A Anbu
18 O massacre do clã Uchiha
Keiko estava sentada em seu quarto pensativa, o fato de Nagato ter atacado Konoha logo depois que eles encontraram Tobi não poderia ser coincidência. Era tudo complexo demais e ela estava muito pensativa. Eles eram da mesma organização, obviamente, mas ela nunca esquecia um chakra depois que se deparava com um. E ela conhecia o dele.
Bloqueava as memórias daquele dia, mas, por necessidade, Keiko revisitava o dia que a sua vida fora decidida definitivamente. A derradeira que ela mesma aceitara embarcar. A ruiva deslizou os olhos pelos pergaminhos, pensando nos que estavam ali e nos que ela buscara... Mas principalmente nos que lhe fora concedidos.
Ela não tinha certeza se Tobi era mesmo Madara, afinal, ele poderia ter enganado Itachi. Nomes tinham poder no mundo ninja e assumir o nome de uma lenda como Uchiha Madara era mais sobre intenção do que sobre poder.
A grande questão era... Ela o conhecia, mas não sabia quem realmente enfrentava.
Cerrou o punho, não querendo se deixar tomar pelos sentimentos antigos e novos sombrios que imergiam no centro de si. Se começasse a pensar em vingança, poderia se perder. Keiko tinha Akane e Naruto morando com ela, seu plano na Anbu Ne indo a cada momento melhor... Ela apenas tinha que decidir qual seria o instante perfeito para terminar com tudo. A segurança para por um fim naquilo.
Sua mente traídora, porém, a levou para as memórias antigas.
— É hoje , Kimi. Quer mesmo fazer parte disso? – Perguntou Itachi em tom ameno. Ocultando os próprios sentimentos sobre o que faria, ela sabia bem.
Kumiko assentiu. Ela estava vestida com um short escuro e uma blusa estilo de Kimono num roxo profundo com uma faixa preta amarrada na cintura. Sua bandana não estava a vista. Não tinha motivos para usa-la, não com o que eles fariam. Ela estava com um estojo de armas na cintura e um recipiente de Kunais na perna direita, mas o poder de Kumiko residia em seu interior. Os Uchihas não sabiam dos segredos sombrios que Itachi e Shisui tinham guardado sobre ela.
— Vigiarei para quando Sasuke se aproximar e lhe avisarei. Você disse que tinha um aliado, Itachi, mas aonde ele está? – Perguntou ela baixinho.
A postura séria, o olhar distante e quase ausente da garota. O dom de suprimir sentimentos a qual Itachi se referia que ela possuía... A verdade por trás daquele suposto dom era dolorosa demais para que ele relembrasse. Mesmo naquele dia. Desviou os olhos da menina ruiva para os arredores.
Eles estavam numa área distante do complexo Uchiha, mas dentro da floresta.
— Atrás de você, menina. – Disse uma voz atrás de Kumiko. Ela se virou rapidamente. Em guarda. As pessoas não chegavam de fininho por trás dela. Nunca. A menina era um sensor perfeito, mas só o sentira no momento em que ele falara. Era um homem com uma capa roxa e roupa de combate por baixo, ele usava uma máscara roxa que lembrava Kumiko seu Doujutso.
Aquilo a deixou extremamente desconfiada, fora o fato dela só ter sentido o Chakra dele um segundo antes dele falar.
— Este é Uchiha Madara . – Disse Itachi calmo a Kumiko. Ela olhou o homem e estreitou os olhos.
— Está bloqueando seu Chakra de mim a todo custo. – Disse Kumiko em tom acusativo. Apesar da seriedade, ela soava como uma criança. Seu rosto era bonito e infantil demais para ser confundida com qualquer outra coisa. O homem deu uma risada sombria com o fato da presença daquela menina ali ser uma peça central.
— Então essa é a filha de Uzumaki Kushina e Namikaze Minato. – Disse ele de maneira sombria, Itachi parecia tenso aos olhos de Kumiko. Desconfiado. Trabalhar com alguém não sifnificava confiar nele. – Uzumaki Kumiko.
