A Aposta - Lonely Girl
17 Capitulo 17
Notas iniciais
–– Quer saber eu não vou, EU FICO. – Vicki desafiou. – E vou te dar um presente também Ka. – ela veio até mim e me empurrou com força, me desequilibrei e cai sentada na grama.
–– Vicki já chega. VAI EMBORA AGORA. – Pedro segurou no braço dela e a arrastou para o portão com o intuito de fazê-la sair.
Permaneci sentada na grama sem entender o que tinha acontecido. Por que toda aquela fúria dela se eu e Pedro estávamos apenas conversando? Certo que quando ela chegou estávamos nos olhando, mas eu não podia fechar meus olhos.
Já abalada lagrimas desceram por meu rosto, Delma abaixou-se perto de mim para tentar me acalmar um pouco. Eu tentava parar as lagrimas, mas parecia que eu estáva vazando sem parar.
–– Não acredito que a Vicki fez isso. – ela me entregava um lenço. – Você machucou querida? – eu fiz que não com a cabeça. Nesse momento Pedro voltou, ele estava meio alterado pela a cena da namorada. – Pedro leva a Ka pra dentro.
–– N-Não precisa Delma. – Pedro não respondeu nada, só se abaixou até mim e me levantou bruscamente do chão me pegando em seus braços.
–– Eu vou fazer um chá, nós todos estamos precisando. – ela saiu praticamente correndo para dentro da casa, provavelmente em direção a cozinha.
Pedro me levou pro quarto dele e me colocou sentada na cama, a essa altura eu já havia cessado totalmente as lagrimas que havia insistido em cair. Pedro sentou-se ao meu lado calado, parecia está perdido em seus pensamentos.
–– Pedro... – ele me olhou. – Desculpe. – foi tudo o que eu consegui dizer. Ele parecia sofrer com a briga. – A culpa foi minha.
–– Você não teve culpa de nada. – ele olhou para outro lado. – Talvez eu tenha culpa... – ele falou tão baixo que eu mal pude ouvir.
–– O quê?
–– Nada. – ele suspirou. – Se machucou?
–– Não. – eu tentei rir. – Sua namorada é forte. – eu tentei fazer uma piada, mas não deu muito certo. – Desculpe.
–– É melhor eu te levar para casa, eu preciso falar com a Vicki. – quando ele disse isso senti que um buraco havia se aberto aos meus pés e ele tinha me empurrado para dentro. – Explicar tudo.
–– Claro. – mesmo depois do barraco que ela deu ele ia atrás dela, novamente aquele buraco no meio peito doeu. Por que eu não fazia o fácil? Afastar-me dele e esquecê-lo de vez. – É melhor vocês conversarem mesmo. – eu dei um sorriso fraco.
(...)
Quando eu cheguei em casa minha mãe já estava lá, tive que contar tudo pra ela. Contei como tinha sido legal na casa do Pedro e como a casa dele era simplesmente linda, contei o que tinha acontecido com a namorada do Pedro, lógico que omiti certas partes.
No resto da semana eu não vi o Pedro, todos os dias quem trazia o meu dever de casa era um motorista da família deles. Minha mãe tentava me animar dizendo que ele devia estar ocupado com a escola, mas era obvio que ele estava me evitando, de novo.
Eu não havia feito nada de errado. Quem ele devia está evitando era a Vicki que fez tudo de errado e pelo contrario está bem melhor do que eu. Tive vontade de ligar para o Pedro e dizer o quanto ele é idiota e o quanto eu quero que ele morra, mas não consegui fazer isso.
(...)
Pedro Narrando ON:.
Vicki fez o maior barraco quando me viu com a Ka. Ela é ciumenta, mas nunca tinha reagido assim antes. Eu já havia falado da Ka diversas vezes para ela, ela sabia que era minha amiga e mesmo assim fez todo aquele escândalo. Na hora meu sangue ferveu quando ela empurrou a Ka daquele jeito no chão, tudo que me veio à cabeça foi mandar ela embora e resolver tudo mais tarde.
