A Anbu

19 O Kekkei Genkai de Akane


Notas iniciais
Capitulo editado em 14/04/2024 Enjoy

Keiko defendeu do golpe de Taijutso de Akane com facilidade e a rebateu com um chute certeiro na barriga que a fez ser lançada direto ao chão. A garota parecia ficar mais segura lutando com seu corpo, a curta distancia, mas ela já aprendera que a habilidade de Keiko era irrevogável. Uma vez deixado os treinos teóricos, Akane tendia a achar que a mestre seria uma combatente de longa distancia pelo que tinha de tênue conhecimento da ruiva.

Ela se enganara amargamente.

— Defenda-se, Akane. – Disse Keiko revirando os olhos – Concentre seu chakra nos golpes para fazê-los mais forte. Você conseguiu aprender com facilidade a subir em arvores e andar na água, não é muito diferente com Taijutso. Se especializar nisso é complexo, mas pode ser feito. Primeiro... Domine o basico.

Naruto estava assistindo naquele dia, ele e Konohamaru assombrados com a dureza dos treinos que Keiko impunha a Akane, que era apenas uma iniciante no que eles estavam a anos treinando. Por conta disso, Keiko lhes explicara, teria de ser mais dura com a garota. Akane precisava aprender, e rápido, o que ninjas como eles tinham anos e anos para dominar num fluxo mais natural de missões e amadurecimento.

— Kumiko – Sensei, posso perguntar algo? – Disse Akane se levantado e se aproximando de Keiko, que assentiu levemente entretida. A garota tinha perguntas, muitas pessoais, que fazia quando queria descansar. Keiko fingia que não entendia o propósito por detrás das muitas curiosidades de Akane. – O que houve com seu outro companheiro de equipe, aquele que era um Hyuuga?

Keiko se surpreendeu com a pergunta, por ter se surpreendido a quem isso a levara, e parou para pensar por um momento, ela nunca procurou saber o que houve com Masaaki. Propositalmente, talvez. O garoto, que agora já seria um homem, costumava ser inteligente e observador como Satsuki jamais fora. Ela jamais quisera Masaaki informado, até pelos fardos emocionais e psicológicos que ele mesmo carregava, sobre o que se passara realmente naqueles últimos meses.

O Hyuuga jamais gostara de Itachi particularmente, apesar da rivalidade que existira entre os clãs, e Keiko sempre soubera que muito fora por Masaaki ter desaprovado a forma como Itachi jamais lhe poupara pela sua idade. A forma como ele, junto de Shisui, a tinham adotado e imergido em seus ideias.

Ideais que ela tinha tomado para si como se fossem profecias sagradas.

— Não sei, na verdade. Nunca procurei saber sobre ele. Satsuki estava morto e todos devíamos esquecer o passado. Eu não estava me importando com mais nada. – Falou Keiko.

Uma centelha de curiosidade indesejada se acendeu dentro de si enquanto observava os olhos amarelados de Akane aumentarem. Suspirou e voltou a treinar, sabendo que a pesquisa era inevitável agora. Maasaki certamente lembrava, agora o quanto ele dava atenção a um passado distante e a aquele time que florescera em meio a tantos transtornos? Ela, Satsuki e Masaaki eram ferrados mesmo na infância.

Akane observou a mente da Shishou disparar por assuntos os quais ela não lhe falaria, detalhes de um passado não tão distantes, e então partir do treino. Sequer se sentara com Naruto, como costumava fazer ao final, então ela observou Keiko sair alguns momentos depois. Tinha trocado de roupa. Blusa de mangas, então estava escondendo a tatuagem Anbu... Suspirou. Agora, ela estava sozinha com Naruto e Konohamaru.

Era a primeira vez que o irmão da ruiva levava alguém na casa, pelo menos desde que Akane chegara, mas a garota suspirou. Bem, o rapaz parecia ter sua idade ou algo assim. Não faria mal tentar fazer amizade... Pensando nisso, ela se aproximou. Os dois confabulavam, entretidos, sobre algo que planejavam. Após a apresentação, os dois pareciam muito ansiosos para continuar e pediram a opinião dela.

— O que é? – Perguntou Akane com uma leve sensação de desconfiança. Desde que conhecera Naruto tinha a leve tendencia a desconfiar de coisas que o animassem demais.