Mesmo para Itachi-Sensei esse homem não passa de um aliado. Ele é tudo menos confiável. Kumiko pensou tentando aparentar calma. Não gosto da forma como ele diz meu nome.
— Sabe, eu nunca imaginei que alguém seria leal a outra a ponto de aceitar participar de o massacre de um clã, especialmente alguém da sua idade, você é o que, Kumiko? Gennin? — Perguntou com certo desdém. Kumiko estreitou os olhos e Itachi colocou sua mão no ombro dela.
Era difícil alguém despertar o temperamento daquela menina. Muito difícil, mas haviam algumas feridas fáceis de serem pegas. Kimi era considerada o gênio dentre os gênios, entrando pra um histórico de crianças corrompidas pela vida ninja cedo demais junto com Hatake Kakashi. Ela não gostava de ser subestimada.
— Fique calma. – Disse Itachi a ela. Normalmente, Itachi sabia que ela tinha um gênio parecido com o do pai, todavia o sangue quente dos Uzumaki corria naquelas veias.
— Se fosse meu inimigo já estaria morto – Disse Kumiko baixinho. A voz fria num rosto tão infantil teria deixado alguns perturbados, mas Itachi se acostumara a aqueles momentos e Madara parecia se interessar mais por aquele assomo do que Kumiko viria a se tornar um dia. Aquilo que ela se encaminhava para ser a muito tempo sob a tutela de Itachi. – Odeio quando me subestimam pela minha idade. Eu sou uma Anbu nível Jounin.
Madara deu uma leve risada sombria. Kumiko era uma criança com expressões angelicais, com seus olhos azuis violeta e seu rosto redondo, mas os olhos frios naquele momento revelavam uma determinação tácita... Ele não deveria se esquecer quem fora Minato. Calmo, bondoso, mas um herói de guerra.
E o que era um herói de guerra senão um assassino muito habilidoso?
— Impressionante, acho que não deveria esperar menos da filha do Yondaime Hokage. Me deu muito trabalho. – Disse Madara sombrio. Kumiko não demorou para identificar o significado por trás das palavras dele.
Ela cerrou os dentes.
— Por que essa máscara? O que você tem a ver com o Rinnegan? – Ela o entupiu com as perguntas, a cada instante mais próxima do limiar de controle. O mestre dela não gostou daquilo. Desastres ocorriam ao redor de Kumiko quando ela perdia o controle.
Itachi sabia que algo daquela maneira aconteceria, é claro, mas fora a condição de Madara. Só isso o deixava perturbado. Conhecer Kumiko e poder conversar com ela, a criança de oito anos que ajudaria o mestre a assassinar tantas pessoas inocentes por uma causa maior. O desgraçado estava distorcendo a devoção de Kumiko por ele, pela vila, em algo perverso e Itachi a queria longe daquele homem.
— Ora, você sabe bastante, a ponto de reconhecer esses traços significa que você é muito esperta. Ou muito intrometida . Isso já não lhe importa, garota. – Disse ele frio liberando seu chakra sobre ela. Kumiko estremeceu profundamente e sentiu as mãos de Itachi se fechando em seus homens. O chakra era maligno. – Soube que foi você que arquitetou a estratégia do ataque.
Kumiko olhou para Itachi. Ela se perguntava o que mais ele havia contado.
— Sou boa estrategista. – Falou querendo distancia daquela pessoa. – Está ficando tarde. Temos que ir.
Cada um seguiu para um lado, segundo a formação que Kumiko organizara para que não tivesse forma de ninguém escapar pela vila e acionar ajuda. A forma como Madara matava... Itachi era letal, obviamente, mas aquele homem tinha algo de maligno quando o fazia. Por que ele se oferecera para ajudar? Quais suas motivações?
