A Anbu
13 A Mensagem decodificada
Tsunade se distraiu um pouco depois de tantos acontecimentos catástroficos.
— Tsunade-chan... Tsunade-chan! — Chamou o sapo, despertando a Hokage.
— Mestra, você está bem? — Perguntou Sakura.
— Sim, tudo bem. Me desculpe. — Disse Tsunade para o sapo.
— Você acaba de receber más noticias. Eu não a culpo por se distrair. — Disse Fukasaku — No entanto, você tem a importante tarefa de proteger a vila. Precisa se manter firme. Afinal as pistas deixadas por Jiraiya-chan existe além da mensagem escrita nas minhas costas. O shinobi de Amegakure capturado pelo Jiraiya está dentro da barriga dele. E mais uma coisa.
Ele fez o selo de doton e um sapo vermelho-escuro apareceu.
—Dentro desse companheiro está um dos corpos do Pain que o Jiraiya conseguiu matar. — Disse o sapo.
— Pain? — Tsunade perguntou chocada.
Shizune, Tsunade, Fukasaku, Keiko e Sakura foram para uma sala de autópsia no hospital, onde o sapo vermelho cuspiu o corpo de Pain. Sakura questionou-se, silenciosamente, pela presença de Keiko, mas então lembrou de algo essencial de um Anbu.
Eles eram mestres em desvendar segredos em corpos e então destruí-los sem deixar vestigios.
— Esse padrão ondular... É o lendário Rinnegan? — Perguntou Shizune.
Keiko assentiu. Seus rosto era impassível, mas os olhos estavam fixos no corpo na mesa.
—Exato. Se o estudarmos a fundo, deveremos encontrar pistas de como derrotá-lo. — Disse Fukasaku.
— O corpo de um shinobi é um tesouro para colher informações. Vamos reunir os ninjas médicos especialistas e começar uma autópsia imediatamente. — Disse Tsunade.
— Comecem por essas barras negras... Suspeito que seja como Nagato os controla. Receptores de chakra, se forem isso, ele os controla de longe. Isso daria um alcance maior para se afastarem dele durante batalha ou então ele nem sequer estar na batalha realmente. Eu participaria da autópsia, só que irei preparar algumas coisas do meu jutsu. Depois eu irei ajudar Naruto. — Disse Keiko saindo da sala.
O local ficou silencioso após a saída da ruiva. As mulheres não achavam Keiko agradável, mas havia uma segurança na presença dela. Como se a garota fosse invencível e isso os garantisse segurança que não teriam sem ela.
Ela correu para longe dali, indo em direção a sua casa. Chegando na casa ela seguiu até seu quarto, já que o que procurava estava muito bem escondido.
Atrás de sua cama tinha uma parte coberta por uma tela preta e branca, chegava a parecer parte da decoração, porém não era. Ela afastou a tela; ali continha uma área do tamanho de uma janela, que quando estimulada com seu chakra Uzumaki desaparecia.
Uma vez abrindo a entrada, Keiko pulou dentro do fosso que estava escondida pela barreira. Era uma entrada para o subterrâneo da casa.
Uma vez que seus pés tocaram o chão ela seguiu pelo corredor escuro que continha dezenas de salas, com as escrituras do antigo Clã Uzumaki. Todos os registros e histórias de seu clã, assim como seus próprios registros. Não havia governo que tivesses aquelas informações ou soubessem de sua existência.
Keiko segui até o fim, em uma sala parecida um uma sala de autópsia. Ali tinha seis macas, cada uma com um corpo coberto.
— Nunca pensei que eu faria isso novamente. — Disse Keiko suspirando.
Ela manteria sua promeça a Itachi. Não deixaria que sentimento algum ficasse em seu caminho; mataria qualquer um; não hesitaria usar aquele jutsu se era para salvar a vila, mas haviam questões... Ela não jogaria tudo pelo alto atoa. Tinha que ter certeza que ela seria necessária.
Foi um bom tempo ali.
Keiko passou horas e horas ali, fazendo modificações nos cadáveres. Para ser um bom usuário do Rinnegan, você antes tem que ser um cirurgião e um bom médico. Keiko fez questão de colocar novos receptores de chakra e colocá-los em lugares mais escondidos que os lugares no qual Nagato colocara os deles.
Ela olhou para o que ela costumava usar como quem falava.
Seu Caminho Tendo.
— Satsuki... Você deveria ter continuado vivo. — Disse ela baixo, num breve relance de culpa pelo que tinha sido necessário fazer.