— Uma competição com um Jutso que eu desenvolvi e ensinei pro Konohamaru. O Sexy no Jutso! – Disse Naruto animadamente sem notar a expressão de Akane enquanto ela o encarava fixamente. O Uzumaki começou a explicar o dito jutsu, enquanto Konohamaru puxava a manga de Naruto e tentava fazer ele calar a boca.

Ele faria bem ter ouvido, por que Akane deu um salto e socou ambos com força na barriga os jogando pro chão. Naruto rolou e cuspiu grama enquanto Konohamaru gemia que tentara avisa-lo pra calar a maldita boca.

— Péssima hora para ela entender o que a Kumiko — chan ensinou. – Murmurou Naruto segurando a barriga dolorosamente. A garota os fuzilou uma ultima vez antes se ir para a casa resmungando que Keiko ficaria sabendo daquele tipo de perversão na casa quando voltasse.

— Eu me recuso a estar aqui quando a ruiva psicótica voltar. – Konohamaru resmungou tentando levantar, mas então caindo pro lado novamente com um gemido. Naruto protestou com a ofensa a irmã, mas o garoto o encarou com consternação. – Eu tenho amor a minha vida, ok?

[...]

Keiko deveria ter contido a própria curiosidade, mas a verdade é que Keiko estava ficando a cada dia mais inquieta com as memórias e sentimentos do passado a perseguindo com lembranças. Masaaki era uma forma menos dolorosa de invocar aquelas memórias, pois ele não conhecia a verdade por detrás das coisas mais espinhosas do final que o time deles tivera. Era uma lembrança quase indolor.

Por isso, ela lançou o próprio chakra em busca do chakra conhecido de Hyuuga Masaaki.

Entrando profundamente na floresta próxima da area da cidade aonde ficava o Clã Hyuuga, Keiko seguia o chakra do antigo colega e sentia que ele estava num treino. Abaixada num galho, ela os observou por um momento.

— Vamos, Hinata-Sama, de novo! – Disse a voz do homem com quem Hyuuga Hinata treinava.

Masaaki.

O cabelo longo na frente e curto atrás era inconfundível, já que ele costumava usar aquele estilo mesmo na infância, mas... Ele estava muito diferente. Era obviamente um homem agora, em nada lembrando o garoto calmo e estudioso da infância dela. Masaaki agora era um homem alto, musculoso, mas de estrutura esguia e que tinha a voz grave difícil de conciliar com a do rapaz que fora outrora. O Hyuuga fora o mais velho do time dela, sendo apenas um ano mais novo que o próprio Itachi quando se formaram, mas naquela turma aquilo tinha sido comum.

A turma dela tivera alunos com grandes divergências de idade. Ela e Satsuki não tinham sido os únicos. Keiko lembrou, brevemente, que a maior parte deles não acabara muito bem.

— Hai! – Ela ouviu Hinata responder e eles começarem uma luta no estilo Hyuuga.

Aquele treino era curioso, já que Masaaki era da família principal. Eles eram amigos? Ela achava pouco provável que o pai de Hinata fosse casa-la com alguém com um histórico familiar como o dele, apesar da família principal, e a diferença de idade dos dois tornava impraticável um compromisso naquela época.

Hinata perdeu, mas Keiko imaginava que iria. Não era por conta da habilidade da garota que concluíra aquele resultado, mas por conta da habilidade de Masaaki. Do chão, Hinata avistou Keiko no galho aonde estava de pé. A garota não tentara se ocultar realmente.

Ela observou Masaaki fixar os olhos nela e estreita-los com desconfiança. Ele a reconhecia? Era quase divertido fazer aquele tipo de coisa. Keiko se questionou se a irmã de Kiba a reconheceria também... Elas tinham feito academia juntas, afinal.

Ela duvidava. Se Masaaki hesitava... Hana não lembraria.

— Keiko – san! – Hinata falou surpresa mirando a ruiva enquanto se erguia. – O que faz aqui?

— Seguindo o chakra de alguém. – Falou Keiko no usual tom monocórdico e indiferente. Queria ver se Masaaki a reconheceria. Ela saltou para o chão na frente de Hinata e notou o breve assomo de surpresa no rosto dela. – Estavam treinando?

