A Aposta - Lonely Girl
13 Capitulo 13
Notas iniciais
(...)
–– Vem Ka. – ele me ajudava a descer do carro.
Assim que desci fiquei estática, ele não podia ter me levado para aquele hospital. O hospital em que estávamos era simplesmente o melhor da cidade, eu não poderia pagar aquele hospital.
–– Pedro eu não posso pagar esse hospital, me leva para um hospital publico.
–– Claro que não. Eu te trouxe aqui porque eu vou pagar. – ele fez cara de obvio.
–– Não posso aceitar.
–– Deixa de besteira, nós somos... – ele não continuou.
–– Amigos? – completei.
–– Acho que eu não devo mais ser isso para você.
–– Não devia. Mais mesmo depois de tudo eu te considero meu amigo ainda. – um sorriso se abriu no rosto dele.
–– Então não reclama. – ele me apoiou nele, me levando para dentro do hospital.
–– Mas Pedro...
–– Nada de ‘mas’.
(...)
Eu estava sentada em uma maca em um dos quartos, aquele hospital tinha um ambiente muito diferente dos hospitais públicos. Tudo estava bem decorado e harmonioso.
O médico já havia me atendido, eu não havia quebrado o pé só havia tido uma torção grave no tornozelo, o que me deixaria andando de muletas por algumas semanas. Colocaram-me uma bota ortopédica já que não era o caso de fratura, agradeci mentalmente por não ter que usar um gesso. Pedro e eu mentimos que eu havia caído e torcido o pé, o médico desconfiou um pouco mais não questionou.
–– Bem... – o médico entrou no quarto acompanhado por Pedro. – Você não pode fazer muito esforço para não piorar isso, daqui umas três semanas deve estar recuperada.
–– Doutor pode me dar um atestado? – Pedro perguntou ao médico.
–– Claro, vou pegar um atestado pra sua namorada. – minha face ficou rubra instantaneamente.
–– Na verdade ela é minha amiga. – Pedro o corrigiu.
–– Ah desculpe. Eu vou buscar o atestado. – ele saiu do quarto deixando-nos a sós.
Pedro sentou-se na maca ao meu lado olhando-me intensamente, quando os olhos dele estavam sobre mim eu sentia como se uma descarga elétrica atravessasse todo o meu corpo, também sentia toda a minha pele queimar como brasa.
–– O que foi? – perguntei sem graça.
–– Tem certeza que não quer contar a verdade? – ele segurou minha mão.
–– Sim, é melhor assim. – abaixei a cabeça.
–– Se você quer assim. – senti os dedos dele acariciar a minha mão, aquilo me tirou o ar. – está se sentindo melhor?
–– Sim. Obrigada Pedro, por tudo. – ele passou a mão no meu cabelo.
–– Aqui está o atestado. – Pedro deu um pulo pra longe de mim. – Eu atrapalhei, Bem o atestado está aqui. – ele entregou nas mãos do Pedro. – Você já pode ir para casa.
–– Obrigada doutor. – Pedro me ajudou a descer da maca e depois me entregou duas muletas daquelas curtas que apoia no cotovelo.
Consegui ir caminhando para o carro, mas meu tornozelo ainda doía mesmo imobilizado. Pedro me levou para casa, assim que ele parou o carro metade da rua ficou olhando. Todos comentavam do carro, do Pedro, o que estávamos fazendo juntos e porque eu estava com a perna imobilizada. Simplesmente todos ali eram fofoqueiros.
–– O QUE ACOTNECEU? – minha mãe veio correndo, eu havia esquecido que ela estava de folga.
–– Calma mãe. – sentei-me em uma cadeira. – Eu caí e torci o tornozelo, o Pedro me levou para o hospital.
–– Foi isso mesmo tia. – ele deu um sorriso. – Não foi nada grave, só torceu o tornozelo mesmo.
–– Você é muito desastrada filha, por sorte o Pedro estava por lá pra te ajudar.
–– Eu peguei um atestado pra ela, vou deixar no colégio. O médico disse que era pra ela não ir pro colégio. – na verdade ele não disse isso, mas ele adivinhou muito bem que eu não poderia ir assim. Já era difícil com duas pernas boas, imagina com uma ruim? – Eu vou trazer os exercícios pra ela todo dia também.
–– Muito obrigada Pedro por cuidar dela. – minha mãe sempre gostou do Pedro, desde o dia que eu os apresentei.
“–– Esse bolo está muito bom. – Pedro dizia enquanto comia o segundo pedaço de bolo de chocolate da minha mãe. – Minha mãe também gosta de cozinhar, se eu falar desse bolo ela vai querer vir aqui pra aprender como faz.
–– Eu ensino ela sim, a gente podia marcar um dia. – minha mãe respondeu.
–– Claro, eu falo pra ela. – ele terminou de comer o bolo.
–– Bem que a Karina me falou que você era bonito.
–– Mãee!! – eu não sabia onde enfiar a cabeça. Pedro apenas sorriu.”
–– Bem eu tenho que ir agora, mas eu volto amanhã. – ele me deu um beijo na testa. Minha mãe o acompanhou até o portão.
(...)
Minha mãe me encheu de perguntas de como aquilo tinha acontecido, eu disse que o chão da escola estava molhado e eu tinha escorregado e batido com tudo no chão. Precisei fingir bem pra que ela acreditasse, por fim ela me deixou no meu quarto em paz.
Coloquei um travesseiro em baixo da minha perna imobilizada e outros travesseiros pra me apoiar de forma que eu ficasse meio que sentada na cama. Aquela posição me relaxou, peguei um livro e comecei a ler, eu queria esquecer certas cenas que insistiam em voltar a minha mente. Acabei adormecendo com o livro no meu colo.
–– Eu vou pedir mais uns dias de folga. – minha mãe andava pelo quarto. – Não posso te deixar aqui sozinha.
–– Não mãe, eu vou ficar bem. – eu disse pela milésima vez. – Vão acabar te demitindo assim, pode ir trabalhar sossegada. Eu sei me cuidar.
–– Última vez que você falou isso acabou com a perna quase quebrada.
–– Tenso. – ela saiu do quarto com o celular na mão.
Peguei o meu livro de novo enquanto ela falava não sei com quem no celular, nem me importei, ela teria que ir trabalhar mesmo.
(... )
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