A Aposta - Lonely Girl
34 Capitulo 35 - II temporada
Notas iniciais
A frente da casa onde seria a festa estava lotada de carros; carros luxuosos, desde Ponches a Jaguares. Havia manobristas, que estacionavam os carros dos convidados assim que estes chegavam, e a entrada estava iluminada com luzes delicadas. A frente da casa tinha um jardim belíssimo que fazia jus aquela mansão.
–– Gostou? – Vick me perguntou, assim que subíamos os degraus.
–– É linda.
–– É a sua futura casa. – olhei-a atônita, ela sorriu com minha cara. – Imaginei que essa seria a sua reação.
As enormes portas de mogno estavam abertas, e, já na entrada, circulavam pessoas elegantes com taças de champanhe na mão. Os homens eram todos elegantes e tinham aquele ar de realeza, e as mulheres nem se fala. Pareciam que haviam saído de editoriais de moda. Senti-me um nada naquele meio.
Vick segurou meu braço e me puxou para dentro da casa; ela procurava o marido e, provavelmente, Pedro também. Parecia que eu estava fora de mim e observava tudo como uma terceira pessoa.
–– Aí está você! – ela foi em direção ao marido. – E você também. – Pedro estava ao lado de João. Ele estava lindo usando um traje social; os cabelos arrumados com aquele jeito descolado. O ar saiu dos meus pulmões e parecia não mais querer voltar.
–– Quem é a sua amiga? – João brincou. – Você está linda, Karina. – ele me abraçou em forma de cumprimento. Pedro permaneceu em seu lugar, encarando-me. – Vamos deixar os noivos a sós, Vick.
Os dois saíram abraçados deixando Pedro e eu ali sozinhos, sem saber o que dizer um para o outro.
–– Você está linda. – ele finalmente falou. – Meus amigos vão ficar com inveja da minha noiva. – ele sorriu, mas eu não consegui esboçar nada.
–– Obrigada. – eu disse fria. – Espero que não se chateie quando vir a conta do seu cartão. Vick me obrigou a comprar metade do shopping.
–– Não tem importância. – ele se aproximou passando a mão por minha cintura, guiando-me até uma roda de homens. – Pessoal, essa é a minha linda noiva. – todos da roda me olharam de cima a baixo.
–– Quem diria que sua noiva era mesmo tão linda, Pedro? – um rapaz loiro brincou. – Estou com inveja.
–– Vai ficar eternamente com inveja, porque esta já tem dono. – como eu queria acertar um soco na cara do Pedro.
–– Prazer, cavalheiros. – eu sorri e cumprimentei-os.
–– Além de linda, é educada. – eu sorri. – Mas onde se conheceram mesmo?
–– Na escola. – Pedro respondeu. – Ela era minha melhor amiga.
–– Era! – eu disse sem pensar e todos me encaram. – Porque agora somos noivos. – eu consertei. Pedro pareceu aliviado.
–– Com licença, vou cumprimentar mais uns amigos. – Pedro disse, me tirando de lá. – Você quase estragou tudo. – ele me repreendeu.
–– Que pena. – eu debochei.
– Onde está me levando? – ele subia as escadas enquanto me puxava pelo braço.
A parte de cima era igualmente linda. O corredor era coberto por uma passadeira vermelha persa e nas paredes, quadros raros.
Pedro abriu a primeira porta e me fez entrar. Era um quarto, provavelmente um dos hóspedes, já que não era tão luxuoso.
–– Isso é sério, Karina. – ele disse batendo a porta. – Se você está pensando em estragar tudo, é melhor cair fora.
–– Ótimo. – eu fui em direção à porta.
–– Só pense em um jeito de me pagar tudo o que gastou hoje. – eu parei segurando a maçaneta. – Creio que não foi nada barato.
–– Eu devia saber. – virei-me para ele. – Você parece só ter ficado pior. – ele sorriu. Eu odiava quando ele sorria daquele jeito. Era uma mistura de sensualidade e maldade, que me deixava arrepiada.
–– Eu vou cumprir a minha parte, claro. Mas eu não sou idiota, então acho bom você cumprir a sua. – tive vontade de matá-lo.
–– Eu vou cumprir. – eu disse vencida, encostando-me à porta.
–– Que bom.
–– Pare de usar esse tom de ameaça. – eu fui em direção a ele, disposta a lhe dar uma bofetada na cara, mas ele segurou meu pulso e me puxou em direção ao seu corpo.
–– Ou o quê? – ele falou próximo de mim.
–– Me solta. – tentei empurrá-lo.
–– Você fica linda com raiva de mim. – ele beijou meu rosto.
–– Eu já disse! Me solta, Pedro! – ele curvou o corpo em minha direção e eu senti a respiração dele bater em meu rosto quando escutei a porta se abrir. Separamo-nos rapidamente.
–– Devia saber que estavam fazendo isso. – na porta, estava um sujeito de aparentemente trinta e seis anos de idade, que era muito semelhante a Pedro. O mesmo ar de sensualidade.
–– Tio Marcos... Não posso ter um momento de privacidade com a minha noiva? – Marcos riu. Depois, me olhou de cima a baixo, como se tivesse tirando cada peça de roupa que eu vestia. Pedro me abraçou pela cintura ao ver o olhar do tio.
–– Então essa é sua noiva? – ele se aproximou. – Belíssima. – ele pegou minha mão e a beijou, enquanto olhava em meus olhos. Simplesmente sexy aquele homem. – Não devia esperar menos de você, Pedro. – os dois se encararam por um longo tempo, até que Marcos desviou o olhar para mim. – Posso saber o seu nome?
–– Karina. – eu disse tentando aparentar tranqüilidade.
–– Marcos. – ele me olhou daquela maneira novamente. – Muito prazer. – eu sorri sem graça.
–– Será que você pode sair?! – Pedro me soltou e encaminhou o tio à porta. – Estamos ocupados agora, conversamos depois. – praticamente empurrou o Marcos para fora e fechou a porta passando a chave. – Inconveniente como sempre. – ele parecia irritado.
–– Esse é o tio que pode ficar com a sua herança? – sentei-me na cama.
–– É! – Marcos parecia ter o dom de deixar Pedro extremamente irritado. – Há anos ele quer assumir a empresa. Ele mal esperou meu pai ser enterrado e já queria assumir tudo.
–– Ele parece ser muito ambicioso mesmo. – espantei-me quando me dei conta que eu estava conversando com Pedro.
–– Principalmente com as coisas que me pertencem. – ele me encarou profundamente. – Não percebeu que ele estava tirando as suas roupas com os olhos?
–– Não. – eu menti. – Acho melhor voltarmos para a festa. – levantei-me e segui em direção à porta. – Você não vem?
–– Preciso ficar um pouco só.
–– Tudo bem.
(...)
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