Você é o responsável. – Gritava Raquel.

Arrependido, Diego tentou pedir desculpas, mas sua voz não saía. Então viu um caminhão vindo em direção ao carro. Tentou gritar para avisar ao irmão, mas não conseguia. Daniel, então, olhou para frente, se assustou ao ver o caminhão e jogou o carro para um lado, mas era tarde.

Diego acordou assustado, estava suando frio. Olhou para o relógio e viu que era 10h30min da manhã.

– Foi só um pesadelo, não aconteceu nada. Eles estão bem – Disse para si mesmo tentando se acalmar.

Levantou-se e foi no quarto do seu irmão. Provavelmente ele já devia ter chegado. Mas quando chegou lá viu que a cama estava arrumada. Diego estranhou. Seu irmão sempre acordava tarde. A não ser que... Não, ele só acordou mais cedo que o normal. Não havia acontecido nada. Foi tomar o café da manhã e encontrou somente os seus pais.

– Pai, onde está Daniel?

Gabriel olhou para seu filho mais velho assustado

– Diego? Você estava aqui? Achei que tinha saído com seu irmão, já que seu carro não está aqui.

– O QUÊ? – Gritou Diego – Aquele maldito. Saiu com meu carro e não voltou até agora? Droga, e se tiver acontecido algo ruim?

Na mesma hora alguém bateu na porta de sua casa. Diego correu para atender. Será que era o irmão? Provavelmente ele esqueceu a chave de casa e agora estava pedindo para abrir. Ao chegar lá, Diego abriu a porta.

– Onde você est...

Não era Daniel, muito menos Raquel. Era um homem alto e forte vestido como um policial.

– Aqui é onde mora Daniel Mizehi Naoki?

– É sim, mas ele não se encontra no momento. Ele fez algo de errado, senhor policial?

O policial tirou sua toca e colocou no peito, como alguém que estivesse se lamentando. Diego se assustou com aquela ação do policial. Acontecera alguma coisa.

– Vo... Você sabe onde está meu irmão? Aconteceu alguma coisa a ele?

– Calma, meu rapaz. Seu irmão está bem. Felizmente seu estado não era tão grave e...

– COMO ASSIM? Onde está meu irmão? Tinha alguém com ele?

O policial olhou para o chão. Sentia pena daquele rapaz, odiava dar notícias ruins. Mas aquele rapaz estava desesperado. Não estava conseguindo dar a notícia a ele.

– Rapaz...

– Diego.

– Diego – disse o policial – seu irmão estava dirigindo sem carteira na contramão. Um caminhão veio e por causa da chuva não conseguiu frear a tempo. Seu irmão jogou o carro para um lado, mas já era tarde. Felizmente ele sofreu ferimentos leves e não corre risco. Mas a menina que estava com ele não resistiu. Eu sinto muito

– Não. NÃO! Isso não pode ser verdade.

Diego caiu de joelhos no chão e começou a chorar. Não podia ser verdade. Raquel não podia ter morrido. Começou a se culpar. Nem percebeu quando seus pais chegaram e ficaram sabendo dessa terrível notícia. Seu mundo parecia ter desabado. Ficou se culpando por um tempo.

– Espera! A culpa não é minha, é de Daniel. Ele que matou Raquel. Se ele tivesse me ouvido, nada disso teria acontecido. Raquel ainda estaria viva. Fique calma, querida Raquel, eu irei te vingar – Pensou Diego e começou a rir como um louco.