Eu não sabia o que falar para a Karina, até acho que de certa forma fui meio grosso com ela, mas ela parecia nunca se importar com as minhas besteiras. Foi capaz de me perdoar até depois daquele dia que eu fui a casa dela bêbado e quase a forcei, nem eu me perdou até hoje, mas ela me perdoou.
Depois que deixei a Ka em casa fui até a casa da Vicki. Ela quase não me deixa entrar, mas depois de insistir consegui falar com ela.
–– Agora você vem, não é? – ela batia o pé. – Eu devia te mandar embora. – ela ironizou.
–– Vicki você estava alterada naquela hora, não tinha a mínima condição de uma conversa. – permaneci em pé enquanto ela se jogou no sofá do quarto dela. – Você sabe muito bem que entre eu e a Ka só existe amizade, não precisava ter tratado ela daquele jeito.
–– Eu não sei disso Pedro. – ela me olhou. – Eu vi o jeito que vocês estavam se olhando. Tem certeza que só tem amizade?
–– Claro! – eu disse aparentemente convicto, mas eu não tenho certeza disso. Às vezes quando eu estou com a Karina eu tenho vontade de beijá-la, não beijá-la no rosto, mas nos lábios. Ela é muito bonita, legal, me escuta, talvez por isso às vezes eu sinta isso. – Você sabe que eu gosto de você. – por que dessa vez eu não disse que amo?
–– Certo Pedro. – ela veio até mim e me beijou. – Eu te perdôo, mas com uma condição.
–– Qual?
–– Que por essa semana você seja só meu. Nada de Karina, só eu e você. – conhecendo Vicki isso implicava em um começo de nunca ver mais a Ka, mas eu cumpriria por essa semana, pelo o meu amor, Vicki.
–– Tudo bem. Só eu e você.
Ela começou a me beijar, eu gostava de beijar a Vicki, sem falar que ela na cama era muito boa. E nossa reconciliação aparentemente vai para esse caminho, a cama.
(...)
Durante toda a semana eu nem se quer falei com a Ka, eu tinha vontade ligar, mas eu havia prometido para a Vicki. Ela bem que podia ligar para mim também, mas o celular não tocou nem uma vez, isso meio que me deixou frustrado. Ela não sentia minha falta?
Todos as tarde eu passava com a Vicki e a noite nos saímos para alguma festá. Às vezes eu achava o assunto da Vicki meio chato, mas eu fingia que estava interessado e a escutando enquanto eu pensava em outra coisa, eu pensava nela. A imagem dela dormindo na cama segurando um livro me vinha à cabeça e eu tinha vontade de ligar pra ela de ir vê-la. Às vezes quando eu fazia sexo com a Vicki eu imaginava a Ka no lugar da Vicki. Eu queria me matar por isso, que amigo eu sou que fico pensando nela ali naquele lugar? Com que cara eu ia olhar pra ela?
Isso tudo começou depois que eu parei de falar com ela, seria algum tipo magia negra que não a fazia sair da minha cabeça? Eu estava pirando, literalmente ficando louco. Eu precisava tirar essa confusão da minha cabeça.
–– Pedro? – Vicki balançou a mão na minha frente. – Ta me escutando?
–– To sim. – eu menti descaradamente. – É verde.
–– To vendo como está escutando. – ela ironizou. – Eu vou para a minha casa, minha tia chegou de viajem, vou ter que receber ela.
–– Ah ta. Tudo bem. – parece que eu só sei falar isso. – Depois me liga.
–– Eu ligo. – ela me deu um beijo e saiu do meu quarto.
(...)
:Ka Narrando ON:.
