A Aposta - Lonely Girl
21 Capitulo 21
Notas iniciais
Senti o corpo da pessoa prender o meu contra a parede, tentei soltar-me, mas a pessoa segurou meus pulsos a cima da minha cabeça. Meu coração disparou mais do que o susto de agora a pouco, um frio subiu por minha espinha. Debati-me quando senti os lábios de alguém sobre os meus com certa urgência. Por mais que eu lutasse menos eu conseguia sair dali.
Eu não sabia se era Enrique me beijando, ou até mesmo Pedro. Pelo medo eu não conseguia identificar se era os lábios de Pedro. Resolvi me acalmar, foi quando pude sentir aquele perfume, o perfume dele, Pedro. Tentei me soltar mais uma vez, mais uma vez ele me pressionou contra a parede.
Ele parou de me beijar tapando minha boca com uma das mãos. Minha respiração estava acelerada, eu podia sentir meu coração pulando pra fora do meu peito. Eu estava confusa, a namorada dele estava ali em algum lugar e ele me beijava assim. A cada dia ele me deixava mais confusa.
Ele me soltou, mas eu não me movi, minhas pernas não me obedeciam. Continuei ali tentando respirar, senti que eu ia cair quando ele me segurou e me beijou de novo. Dessa vez eu não lutei, eu deixei que ele me beijasse, mesmo sabendo que era errado. Eu precisava ter certeza que era ele, meio que sem pensar eu mordi os lábios dele até sentir o gosto de ferro. Ele se afastou de mim, o que me deu chances para correr. A adrenalina já fazia efeito, o que me fez ter forças para correr. Vi uma luz, corri rápido até lá e a atravessei respirando o ar da noite, eu havia conseguido sair dali.
(...)
–– Viu o Pedro? – Vicki me perguntou do lado de fora.
–– Não, me perdi dele lá dentro.
–– Vamos esperar no carro, ele nos acha lá. – Enrique nos deu a ideia.
Sentei-me em um banco enquanto Vicki e Enrique estavam conversando, eu estava perdida no meu mundo. Pensando no que havia acabado de acontecer. Senti um desespero me invadir com a possibilidade de não ser Pedro, qualquer um podia ter aquele perfume. Eu poderia ter acabado de beijar um estranho. Comecei a ficar apavorada, tive vontade de olhar a boca de todos os meninos do parque.
–– Finalmente. – escutei Vicki gritar. – Onde você estava?
–– Encontrei um amigo na saída, foi mal. – ele passou a mão no cabelo. – Então vamos?
–– A Ka pode ir com o Enrique.
–– Não. – Pedro disse calmo. – A mãe dela me mata. – ele tinha razão. – Vai ficar parada ai Ka? Nós estamos indo.
–– Ah... To indo.
Despedi-me de Enrique e entrei no carro esperando Vicki e Pedro. No caminho para casa eu estava totalmente absorta em pensamentos enquanto os dois conversavam. Finalmente me toquei que eu tinha que olhar os lábios de Pedro, de jeito disfarçado olhei pelo retrovisor, eu não vi nada. Fiquei desesperada, não era o Pedro.
–– Tudo bem Ka? – ele viu minha cara totalmente branca pelo retrovisor.
–– T-Tá sim...
Pedro deixou Vicki em casa primeiro, enquanto ele a acompanhava até a porta da casa eu continuava presa no meu mundo de gritar ‘NÃO PODE SER’.
–– Ka vem pra frente. – ele disse assim que entrou no carro. – Que aconteceu? Você ta aérea.
–– Nada. – desci do carro e fui pro banco do passageiro.
–– Gostou do passeio?
–– Sim. – forcei um sorriso.
Assim que Pedro parou o carro na frente de minha casa agradeci por já ser um pouco tarde, assim não teria todas os fofoqueiros na porta, mas não duvido nada se estiverem espiando pela janela de suas casas.
–– Tchau Pedro. – dei um beijo em seu rosto, quando estava voltando para a minha posição inicial eu vi. O canto do lábio dele estava machucado. – O que aconteceu com a sua boca?
–– Vicki é selvagem as vezes. – ele disse me olhando nos olhos, como se soubesse que eu sabia o que realmente tinha acontecido.
–– Ah... Toma cuidado.
–– Pode deixar. Da próxima vez eu a seguro direito. – ele estava claramente me desafiando.
(...)
O resto da semana foi totalmente normal, Pedro e eu fingíamos que nenhum tipo de beijo já havia acontecido entre nos. Até que estava me saindo bem, eu agia como se de fato nada houvesse acontecido. Eu sabia o que estávamos fazendo. Pedro Ramos e eu jogávamos um jogo. E eu gostava desse jogo. As vezes quando eu parava pra pensar, me sentia mal, mas ai eu via que tinha sido apenas dois beijos que nunca mais se repetiriam.
Na sexta Pedro estava estranho, estava muito calado.
–– Tudo bem Pedro? – eu finalmente perguntei.
–– Sim. Só uma dor de cabeça.
–– Quer alguma coisa? – eu nunca o via doente, fiquei preocupada.
–– Ta tudo bem Ka. – ele disse sorrindo.
(...)
Acordei na manhã seguinte com o telefone tocando, odiava quando isso acontecia, odeio ser acordada. Levantei-me e fui até o telefone pronta para matar quem estivesse do outro lado da linha.
–– Alô?! – disse mal humorada.
–– Ka? É a Delma. – por sorte eu não xinguei.
–– Oi Delma. Tudo bem?
–– Preciso de um favor seu.
–– Se estiver ao meu alcance.
–– Eu preciso muito ir até uma reunião e o Pedro está doente. – nessa hora me despertei do resto de sono que eu tinha. – Você pode ficar com ele aqui em casa? Eu não quero deixá-lo sozinho.
–– Agora?
–– Se não for incomodo.
–– Tudo bem. Eu só vou falar com a minha mãe e estou indo.
–– Obrigada querida.
Assim que Delma desligou liguei para a minha mãe contando tudo para ela e dizendo que eu precisaria ir pra lá, minha mãe concordou já que Pedro era meu melhor amigo, além do fato dele já ter ficado comigo quando precisei.
Tomei um banho rápido, coloquei um vestido e uma sapatilha peguei minha bolsa e saí de casa. Estava preocupada com Pedro, eu nunca tinha visto ele doente antes.
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