O rapaz na mesa era novo, parecia ter dezesseis, mas na verdade tinha apenas onze. Satsuki sempre aparentara ser mais velho do que era de fato. Ele tinha um cabelo preto brilhante e arrepiado na frente, todavia, atrás ele descia liso até o ombro, onde estava preso em um rabo de cavalo baixo.
— Suki-kun, Suki-kun! Satsuki! Não me Ignore! — Kumiko gritava furiosa pro garoto de cabelos escuros. Satsuki estava em cima de uma árvore olhando para o céu pensando, algo raro na opinião de Kumiko, e Itachi e Masaaki estavam sentados na sombra da árvore, ambos rindo da fúria da garota.
Kumiko era muito calma e gentil, porém não a irrite. Ficava furiosa, ela gostava de dizer que era a personalidade barulhenta dos Uzumaki aflorando. Satsuki era genial em trazer esse mau gênio da garota à tona.
— Que foi, Kumiko? — O garoto perguntou entediado.
Satsuki era muito irritante, na opinião da garota ruivinha.
— Você está aí a meia hora, Masaaki e estávamos querendo ir treinar! Não vem conosco? — Perguntou ela pulando para o galho, quase fazendo Satsuki cair. Ele estreitou os olhos para a menina.
Ela estava com sete anos e Satsuki tinha dez. Ela já era jounin, a única do grupo além de Itachi. Satsuki quase caíra do galho novamente, pois Kumiko se movimentará e ficara próxima demais dele.
— Ainda acho que esses dois vão acabar namorando. — Disse Masaaki para Itachi, que deu um meio sorriso tranquilo e concordou.
— Também acho. — Disse enquanto Satsuki fazia um show com Kumiko sobre assustar os outros. — Uh, como ele é dramático.
Masaaki tinha onze anos. Ele usava uma bandana de Konoha na testa. Seu cabelo caía em duas mechas longas e castanhas ao lado do rosto, o resto dele era cortado curto na nuca. Bem contrário de Satsuki, ele mantinha o cabelo negro repicado na frente e longo atrás. Masaaki deixava seu cabelo no ombro, sendo que aquela parte do cabelo era lisa e ele mantinha solto.
Kumiko era o ponto colorido do grupo, com seus olhos azuis-violeta e seu cabelo tão vermelho que parecia sangue. Itachi se levantou de onde ele estava e virou os olhos para a dupla discutindo no galho. Kumiko se silenciou com a atenção do sensei e Satsuki se emburrou com a pose de aluna perfeita da menina.
— Satsuki, pare de fazer drama. Vamos logo treinar, pois, se não se lembra, você teve que ser salvo pela Kimi na ultima missão. — Disse Itachi num tom indiferente, mas que era cortante no ego do garoto. — Se continuar assim o Sasuke irá te passar.
Satsuki era primo de Itachi e Sasuke, mas tinha a idade de Kumiko, portanto não gostava quando Itachi falava aquilo, até porque Sasuke havia entrado na Academia a pouco tempo.
— Ora, Itachi, não me enche! — Disse Satsuki com cara emburrada.
Kumiko riu e deu um beijinho na bochecha de Satsuki. O garoto ficou muito vermelho, quase da cor do cabelo da garota e emburrou ainda mais com a risadinha de Masaaki daquilo.
— Não liga pra isso, Suki-kun. Uma hora você me alcança. — Disse ela para provocar.
Satsuki bufou, ainda muito vermelho.
— Não enche, sua tomate ambulante. — Disse ele antes de ela fazê-lo cair da árvore de cabeça no chão irritada pelo apelido. Itachi, Kumiko e Masaaki ficaram rindo da cara furiosa do garoto o resto do dia.
Keiko balançou a cabeça.
Se lembrar daquelas coisas não iam adiantar nada. Ela saiu da área subterrânea e notou que já era noite. Pouco depois de Iruka falar com Naruto, Keiko o encontrou naquele mesmo lugar.
— Naruto? — Keiko o chamou.
Ele a olhou e voltou a abaixar a cabeça pro chão. Ainda estava triste, apesar de tudo.
Ela se sentou ao lado dele no banco.
— Desculpe por quase ter te derrubado mais cedo. —Disse Naruto devagar, a voz meio arrastada.
Eles ficaram em silêncio por um momento. Keiko de fato não era boa naquilo, ela não estava mais acostumada a sentimentos. Mesmo seu luto por Itachi era trancafiado, oculto, restrito aos seus sonhos e lembranças reprimidos.
