A Amazona E O Cavaleiro Das Trevas
9 Capítulo 9: De pai para filha
Notas iniciais
Acordei naquele dia decidida a impedir que Bruce fosse ao Inferno e se eu falhasse iria junto com ele, porém quando me virei e vi que estava sozinha naquela cama, percebi que já era tarde demais. Levantei-me e passei algum tempo na banheira, cada segundo que se passava pareciam horas, o barulho de uma gota caindo da torneira da banheira e batendo na água me impedia de perder totalmente a noção de tempo. Desci até a caverna sem ao menos pensar em ir à cozinha, minha aflição impedia que eu tivesse fome ou um mínimo de apetite, quando cheguei lá fui andando lentamente até a roupa de Batman que lá estava, quando fiquei perante ela minha aflição cresceu uma vez mais e então cai de joelhos, tudo o que fiz dali em diante foi rezar a Hera que protegesse meu Bruce dos males que Hades poderia fazer a ele e que o trouxesse de volta aos meus braços. Rezei por muito tempo, até que ouvi a porta da sala se abrir e pude ouvir a voz dele.
- Diana, Alfred cheguei .
- Bruce?! – Logo após dizer o nome dele, corri como uma louca até a sala, quando vi a figura dele ali parada voei até seus braços – Ela atendeu minhas preces, Hera te trouxe de volta pra mim – Dei um longo beijo em seus doces lábios, que fora interrompido pela entrada de Hades pela porta.
- Olá Diana, presumo que se lembre do meu rosto – Hades estava sério, porém elegante com as roupas casuais que usava.
- O que faz aqui seu demônio? Você foi banido! – Estava furiosa, como Bruce poderia ter trago Hades pra nossa própria casa.
- Diana não, ele veio... Conversar...
- Como pôde acreditar que esse... Homem pode ter vindo apenas para conversar?
- Eu vim... Quis conversar com minha filha, isso se tornou um crime? – Hades estava calmo, perdeu aquela imponência e arrogância.
- Podemos ao menos conversar durante o almoço? Como pessoas civilizadas? – Bruce já se dirigia a sala de jantar.
Fui atrás de Bruce e abracei seu braço – Porque o trouxe aqui?
- Vocês precisam conversar como pai e filha...
- Ele não é meu pai e nunca agiu como tal...
- Dê a ele a chance de falar com você sem interrupções ou batalhas, para que vocês possam conversar pacificamente sem trocar socos ou ofensas – Ele olhou fundo em meus olhos antes de se sentar a mesa e me dizer – Sabe que a chance que estou tendo de conhecer melhor seus pais você não poderá ter com meus pais, não é? Então faça isso por mim ou ao menos ouça o que ele tem a dizer antes de chutá-lo de nossa casa.
Fui incapaz de dizer “não” perante o pedido de Bruce, Alfred serviu o almoço sem dizer nada desnecessário, apenas alguns cumprimentos antes de sair para aproveitar o dia de folga que Bruce o havia dado. O almoço começou sem palavra alguma sendo dita, quando Bruce estava prestes a quebrar o silêncio, Hades o fez.
- Então Hipólita te confirmou o que eu havia lhe dito na visita que me fez acompanhada da sua amiguinha alada?
- Sim, ela disse isso pra nos alertar que você viria a nos causar problemas, parece que ela estava certa.
- Na verdade nã... – Bruce havia sido interrompido por Hades.
- Sim ela estava certa, tentei coagir o Wayne a desistir de você...
- Como se eu não soubesse... Que bom que a mente dele é mais forte que suas ilusões... – Decidi provoca-lo, estava decidida a ver até onde Hades estava disposto a ir pra me conquistar como sua filha.
- Na verdade Diana foi você que me deu forças pra sair da ilusão de Hades, sua voz me fortaleceu – Bruce não estava do lado de ninguém, mas parecia me forçar a ouvir Hades e suas explicações.
- É, sua fé a aquela maldita Hera realmente me irrita – A simples menção a Hera parecia irrita-lo e para impedir que Bruce me repreendesse, resolvi deixar de lado a ideia de provocar Hades.
Após o almoço nós três caminhamos pelo jardim da mansão, eu estava abraçada a Bruce enquanto Hades andava ao nosso lado admirando as flores, quando começou a escurecer, Bruce recebeu uma ligação.
- Diana, eu tenho que sair, o dever chama...
- Não vai me deixar sozinha com Hades, não é? – Sussurrei no ouvido dele.
- Na verdade sim, hoje é a inspeção trimestral que faço com Gordon à Arkham, não posso faltar.
- Você não pode fazer isso comigo.
- É seu pai e quer se conciliar com você, não fará nada de ruim contigo meu amor, conversem a sós, vocês precisam dessa privacidade.
Bruce não falou mais nada, tudo o que ouvi em seguida a descida dele foi o barulho do Batmóvel saindo em disparada. Fui com Hades até o terraço onde ficamos na pequena estufa que lá havia, antes pertencente a minha sogra, Martha e agora vivia aos cuidados de Alfred, enquanto olhávamos a lua, até que ele quebrou o silêncio.
- Sabe a história de como tudo aconteceu, não é filha?
- Sim conheço e não me chame de filha – Já queria soca-lo pela petulância.
