A Última Chance - J e of
6 Capítulo 6 - Eu não vou parar agora
Notas iniciais
POV Daniel
Eu estava com a Julie em meu colo quando a ambulância chegou. Tive que ficar visível para os enfermeiros enquanto eu carregava Julie até a maca. Nem deixei os enfermeiros carregá-la. Eu não queria me desgrudar do lado dela. Bia também entrou na ambulância e sentou ao meu lado. Eu estava do lado da Julie, bem perto dela, segurava a sua mão. Chegamos ao hospital e levaram a Julie para ser atendida. Eu e Bia ficamos esperando.
— O que será que ela tem? Estou muito preocupado. – eu disse para a Bia.
— Calma, Daniel. Vai ficar tudo bem. Ouviu? Vamos esperar e ouvir o que o médico tem a dizer.
— Será que aconteceu alguma coisa com o bebê?
— Não sei. Vamos torcer que não. Fica calmo.
Ficamos esperando por incansáveis meia-hora. O médico finalmente apareceu por uma daquelas portas brancas daquele corredor enorme.
— Quem está acompanhando a senhorita... – parou para ler na prancheta. – Senhorita Julie?
— Somos nós. – Bia se prontificou. – Está tudo bem com a Julie?
— Bom, podemos dizer que ela está bem melhor agora. Os exames indicaram um alto teor de álcool em seu sangue, além de uma alta dose de LSD. Conseguimos estabilizar seu quadro clinico, mas ela precisará passar a noite aqui no hospital para ficar em observação. Ela está tomando um soro, estava muito fraca. E, felizmente, o bebê que ela espera está muito bem apesar disso. Quero alerta-lhes que fiquem de olho a partir de agora. Ela pode muito bem voltar a consumir drogas. Uma vez viciada, as chances de continuar sendo são grandes. Bom, não tenho mais o que fazer. Vou atender outros pacientes. Ela está acordada se quiserem vê-la. – ele disse e saiu.
Fiquei ouvindo o que o médico dizia atentamente. Fiquei muito triste pelo que a Julie tinha feito. Mas não tanto. Isso é por culpa do idiota do Nicolas. Se ele não... O que ele fez mesmo? Preciso perguntar isso para a Julie depois.
— Nossa, a Julie está completamente louca. Por que ela fez isso. Ela estava querendo se matar no mínimo. Cara, LSD. Eu nunca pensei que a Julie fosse capaz de ir tão longe. – Bia disse.
— Acredite. Estou tão impressionado quanto você. Acho que até mais. Me faz sofrer pensar que a Julie está quase se matando por causa daquele verme do Nicolas. Eu vou lá ver ela.
— Ta bom. Depois eu também quero vê-la.
Saí em direção ao quarto que Julie estava. Abri a porta e ela me lançou um sorriso lindo. Não tive como não sorrir de volta. Me aproximei da cama, peguei sua mão e, com a mão livre, toquei seu rosto.
— Ah Julie. Por que você faz isso? Você não sabe o quanto eu fiquei preocupado. O que o Nicolas fez dessa vez, hein?
— Ele... Eu vi... Ele... – Julie começou a chorar. – Ele...
— Shhh... Não chorar... Não precisa contar mais se você não quiser.
— Não... Eu falo. Eu vi o Nicolas beijando a Thalita.
— Thalita? Mas ela não estava na Califórnia?
— Estava, mas ela voltou a uns dias atrás. Voltou para me infernizar.
— Calma. Não adianta se estressar com isso. Não acredito que ele fez isso com você, sabendo que você está grávida. Ele não presta mesmo.
— Ei. Quem estava dizendo que não adianta se estressar com isso. – ele riu e eu ri também.
— Ta bom. Mas mesmo assim, eu não posso deixar de ficar com um pouco chateado com você. Você me prometeu que não faria mais nada parecido como daquela vez. E olha só onde estamos. Num hospital. – dei uma pausa. – Onde você escondeu?
— Escondi o que? – ela perguntou se fazendo de desentendida.
— Você sabe? Onde?
— Não vou falar. Você vai jogar fora assim como você fez com as bebidas.
— E eu vou mesmo. Se você não contar, eu procuro por mim mesmo. Você precisa parar com isso. Isso não é a solução para todos os problemas. Tem muitas coisas que você pode fazer ao invés de ficar usando essas porcarias. A Bia está ai e quer te vê.
— Manda ela entrar. – assenti, sai e chamei a Bia.
POV Julie
Daniel está com essa ideia obsessiva de me fazer parar. Mas eu não quero parar. Não quero e não posso. É tarde para voltar atrás. Eu preciso disso pra suportar a dor. Chorar já não me adianta mais. Quando eu bebo, por exemplo, eu me sinto mais viva, mais forte, sinto que posso tudo. Ele pode até jogar aquelas cápsulas fora, mas eu posso conseguir mais e até outras coisas diferentes.
No fundo eu fiquei feliz com ele preocupado comigo. Ficamos conversando por um tempo. Na verdade ele estava me dando lição de moral. Que chato. Ele saiu e segundos depois a Bia entrou.
— Oi Julie. Ah, minha amiga. Por que você fez isso? Bom, esquece. E ai? Você está melhor?
— Melhorando. – na verdade, eu não estava nada melhor. – O Daniel ficou mesmo muito preocupado comigo?
— Preocupado demais. Achei até que ele fosse chorar de tão preocupado que ficou. Ele está te ajudando muito nos últimos dias. Ele gosta mesmo de você.
— É. Talvez. – não pude deixar de sorrir. Bia não viu. Ainda bem, senão seria zoação 24 horas.
— Eu já vou. Não avisei pra minha mãe que eu vinha aqui. Você já sai amanhã. Ainda bem que é sábado. Eu venho amanhã ok. Tchau. – e ela saiu.
Passei o resto do dia naquele quarto branco sem graça. Até chegar a noite, eu comi aquela comida ruim do hospital e dormi.
POV Daniel
Tive que voltar pra edícula. Eu queria ficar no hospital com a Julie. Mas acho que eu chamaria atenção demais por lá. Um cara esquisitão e todo pálido. As pessoas iam estranhar e até ficar meio assustadas.
Cheguei na casa da Julie e me lembrei da droga que ela comprou. Fui ao quarto dela procurar. Fiquei procurando por uma hora até eu conseguir acha a cartela de LSD. Finalmente. Dessa vez, ela escondeu muito bem. Peguei toda aquela porcaria e joguei fora. Fui pra edícula. Lá encontro Félix e Martim.
— Daniel. Você sumiu o dia inteiro. O que aconteceu? – Félix perguntou.
— A Julie está num hospital. – eu disse, me sentando no sofá.
— A Julie? Por quê? O que ela tem? – Martim perguntou.
— Lembram quando ela estava bebendo? – eles assentiram. – Então. Hoje ela passou mal porque tomou umas cápsulas de LSD. É uma droga ilícita.
— Nossa. Mas, ela está bem? – Félix perguntou.
— Está. Felizmente. Mas, vai passar a noite no hospital. Amanhã ela está de volta. Mas não quero pensar nisso. Ela está bem. Não quero saber de clima de tristeza aqui. Vamos tocar?
Pegamos os instrumentos e tocamos até a noite.
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