Kumiko estava no alto de uma casa vendo tudo. Ela não recebera real permissão para lutar. Itachi não a queria envolvida naquilo... Ele já se encaminhava para a casa dos pais. Ninguém tiraria a vida de Fugaku e Mikoto além dele mesmo. O luto por aquelas pessoas já se instalava em seu peito como uma pedra que ameaçava derrubar seu coração de vez para o fundo do seu ser... Aquela era a familia que Kumiko adquirira. O Clã Uchiha foi a familia que ela nunca tivera, Mikoto e Fugaku a aceitando em sua casa como se ela fosse parte deles, a mulher conversando com ela e sendo como a mãe que ela jamais tivera.
Fugaku a via como uma ferramente também, ela sabia, mas ele via os filhos daquela forma também. Suas utilidades, sucessos, definiam o seu apresso por eles. O homem gostava de Kumiko.
Lágrimas corriam pelo seu rosto sem sua permissão e pingavam no chão. Kumiko caiu de joelhos no telhado, os punhos cerrados, pensando na vida que acabara. Nas pessoas que perdera, no amor que partiria, na segunda família que morria... Aquele luto, aquela dor, foi o que a impediu de prestar atenção aos arredores. Ficar atento. Uma lição que todo ninja tinha que saber. Não deixar as emoções o dominarem em campo, não ter emoções para o distrairem, uma lição que todo anbu tinha que saber.
Ambas descartadas pela dor.
Foi quando ela sentiu uma Kunai em seu pescoço. Ajoelhada, vulneravel e com uma kunai prestas a cortar sua garganta. Kumiko estava morta. Ergueu os olhos para trás e encontrou Satsuki. Olhos negros inflamados com ódio de forma que ela vira poucas vezes. Satsuki passara por tantos infernos quanto ela, sabia, e tinha os próprios traumas que escondia sob a camada de humor estupido.
Ela raramente o via daquela forma.
— Pensei que já estivesse ido. – Disse ela se levantando lentamente, testando a pressão em sua garganta, mas mesmo ao se virar, a ponta continuou pressionada em sua artéria. Kumiko não sabia se ele a mataria, mas a garota sabia que ele já matara pessoas importantes antes.
Satsuki não tinha motivos para hesitar em mata-la.
— Suki-Kun ... – Ela começou, tentando pensar em que abordagem usar para acalma-lo.
— Não me chame assim! Você não tem mais esse direito... Está assistindo sem fazer nada o massacre do meu clã e nem sequer pediu ajuda na vila. Está com eles! Com Itachi, eu deveria ter desconfiado! – Disse Satsuki com fúria na voz. Ela deveria lembra-lo que era fratricida?
A morte de parentes não era uma novidade a Satsuki. Kumiko não usou aquele argumento, não tocou naquela ferida, e resolveu dar a unica coisa justa que poderia a Satsuki. Ele fora rival e amigo dela por anos e, se as coisas continuassem, seria seu oponente. Ela devia a verdade a ele.
Kumiko e Itachi apostaram a vida dele na Anbu Ne. Ela iria sabendo que deveria mata-lo. Satsuki não sabia de nada... Ao menos ali, ela devia a verdade a ele.
— Eles estavam planejando uma guerra civil para tomar conta de Konoha. Itachi descobriu, era o espião do Clã na Anbu, mas era um agente duplo. Shisui também era. Ele teve opções, é verdade, mas nenhuma era boa. Ele poderia se juntar o clã para tomar Konoha, matando civis e inocentes, numa guerra civil que os Uchiha não iriam vencer. – Contou Kumiko de olhos fechados. Satsuki tinha ódio e desconfiança de Itachi a algum tempo. A morte de Shisui inflamara aquilo. – Ou então ele poderia escolher matar o clã, levar a culpa como se fosse um sádico e salvar a vila da guerra civil e do caos. Shisui o instruiu a isso. Você sabe que ele teria feito esse tipo de plano.
Satsuki arregalou os olhos e a Kunai caiu de sua mão. Shisui... É claro que Satsuki sabia como Shisui reagia. Shisui fora aquele quem se preocupara com ele quando todos apenas viram um fratricida. Fora quem o salvou da escuridão completa, então o convenceu que eles eram a sua família. Eles.
