A Última Chance - J e of
4 Capítulo 4 - Era pra ser uma boa noticia
Notas iniciais
POV Julie
Acordei pela manhã meio indisposta. Estava parecendo que eu não tinha passado uma boa noite de sono. Estava cansada. Mas mesmo assim, eu precisei levantar. Tinha que ir a escola, já que eu tinha perdido algumas aulas. A Bia tinha trazido a matéria pra mim, mas não é a mesma coisa de assistir a aula. Além disso, não posso ter muitas faltas no boletim, a frequência é importante. Senão repete mesmo.
Fiz minha higiene e me vesti. Me despedi dos fantasmas e fui pra escola. No meio do caminho encontro com a Bia.
— Oi, tudo bem? – eu perguntei.
— Tudo ótimo.
— Oi meninas. – Nicolas disse. Ele me deu um selinho.
— Oi Nic. Tudo bem? – perguntei.
— Tudo bem e vocês duas?
— Estamos bem. – respondemos em uníssono.
Chegamos à escola e fomos direto pra sala. Assisti os primeiros horários impacientemente. Não estava passando bem. Estava sentindo meu estômago revirar. Finalmente o intervalo começou e eu saí da sala. De repente, me senti tonta. Quase desmaiei, se a Bia não tivesse me segurado.
— Julie, o que você tem?
— Não sei. Não estou me sentindo bem desde que me levantei hoje. Eu... – parei subitamente com uma louca vontade de vomitar, estava muito enjoada. Saio correndo para o banheiro e vomito muito. Lavei minha boca e a Bia entra no banheiro.
— Eu estou preocupada com você. Você está bem?
— Não sei, estou um pouco enjoada.
— Será que não foi alguma coisa que você comeu?
— Sei lá. Deve ser.
Sai do banheiro, procurei um bebedouro e bebi um pouco de água. Depois me sentei num banco e Bia sentou a meu lado. Eu precisava respirar um pouco pra ver se o enjôo passava. O sinal do intervalo tocou e eu nem percebi como passou rápido. Voltei pra sala junto com a Bia. As últimas aulas, assim como o intervalo, passaram muito rápidas e logo eu já estava voltando pra casa com a Bia, Valtinho e Nicolas. Nicolas e Valtinho se despediram de mim e da Bia e foram para um fliperama. Eu e Bia continuamos o caminho de volta pra casa. Eu continuei reclamando do mal-estar, até que a Bia me questionou uma coisa que me deixou intrigada.
— Julie, a sua menstruação está atrasada esse mês? – ela perguntou me olhando meio desconfiada.
— O que você está querendo dizer com essa pergunta, Beatriz?
— Ah, sei lá, Julie. Você está tendo esses enjôos, quase desmaiou hoje umas duas ou três vezes, depois, no último horário, você me disse que estava com vontade de comer bife de fígado, daqueles com bastante cebola, — ela parou de andar e eu parei ao seu lado, com ela me olhando. – e, além disso, seus seios então mais... Mais... Sabe? – Bia procurou fazer gestos com as mãos pra que eu entendesse o que ela queria dizer.
— Ah Bia. Para. Você não acha que eu estou... Estou... Aahh... Acha?
— Quem sabe. Você e o Nicolas... Vocês... Éé... Sabe... Vocês já transaram né? Muitas vezes, que eu sei. – Bia disse. Eu só consegui ficar muito vermelha, muito mesmo. Isso só serviu de resposta pra sua pergunta, que era mais uma afirmação e que precisava de uma confirmação. – Pois bem, — ela continuou. – da última vez, vocês usaram camisinha ou não?
— Eu não sei. Sim, não, sei lá. Não faz pergunta difícil, Bia.
— Só responde, Juliana. Vocês usaram camisinha?
— Acho que não. Da última vez que eu e o Nicolas... A gente... “Cê” sabe né? Então. O Nicolas estava um pouco bêbado, não falava coisa com coisa. E eu acabei fazendo contra a minha vontade. Ele não estava em condições, mas ele me forçou. Acho que ele nem lembrou de usar.
— Ah, não Julie. E agora? Olha. Vai lá pra minha casa que eu vou compra um teste de farmácia. Me espera que eu já volto.