- Não, não faz nem ideia do que se passou entre eu e Hipólita...
- Sei sim, você a usou para libertar os titãs.
- Mas não sabe que apesar deste ter sido meu objetivo inicial, quando comecei a tentar seduzir Hipólita, foi ela quem me conquistou com a doçura do beijo dela, o brilho daqueles lindos olhos azuis, que você também tem – Sorriu – E o cheiro inebriante daqueles lindos cabelos loiros... Logo percebi que a razão que me levava a trair o Olimpo havia se transformado, anteriormente era apenas para ter o poder que Zeus detinha, agora era para que nem ele, nem Hera ficassem no meu caminho, pois se eu admitisse meu romance com sua mãe, eles iriam se colocar contra nós, então continuei sem dizer nada a sua mãe... Naquela altura de nosso romance, já havíamos esculpido você, nossa linda menininha de barro, tão delicada e bela, mas como eu sabia que guerra estava por vir, decidi só soprar vida em você quando tudo terminasse... Quando perdi e Hipólita descobriu tudo, pensou que eu a havia usado e mentido sobre meus sentimentos e envergonhada se ofereceu para ser minha carcereira...
- O que ela pensou sobre você foi confirmado pelo jeito que agiu quando voltou por intermédio de Fausto, a arrogância, imponência e desrespeito, o que mais poderia ter pensado?!
- Acha mesmo que eu iria expor meus sentimentos, me humilhar por amor diante de seis mortais que não significavam nada pra mim? Mantive a mascara até que eu pudesse ficar a sós com ela e contar-lhe a verdade, mas quando vi você lá, ouvi você se referir a Hipólita como “mamãe”, não acreditei que ela havia soprado vida em nossa menininha mesmo me odiando.
Não acreditei no que estava acontecendo a minha frente, Hades, meu pai, estava ali confessando seus erros e duvidas, mostrando os sentimentos que ele tinha, abandonando o orgulho e a arrogância apenas para ter meu respeito. Ele apoiou os braços na grade do terraço e continuou a falar.
- Quando voltei ao Inferno só então entendi que o amor dela por mim ainda existia apesar de misturado a vergonha e ao ódio por causa da traição e quando você foi lá novamente, fiquei feliz de ter a menininha que eu e Hipólita criamos juntos ao meu lado para me ajudar a combater meu desafeto e me devolver meu trono, foi a primeira vez que me senti feliz depois de ser exilado...
Naquele momento, quis agradecer a Bruce por ter me convencido a ouvi-lo, mas tudo o que fiz foi puxar Hades e dar a ele um abraço, não disse uma palavra, já era demais abraça-lo, mas pude sentir que ele correspondia, naquele momento ele tentou dar o carinho de pai que não pode por anos, era fácil ouvir o coração dele bater, continuei abraçada por meu pai até que senti uma lagrima cair entre meus cabelos, em seguida ele se afastou escondendo o rosto.
- Chorar é normal... Papai – Sorri enquanto via o resto de meu orgulho desaparecer com aquela ultima palavra –
- Papai?! – Ele olhou de volta incrédulo – Você disse mesmo isso, minha filha? – Outra lagrima caiu do rosto dele.
- Sim, meu pai – Ao ouvir a palavra ser dita por mim novamente ele me abraçou de novo, porém mais forte e dessa vez eu podia ouvi-lo dizer baixinho – Eu te amo minha filha, me perdoe por tudo...
Ficamos lá abraçados, na tentativa de compensar todo o tempo perdido, até que percebi que estávamos sendo observados por Bruce.
- Desculpe interromper o momento feliz, mas não estão com fome? Trouxe pizza
- Bruce, você voltou – Pulei nos braços dele enquanto Hades cobria as lagrimas do rosto.
- Podemos descer Wayne? Estou curioso quanto ao sabor desta... Pizza...
- Vamos então meu sogro – Ele me pegou no colo e foi descendo as escadas enquanto Hades seguia atrás de nós.
- Ainda não te dei a liberdade pra me chamar de sogro Wayne, se controle.
Enquanto comíamos na sala, Bruce e Hades riam enquanto ele dizia como torturaria as almas dos arqui-inimigos de Batman, apesar de Batman ser contra aquilo, parecia que Bruce gostava de ouvir, como uma piada apenas. Quando o relógio já quase batia meia-noite, meu pai se levantou e deu um beijo em minha testa, logo voltando a vestir sua armadura casual.
- Tenho que voltar ao inferno minha filha... Cuide bem dela... Bruce, vocês tem minha benção e aprovação para se casarem – Então ele sumiu entre as chamas que o encobriram.
- Obrigada – Pulei no colo de Bruce – Que bom que ouvi você, pude conhecer um lado de Hades que jamais imaginei que existira...
- De nada – Ele beijou levemente meus lábios – Tudo pela sua felicidade.
Bruce estava sorridente, sentiu como eu estava realizada, tinha superado meu orgulho e ganhado um pai, me pegou no colo e me levou até nosso banheiro, tomamos uma deliciosa ducha juntos e fomos dormir, novamente eu estava aninhada em seus braços sob nossas cobertas, o calor era aconchegante que logo me levou a dormir.
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