Kumiko não era a unica perdendo a família que escolhera e a acolhera naquela noite. Satsuki também o fazia.
Mas ele conhecia Shisui, seus ideais, e a forma como eles tinham sido passados a Itachi e Kumiko. Conhecia o próprio clã.... Ela viu a verdade se assentar em seus olhos.
— Não... Kimi-San, me diz que isso não é verdade. – Disse Satsuki tinha uma nota de desespero, mas ele viu a expressão séria no rosto de Kumiko e entendeu. O maxilar dele se tencionou. – Isso é uma missão para você, não é ? Vocês dois estão encarando isso como se...
— Não é assim, Satsuki! – Interrompeu Kumiko. Não era totalmente mentira. Shisui, ela, Itachi... Eles davam a própria vida pelas missões. Pela vila. Sim, era uma missão. Era a vida deles, de Satsuki e de todos que precisassem... A missão da vida de todos. Kumiko engoliu em seco, pensando nos sacrifícios que fazia naquilo. – Ele... ele vai destruir a vida dele com isso. Itachi não é como você está pensando. Não matou Shisui e nem me induziu a isso... Ele... Eu não podia deixá-lo fazer isso sozinho. Eu... Eu o amo a tanto tempo que sequer me lembro mais.
Satsuki arregalou os olhos, então os estreitou para ela.
— Você também está destruindo sua vida, Kumiko. Isso irá consumi-la. Vai suga-la de dentro para fora até que não sobre mais nada. Você é boa demais para aguentar essa situação e sabe disso. – Disse ele, Kumiko abaixou a cabeça e olhou para onde Itachi estava, ele havia acabado de transpassar um homem com sua espada e entrava em sua casa. – Itachi nunca poderá corresponder seus sentimentos.
— Eu sei disso e eu vou aprender a suportar. Não se pode ter tanto poder e ser tão fraca emocionalmente quanto eu, né, Satsuki? – Kumiko murmurou tentando sorrir entre as lagrimas que ainda estavam em seus olhos. Ela, porém, não pensava em romance. A história dela e de Itachi não era sobre romance. Era uma tragédia. Soldados dando sua vida pela causa e que, um dia, dariam suas vidas também. – Vá embora, Satsuki, se o aliado de Itachi te ver ele lhe mata sem pensar duas vezes. Eu irei me encontrar contigo em breve, você sabe.
Sabia que um subordinado de Danzou estava o esperando. Os detalhes da partida de Satsuki também eram detalhes que ela planejara, mas não imaginara que ele desconfiaria... Bem, ela o subestimara. Ele não era mais o menino que a perturbava na academia e que ela tinha medo de machucar até mesmo em treinos.
Satsuki assentiu, um ultimo olhar a perfurando, e saiu, indo para longe, saltando pelo telhado.
Foi quando um Uchiha tentou atacar Kumiko, ela em um reflexo natural causado pelo seu dom, que jamais era pego de surpresa, puxou sua Kunai e o acertou no peito. O homem arregalou os olhos e caiu do telhado morto. O golpe fora fatal. Sangue havia escorrido pela Kunai de Kumiko para as mãos dela. Ela já matara antes, mas... Aqueles eram os Uchiha.
Era sangue Uchiha em suas mãos tremulas.
— Não precisa sentir culpa, garota. Ou você matava ou era morta. Agora, se quiser, venha me ajudar. – Falou Madara pulando para o telhado onde ela estava. Sua missão ali era somente vigiar. Aquele era o posto de Kumiko. O posto que Itachi insistira para que ela mantivesse. – Não há mérito em gestos vazios. Ficar observando e chorando por algo que você não fez... Isso não é ser parte disso como aquele garoto fez.
Itachi a estava protegendo. Sabia o quanto ela considerava a família dele, mas...
