A Aposta - Lonely Girl
18 Capitulo 18
Notas iniciais
Os olhos dele se focaram sobre os meus lábios, eu sentia-me confusa e encurralada, totalmente a mercê dele. Em minha mente aquilo só poderia ser um sonho, a qualquer momento eu ira acordar e me da conta que peguei no sono lendo o meu livro.
Ele mordeu o lábio inferior enquanto olhava para os meus lábios. Toda essa pausa estava me deixando louca, ele estava ali próximo de mim a ponto de me beijar, mas não fazia nada, apenas me olhava daquela maneira, era uma tortura. Pedro aproximou-se mais me empresando contra a cabeceira da cama, deixando-me totalmente sem espaço. A respiração quente e lenta dele batendo contra o meu rosto, soprando sobre os meus lábios era o maior devaneio que eu já havia tido.
Pensei que ele me beijaria, mas os lábios dele foram em direção ao meu ouvido, sussurrando ali.
–– Ka... – a voz dele era rouca. – Me desculpa. – Eu não consegui responder nada, eu estava meio que em estado de choque.
Pedro beijou de leve o lóbulo da minha orelha e foi beijando o meu rosto até chegar próximo dos meus lábios. Minha respiração estava pesada e meu rosto com certeza estava rubro. Com uma das mãos ele segurou meu rosto de leve e colocou os seus lábios sobre o meu, neste mesmo segundo eu senti como se uma descarga elétrica percorresse todo o meu corpo e uma euforia alucinante tomou conta de mim. Os lábios dele se moviam sobre os meus e ele acariciava meu rosto. Por fim ele se afastou alguns centímetros de mim, nossas respirações estavam descompassadas. Eu ofegava em busca de ar.
Ele tinha cabeça baixa enquanto respirava, as mãos apoiadas uma de cada lado do meu corpo, como uma cerca que me impedia de sair. Pedro levantou a cabeça e me encarou, notando o meu olhar confuso para ele. Abri a boca para falar-lhe algo mais fui calada por outro beijo dele, o corpo dele me imprensou com certa força me fazendo ofegar sob os lábios dele. Senti a língua dele pedir passagem, entreabri a boca deixando o caminho livre para ele.
Enquanto ele me beijava minha mente rodava. Pedro e eu estávamos ali nos beijando, e estava muito bom, era simplesmente melhor do que o que imaginei. Não entendi o porquê de ele ter me beijado, mais eu não conseguia parar.
Senti a mão dele entrar por debaixo da minha blusa me tocando, puxei a sua mão sem partir o beijo, senti-o rir entre o beijo. Os lábios de Pedro deixaram os meus lábios e passaram a me beijar o pescoço me fazendo apertar o lençol, novamente a mão dele tocou a barra da minha blusa e foi subindo lentamente. Tudo isso estava ficando fora de controle, era pra ser um beijo. Eu suspirei pesadamente com o toque da mão dele na minha pele. Finalmente me dei conta do que estávamos fazendo e o empurrei, o empurrei mais bruscamente do que eu queria.
–– O-O que nós... – eu sussurrei enquanto puxava ar. O olhar de Pedro dizia que não pensava que haveria toda aquela explosão de emoção.
–– Ka era pra eu ter só te dado um selinho. – ele parecia mais dizer pra ele mesmo do que para mim. De fato, os lábios dele tocaram o meu como um selinho, mas depois daquela corrente elétrica um beijo se formou ali. – Me desculpa eu sai do controle.
–– Eu também... – eu admiti.
–– Eu preciso ir embora. – ele se levantou.
–– Sim você precisa ir embora. – eu disse rápido.
–– Tchau Ka. – ele saiu do meu quarto rápido.
(...)
Fiquei a semana toda pensando no que havia acontecido entre mim e o Pedro, eu sabia que tinha sido real, mas mesmo assim ainda era difícil de acreditar. Pensei em ligar para ele, mas o que ele ia pensar? Preferi ficar na minha e deixar as coisas rolarem. Ele provavelmente devia estar com a namorada dele enquanto eu estou aqui deitada na cama no maior tédio.
–– Karina. – minha mãe entrou no meu quarto. – Eu não vou poder te levar amanhã no médico pra tirar a bota ortopédica.
–– Como eu vou só? – ela não estava querendo que eu fosse me arrastando, né?
–– A mãs do
Pedro se ofereceu para levar você. – CARALHO! Delma praticamente quer dizer Pedro. Não sei como vou olhar na cara dele. Bem eu posso agir como se nada tivesse acontecido. – Que cara é essa?
–– Nada. – menti. – Ela vem amanhã que horas?
–– À tarde. – mais tão de complô contra mim, à tarde Pedro não tem aula. – Obedece ela.
–– Eu sempre obedeço, mãe. – minha mãe fala como se eu fosse uma peste.
(...)
No dia seguinte depois do almoço coloquei um vestidinho e uma rasteirinha, sentei-me no sofá e esperei que dona Delma chegasse. Em minha cabeça se passavam milhares de coisas, Pedro me ignorando, Pedro correndo pra mim e me beijando e Pedro foi estudar fora. Todas elas me deixavam tensa.
Escutei o carro da Delma buzinar no portão da minha casa, peguei minha chave e fui até o portão. Ela muito prestativa me ajudou a entrar no carro.
–– Delma muito obrigada por me levar. – eu disse sorrindo.
–– Que é isso Ka, nem tem que agradecer. – ela deu a partida do carro. – Só tenho que passar em casa antes, o Pedro vai acompanhar você. – engoli a seco, senti que eu ia desmaiar. Ela percebeu, pois viu meu rosto ficar pálido. – Algum problema?
–– Não. – sorriso mais forçado da minha vida.
Delma teve que ir a casa deles buscar Pedro. Quando ele entrou no carro, parece que o segundo durou duas horas.
–– Oi Ka. – ele disse de forma formal.
–– Oi Pedro. – eu respondi do mesmo jeito.
–– Eu vou deixar vocês aqui. – Delma parou o carro na frente do hospital. – Liga pro motorista vir buscar vocês Pedro. – ele apenas disse um ‘tá’.
Ficamos calados o tempo todo, Pedro falou com a recepcionista que disse pra gente esperar na sala de espera. Quando nos sentamos eu peguei uma revista e fingi que estava lendo, ele ficou olhando o teto como se fosse a coisa mais interessante do mundo.
–– Karina... – escutei alguém chamar meu nome, quando olhei para quem me chamava meu queixo simplesmente caiu. Era o médico, e que médico. Era bem jovem, ao contrario dos médicos que conheci que eram bem velhos.
–– Ta babando Ka. – Pedro disse de forma seca.
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