— Eu sei como está se sentindo, Naruto. — Disse ela olhando para o céu.
— Duvido. — Disse ele baixo. Keiko não era exatamente o que ele chamaria de expert em sentimentos.
— Jiraiya era praticamente parte da sua família, alguém que você considerava um pai ou um avô. Ele acreditou em você e te incentivou nas horas que perdia a determinação. Ele te fez forte e foi seu porto seguro, alguém que você sabia que estaria ali pra cuidar de você. Agora que Jiraiya se foi, você sente que perdeu um protetor, parte da sua família. Sente que algo sempre vai faltar. — Disse Keiko baixo. — Você sente que parte da sua própria carne se foi. Que um pedaço de você foi arrancado e jamais irá retornar.
Naruto a olhou surpreso. Ela descrevera tudo. Absolutamente tudo. Como? Ele sabia que os membros da NE matavam seus sentimentos, então como?
— Como? Pensei que tivesse matado seus sentimentos. — Disse Naruto surpreso.
Um sorriso irônico se desenhou no rosto de Keiko.
—Itachi costumava dizer que eu tinha o dom de suprimir meus sentimentos. Só que ele me pediu para matá-los, e eu o fiz. Só que, quando você estava sobre o genjutsu dele naquele dia, eu entendi que ele queria que eu aprendesse a ser forte. Era uma metáfora, queria que eu colocasse a vila acima de meus sentimentos. Ele costumava dizer que eu podia trazê-los de volta sempre, depois de suprimi-los, e que isso era parte da curiosidade sobre mim. Foi o que eu fiz, só que a diferença é que agora sou uma pessoa fria, que esta aprendendo a conciliar seus sentimentos com o mundo shinobi. — Meditou Keiko.
Aquilo era uma desculpa, ela sabia bem. Não conseguia abandonar totalmente os sentimentos com tantas memórias retornando o tempo inteiro... Não com a morte de Itachi, não com Pain a lembrando de Satsuki, não com Naruto próximo e mencionando Sasuke o tempo inteiro... Keiko trancava os próprios sentimentos o melhor que podia.
Ela mantinha seus sentimentos mortos, para que eles nunca interferissem em sua batalha. Ela dizia que selecionava quando retornavam, mas sabia que não era bem assim. Keiko podia escolher se daria vazão a eles, mas não era tão fácil.
— Como você...? — Perguntou Naruto.
— Itachi foi o mesmo para mim. Ele foi meu sensei e depois meu mestre. Me ensinou tudo, me fez forte. Foi minha família, eu o amei e o admirei mais que tudo. E eu o perdi. Eu sei o que sente, pois o perdi duas vezes, Naruto. — Disse ela o abraçando. Naruto tremeu e então se agarrou a irmã.— Jiraiya não ia querer que ficasse assim. Ia querer que continuasse treinando e se tornasse cada vez mais forte. Naruto, logo, você irá aprender um novo jutsu. Fukasaku logo deve querer te levar pra treinamento. — Continuou Keiko.
Naruto a olhou tenso. Ele se afastou um pouco, a muito contragosto, dos braços da irmã.
— Que jutsu? — Perguntou Naruto.
Keiko chegara a conclusão que o irmão tinha que aprender aquele jutsu durante o dia. Ela duvidava que os sapos não fossem passar para ele, mas...
— Se Fukasaku não ensiná-lo, eu ensino. Eu o aprendi aos quatorze anos. Conhecido como Modo Sennin. — Disse Keiko com um meio sorriso.
— Você é uma Sennin? — Perguntou Naruto chocado.
Keiko riu baixo.
— Jiraiya era o Sennin dos Sapos e eu sou das Fênix. Não é muito comum, nem todos os Sennins aprendem esse jutsu. Orochimaru e Tsunade nunca nem tentaram e mesmo assim são Sennins. Tecnicamente eu não sou, pois não sou conhecida por tal. — Disse Keiko dando de ombros.
Naruto não entendeu bem, mas não ligou.
No dia seguinte, Shikamaru procurou Naruto. Tocou a campainha várias vezes e quem abriu o apartamento foi Keiko. O rapaz se surpreendeu e hesitou.
— Hum? Quem é você? — Perguntou Shikamaru.