— Hai! – Disse Hinata – Tenho que ficar mais forte. Tentar, ao menos. Fui derrotada na batalha contra Pain e eu estou retornando lentamente a vida agora.

— Não sabia que tinha estado na luta. – Keiko murmurou sem querer pensar muito naquela luta e no que ocorrera em seguida – Me surpreenda que esteja viva, Hinata.

A garota corou e assentiu, dizendo baixo que quase perdera a vida na batalha. Masaaki observava a interlocução e se aproximou das duas lentamente.

— Você me parece familiar. – Disse Masaaki parecendo levemente pensativo. Keiko deu um meio sorriso.

— Pareço? – A sobrancelha foi erguida com certa ironia e a linha entre as sobrancelhas de Masaaki se aprofundou.

Keiko tinha que admitir. Era divertido. Era curioso que o autor da maior parte das fotos que mantinha em casa de si não conseguisse reconhece-la.

— Mas não conheço ninguém com esse nome ou essa atitude. – E assim Masaaki descartou a possibilidade. Ela conteve uma risada baixa. O rapaz sempre fora lógico e sensato, então, ele deveria ter catalogado a aparição como uma lembrança ruiva e apenas isso.

Seu tom de cabelo era raro, mas não impossível de encontrar.

— Ela é uma ANBU. Foi na missão para capturar Uchiha Itachi junto comigo e meu time – Disse Hinata. Keiko viu Masaaki ficar tenso a menção de Itachi, então Hinata corou ao olhar para ela. – Eu não deveria ter dito isso? Masaaki-sama é um parente, Keiko-san, e é jounin.

Keiko balançou a cabeça lentamente negando e descartou as desculpas de Hinata. Ela não sabia que Itachi fora sensei de Masaaki, então, mas a forma com que o rapaz se tornou ausente mostrou que ele não esquecera nem por um momento do próprio passado.

— Ele morreu mesmo, não é ? – Perguntou olhando o céu, ausente por um momento. – Me pergunto o que houve com a Kimi — san.

— Kimi-san? – Perguntou Hinata. Masaaki sorriu para Hinata.

— Você a conheceu, Hinata. Kumiko, lembra? Era minha colega de time e costumava seguir Itachi para todo canto. – Masaaki relatou baixo, recordando brevemente de que ele tinha apresentado as duas tantos anos antes. Hinata encarou Keiko de canto, os olhos se arregalando brevemente enquanto percebia o que acontecia ali. Ah, Hinata já sabia quem ela era, então, e se recordava que Masaaki a conhecera. – Nunca mais a vi depois do massacre dos Uchiha ou ouvi qualquer noticia dela, mas, esteja aonde estiver, acho pouco provável que não tenha... Ouvido sobre.

— Você sempre foi bom de memória, Masaaki. – Disse Keiko revirando os olhos.

— Você já está me irritando com esse tom frio, Keiko, e eu não lembro de ter lhe dito meu nome. – Disse ele começando a se irritar. Ah, aquilo era interessante. Ele tinha sido tão calmo na infância, mas, realmente, houvera traços de impaciência em Masaaki em diversos momentos.

— Você me disse seu nome a muitos anos, Masaaki. E me oportunava com o meu, pelo que recordo, ou não se lembra mais de mim? – Perguntou olhando para ele, um brilho de malicia no olhar, a voz tão fria quanto antes, todavia havia um assomo de deboche ali.

Hinata se encolheu levemente ao se encontrar entre uma batalha de gênios, mas Masaaki tinha desarmado sua irritação ao dar um passo para frente e observar a garota ruiva com atenção. Kumiko se perguntou se ele fora em sua casa naquela época posterior ao massacre. Teria encontrado o local vazio, pois tivera um ano distante da vila... Masaaki não teria tido noticias dela depois, então.

Keiko deveria parecer uma aparição.

— Kumiko? – Perguntou e a voz era baixa. Masaaki piscou, levemente incrédulo, quando ela assentiu. Ele se virou para olhar Hinata e a garota encolheu os ombros. Ela admitira que sabia. É claro que sabia. Conhecera uma Uzumaki Kumiko anos antes e Naruto não vinha sendo discreto em chama-la ou explicar quem era.

Hinata, que ela vira observando o irmão diversas vezes ao longe, saberia quem ela era.

