A Amazona E O Cavaleiro Das Trevas
8 Capítulo 8: Entre Morcegos e Diabos
Notas iniciais
No dia seguinte acordei às 4h 50min da manhã, Diana ainda dormia profundamente, resolvi tomar um banho e comi algumas frutas, logo estava na caverna admirando a perola que estava no pergaminho, depois de fitar longamente aquela perola brilhante peguei alguns dobrões espanhóis e decidi ir antes que Diana pudesse acordar e tentar me convencer a não ir. Fechei os olhos e esmaguei a perola, quando abri eu estava novamente perante Justiça, ela não havia mudado nada, continuava vendada, com a balança na mão direita e a espada na esquerda.
– Sr. Wayne, o que você faz aqui novamente? Circe voltou a causar problemas?
– Não... Como sabe meu nome? – Ela nunca havia me visto sem a máscara.
– Conheço cada um dos heróis que servem a meu propósito, também conheço os homens por trás deles... Wally West, Oliver Queen, Bruce Wayne, Shayera Hol, John Stewart e Kyle Raynor… Estes nomes são prova o bastante?
– Honra seu nome e seu dever... Onde está o barqueiro?
– Assuntos a tratar no Inferno? Um homem como você?
Logo pude ver o barqueiro se aproximando, a figura ainda era sinistra, quando se aproximou me impediu de entrar.
– O que houve? – Olhei para Justiça.
– Ele não pode levar alguém que não esteja morto ou não seja condenado a sofrer no Tártaro.
– Que tal uma autorização extraordinária do seu chefe? – Mostrei o pergaminho.
– Pode entrar – O barqueiro estendeu a mão, logo pus os dobrões na mão dele e entrei no barco – Desejo boa sorte, cavaleiro das trevas.
– Obrigado, posso precisar.
Ao longo do tempo em que navegávamos pelo rio Aqueronte, pude sentir um leve desespero tentar entrar em mim, mas a lembrança de Diana e a sombra do morcego não permitiram, após alguns minutos havíamos terminado a travessia, quando sai do barco pude ouvir uma voz sinistra ecoar.
– Ignore as almas temerosas e siga em frente, quando alcançar o palácio entre sem bater.
Logo ele havia desaparecido na névoa, segui enfrente como ele recomendou. Apesar dos gritos serem intensos, continuei andando sem fitar o que havia em minha volta, ao avistar aquele enorme palácio, empurrei aquela enorme porta, quando a fechei a única luz era a das tochas que iluminavam um enorme corredor, o cheiro de enxofre era intenso e ao final dele entrei por outra porta, quando a fechei pude ouvir uma voz grave e intensa e causou um leve eco.
– Bem vindo ao Inferno mortal – Era Hades acomodado em seu trono, mais tochas iluminavam aquele salão, a aura sinistra e infernal impregnava o lugar – Vejo que pude incentivá-lo a vir.
– Causando uma disfunção entre o Inferno e a Terra mexeu com meus deveres e a carta que me entregou relatando saber do meu envolvimento com Diana e exigindo que eu viesse... Sutil, exatamente como eu soube que você é, voltando ao que realmente interessa, o que quer falar?
– É direto mortal?! Gosto disso – A imponência dele era quase irritante, continuava com a mesma armadura que usou em nosso primeiro encontro no subterrâneo de Themycera – O que quer para...
– Nada – O interrompi prontamente – Se quer que eu deixe Diana, e sei que é o que quer, desista.
– Mortal, não é a toa que até mesmo Justiça chega a elogia-lo, sua mente é admirável – Ele me analisava, era perceptível, cada palavra que saía de minha boca era objeto de estudo para ele – Porém minha proposta é irrecusável... Ofereço-lhe seus pais de volta em troca da distancia que você deve ter de minha filha.
– Já disse... Não aceito sua oferta, meu sogro – O provoquei, tentando embaralhar sua mente e confundir a analise dele.
– Chega! –Ele se levantou furioso – Não lhe dei a liberdade para usar tais termos perante a mim, sei que quer muito minha filha, mas resistira à tentação de ter seus amados pais novamente?