Era uma garota muito bonita, com um longo cabelo ruivo e uma blusa estilo kimono longa, com um short preto por baixo. Ela usava uma blusa ninja por baixo do kimono, era óbvio pois a blusa ninja tinha mangas e o kimono não. Não era civil, mas não se via a bandana dela pela roupa.
— Isso não importa. Quem é você? — Perguntou Keiko.
Ela sabia exatamente quem ele era, porém não podia demonstrar, já que Shikamaru suspeitaria. E ele não a conhecia.
— Shikamaru... O que você quer? — Naruto apareceu atrás dela com a expressão cansada e meio triste.
Keiko tentava animá-lo, e se recusara a sair do lado dele quando o rapaz insistira em sair do complexo e voltar ao apartamento, só que não dava certo. Ele não estava tão mal quanto no dia anterior, apenas ainda triste.
— Para começar... Posso entrar? — Shikamaru perguntou, deslizando os olhos de maneira hesitante pela garota e Naruto.
Keiko olhou para Naruto e assentiu. Pouco depois Naruto estava sentado na cama olhando a foto com a irmã do lado dele. Shikamaru ainda queria saber quem era aquela garota e o que ela estava fazendo ali.
Só que ele pensou na possibilidade de ela ser algo diferente de Naruto e não perguntou nada. Não era da conta dele se Naruto estava se relacionando com alguém.
— Bem? Você consegue pensar em algo? — Perguntou Shikamaru. — Ei Naruto, eu perguntei se você consegue pensar em algo.
Keiko revirou os olhos. Pegou uma senbon em seu estojo de armas, em cima do móvel próximo, que só agora Shikamaru notara que não parecia algo de Naruto mesmo. Ela espetou a agulha no ombro de Naruto, que levou um susto e a encarou meio sobressaltado.
— Kumiko... Isso dói. Oh, desculpe. O que você disse, Shikamaru? — Perguntou com a mesma voz animada de sempre, só que era fingimento. Qualquer um notaria.
Keiko pressionou os lábios numa linha fina.
— Venha comigo. Apenas venha. —Disse Shikamaru. — Pode vir também. — Disse ele a Keiko.
Eles andaram até o hospital. Shikamaru foi na frente, alcançando a garota que dera espaço para Naruto andar sozinho após algum tempo.
— Kumiko, é? — Perguntou ele pra garota.
—Sim, parece que com Naruto me chamando assim, não vou mais conseguir me manter anônima. — Disse ela.
A última frase parecia ter sido mais para si, que para Shikamaru, e o tom fora menos que um murmúrio. O rapaz ouviu assim mesmo.
— Me chamo Nara Shikamaru. — Disse ele por pura educação.
— Uzumaki Kumiko. Sou irmã gêmea do Naruto. — Disse Keiko friamante.
Shikamaru arregalou os olhos. Irmã? Gêmea... Aquilo era impossível, pois o rapaz sabia bem que Naruto não tinha familia. Ele e Naruto não eram exatamente amigos, mas conviviam não infância. Nunca ouvira falar de Kumiko.
Foi então que chegaram ao Hospital.
— O que é isso?! — Perguntou Naruto confuso em frente ao hospital. Nem mesmo Keiko havia entendido. — Por que me trouxe aqui?
— Espere. — Disse Shikamaru.—Ah! Aqui vem ela.
— Ahn?! Kurenai-sensei...Você foi hospitalizada por comer muito churrasco? Sua barriga está maior que a do Chouji! — Disse Naruto exageradamente apontando para a barriga de Kurenai.
Keiko se aproximou de Kurenai, com o olhar e a expressão mais suave e contemplativa.
— Kurenai... Bom vê-la. É pra quando? — Perguntou enquanto Shikamaru brigava com Naruto.
— Ela está grávida, não gorda! — Disse Shikamaru. — Droga, você continua o mesmo Naruto.
— Logo. Estou com quase seis meses. — Disse Kurenai a Keiko. A ruiva sorriu e Naruto viu algo incomum: os olhos azuis violeta da irmã ficarem ternos. Aparentemente ela gostava da ideia de uma família.
Isso cutucou algo doloroso em Naruto. Keiko perderá o mestre, mas também perdera o amor de sua vida.
— Ahn?! Você quer dizer... Que...? — Disse Naruto assustado.
— Shikamaru, você não precisa vir sempre aqui. — Disse Kurenai para ele, que sorriu tranquilamente.
— Desculpa, mas não posso. Asuma me pediu isso. — Keiko olhou para Shikamaru, finalmente entendendo. Pouco depois Kurenai foi embora, ela sorriu e Naruto ainda estava distraído com a descoberta.
