A Anbu
21 Uzumaki Kumiko, lider da Raiz
Notas iniciais
Keiko estava ajoelhada, com uma capa negra e a máscara de ANBU, junto com tantos outros NE. Eles se conheciam, de missões, mas não conheciam os rostos um dos outros. Não conheciam suas histórias, personalidades e como cada um acabara ali. Eram uma facção de estranhos condicionados a matar sem pestanejar. Perante eles, estava Danzou sentado em sua poltrona. Ele observava as raízes que ele cultivara cuidadosamente por tanto tempo.
— A essência de um ninja é agir por trás das cenas. Contudo, em certos momentos, um homem que trabalha nas sombras deve aparecer para o mundo. Para mim, esse momento chegou. Meu trabalho com as sombras esta encerrado, contudo as sombras precisam existir. Irei necessitar da Raiz que construí. Espero poder contar com sua lealdade. – Dizia Danzou a eles, como se qualquer um ali naquele cômodo soubesse fazer mais com a própria vida do que viver pela NE.
— Hai! – disseram em uníssono. Keiko permaneceu em silêncio, calma, pois seu papel ali era outro. – Agora serei o Hokage de Konoha, mas a raiz permanecerá em meu suporte com outra pessoa ficará como líder da organização. Alguém que passará todas as minhas ordens e dará as suas. – disse Danzou. Todos permaneceram em silêncio. Mudança de direção não era algo comum a NE, mas, sendo um deles, todos compartilhavam ideologia. – Nenhum de vocês sabe o verdadeiro nome dela e alguns poucos a conhecem pela alcunha que ganhou na organização. Ela é apenas conhecida como o Trovão Sangrento da Raiz, a assassina silenciosa. Keiko, levante–se. Mostre seu rosto.
Keiko respirou fundo e se levantou. Ela estava na primeira fileira. Todos eles ergueram levemente a cabeça para ver quem se ergueu. Os cabelos vermelhos eram vistos pelas suas costas e, por entre os corredores, a maioria já vira a figura mascarada de cabelos vermelhos que trazia consigo uma das listas mais sangrentas da organização. O Trovão Sangrento, de fato, pois onde seu som ressoara um caminho de sangue ficara para trás. Depois que sua luz se apagava e que o som se dissipava, o único rastro era o sangue. Não havia forma de descobrir quem era, pois Keiko sempre fora a melhor dentre eles.
— Danzou–sama. – soou pela sala uma voz delicada de mulher, suave, porém com uma frieza gigantesca.
Eles podiam sentir na pele a frieza que aquela mulher exalava. A presença dela se tornou pesada conforme ela deixava de ocultar seu chakra e sua capacidade. Aqueles de menor ranking se sentiam imobilizados e aqueles de maior podiam compreender que o líder não escolhera levianamente alguém para ser sua marionete na liderança. Ele escolhera alguém capaz de proteger a Raíz e de coordena–los.
A mulher retirou a mascara do rosto, mas, de costas, ainda não podiam observa–la. Apenas Danzou olhava–a diretamente no rosto.
— Keiko chegou a NE sob outro nome, abdicou dele e passou por todo o treinamento padrão. Como todos vocês. Contudo, eu tomei–a sob minha tutela particular e prossegui com seu treinamento por reconhecer o potencial para esse momento. Agora, ela liderará todos vocês. Conheçam o novo rosto a quem irão responder. – Declarou o homem aos subordinados, então ela se virou.Todos, sem exceção, tiveram ao menos um pouco de surpresa. Era uma adolescente, uma garota de no máximo dezesseis anos. Olhos azuis–violeta e cabelos cor de sangue. Sua pele era clara e suas feições pareciam de boneca. Era linda, de fato, só que a frieza exposta naqueles olhos os deixou tão subjugados quanto Danzou costumava. A garota se portava com autoridade.
— As informações sobre ela também são secretas, portanto o mesmo que ocorre sobre mim se estenderá a ela. O selo de vocês já a reconhece como líder. Por isso, deixarei que ela diga seu verdadeiro nome e passe a se dirigir a vocês diretamente. Reportem–se a ela, já que saberão como encontra–la. – disse Danzou com um sorriso meio cruel.