Ela teria que derramar sangue Uchiha em breve. Sangue que não vinha de rostos aleatórios, mas do seu melhor amigo. Satsuki teria de morrer pelas suas mãos e ela não conseguiria jamais se não pudesse matar ali. Madara havia lhe estendido a mão. Kumiko aceitou e se ergueu da posição aonde não percebera na qual caíra.
— Ajudarei.
Kumiko desceu junto com Madara. Ela ficava na retaguarda, tentando não prestar atenção nas sebons que lançava em rostos inocentes. Ela estava matando os mais fracos. Aqueles que nem deveriam saber da revolução, alguns que nem sequer desenvolveram habilidades ninjas.
Mas não foi assim sempre. A força policial chegou. Seu cabelo vermelho era de longe reconhecível e, rapidamente, ela estava cercada. Madara não fez nada para impedir.
— Ora, se não é a discípula do Itachi. – Disse um deles a observando com olhos estreitos. Ela reconhecia rostos, então imaginava que era um dos que passara a desconfiar e se irritar com Itachi nos últimos tempos. O homem quase cuspira o nome do herdeiro do clã Uchiha.
— Parece que essa criança se perdeu, vamos acabar com ela e mostrar para ele que nós também sabemos jogar sujo. – Disse o segundo. Ela respirou fundo. Pegou um pergaminho e invocou um Ninjato. Guardou o pergaminho de volta na bolsa de armas e segurou a lamina com firmeza.
— Pretende nos matar, criança? — Perguntou um terceiro. Ela avançou para um deles, precisando acabar com aquilo logo, só que ele apenas desviou, todos já com Sharingan nível três ativo. Não eram civis. Aqueles homens sabiam da revolta e sabia quem os traíra.
Eles tentaram-lhe atingir com Taijutso, mas Kumiko se desviou rapidamente, os reflexos a guiando por entre os golpes.
Ela estendeu a mão para um e ele foi lançado longe como que por magnetismo. Os olhos perolados não existiam mais, apenas um padrão em roxo circundava as orbes inteiras. Rinnegan. Ela fez uma sequência de selos e cuspiu uma saraiva de Senbons de fuuton da qual nem mesmo eles conseguiram desviar.
Ela fez dois cair ao serem mortos com pontos vitais atingidos, rapidamente, e fez outro conjunto de selos e cuspiu uma grande quantidade de água e com mais uma sequência de selos a água matou os outros três por estar com carga Raiton e matando eletrocutados pela condução na agua.
Kumiko engoliu o bolo em sua garganta. Lutar para matar contra Uchiha. Uchihas que a odiavam naquele momento, mas...
Ela pegou seu Ninjato e começou a lutar ao lado de Madara contra alguns outros, antes que ela notasse já era alta noite e ela tinha sangue em suas mãos, respingos no rosto e a bainha de sua blusa estava umida de sangue. Nenhum era seu e isso a estava enlouquecendo, a culpa corria sua alma enquanto matava aquelas pessoas que até alguns dias atrás ela via e cumprimentava, que ela conhecera graças a Itachi.
Todos estavam mortos antes que ela notasse. Madara pousou a mão no ombro dela como se ouvisse o coração dela disparado, a dor que quase a imobilizava, o doujutsu se desfazendo para dar lugar a queimação da vontade lancinante de chorar.
— Você tem muito potencial , criança. – Disse ele. A sua voz grave calma. Kumiko queria correr. Queria não ter aceitado a mão dele, queria ser uma expectadora fraca, queria que Satsuki tivesse cortado sua garganta ao invés de hesitar.
— Kimi? – Ela ouviu a voz de Itachi, ela se virou vendo-o, ele parecia surpreso, mas então seus olhos se estreitaram para Madara. – Pensei ter dito a você para não se envolver em combates.
Ele não parecia nem um pouco contente, ela quase ficou aliviada quando sentiu o chakra de Sasuke. Ela não queria explicar a ele. Não queria... Pois iria desabar. Itachi era seu mundo, seu porto seguro e aquele por quem ela estava condenando tudo. Aquele por quem Kumiko era capaz de dar a própria alma...