— É um jeito interessante de ensinar uma lição para ele. Eu não muito boa nisso. — Disse ela baixo pra ele.
Shikamaru deu um meio sorriso.
— Ele é muito cabeça dura. — Disse Shikamaru.
Até que Naruto se voltou pra Shikamaru.
— Shikamaru... O que o Asuma pediu para você fazer? — Perguntou Naruto.
Tolo e ingênuo, pensou Keiko.
— Essa criança será meu aluno. Asuma confiou essa criança a mim. Eu ouvi sobre Jiraiya-sama. Eu perdi meu mestre, então não é como se eu não entendesse o que está passando. Porém, ficar chorando e de mau humor não vai melhorar as coisas. Nós já superamos essa parte de nossas vidas. — Disse Shikamaru a eles.
— O que você quer dizer? — Disse Naruto confuso.
— Meu mestre confiou a mim muitas coisas. Algumas importantes, outras insignificantes. Todos os tipos de coisas. Você também, certo? Na verdade, você deve ter uma tonelada de coisas. Você não acha que já é hora de seguirmos em frente? — Disse Shikamaru.
— Hora de que? — Perguntou Naruto.
— É hora de nos tornarmos aqueles em que se confiam. É um saco, mas não podemos ficar parados. E, eventualmente, você vai ser aquele que faz tudo por ramen e você vai ser chamado de Naruto-sensei, ou coisa assim. Não podemos ser crianças para sempre... Se quisermos ser shinobis do mesmo nível de Asuma e Jiraiya-sama. — Disse Shikamaru.
Keiko sorriu ao ver a mudança ocorrendo nos olhos e no interior de Naruto.
—Você está certo. Obrigado, Shikamaru. — Disse Naruto.
— Acalme-se. Você tem trabalho para fazer. — Disse ele mostrando a foto das costas do sapo.
Horas depois de Keiko forçar Naruto a comer algo, eles foram para o centro de decodificação.
— Você não disse uma palavra. Você viu algo, certo? — Perguntou Shikamaru. Naruto estava a séculos olhando para a foto. — Falei com a Godaime e com Kakashi-sensei, só que nenhum deles tem a menor ideia. Isso significa que o Jiraiya-sama provavelmente deixou essa mensagem para você. Não, tenho certeza que foi isso. Tem que haver algo aí.
— Se você tiver algo, diga-nos. — Pediu a garota de cabelos loiros acinzentados que estava ali. — Não estamos pedindo que você decodifique a mensagem instantaneamente.
— Tem uma coisa que está me incomodando desde a primeira vez que vi. Bem... Há todos esses números. então qual é dessa letra em katakana?
O primeiro número, nove, era na verdade a katakana Ta. Naruto explicou que Jiraiya o fazia ler os rascunhos de seus livros e ele tinha uma caligrafia estranha e escrevia a palavra Ta parecendo com o número nove.
—Por que você não disse algo importante assim antes?! — Perguntou Shikamaru.
— Bom, qual é a grande vantagem de saber que é a letra Ta? — Perguntou Naruto confuso.
Antes mesmo que Shikamaru chegasse ao fim do problema, Keiko resolveu falar.
— Qual livro ele estava escrevendo quando você descobriu isso, Naruto? Deve ter algo nesse livro, os outros números devem ser referentes a páginas do livro. — Disse Keiko antes que os outros dois falassem.
Ela entendeu instantaneamente, antes mesmo de mim! Quem é essa garota? Shikamaru se perguntou em pensamento.
— Sim, deve ser isso. — Disse a garota a eles.
Kakashi apareceu logo depois, já que Naruto não lembrava o nome do livro. Ele o tinha na mão e na capa tinha a katakana Ta.
Segundo Kakashi, aquele era o único livro de Jiraiya que começava com Ta. Keiko não queria realmente pensar no fato do sensei de Naruto ser fã dos livros pervertidos de Jiraya.
No fim estava pronto.
— O verdadeiro não está entre eles... É o que diz aqui. — Disse a garota.
Keiko estava sentada em um canto e ela arregalou os olhos.
— Isso é mal, muito mal. Porém, pelo corpo do Pain, que está com Shizune, é previsível. — Disse Keiko.
Shikamaru a olhou, questionando:
— Você entendeu? — Disse Shikamaru a ela.
— Sim, quer dizer que Nagato, o usuário do Rinnegan, não esta entre os Pain. Ele está longe apenas os controlando. Seguro e jogando com todos. — Disse Keiko.