— Na Anbu Ne mudam nossos nomes. Passei a ser chamada de Keiko a muitos anos como uma identidade genérica. – Disse Keiko dando de ombros. Nem todos que trabalhavam na Ne fizeram aquilo, ela sabia, mas Danzou tivera um cuidado especial com ela.

Ele era analítico o suficiente para saber que a Uzumaki era a herdeira da vontade, da ideologia, de Itachi e Shisui. Agora, ele esperava que ela passasse aquilo a Akane. Não sabia como faria aquilo realmente, mas... Uma coisa de cada vez. Um laço de mestre e discípulo precisava ser firmado primeiro.

— Hinata – sama, pode dizer ao seu pai que não poderei me encontrar com ele agora pela tarde? – Disse Masaaki sem olhar realmente a garota, que assentiu e entendeu aquilo como era. Uma pedida para que ela os deixasse.

Uma vez sozinhos, ele a observou novamente. Ah, Masaaki a estava medindo. Ela o vira dar aquele olhar analítico a cada Uchiha que cruzara seu caminho, a cada oponente, para encontrar falhas e rachaduras em suas armaduras.

— O que quer falar comigo que Hinata não pode ouvir? – Perguntou ela com um tom meio sarcástico. Era curioso atormentar aquela versão crescida de Masaaki. Ele costumara ser mais próximo de si do que Satsuki no inicio, pelo gênio compassivo e calmo.

Masaaki se aproximou um pouco dela e a diversão cresceu conforme percebia que ele queria tirar desconforto dela. Ele queria intimida-la? Keiko se conteve para não sorrir. Sim, ela podia se arrepender por se expor, mas Naruto a expunha o tempo todo e ela se divertia como não o fazia a muito em ver pessoas do passado pisando em ovos com ela.

— Como você ficou assim, Kimi — san? Frieza e indiferença não lhe vinham com facilidade. Onde está a garota gentil e amável que conseguia ser uma Kunoichi honrada e misericordiosa? – Ele lançou as palavras, não como acusações, mas sim como se realmente quisesse saber.

A diversão esmaeceu um pouco com aquele apelido antigo sendo invocado, assim como pelas lembranças. Era para Masaaki ser uma recordação inócua comparada as outras que possuía, mas invocar a forma como sua inocência tinha se perdido... Não era muito agradável.

— O meu caminho ninja, assim como o de Satsuki, foi muito mais duro do que parece. Aquela garota morreu. – Ela retrucou com displicência fria, como quem dava pouco para o tema, mas o respondia assim mesmo.

— Não acredito nisso. Você veio aqui seguindo a mim, Kumiko. Por que? – Perguntou ele seriamente e ela se xingou. Masaaki era muito inteligente e não teria deixado passar o que ela disse sobre seguindo alguém. Ele era o mais sério dos três alunos de Itachi; o mais centrado, fora o gênio da turma deles, junto com ela numa época longínqua aonde Keiko perdera o primeiro lugar por evitar o Taijutsu.

— Minha discípula me perguntou sobre meus companheiros de equipe e pensei em ver o que foi feito de você. – Respondeu dando de ombros. Não era mentira, mas ela não tinha como explicar que era estranho ter tantas pessoas que invocavam o seu passado sem ter feito parte dele e que Keiko ainda se sentia perdida, anestesiada, sabendo que vivia num mundo ao qual Itachi não estava mais.

Lhe faltava rumo. Faltava memórias próprias, um passado que ela enterrara e que era difícil escavar. Ela não queria escavar aquele passado, mas procurar pontos de intermédio nele. Masaaki parecera o mais... inofensivo daquele. Ela o subestimara.

Subestimara a inteligencia dele, o fato de que pessoas importantes para ele tinham se perdido naquela época também. Ele não iria deixa-la simplesmente aparecer e não questionar o por que disso. Principalmente não agora, quando ele saíra do garoto calmo que fora e que os traços de firmeza e impaciência que demonstrara na infância tinham se fortalecido no gênio de um homem feito.

Masaaki estreitou os olhos, parecendo pensar e sem enxergar nada pela mascara de indiferença dela. Ele não podia perceber seu fluxo de pensamentos, tirar nenhum sentimento de seus olhos, rosto ou postura corporal. Aquilo o estava enervando, a ruiva conseguia ver, e antes que Keiko pudesse notar, ou reagir realmente, ele já a havia segurado e tentava beijá-la.