Era absurdo, é claro, que nenhum deles tivesse o controle sobre o que dizia. Sem que soubessem, foram amarrados por outra pessoa. Aquela garota, que alguns foram em missão quando ela se apresentava sob o nome falso de Keiko, agora os dominava completamente como Danzou fizera. Não parecia ter nenhum tipo de deleite em seu rosto e sua voz soou inflexível quando começou a falar.
— Me chamo Uzumaki Kumiko. Fora daqui, meu nome não é um grande segredo, muitos já o conhecem. Sou irmã gêmea do jinchuuriki da Kyuubi e moro no complexo Uzumaki fora dos limites da cidade com meu irmão e minha discípula. Estarei no subterrâneo, mas poderão me encontrar lá também em alguma emergência tal faziam com Danzou–sama. Tenham compreensão de que manterei o mesmo regime que Danzou–sama criou para a NE. Não tornarei nada mais fácil ou brando. Nós somos as Raízes de Konoha. Não podemos cometer erros e a minha tolerância a eles será nula. – Sua voz era inflexível, mas fria e autoridade. Jovem, certamente, mas nenhum dos ninjas ajoelhados duvidou de suas palavras.
A nova liderança era, de fato, alguém a se temer.
[...]
— Keiko, venha comigo. – Danzou chamou–a após a dispensa dos membros da NE.
Segui–o silenciosamente. Envergava novamente sua máscara e sua capa preta. Ela só usava uma branca quando ia a missões como líder, o que era quase sempre. Eles foram até a tenda da Hokage, com dois guardas de Kumogakure na frente.
— Vocês não podem entrar. Estamos resolvendo assuntos com a Hokage. – disse uma mulher com arrogância.
— Danzou–sama é o novo Hokage. Senju Tsunade está em coma e incapaz de exercer suas responsabilidades. – Disse Keiko retrucou em tom baixo. Sua voz soava numa serenidade indiferente e cortante.
Uma mulher de Kumogakure disse algo em voz baixa, então eles anuíram à passagem. Danzou, é claro, não gostou de apenas a palavra deles não bastar e nem da interferência externa de Kumogakure.
— Essa mulher não é mais a Hokage! – Declarou Danzou, assim que ele e seus três guardas estavam dentro. Keiko e os outros dois mantiveram certa distância em sinal de respeito. – Eu sou o novo Hokage, o sexto. Esta carta pertence as minhas mãos.
A mulher loira de Kumo parecia desconfiada, e Shizune observava com obvio espanto. Não deveria, obviamente. Tsunade sabia quem ela era, e o que esperar de uma pessoa como ela. Isso era o mesmo, senão pior, para pessoas como Danzou. Shizune não se acostumara ainda? Seus olhos passaram por Tsunade, sabendo que possuía poder para utilizar o jutsu de reanimação e acorda–la, mas isso seria extremamente inconveniente para aquele momento.
— O que foi? O Raikage não deseja uma resposta? – Pressionou Danzou.
A mulher estendeu a carta, e Keiko foi quem a pegou, abrindo–a e entregando–a a Danzou.
Danzou leu tudo devagar, e Keiko sentia que era algo importante, mas estava incapacitada de ler daquele local. Envergava sua mascara, mas não confiava na desatenção de todos aqueles ninjas para utilizar o Rinnegan e nem que Danzou não perceberia.
— Qual é a sua resposta? – perguntou a mulher loira.
— Declaro Uchiha Sasuke um Nukenin! Concedo permissão para que ele seja caçado. – Declarou Danzou, olhando seriamente para ela e depois desviando o olhar para Keiko. A garota abaixou o capuz e retirou a mascara.
— Keiko–san! – Reconheceu assustada. Keiko encarou Danzou aguardando o movimento seguinte.
— O que acha da decisão, Keiko? – Perguntou ele e estendeu a carta a ela. Aquilo era um reconhecimento de sua posição, a motivação pela qual ela se mantivera tantos anos leal e matara sem hesitação.
