A Aposta

5 Um dia com ele - 1 Parte.


Narrado por Justin MacCan:

Onde que fui me meter? Que enrascada! Da próxima vez que eu fizer alguma coisa, vou pensar duas vezes. Olhei no relógio e eram quatro e meia da tarde. A rua estava vazia e um pouco assustadora, confesso; mas e dai? Se eu estou aqui, a culpa é toda minha, pra que fui aceitar essa droga de aposta? Mas agora é tarde demais para voltar atrás, preciso fazer tudo certinho.

Andei até a frente de uma casa grande e branca. Era a casa da Gabriella. fui rapidamente até a porta e toquei a campainha. Uma vez, duas vezes... até que na terceira vez que toco, a porta abre. Era uma moça, provavelmente uma empregada ou algo assim, dava para perceber por causa da roupa que vestia.

– Com quem deseja falar? – perguntou séria.

– É... Com a Gabriella. Ela mora ai, né?

– Ah sim – ela disse meio surpresa, me olhou dos pés a cabeça. – Você deve ser o... Jortin, Jasten...

– Justin MacCan. – falei e sorri.

– Ah é verdade, lembrei. – ela sorriu. – Ora, entre! – ela abriu espaço e eu entrei. Até que a casa era bem bonita e arrumada. Pude escutar o barulho da porta fechando. – Fique a vontade! – ela disse sendo simpática. – Nossa, ela tinha razão, você é bonito mesmo... – falou num tom de voz baixo, mas eu escutei mesmo assim. Ri rapidamente. – Ops, acho que já falei demais. A Gabi está logo ali no jardim, está tomando banho de piscina, mas tenho certeza que não se incomodará em te receber. – ela sorriu. – Fica por ali, pode ir lá. – apontou para uma porta grande de vidro.

– Obrigado. – fui até a porta e a empurrei. Que jardim enorme! E bonito também, várias flores e árvores. Aposto que é mais bonito ainda durante a noite, quando as estrelas surgem.

De longe avistei uma churrasqueira e uma piscina, onde ela certamente estava. Fui me aproximando e nada de ela perceber que eu estava ali. Conforme me aproximei, pude perceber que ela estava dentro da piscina, mas estava deitada em uma dessas boias que parecem camas. Fui me aproximando cada vez mais, cada vez chegando mais perto, até que estava em pé na beira da piscina. E nada da Gabi notar a minha presença. Pelo contrário, continuava deitada naquela boia. Usava óculos escuros, então não consegui ver se estava dormindo ou coisa parecida. Eu não queria acordá-la e nem nada do tipo, então fiquei apreciando o corpo dela por alguns minutos. É, o Max tem razão, o corpo dela é bonito mesmo. Ela é gostosa. Resolvi falar alguma coisa.

– Aula de canto, né? – sorri. Ela tirou os óculos de sol, inclinou um pouco a cabeça e, logo em seguida, virou junto com a boia. – Está tudo bem? – perguntei assim que ela saiu debaixo d’água.

– J... Jus... Just... – tentou falar.

– Justin? – ri. – É sou eu mesmo, por quê?

– Nada, só me assustei – falou normalmente. — Pera, o que você está fazendo aqui?

– Ué, eu disse que iria até a sua casa te buscar se fosse preciso.

– E como você descobriu que moro aqui?

– Eu te segui na saída da escola – dei uma risadinha rápida. Ela nadou até a beira da piscina e saiu da água, ficando de frente comigo.

– Você é maluco. – se inclinou até uma mesa que estava perto da gente para pegar uma toalha.

– Pensei que fosse encontrar você e seu professor de canto por aqui.

– Ele ligou mais cedo, está com um problema de garganta. E também, a aula seria mais tarde, lá pras seis horas.

– Melhor ainda! – sorri. A olhei dos pés a cabeça. – Hmm você é muito gostosa – ri. Não me controlei, precisei falar isso.

– Cala a boca, Justin! – falou brincando e me deu um tapa no ombro. Rimos.

– Ai, doeu! – falei rindo. – Só por que falo a verdade, eu apanho! Pode isso?

– Pode não, deve! Ah, e era para doer mesmo! – brincou. Ela estava mais bonita com o cabelo molhado e sem os óculos, e ainda com esse corpo. Estava mesmo bonita. — Você é muito idiota, sabia? Mal me conhece e já vem cheio de intimidade.

– Ué, só falei o que é óbvio no momento. Ah, vim te buscar para ir ao cinema comigo.

– Que pena, pois eu não vou a lugar algum.

– Por que não?

– Por que está muito calor para ir ao cinema... Já sei, tive uma ideia! — falou entusiasmada.

– O que? – perguntei curioso.

– Tira as coisas de valor do seu bolso. – sem debater, coloquei a mão no bolso da minha bermuda e retirei o meu celular e também meu dinheiro e coloquei tudo encima de uma mesa que estava próxima a nós dois.

– E agora? – perguntei sem entender nada. Ela me empurrou para dentro da piscina, cai com tudo na água. O pior é que eu não estava esperando isso, quase me afoguei. Levantei, ainda dentro da piscina, e peguei fôlego. Gabi estava rindo da minha cara bem do lado de fora da piscina. – Você é doida! – falei e ri.

– Não sou eu que sigo pessoas quando estão indo embora da escola. Ver a cara que você fez quando caíu na água não tem preço. – ela ria de mim.

– Aé? – nadei até a beira da piscina e sai de lá. – Muito engraçado né Dona Gabriella Lopez! – andei até ela e a peguei no colo.

– Me solta Justin, me solta! – ela gritava em meio a risos. Corri com tudo e dei um pulo dentro da piscina. Caímos um por cima do outro, quase nos afogamos. Quando saímos debaixo d’água, continuávamos rindo.

– Acho que engoli um litro d’água. – ela disse em meio a risos. Nossas faces estavam próximas uma da outra. Por um momento eu não consegui parar de olhar para a boca dela, não consegui pensar em mais nada, a não ser em beijá-la. Fomos parando de rir aos poucos e ficamos em silêncio. Fui me aproximando cada vez mais, mas notei que ela se afastava, até que ficou encostada em um dos cantos da piscina. Não tinha mais saída. Aproximei mais um pouco o meu rosto do dela e coloquei uma de minhas mãos na sua cintura, fazendo o corpo dela ir de encontro ao meu. Pressionei o corpo dela contra o meu. Estávamos tão próximos que eu conseguia sentir sua respiração. Os nossos lábios estavam quase se tocando, até que ela desviou o rosto e me empurrou, depois mergulhou e nadou até uma parte da piscina.

– Venha me pegar se conseguir. – falou com uma voz de safadinha e riu. Ri e fui atrás dela.