Todos a olharam chocados.
— Como você sabe dessas coisas? —Shikamaru perguntou.
Keiko o olhou com um meio sorriso.
— Apenas tenho mais informações disponíveis do que os outros. — Ela disse fria.
Não diria nada a Shikamaru. Nagato era assunto dela e de Naruto. Família. Nagato era família, no fim das contas, um membro do Clã Uzumaki. Só que Keiko nunca contaria isso. Naruto ficaria com pena dele e tentaria fazê-lo ficar do lado deles e, infelizmente, não era isso que deveriam fazer.
[...]
— Então, Velho Sábio? Kumiko está certa? — Perguntou Naruto curioso.
— Não sei... Apenas isso fica muito vago. — Disse Fukasaku.
— Mas há algo? — Perguntou Shikamaru.
— Eu já te contei o que sei sobre Pain. Mesmo que morra, ele pode se ressuscitar. — Disse o sapo. Keiko bufou.
— Por isso que eu prefiro trabalhar com a ANBU, lá eles escutam o que eu digo. — Disse Keiko olhando para o teto.
— O que? Você é da ANBU? — Perguntou Shikamaru de olhos arregalados.
Ela levantou a manga da blusa, mostrando a tatuagem em formato circular, a tatuagem da ANBU.
Bem, isso explica muita coisa, foi o pensamento de Shikamaru.
— Eu não posso aceitar nada só de especulações. — Disse o sapo. — O que diz são especulações, garota.
— Hum, eu já tenho o Ridokkou no Jutsu pronto. E pelo que notei, Nagato e eu usamos ele do mesmo modo. Eu sei os poderes dele, acreditem ou não. Hokage-sama, irei me retirar. Se precisar de mim, estarei na sede. — Disse Keiko fria como gelo. Eles a tinham irritado. Shikamaru imaginava que se a Hokage e as suas equipes subestimavam alguém como Keiko com tanta frequência, isso fazia sentido. — Se estão tão seguros do problema, lidarei com vocês apenas por intermédio do meu líder.
— Sede? — Shikamaru perguntou ao ver a garota saindo da sala.
— A sede da ANBU NE. Kumiko não é uma ANBU qualquer, ela será a próxima Líder da ANBU NE. Danzou, o atual líder, a tem como sua favorita. Queria mantê-la como aliada, porém vejo que é impossível. — Disse Tsunade baixo, mas todos conseguiram ouví-la.— Confio no julgamento dela, mas na Anbu a palavra dela é quase Lei. Não tenho como fazer isso aqui.
— De qualquer forma, enfrentar Pain em tais condições é muito perigoso.
Muita conversa depois, o sapo convidou Naruto para treinar o senjutsu. Tsunade disse que Jiraiya era o único em toda vila capaz de usá-lo.
— Você quer vingar Jiraiya-chan, não quer? — Perguntou o Sapo.
—Claro que sim, dattebayo! — Disse Naruto alto.
— Então, venha comigo. Eu vou treiná-lo com o senjutsu no Monte Myoboku. Tudo que ensinei ao Jiraiya-chan, eu ensinarei a você também! — Disse o sapo.
— Isso me fará capaz de derrotar Pain? — Perguntou Naruto.
— Isso eu não posso garantir! Depende apenas de você, Naruto-chan. — O sapo pediu permissão a Tsunade, que concedeu. — O treinamento do senjutsu é mais difícil que você pode imaginar. Está preparado?
— O Ero-Sennin conseguiu, né? Eu não posso perder para ele! Eu farei. Mas... O que é o Modo Sennin? — Perguntou Naruto.
— É o jutsu que usa o senjutsu. — Disse Fukasaku. — Por quê?
— Kumiko me disse que se você não me ensinasse o Modo Sennin, ela me ensinaria. Ela disse algo complicado sobre Fênix. — Disse Naruto confuso.
— Uma Sennin das Fênix? Está explicado porque não gosto dessa garota. Fênix são perigosas, pois não ligam para sentimentos. São líderes e, como tal, sentem diferente. Matam por conveniência. Vida não significa nada para elas, pois o resultado final importa mais que tudo.— Disse Fukasaku tenso. Se ali tinha uma Sennin das Fênix, a vila corria perigo.
Ou talvez fosse a salvação.
Fênix era a imperatriz cósmica, a líder, e como tal, protegia o povo e o mundo.
Mas a que custo?
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