Aquele tipo de vantagem era necessária. Seus olhos percorreram a carta, compreendendo o maldito grau que Uchiha Sasuke chegara e se questionou o que o levara aquilo. Pouco sentido havia no rapaz ingressar a mesma organização que abrigara o irmão que ele odiara e executara. Agora, ele era como Itachi fora. Se fosse o nome de Itachi ali ela não teria hesitado, pois era seu papel dentro daquele plano. Então, igualmente agiu sobre seu irmão.
— Concordo com sua decisão, Danzou–sama. Esse homem já deveria ter sido declarado um Nukenin há muito tempo. – Murmurou calmamente. Danzou sorriu e a mulher loira parecia satisfeita.
— Vamos, então. Temos que esperar Sai voltar. – disse Danzou a Keiko enquanto a garota envergava a mascara novamente sob o olhar horrorizado de Shizune.
[...]
Danzou estava sentado no centro do longo sofá que havia na sua tenda. Keiko estava sentada no braço do sofá, usando uma calça preta longa e um colete chuunin, com uma blusa de rede preta por baixo. Sai estava ajoelhado em frente a Danzou. Ele já deduzira o que estava ocorrendo pelo modo como Keiko se portava perto de Danzou e aquilo era, indubitavelmente, uma vitória da garota que Danzou não fazia ideia de que concedera.
— O senhor queria me ver? – perguntou Sai. Danzou anuiu calmamente.
— Você estava em missão, então não sabe. Keiko acaba de assumir como líder da ANBU Ne. Ela irá comandá–los a partir de agora, colaborando comigo como Hokage. Reporte–se a ela a partir de agora, estarei recebendo os reportes apenas dela. – O homem declarou.
Sai manteve a calma e assentiu. O rosto de Keiko não demonstrou nenhuma emoção, mas ele se questionou se a garota acreditava na honestidade de Danzou e da completude de sua vitória. Era altamente improvável que Danzou não colocara uma única pessoa para vigiar os passos dela, mas, Sai também não sabia a quanto tempo aquela relação vinha sendo construída. A confiança nela podia ter sido provada milhões de vezes sem que ele soubesse.
— Sai, quero que fique de olho no Naruto – Keiko falou calmamente. Sai olhou para ela indiferente, imaginando que aquela era uma ordem de Danzou para ela passar. Keiko era sua irmã, não faria aquilo... Ele esperava. – Perante qualquer anormalidade, eu quero um relato imediato.
— Hai – disse Sai, olhando para o chão sem demonstrar nenhum sentimento. O que, por todos os deuses, era uma anormalidade para Uzumaki Naruto? Esperava poder confiar em Keiko para proteger Naruto de Danzou, mas com que tipo de limite ela estava lidando? – Posso lhe fazer uma pergunta?
— Pergunte.
— O que pretende fazer com o Naruto? – perguntou Sai.
Keiko sorriu suavemente, como um reconhecimento físico de que aquela fora uma questão ingênua, e Danzou respondeu por ela.
— Não se preocupe tanto. O Naruto agora é o herói desta vila, todos confiam nele. Até mais do que confiam em mim, o Rokudaime Hokage. Se eu fizesse algo com o Naruto agora, isso afetaria minha imagem como Hokage. Este é um momento muito importante, o voto de confiança está prestes a ser dado – Disse Danzou.
Sai o encarava sem mostrar nenhum sentimento. Percebeu, com um assomo de choque, que confiava infinitamente mais na palavra de Keiko do que na dele. Ela era uma pessoa complexa, mas Sai confiava que ela amava o irmão.
— Mesmo assim, o Naruto é um Jinchuuriki. Precisamos mantê-lo sob vigilância. Agora, como líder da Ne, não poderei fazê-lo integralmente. Não podemos relaxar como Tsunade fez. Esta é a sua nova tarefa, Sai. – Keiko declarou e, num esforço de compreender as entrelinhas, Sai pode supor que era melhor ela designar isso a ele do que a qualquer outro membro.
— Entendido – disse ele.
— Pode ir, Sai – disse Keiko. O rapaz deixou os dois novos lideres sozinhos na tenda. Um silencio permaneceu por um momento enquanto Keiko se erguia e se dirigia até um mapa na mesa.