Fúria e incredulidade subiram de si ao sentir os labios dele contra os dela, os dedos grandes segurando seus braços e ela não deu sequer mais do que alguns segundos antes de puxar uma sebon com os dedos e cravar no braço dele. Masaaki grunhiu e cambaleou para trás, a mão segurando o ferimento sangrento que Kumiko fizera em seu braço ao arrastar o metal afiado por ele de forma irregular.

Carmesim como os cabelos dela mancharam a roupa clara do Hyuuga enquanto Keiko arfava furiosamente. A garota sentia-se queimar e pulsar com uma fúria que beirava a passional; se fosse outro, Keiko duvidava que não teria rasgado a garganta em seguida. Havia pouca misericórdia em si para alguém que ousava toca-la, mas Masaaki... Ser quem era foi a unica coisa que o impediu de ser morto.

— Como você se atreve a tentar algo assim?! Você, dentre todas as pessoas, deveria saber que eu jamais corresponderia! – Keiko disse alto, os punhos cerrados na agulha e seus olhos continham um brilho assassino no qual Masaaki nunca havia visto. Não nela.

Céus, ele podia jurar que as mãos dela tremiam para ataca-lo novamente.

— Exato, eu saberia, Kimi — san. Sim, esse nome, pois a garota que tinha esse apelido não morreu. – Falou Masaaki com um meio sorriso, apesar do assomo de dor distorcer levemente seu rosto. –Somente ela seria fiel a um homem morto que jamais mereceu isso.

Não era hora, e nem a pessoa, para quem ela deveria defender a honra de Itachi. Ele jamais quisera que alguém a defendesse, então Keiko abaixou a mão com sangue e respirou fundo para observar o rosto de Masaaki e a alegria, ou o jubilo de estar correto, quase infantil em seus olhos. Ela suspirou pesadamente ao guardar a sebon.

— Estava me testando. – Concluiu Keiko levantando uma máscara para esconder um resquício de fúria e ela podia dizer que Masaaki se surpreendeu com a velocidade na qual ela se recomporá da raiva.

— Estava, é claro que estava. É a droga de uma irmã mais nova para mim, Kumiko, e sabe disso. – Disse ele com um sorriso autêntico e Keiko revirou os olhos ao se aproximar para estender a mão para o ferimento sangrento. Ele nem hesitou em deixar que se aproximasse e tratasse da ferida que ela mesma causara. – Você disse que agora tem uma discípula, é verdade? Gostaria de saber que tipo de criança insana que seria sua discípula.

— Venha comigo, então. Eu tenho que confirmar que ela não levou minha casa abaixo com aqueles dois idiotas mesmo. Estávamos treinando e eu a deixei com meu irmão mais cedo. – Ela parou o tratamento, com a ferida não totalmente curada, mas ele merecia sentir um pouco de dor depois daquele teste estupido. A careta de Masaaki dizia que ele entendia sua intenção.

Ele a seguiu quando saltou para a arvore e em direção a sua casa.

[...]

— Akane-chan! Está tão irritada mesmo? – Perguntou Konohamaru para Akane, que lhe fuzilou com seus olhos amarelos. Ele já teria ido embora, mas Naruto insistia que seria indelicado, e pior para a saúde deles, se deixassem com que Akane continuasse chateada até que Keiko voltasse.

— Se continuar eu vou lhe bater de novo, seu pivete pervertido! – A garota ameaçou com os olhos se estreitando perigosamente.

Por um momento, Konohamaru quis berrar que ela devia ter a idade dele. Então, ele resolveu aplicar o que dissera a Naruto e ter amor a vida, então ficou quieto.

— Não tenta, Konohamaru. Pelo visto ela é mais parecida com a Sakura-chan do que com a Kumiko-chan. – Disse Naruto emburrado se referindo as vezes que a amiga batia nele quando perdia a paciência. Não era como se a irmã não o cutucasse, mas a ruiva costumava ser discreta ao repreende-lo. Bufou e se jogou na grama.

[...]

— Então você não se mudou. – Disse Masaaki olhando o local. Ela assentiu e não explicou o motivo de ninguém te-la encontrado naquela época.