Hades havia entrado em minha mente e criado uma ilusão onde eu estava na minha caverna, meus pais estavam ao meu lado, olhando meus trajes de Batman e sorrindo orgulhosos das vidas que eu havia salvado. Minha consciência me dizia claramente que aquilo era um sonho, mas o desejo de vivê-lo era grande. Continuei fitando essa ilusão sabendo da verdade até que a voz de Diana ecoou em minha mente, como quando Mongul havia feito o mesmo a mim anteriormente usando a Mercenária Negra, a voz dela ecoava mais e mais gritando meu nome. Soube naquele momento que ela rezava por mim, recobrei a minha consciência, mas minha mente ainda estava presa à aquela ilusão, como quando nossos sonhos foram invadidos por John Did, o maníaco manipulador de sonhos, soube que eu era capaz de voltar a realidade e como havia feito anteriormente tentei novamente, porém eu enfrentava o poder de um deus, e apesar disso a ilusão começava a fraquejar, como se Diana me desse a força dela para que eu ganhasse aquela luta, minutos se passaram como se fossem horas enquanto Hades tentava me manter lá até que eu aceitasse a proposta dele, mas ao final de nosso pequeno confronto, eu literalmente abri meu olhos e pude ouvir aplausos de Hades.
– Impressionante... Nenhum mortal jamais pode fugir de minhas ilusões, vejo que sua mente não é comum... Wayne, não é? Como conseguiu?
– Diana, a voz dela me deu forças – O encarei, como se o desafiasse a me convencer a desistir.
– Mortal... Não... Você não é um mortal qualquer Wayne, você é ágil e inteligente, percebi isso quando nos enfrentamos em Themycera, mas sinceramente achei que o outro... O de capa vermelha seria mais o estilo dela, superforte, voa... Achei que ele era quem ela amava.
– Não... Ele é comprometido – Aquela declaração me afetou, até eu anteriormente pensei daquela forma, mas agora é diferente – Escute Hades, ainda não estou morto para ser torturado por você, não irei desistir de Diana, fomos longe demais para desistir de nós agora.
– O quão longe você e ela foram? – Ele estava nervoso.
– Estamos noivos, achei que você sabia – Ergui minha mão arqueando minha sobrancelha.
– Eu quero dizer... Você sabe... Você e ela já?
– Não lhe interessa, traiu seu irmão e os outros deuses por ambição, levou vergonha a mulher que dizia amar e por isso perdeu o direito de criar Diana, agora vem bancar o pai atencioso? Só pode ser piada...
– Chega! Quem é você para me julgar mortal? – Hades estava furioso, me pegou pela camisa e me levantou fitando meus olhos com imensa raiva – Como se atreve? Não sabe nada sobre mim.
– E você? Sabe algo sobre mim? O bastante para dizer se sou ou não merecedor de Diana? – Para mim naquele momento, não estava diante do poderoso senhor do Inferno, apenas do pai de minha amada, meu sogro Hades – Não pense que só porque é um deus, pode decidir tudo sobre a vida de nós mortais ou sobre o amor sendo que já traiu a confiança da mulher que diz ter amado.
Aquelas palavras afetaram Hades, ele soltou minha camisa e me deixou no chão, logo ouvi um suspiro, o vi abaixar a cabeça para pensar, era como se ele imaginasse o que havia perdido do crescimento de Diana, o pesar que ele havia causado em Hipólita.
– Acha que algum dia elas me perdoariam? – A voz dele não tinha mais o tom onipotente e aquela irredutibilidade natural de um deus.
– Caso continuasse a se mostrar arrogante e intocável, não, sei por experiência própria que isso não dá certo, se quer perdão, tenha humildade para pedi-lo, arrogância só atrapalha – Naquele momento foi como se o próprio Hades se esquecesse da condição que tínhamos de Deus e Mortal e só existia o sogro Hades e seu genro Bruce.
– Ela já mora com você?
– Sim, se instalou em minha casa há algum tempo...
– Acha que ela me receberia?
– Depois que soube que era sua filha talvez pegue leve, mas nesse assunto nada é certo, se quer saber não é só a cor do cabelo que ela puxou a você, ela também é cabeça-dura e arrogante...
– Não sei se sinto orgulho por ter dado a ela isso...
– É normal... Geralmente esses sãos os traços de personalidade passados pelo pai – A essa altura, Hades havia se acalmado e voltado a seu trono, conversávamos normalmente.
– Me receberia em sua casa, ou melhor, acha que ela me receberia?
– Talvez... Mas sem esse ar onipotente e arrogante.
Ele havia se levantado, quando chegou até o meu lado, estendeu a capa me encobrindo.
– Então vamos!
Chamas nos encobriram e em um instante estávamos diante do portão de minha mansão.
– É aqui que vive? Se eu soubesse que minha filha casaria com um mortal, mas teria ao menos um pouco de conforto teria pegado leve...
– Pode trocar essa armadura por uma roupa mais... Comum?!
As chamas o encobriram novamente e após elas desaparecerem ele estava vestido como eu.
– Melhor?
Não disse nada, simplesmente abri o portão e fui andando, Hades já me seguia, naquele momento admito que nem imaginava o que viria a seguir.
Fale com o autor