Saí do banho e coloquei uma blusinha de alça e o short do meu pijama que era bem folgadinho, soltei o cabelo e passei os meus cremes. Peguei o meu livro e arrumei a cama com o travesseiro encostado no espelho da mesma de forma que eu ficasse meio que sentada/deitada. Já era umas 21h00min e por milagre que pareça já começava a ficar com sono, mas resolvi não dormir e ficar lendo.
–– Filha. – minha mãe abriu a porta do quarto, sem bater como sempre. – Eu vou à casa da Mariah. – Mariah era uma vizinha que morava aqui perto, uma das poucas que se salvava nessa rua. – Daqui a pouco eu volto.
–– Ta bom.
Ouvi o portão bater e voltei a ler, eu até que gostava de ficar só em casa. Quando minha mãe saia eu colocava o som alto e ficava cantando, às vezes me empolgava e saia dançando, o que não dava para fazer hoje já que eu ainda tinha a perna na bota ortopédica.
Eu estava com o rosto praticamente enfiado dentro do livro quando escutei a porta se abrir de leve, levantei o rosto.
–– Pedro?! – minha voz saiu surpresa. – O-O que está fazendo aqui? Como você entrou? – as palavras saíram rápido dos meus lábios.
–– Sua mãe me deixou entrar, ela estava saindo quando eu cheguei. – ele disse passando a mão no cabelo como se estivesse sem graça, meu ar faltou. Eu estava conseguindo esquecê-lo, mas agora com ele ali na minha frente, tão lindo, uma blusa básica e jeans e all star.
–– Ah ta. – eu fechei o livro e coloquei do meu lado. – Você sumiu. – primeira coisa que veio na minha mente.
–– Você não me ligou. – ele devolveu.
–– Achei que estaria ocupado depois do que aconteceu. – ele veio até mim e sentou-se ao meu lado na cama de frente para mim me encarando. – Meu rosto está sujo? – eu disse passando a mão sobre os meus lábios, o que o fez olhar para o lugar onde meus dedos pousavam. Foi um ato descuidado meu ficar passando as mãos nos lábios, ele podia interpretar de outro jeito. Coloquei as mãos ao meu lado rápido.
–– Que livro é esse? – ele se esticou um pouco para pegar o livro do meu lado, me fazendo recuar para trás para evitar o provável contato. – Legal. – ele disse simplesmente lendo o titulo.
–– Você não disse o que veio fazer aqui. – eu to doida?
–– Não posso mais ver a minha amiga? – os olhos dele me encararam de tal forma que eu senti o ar ser puxado dos meus pulmões de uma só vez.
–– Você sumiu essa semana toda, pensei que sei lá, estivesse chateado comigo. – olhei para as minhas mãos, agora pousadas sobre o meu colo.
–– Foi mal, eu estava meio ocupado. – ele sorriu. – Só um minuto Ka. – ele pegou o Iphone do bolso da calça e desligou o guardando novamente. – Eu só tive tempo hoje.
–– Acho que estou acostumada com isso. – eu disse de forma triste, o que ele notou, pois a sua expressão mudou.
–– Desculpe por isso. – notei que ele estava um pouco inquieto.
(...)
–– Está tudo bem Pedro? – eu disse pegando o livro de suas mãos e o colocando ao meu lado.
–– Foi isso que eu vim descobrir.
–– Como assim...?
–– Eu quero te perguntar uma coisa.
–– Pode perguntar.
–– Posso fazer um teste? – Pedro disse chegando mais perto de mim a ponto de estar praticamente sentado no mesmo nível que eu da cama, senti o meu espaço ser invadido por ele. Encolhi-me contra o cabeceira da cama buscando espaço que era tomado cada vez mais por ele. Coloquei a mão contra o seu peito na tentativa de fazê-lo parar de se aproximar tanto. – Eu só quero testar Ka. – ele sussurrou. O hálito suave dele entrou por minhas narinas me deixando fraca, sem nenhuma reação.
–– Pedro, o-o que... – eu gaguejei enquanto buscava mais ar.
–– Shii...
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