— Sim, meu irmão e minha discípula estão morando comigo agora. Ela era uma das crianças que Danzou-sama pegou para treinamento, só que ela tem uma Kekkei Genkai que eu preferi treinar pessoalmente. – Disse Keiko dando de ombros e vendo Masaaki estreitar os olhos levemente a menção do conselheiro.

Não tinha surpresa no rosto dele, entretanto, o que dizia a Keiko que o rapaz passara muito tempo pensando no que poderia estar por detrás desaparecimento dela e teorizou mais de uma vez sobre a linha oculta da Anbu.

— Deve ser algo grande... – Ele começou quando eles ouviram um barulho alto de impacto. Se entreolharam rapidamente, então correram para a casa. Passando pelos corredores até a grande area verde de treinamento no pátio traseiro Keiko e Masaaki pararam para observar a cena absurda que se desenrolava.

— Akane! O que isso significa ? Eu os deixo sozinhos por meia hora e você quase mata os dois? – Keiko andou a passos rapidos até a garota mais nova que arregalou os olhos e ficou pálida. O Hyuuga veio apenas um passo atrás dela, mas Akane não ousou perguntar quem era.

Eles a tinham encontrado socando Naruto e Konohamaru para o chão e claramente pronta para ataca-los novamente. Céus, Keiko iria mata-la.

— Kumiko- sama! Eles que me provocaram com aquele Jutso pervertido, eu juro! O Naruto e o Ero-Pivete!!! – Ela replicou nervosamente. Keiko piscou e estreitou os olhos. Jutsu pevertido...

Ela se virou para Naruto e Konohamaru que a encaravam esperando que ela brigasse com Akane. Naruto sabia que não iriam se dar bem quando viu a irritação fria nos olhos de Kumiko. Ah... a irmã era um pouco mais puritana do que o aconselhável... Era capaz dela se unir a Akane.

— Fez certo, Akane. Muito bem. Eles têm que deixar de serem idiotas e crescerem. – Disse Keiko dando de ombros. Naruto a olhou incrédulo. Precisava ofender? — E vejo que entendeu a manipulação de chakra básico para golpes, ao menos.

— Você é a pior irmã do mundo, Tebbayo. – Disse Naruto mal humorado se levantando e se esticando para melhorar as dores. Apontou para Masaaki assim que prestou atenção nele.– EI! E você, quem é?!

O Hyuuga mais velho encarava Naruto com claro humor no rosto.

— Sou Hyuuga Masaaki, muito prazer, Naruto. Fui companheiro de time de Kumiko na infância. – Disse ele, Naruto olhou para ele.

— Ah! Eu sei quem é você. Vi várias fotos suas nos álbuns da Kumiko-chan. – Disse Naruto encarando-o. – Quantos anos você tem? Não parece ter idade para ter sido companheiro de time dela!

— No nosso time todos nós tínhamos idades diferentes. Lembra que eu me formei antes do meu aniversário de cinco anos? – Disse Keiko para Naruto, que assentiu com o fato que tinha se esquecido.

— Pera, quatro anos?! — Konohamaru arregalou os olhos para a garota, que deu de ombros com descaso.

— Kimi-san foi um prodígio. A aluna mais genial que já passou pela academia e a mais nova a se formar. Tenho 20 anos e eu era o mais velho dos Gennins. Diria que era o único na idade correta. – Masaaki explicou — Sou Jounnin agora.

— E o outro do grupo? – Perguntou Konohamaru.

O Hyuuga encarou Keiko, mas ela não olhou para ele.

— Morto. –Ela respondeu em tom seco.

— Gomen.

Keiko descartou as desculpas com um gesto de mão e se voltou para os olhos atentos de Akane perguntando pelo desempenho dela em sua ausência. Ou tinha passado todo o tempo surrando Naruto e Konohamaru pela imaturidade deles?

— Kumiko – sensei... – Começou Akane e fez com que a mais velha revirasse os olhos.

— Vamos logo, Akane. – Disse Keiko, mas parou para encarar Masaaki. – Venha conosco. Isso vai ser interessante.

Keiko os guiou para o mesmo lugar na qual estavam antes, numa clareira mais ampla para um treino como o de Akane e que não seria tão seriamente danificada por técnicas destrutivas. Dali mesmo Konohamaru foi embora com um olhar mau humorado da ruiva e Naruto resmungou, mas o mesmo olhar frio o calou. Akane ficou quieta, mas achou que tinha demorado para ela expulsar o garoto.