— A lealdade dele está vacilando – A voz de Danzou soou do sofa. Keiko moveu a cabeça em concordância.
— Eu sei. Pretendo dar um jeito nisso em breve. – disse Keiko friamente.
— Por isso eu a escolhi, pequena Kumiko – disse ele calmo. – Você é brilhante para manipular aqueles ao seu redor. Vá atrás dele.
Keiko assentiu e deixou a tenda. Agora, seus próprios pensamentos estavam em correria.
[...]
Quando encontrou Sai, ele estava em combate junto com Naruto e Sakura contra dois ninjas de Kumo. Estava pouco se importando com o teor do combate, do contexto das ações de Sasuke, aqueles idiotas não podiam simplesmente entrar em Konoha e entrar em batalha com outros ninjas. Aquilo era estupidez. Ela estreitou os olhos e formou selos.
— Ninpou: Correntes de Chakra. – disse baixo, e viu surgirem correntes prateadas da terra. Ela tirou o colete ninja e o deixou em cima de uma pedra. Queria se aproximar sem entregar patente ou identidade alguma. Na falta de um plano imediato, ela estava mantendo opções abertas. Aproximou–se dos ninjas de Kumo. As correntes amarraram os ninjas firmemente e, enquanto debatiam, mais Keiko as apertava.
Os dois ninjas possuíam pele escura, a mulher com cabelos vermelhos chamativos e olhos amarelos intensos. O homem com cabelos brancos e olhos escuros. Ele parecia mais calmo sob a restrição, mas a mulher gritava e esperneava.
— Eu suponho que os ninjas de Kumogakure no Sato não deveriam ser tão estúpidos ao ponto de entrarem em combate com ninjas de Konoha. Claramente me enganei. A missão de vocês é entregar uma mensagem ao Hokage e esperar pela resposta. Lembrem-se disso! – Ela falou severamente e, ao ter a atenção deles, recolheu as correntes.
Eles saltaram para um pequeno lago, se afastando propositalmente para evitar ataques dela. Eles achavam que seu jutsu era tão frágil assim? Tolice.
— O que vocês querem? – Naruto os questionou com irritação. Bem, ao menos ele quem tinha sido realmente atacado sem compreender. Konoha não fora o gatilho.
— Vocês estavam falando sobre Sasuke! Digam–nos do que estavam falando! – disse um deles, um homem.
Keiko ergueu sobrancelhas. Ah, aquilo era estupido. Deviam ter patente baixa e estavam claramente emocionais. Não cabia a eles exigir informações de ninjas daquela maneira, Danzou daria a Kumo o que considerasse relevante e aquele tipo de abordagem, mesmo que feita de forma estupida, poderia ser considerada tentativa de espionagem. Esse tipo de coisa acontecia, mas a grande questão do espião é que ele deveria ser sutil e não ser pego. Eles podiam causar guerras.
— Kumogakure não tem nada a ver com isso! – Sakura exclamou com óbvia defensiva.
— Nós temos tudo a ver com isso! Uchiha Sasuke, de Konohagakure no Sato, atacou nossa vila! – disse o homem e Keiko se manteve em silencio, querendo avaliar quem eram aquelas pessoas em Kumogakure. De qualquer forma, eles seriam penalizados por aquele maldito ataque.
— Seu desertor sequestrou nosso mestre! Nem sabemos se ele está vivo ou morto, seus idiotas! – disse a mulher de maneira impertinente, irritando Keiko ainda mais. Ela poderia lidar com não saber a história inteira.
— Meçam suas palavras, pois vocês não sabem com quem estão falando. – disse Keiko. – Isso não significa que tenham que atacar ninguém. As informações que temos sobre Uchiha Sasuke serão enviadas diretamente ao Raikage. Esse é o procedimento entre vilas e o que estão fazendo aqui pode acarretar penalidades grave para vocês.
— Isso é mentira! Por que Sasuke faria isso?! – perguntou Sakura assustada e voltou os olhos para Keiko. Naruto encarou-a também, então suspirou pesadamente.
