A Aposta - Lonely Girl
20 Capitulo 20
Notas iniciais
(...)
Joguei-me em minha cama assim que cheguei em casa. Fechei os olhos e imaginei a cena de Pedro ameaçando Josh. Não gosto de Josh, na verdade chego a odiá-lo, mas talvez Pedro tivesse passado dos limites. Quando ele me perguntou se eu estava com medo eu não consegui dizer nada, porque na verdade eu estava com medo, mas ao mesmo tempo eu senti uma sensação de alivio.
As 17h30min tomei um banho e coloquei um jeans, uma blusinha básica com um colete e uma sapatilha. Sentei-me no sofá e esperei que Pedro viesse me buscar para sair com ele e a namorada. Com certeza eu ficaria de vela, mas eu precisava fingir que nada havia acontecido.
Assim que Pedro chegou fui correndo até o portão, e minha surpresa foi que Vicki já estava com ele. Senti-me um nada perto dela, aquele cabelo e aquele sorriso perfeito, obvio que Pedro Ramos nunca a largaria por mim.
–– Ka! – ela me chamou, estranhamente gentil. – Eu chamei um amigo pra te fazer companhia. Não se importa, né?
–– Vicki como você fez isso? – Pedro a olhou enquanto parava no sinal vermelho.
–– Tudo bem Vicki. – eu olhei para Pedro pelo retrovisor. – Não me importo.
–– Que ótimo Ka. – ela sorriu.
Sabia que com certeza ela estaria me empurrando esse amigo por medo de eu roubar o Pedro dela, mas isso nunca aconteceria, o beijo que tivemos com certeza foi uma coisa estúpida para ele.
–– Faz tanto tempo que não vou a um parque. – ela disse animada.
–– É... – Pedro disse me encarando pelo retrovisor.
(...)
Quando chegamos no parque o amigo da Vicki já estava nos esperando. Devo dizer que o amigo da namorada do Pedro era bem bonito. Ele era ruivo, não um ruivo natural, o cabelo dele era de um vermelho escuro e os olhos eram escuros, agradeci mentalmente por Vicki ter escolhido bem.
–– Gostou Ka? – ela sussurrou para mim.
–– O que posso dizer...
–– Nem precisa. – eu começava a simpatizar com Vicki, apesar do fato dela namorar o meu melhor amigo que eu amava. – Ka esse aqui é o meu amigo Enrique.
–– Muito prazer. – ele me cumprimentou.
–– Prazer. – sorri de volta.
–– Então vamos, né? – Pedro disse puxando Vicki pra dentro do parque.
–– Oi pra você também Pedro.
–– Oi.
(...)
Vicki e Pedro foram para um lado do parque deixando Enrique e eu sozinhos. Conversamos bastante entre um brinquedo e outro, apesar de ser amigo da Vicki ele era bem simpático.
Apesar dessa vez Vicki ter me tratado bem eu ainda era desconfiada com ela, aquela primeira impressão havia sido forte, e eu não podia deixar de pensar que Enrique poderia ser um plano dela.
–– Você e o Pedro são muito amigos, não é? – ele perguntou-me na fila para comprar algodão-doce.
–– Sim, ele é como um irmão. – mentira. – E você e a Vicki?
–– É amiga, mas não vejo como irmã. A algum tempo a gente já até ficou. – apenas dei um sorriso sem graça. – Você e o Pedro não?
–– Claro que não. – me fingi de ofendida. Eu começava a ficar boa nessa coisa de mentir. – Por que acha isso?
–– Bem então ele é muito idiota, porque se você fosse minha amiga... – ele me olhou nos olhos e foi se aproximando, mas eu me afastei.
–– É nossa vez. – mudei de assunto.
(...)
Já era noite e o parque só começava a lotar ainda mais, Enrique e eu estávamos sentados em um banco conversando quando Pedro e Vicki chegaram.
–– Se divertiram? – Vicki perguntou com segundas intenções.
–– Muito. – Enrique respondeu olhando para mim. – Não é Ka?
–– Sim. – respondi também. Sei o que parecia, mas nem me importei.
–– Vamos na Casa mal-assombrada antes de irmos embora. – Pedro puxou Vicki. – Vocês também.
–– Sim senhor. – eu brinquei, ele me lançou um olhar de repreensão.
Ficamos um bom tempo na fila pra comprar ingresso e entrar no brinquedo. Assim que entramos Vicki grudou no braço do Pedro. Os primeiros metros tinham uma pouca iluminação, mas depois tudo ficou escuro eu não conseguia ver um palmo na minha frente.
–– Pedro... – ouvi Vicki praticamente gritar. – Cadê você? Alguém?
Eu a chamei, mas ela não escutou. Comecei a caminhar beirando a parede. Era só um brinquedo, mas mesmo assim eu sentia medo. Não sei como, mas todos nos havíamos nos separado. Depois de caminhar mais um pouco me deparei com uma garota me encarando a meia luz do lugar.
–– Mamãe? – ela me encarou. Meu coração ia sair pela boca. – Mamãe é má. – lembrei de tudo que é filme de terror que eu já tinha visto em minha vida. Dei alguns passos para trás e comecei a correr, novamente a luz fraca desapareceu e tudo ficou escuro.
Eu já havia parado de correr quando esbarrei em alguém. Fiquei com medo que fosse alguma das ‘surpresas’ daquele lugar, mas não era, era apenas mais um visitante.
–– Desculpe.
–– Finalmente te achei Ka. – era Enrique, senti-me aliviada.
–– Ainda bem, acabei de pegar um susto. – ele sorriu.
–– Vamos achar a saída.
Fomos andando lado a lado. Senti alguém segurar minha mão e me puxar com forçar para algum lugar me colocando contra a parede.
–– Enrique? – arrisquei.
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