— O que vai fazer com ela, Kumiko? – Perguntou Naruto confuso observando que ela pedira para que ele e Masaaki mantivessem a distancia.

— Ver o quanto ela já evoluiu com o Kekkei Genkai dela. – Respondeu e franziu as sobrancelhas pro irmão conforme ele arregalava os olhos.

— Kekkei Genkai?! Ah, isso é injusto, por que todo mundo tem que ter essas habilidades super legais?!

— Você teria se dado bem com Satsuki, Naruto. – Disse Masaaki. –Ele também era escandaloso.

— Isso era para ser um elogio?

— Oh, calem-se, por Kami. – A ruiva encarou os dois com repreensão e o Hyuuga ergueu as mãos com um sorriso – Qual vocês acham que foi meu primeiro motivo para querer cuidar dela? É claro que ela tem um Kekkei Genkai.

— Qual é a habilidade dela? – O tom de voz de Masaaki soou apenas educadamente curioso, mas, conhecendo-o bem, Keiko supunha que eles estava se roendo de curiosidade.

— Ela está me ensinado como usar, mais ainda não me disse direito o que é. Tem varias proibições no treino. – Disse Akane olhando para Keiko com expectativa. A ruiva ergueu a sobrancelha – Não deixe tocar em nada. Não toque na esfera. Sinta e me descreva qual a sensação. Imagine que é sua essencia. Se parece com o que? Kami, é filosofia demais para algo que não sei o que é!

— Visualizar antes de ter noção real é o básico que crianças costumam dominar, Akane, então me agradecerá por isso depois. – Ela se virou para Masaaki. – Lembra da heroína de Sunagakure no Sato? Pakkura?

— Uma mulher jovem e poderosa, foi uma heroína fantástica. Era uma pessoa temida, com um poder interessante, mas foi traída por Kirigakure numa missão e morta. – Disse Masaaki calmo observando a reação dela. Keiko sorriu para ele. Masaaki estava tentando saber se Keiko tinha ciência de que fora Kiri, e não Iwa como o divulgado, a responsável?

— Era uma técnica interessante a dela. Incomoda para batalhas, mas interessante. – Seu tom foi contemplativo.

— Fala como se a tivesse conhecido, Kimi-san. – Disse Masaaki e a garota deu um pequeno sorriso para ele. Não era uma concordância, mas também não era uma negação.

— Quem sabe? – Disse Keiko deu de ombros, então voltou os olhos para a mais jovem. — Akane, comece.

Akane fechou os olhos e começou a se concentrar muito. Não ajudava muito keiko não lhe dizer qual era o poder real daquilo, mas ela fez como lhe fora sugerido. Se concentrou na sensação natural do próprio corpo. O calor confortável que se espalhava, o gosto de cinzas na boca que era, apesar de bizarro, reconfortante e ela fez o selo do dragão para iniciar a técnica. Uma pequena chama surgiu em cima de sua cabeça e tomou uma forma arredondada e esbranquiçada para então surgir uma sobre a esfera branca.

Com muito custo manteve-se concentrada no próprio fluxo de chakra para sustentar a esfera pairando em cima do corpo. Sustentar ela ativa enquanto Keiko não lhe desse o comando. Suor brotava em seu corpo e apenas quando ela começou a tremer a ruiva deu o comando.

— Muito bem. Descanse. – Disse Keiko e Akane desfez a esfera queimada caindo no chão exausta quase imediatamente. – Por enquanto isso vai cansar, mas quando você aprender a usar e aperfeiçoar vai ser a única arma que vai poder usar que gasta menos chakra e que vem com a naturalidade de um membro do corpo.

— Você disse que quando eu conseguisse segurar uma me diria o que era. – Disse Akane murmurou do chão olhando a garota. Naruto murmurava com Masaaki a distancia, meio impressionado, mas ela estava exausta demais para prestar atenção.

Keiko suspirou e sentou-se no chão. Masaaki se aproximou enfim e Naruto se jogou na grama lhe dando os parabéns, super animado sobre o quão incrível parecia a técnica dela. O olhar da menina, porém, não saiu da mestre. Keiko enfim assentiu para ela.