— Ele se uniu à Akatsuki. – Contou Keiko de maneira monótona, mas os estúpidos ninjas de Kumo pareceram não compreender que Naruto e Sakura sequer compreendiam o que estava acontecendo.
— Como se a gente soubesse por que a Akatsuki faz o que faz! – Exclamou o homem furiosamente e Keiko deu um passo em direção a ele, contudo Naruto segurou o braço da irmã e encarou-a. Por um momento, ela hesitou encarando-o.
— Akatsuki. Keiko, do que eles estão falando? – Naruto parecia realmente assustado, incrédulo e o olhar dele parecia implorar para a irmã lhe dizer que aquilo era mentira. Ela planejara conversar com ele sobre a situação em casa, conhecendo a sensibilidade de Naruto a temática do ex-companheiro de time, mas aqueles estrangeiros idiotas estragaram tudo.
— Não se façam de bobos! Sasuke é membro da Akatsuki. – A mulher morena cuspiu com irritação.
Keiko ergueu a mão e apontou para eles.
— Chega! Essa informação está acima do ranking deles e dar informações classificadas para chunins é ilegal. Vocês não tem autoridade para interrogar ninguém em Konoha. Qualquer informação relevante sobre o nukenin será passada durante a colaboração e a atitude estupida, além de impulsiva, de vocês apenas me diz que são péssimos ninjas e guardas de baixo escalão que deveriam ser punidos com mais severidade. – Keiko explodiu, apontando para eles, e mantendo Naruto, assim como Sakura, calados. – Ponham-se em seus devidos locais.
— Ora, vocês quem deixaram o desertor de vocês livre por aí, então não nos dêem ordens. Você é como eles, garota! Não tente bancar a superior. – Retrucou o homem provavelmente se atendo a aparência física de Keiko para presumir sua idade e patente. – O Raikage nos mandou vir aqui. Conseguimos permissão do seu Hokage para nos livrarmos do Uchiha!
— Eu sei disso, já que eu mesma li a carta do Raikage e participei da decisão. Novamente, ponham-se em seus lugares. – A paciência de Keiko se esvaíra. Eram estúpidos emocionais, descontrolados e agindo como crianças, sendo que eram todos claramente adultos.
— Teremos nossa vingança. – O homem bradou e Keiko se sentiu tentada a questionar quem diabos estava perguntando algo para ele.
— O Uchiha é nosso! – Disse a mulher com emoção.
— Vão embora daqui. Não me obriguem a chamar alguém para fazê–lo. – A garota esfregou o cenho com incomodo.
— Por que? Tem medo de fazer isso você mesma? – Desafiou a mulher. Keiko deu uma risada baixa.
— Minha patente é alta demais para lidar com crianças impulsivas como vocês. Se eu fosse lidar com alguém, certamente não seria com subordinados imprudentes.
A fala de Keiko claramente irritou-os ainda mais, mas essa era a intenção. Estava irritada, queria lidar com Naruto sozinha e aquele bando de gente estupida não a deixava. Sempre detestara os ninjas de Kumogakure com toda sua alma por conta de sua atitude invasiva e a arrogância que era, na maioria dos casos, apenas bravata.
— Estamos aqui porque vocês têm que nos dizer tudo sobre Sasuke. Seu estilo de ninjutsu, seu poder, mas também quaisquer informações que tiverem sobre a Akatsuki e os parceiros do Sasuke, bem como suas atividades passadas. – A mulher voltou a argumentar pelo que Keiko disse e sacou uma espada. Keiko colocou a mão no cabo de sua própria espada que estava embainhada em suas costas.
Ela mataria aqueles idiotas.
Justo neste ponto, Naruto e Sakura pareceram cair em si que aquela discussão estava realmente acontecendo.
— Não pode ser! Isso é mentira! – Sakura exclamou como se Sasuke estivesse ali, em tribunal, e sofrendo a maior injustiça de sua vida. Nem sequer tirou os olhos da mulher com a espada na mão para responder.
— É a verdade. – Sua voz soou monótona, pois não tinha paciência para lidar com as ilusões românticas de Sakura.