Se ela começasse a falar iria desabar.
— Sasuke está vindo. – Avisou. Itachi assentiu a contra gosto.
— Os dois vão. Agora é somente comigo. – Disse Itachi.
Kumiko assentiu, uma lágrima correndo pelo rosto dela. Ela se virou e começou a saltar pelos telhados, indo para longe, o mais longe que conseguisse. Sasuke... Sasuke era alguém que Itachi não suportara sacrificar ou deixar para trás. Como ela... Ele fizera planos para ambos, mas o menino jamais entenderia e cooperaria. Os planos para ele eram mais complexos.
Antes que notasse, ou se perdesse demais nos próprios pensamentos, o homem da máscara estava ao lado dela novamente.
— Quero falar com você. – Disse ele sério. Kumiko foi para o mesmo local onde eles estavam antes do Massacre dos Uchiha, naquela floresta.
— O que quer comigo? – Perguntou Kumiko baixo. Estava esgotada, o cheiro do sangue em seu corpo a estava oprimindo e as contusões pelo corpo a lembrando de contra quem ela lutara naquela noite.
— Quero que venha treinar comigo. Você tem potencial, menina. Quero torná-la poderosa. – Disse ele, sua voz tão sombria quanto antes.
Kumiko se afastou um passo dele. Aquele era o motivo de Madara querer falar com ela, exigir aquilo de Itachi... Ele a estava rondando. Testando. Ele a estava medindo para algo e a queria consigo. Não. Definitivamente não.
— Eu vou treinar com a Ne de Konoha. Prometi a Itachi que iria e minha palavra para ele é superior a qualquer outra coisa em minha vida. – Falou Kumiko tensa, mas esperava ter sido enfatica o suficiente. Madara deu uma risada sombria. Ele pegou algo na capa dele e Kumiko se preparou para uma luta aonde certamente morreria. – Eu não vou contigo sob hipótese alguma.
— Pegue isso então. Estude esse pergaminho e aprenda essas técnicas. É um pergaminho de invocações, ele invoca vários outros, de diversos temas, e neles tem muitos jutsos úteis para alguém... como você. – Disse ele a mão estendida para ela.
Kumiko pegou o pergaminho e o encarou. Ele não tinha motivos para fortalece-la, mas Kumiko imaginou que ele voltaria. Madara não desistiria dela facilmente se estava dando-a aquilo.
— Por que está fazendo isso? – Perguntou desconfiada.
— Menina inocente e ingênua... no mundo ninja quando se tem aliados poderosos você tem o mundo em mãos – Disse, a voz soando sombria e poderosa. – Você pode vir a ser uma aliada formidável algum dia.
Dito isso, ele desapareceu.
Keiko respirou fundo, mal podia acreditar que enfrentara o homem e não dera quase nada de si no combate. Ele deveria pensar que ela continuava do mesmo nível daquela época. Abrira pouco do que ele lhe concedera naquele dia, mas havia muito a ser descoberto. Keiko pretendia fazer tudo agora.
Não importava de quem viera aquele conhecimento ou que ele poderia ter um preço. Ela pagaria Tobi com tudo que ele trouxera a sua vida.
Morte.
Keiko não era fraca, mas se tornou decidida a entrar a outro nível do que estava naquele momento. Iria se tornar muito mais forte para enfrentá-lo, iria matá-lo com suas próprias mãos e vingaria seus pais.
Não era adepta a vingança, mas após dominar Konoha e acabar com seus planos para Danzou... Sem Itachi sua vida não tinha motivação. Poderia deixar um legado, uma vila melhor, para Akane e Naruto, mas ela mesma, como pessoa, já não tinha muito para perseguir.
Ela concluiria seus planos. Se elevaria a um patamar novo, ainda mais doentiamente poderoso do que o que ela já estava, para estar a altura daquele oponente... Então, ela daria sua vida a aquilo.
Nem que fosse seu ultimo ato.
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