— Akane. Seu nome significa brilhante vermelha, bem similar com a esfera que você criou agora. Costumavam chamar a última usuária dessa técnica de Pakura do estilo queimadura. Ela costumava usar no mínimo três ou quatro esferas em redoma ao redor de si ou criava uma unica de tamanho magnânimo. Essas esferas praticamente mumificam tudo que tocam e com o tempo aprenderá a fazer sem as esferas... Somente com o toque de sua pele. – A ruiva explicou com naturalidade e Akane a encarou como se ela fosse insanda.

Mas... Ela estava falando de uma técnica de assassinato!

— Por isso que a Anbu Ne quer... – Murmurou bestificada.

Ela não queria ser uma assassina, nunca nem quis ser ninja! Sua mãe morrera por causa daquele maldito Kekkei Genkai e agora a NE queria usa-la como uma assassina de aluguel sem pensamentos. Transforma-la numa arma de matar em massa. Kami...

— Por isso que Danzou me deixou treiná-la. – Disse Keiko dando de ombros com naturalidade. Naruto ainda a encarava absorto. Akane achava que ele não entendera o que significava o que ela podia fazer, mas Masaaki definitivamente entendera. – Daqui a duas semanas assumirei a liderança no lugar dele, Akane, e tenho ordens que você fique comigo para que seja o que eu fui. Uma arma mortífera pronta para proteger seu mestre a todo momento e a todo custo, mas... Eu não a estou treinando para isso.

— Espera! Eu não vou poder ficar na Ne? – Perguntou Akane em duvida se sentia injustiçada ou aliviada. Conviver com Keiko era admira-la de alguma forma, mesmo que jamais quisesse ser como ela. Ser excluído daquela aura de poder e segurança que a ruiva passava era um pouco decepcionante, mas saber que não teria que se tornar uma assassina também tirava um peso de cima dela.

Keiko viu o sorriso do antigo companheiro, mas fingiu que não o fez para não manda-lo ao inferno. Masaaki entendia o que Keiko fazia e sorriu ao concluir sua antiga melhor amiga ainda estava ali. Também era uma espécie de nostalgia que ela simplesmente o tivesse incluído naquele tipo de conversa, mas supunha que se provara de confiança para ela a muitos anos quando tapou os olhos, mesmo a contragosto, perante ao que vira sendo feito a garota por conta das insistências dela de que não se metesse. O Uzumaki loiro estava observando a conversa, com pouca compreensão total do assunto, mas observando e ouvindo assim mesmo.

— Se quiser poderá, é claro, mas não acho que esteja pronta para fazer para mim o tipo de serviço que eu fazia para Danzou. – Disse a ruiva com displicência proposital.

— Acho que está na hora de explicar o que exatamente eu faço e o que irá acontecer agora. Eu pensei um bocado enquanto o procurava, Masaaki, e, suponho que será uma boa adição aos meus planos. – Perguntou Keiko a Masaaki que a encara com curiosidade calculada.

— Não me pergunta se estou disposto? – Ele a questionou, mas então revirou os olhos com a expressão ironica dela. – Prossiga.

— Sabe o que a Ne realmente faz?

— Nenhum de nós sabe o que os membros da Ne fazem por causa do selo. – Disse Masaaki dando de ombros. Ele era um Jounin, mas já trabalhara com a Anbu diversas vezes. Mesmo ele não tinha muito conhecimento sobre aquela organização e apenas os sussurros sobre sua existência e modus operandi básico lhe tinham sido informado.

— Meu selo é diferente, obviamente, em parte por ter tido regalias e em parte por eu mesma ter ido fazendo pequenas, mas pontuais conforme Danzou foi modificando sem notar realmente o que fazia. – Disse Keiko com um olhar sombrio. Masaaki arregalou os olhos, assim como Akane.

Ela passara anos fazendo modificações básicas que seriam ativadas apenas com o chakra do lider quando ele mesmo fosse ativar suas modificações. Entrelinhas dentro de um padrão intricado e poderoso de selamento cuidadosamente traçadas para serem imperceptíveis, mas que tinham lhe dado liberdade de coleta e troca de dados que nenhum outro membro da NE possuía.

— Um movimento perigoso. – Masaaki assinalou.

— Sim, mas foi necessário. Muitas coisas assim serão necessárias a partir daqui e todos vocês tem que se lembrar disso.