— Sasuke–kun jamais se juntaria à Akatsuki! – Argumentou Sakura.
Keiko respirou fundo, a conclusão que vinha ruminando seu cérebro desde que lera a carta do Raikage. Se Madara lhe contou sobre a história de Itachi, é bem possível que ele se una a eles. Keiko não disse isso em voz alta. Não podia. Lidar com aquilo era algo que ela só poderia fazer diretamente com Uchiha Sasuke ou Uchiha Madara.
— Vocês têm certeza disso? –Naruto questionou em voz baixa, olhando primeiro para Keiko, depois para os ninjas de Kumo.
— Sim! O emblema da família Uchiha foi confirmado! – Disse o rapaz, acalmando–se um pouco ao ver que Keiko havia se silenciado e parecia pensativa. Ela não saíra de guarda de combate, contudo. – E o reconhecimento facial também!
Sakura continuava dizendo que não era possível, e Keiko estava fazendo de tudo para não matar aquela garota tola e sentimental. Sakura começou a chorar. Keiko fez uma expressão de desgosto. Francamente, chorar em frente ao inimigo. Em frente a inimigos de Kumogakure. Céus, ela se compadecia por Sai por receber aquela missão.
— Por que você está chorando?! Nós é que queremos chorar! Suas lágrimas não trarão de volta o Mestre Killer Bee ou a Yugito–sama! – A mulher bradou com pura furia. – Se você tem tempo de sobra para chorar, comece a falar sobre o Sasuke!
— Esperem. – Sai finalmente se pronunciou. – Quando a autorização para eliminar o Sasuke foi dada, todas as informações de Konohagakure relacionadas a ele devem ter sido entregues a vocês. Kumiko–sama? – Sai se dirigiu a Keiko.
Naruto olhou confuso com o jeito que ele estava falando com Keiko.
— Todas foram entregues. Por isso estou aqui. Eles não têm o direito de exigir mais nada. Tudo que temos já foi entregue. – Keiko disse friamente. – Caso há alguma duvida especifica, a intermediação é feita entre as lideranças. É o que estou tentando dizer a algum tempo, caso não tenha percebido.
— Hai. Sinto muito. Não é necessário pressionar esses dois por informações. Eles nem sequer tinham acesso a primeira parte dela, quem dirá ao que já foi entregue a Kumogakure. – A voz de Sai saiu monótona, racional, e, por ter menos arrogância que a de Keiko, parecia irritar menos. Contudo, honestamente, ela tinha problemas pessoais com Kumogakure desde a infância.
— Vocês têm razão! Nossa capitã está recebendo as informações. Nós só estávamos tentando obter todas as informações que pudéssemos! – Argumentou a mulher.
— Vocês não podem esperar que fiquemos sem fazer nada! – Continuou o homem. – Nós nem sabemos como nosso mestre está! Vocês não estão envolvidos nisso, não sabem como nos sentimos!
Keiko se irritou. Ela sabia exatamente como eles se sentiam. Ela perdera Itachi duas vezes, seu amor e seu mestre. Eles estavam sendo patéticos, envolvendo ninjas de menor escalão, envergonhando sua vila, fazendo seus superiores parecerem incapazes de controlar seus subordinados e sua disciplina frágil. Todo seu treinamento como shinobi era comprometido naquele tipo de cena estupida.
— Seu mestre é um Jinchuuriki? – Questionou Naruto.
— Como você sabia? – perguntou o homem baixo.
— Eu também sou um Jinchuuriki. A Akatsuki está atrás dos Jinchuurikis e da Kumiko. O motivo, eu não sei. – disse ele, inclinando a cabeça para Keiko. Os dois olharam brevemente para a garota e franziram a testa. Keiko bufou. Ela sabia o motivo. – Então, na verdade, também estamos envolvidos. A Akatsuki sempre captura os Jinchuurikis vivos. Isso quer dizer que o mestre de vocês ainda pode estar vivo.
— Sério?! – A garota parecia esperançosa.
— E finalmente começam a ouvir... – O desdém de Keiko era obvio – Na época em que eles eram dez, demoravam três dias para extrair os Bijuus e matar os Jinchuurikis. Agora, demoram, no mínimo, cinco ou seis. Ele ainda está vivo. Todas essas informações já foram cedidas para Kumo. Deveriam estar junto de seus superiores se apresentando para o serviço e a colaboração do plano de resgate.
— Não se preocupem com Sasuke. Vocês precisam salvar seu mestre antes disso. – disse Naruto sério, enquanto Sakura ainda se debulhava em lágrimas. Que Kami os salvassem.
— Vocês têm certeza disso? – O rapaz inqueriu. – Certeza mesmo?!
A garota tinha um pequeno sorriso nos lábios. Ela parecia tremula e um pouco exultante. Tolos emocionais, de fato, pois era óbvio pelas informações que o mestre deles estava vivo pela Akatsuki estar defasada.
— Eu não disse? Nosso mestre não vai morrer tão facilmente! – Ela exclamou exultante.
— Eu vou ajuda–los a resgatar seu mestre e darei a vocês todas as informações que tivermos sobre a Akatsuki. – Naruto assegurou. Alerta fez Keiko se voltar para ele.
— Ei, loirinho, você entende bem rápido! – A mulher exclamou as suas costas, mas pouco importava. Keiko segurou ambos os ombros do irmão e abaixou a voz para que eles não pudessem ouvir na agua.
— Naruto! Escute-me. Eu, no seu lugar, não faria isso. Isso é coisa para Danzou–sama, não para você. – Lembrou em voz baixa, mas os olhos de Naruto estavam irritados. Ele deu um safanão em suas mãos e se afastou dela, sem se preocupar em abaixar a voz ou conter a irritação.
— Danzou decretou Sasuke como Nukenin e tomou o posto de Tsunade–obachan. Eu não vou escutá–lo, muito menos a você, Kumiko!
Ela se aproximou e segurou o colarinho dele com uma mão para manter a voz baixa. Tudo que ela fazia estava em risco para tentar proteger o seu irmão imprudente, mas ela precisava controla-lo. Isso era importante também, tanto para a segurança dele quanto da vila.
— Estou do lado dessa vila, Naruto! Não de Danzou! Agora me escute e deixe de ser tão idiota. – Ela sussurrou irritada. Naruto negou e segurou a mão da irmã para afasta-la. – Eu sei o que eu estou fazendo.
— O problema é que só você sabe. Eu posso não concordar com seus métodos.
— Ela está certa, Naruto. – disse Sakura, erguendo a cabeça e conseguindo, controlar, com custo, as lagrimas. Keiko observou o irmão e cogitou leva-lo amarrado para casa.
— Deixe comigo, Sakura.
— Qual é o seu nome? – Questionou a mulher.
— Uzumaki Naruto. – Ele respondeu calmamente. Keiko serrou os punhos ao vê–lo ir com eles.
— Idiota! Ele terá problemas comigo depois, se falar o que não deve...
— Kumiko–sama! – chamou Sai. Keiko se virou para ele. Havia uma seriedade nos olhos dele que retomava a conversa da tenda de Danzou. Naruto era a tarefa dele. – Deixe comigo, irei atrás dele. Você pode contar comigo.
Esperava poder contar mesmo. Sai era talentoso, mas seu irmão podia ser um problema gigantesco. Qualquer outro NE no lugar deles teria só acorrentado Naruto e levando-o para casa, mas isso faria ele abrir a boca sobre estar sendo contido por Danzou. Considerando sua popularidade e que Danzou queria se beneficiar das boas graças da população, aquilo poderia ser um grande problema.
— Muito bem, Sai. Conto contigo.
Ela imaginou que, mesmo com a interferência de Sai, seria complexo cuidar de Naruto e afastar aquelas pessoas sem combate. Esperava que Sai compreendesse que ele podia, naquelas circunstancias, esquecer os escrúpulos e atacar de volta. Kumogakure começara. Ele estava em patente menor, mesmo com todo seu poder, e podia atacar.
Keiko fazer isso poderia ser mais problemático.
Sentia que tudo aquilo iria gerar uma dor de cabeça absurda.
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