Fiz o que ela me pediu. Fui pra sua casa. Minutos depois ela apareceu com a aquela caixinha assustadora. É sério. Eu podia ver a caixinha me encarando, com um olhar de reprovação. Loucura? Eu sei. Agora o meu medo era se eu fizesse esse teste e ele confirmasse essa gravidez. A Bia continuava balançando o teste pra mim esperando que eu o pegasse. E peguei. Fui ao banheiro, fiz o teste e esperei. Estava morrendo de medo de ver o resultado. Mas, encarei o medo e olhei. Li o rótulo. Dois pauzinhos é positivo. Dito e feito. Deu positivo. Olhei para aquele teste, que mais parecia um termômetro, e soltei um suspiro de decepção. Eu ainda tinha esperança que pudesse dar negativo. Bia abriu a porta do banheiro e colocou a mão no meu ombro.
— E aí? – mostrei o teste pra ela e ela apertou a mão que estava em meu ombro como se quisesse me acalmar.
— Esses testes de farmácia não são 100% seguros, né? Pode dar errado, não é?
— Talvez. – Bia deu uma pausa longa. – Espera. Eu tenho uma amiga médica. Ginecologista. Eu posso te levar no consultório dela. Aí, ela confirma se você está ou não grávida. Não se preocupa. Ela não vai contar a ninguém. Prometo.
Assenti e fomos nessa médica amiga da Bia. Fomos atendidas bem depressa. Fiz alguns exames e esperei a médica se pronunciar.
— Bom, Julie. Os exames já estão prontos. Você está realmente grávida.
— Droga. E agora, Bia?
— Calma. – ela virou pra médica. – Tchau, obrigada pela ajuda. – a médica acenou e saímos do consultório. – Para começar, você tem que contar para o Nicolas.
— Mas, será que ele vai gostar?
— Não sei, talvez. Você só vai descobrir se você contar.
Bia foi embora. Enquanto isso, eu mandei uma mensagens para o Nicolas pedindo que ele me encontrasse. Marquei de encontrá-lo na praça. Estava ansiosa pela reação do Nicolas. Fiquei fantasiando em minha cabeça o momento em que eu contasse para ele. Já podia imaginar o brilho dos olhos dele quando eu dissesse que o fruto do nosso amor estava crescendo em meu ventre. Finalmente seriamos uma família.
Vejo ao longe Nicolas vindo em minha direção. É agora.
— Oi Julie. Aconteceu alguma coisa?
— Aconteceu. Por isso eu te chamei aqui. Eu queria te contar que eu... – sou interrompida pelo celular do Nicolas que toca insistentemente.
— Ah, desculpa. – ele desliga o celular. – Era a Thalita. Ela voltou da Califórnia e não para de me ligar. Você ficou sabendo?
— Não. Mas agora eu posso falar ne? – ele assentiu. – Bom eu queria dizer que eu... Eu estou grávida.
Nicolas ficou calado, me encarando. Sua expressão era indecifrável. Eu não sabia dizer se isso era ruim ou bom. Até eu chamar sua atenção e ele, finalmente, falar alguma coisa.
— Julie. Eu não acredito... Eu... – o interrompi.
— É maravilhoso... Não é? – sorri, mas meu sorriso sumiu assim que ele falou.
— Não. Não é maravilhoso. É péssimo. Não posso ter um filho agora. Ainda sou jovem, quero aproveitar a vida sem preocupação ou responsabilidades. Não posso e não quero. Não quero esse filho. Sinto muito Julie. Acho melhor você tirar, sei lá.
— Tirar? Você é louco. Achei que você ia gostar e...
— Mas eu não gostei. Eu não quero saber desse filho. Ou você tira ou... – ele pausou — A escolha é sua. Quando você se decidir, você volta a falar comigo. Ok?
E o Nicolas saiu, me deixando com um aperto no peito. Uma vontade de chorar imensa. Eu nunca pensei que o Nicolas pudesse ser assim, tão sem coração. Pelo jeito, eu me enganei com ele. E mais uma vez, o Daniel tinha razão. Ele é um cretino. E um cretino sem coração. Como assim ele quer que eu tire? É agora que eu quero ter esse filho sim. E ele vai nascer sem pai, porque não quero um pai como o Nicolas para o meu filho. Ainda nem nasceu e já passa por isso. Coitadinho. Meus olhos já estavam banhados em lágrimas que caiam sem parar por meu rosto. Saí correndo dali sem nem olhar direito pra onde eu ia. De repente, encontro o Daniel, eu nem o tinha visto antes.
— Julie. O que aconteceu? Por que você está chorando.
— Dani, me leva pra casa. Lá eu te explico o que aconteceu. – eu disse. Ele passou o braço por meu ombro e me levou pra casa. Chegando lá, sento no sofá e falo.
— Daniel, eu estou grávida do Nicolas.
Ele me olhou e em vi em seus olhos uma pontada de tristeza. Meu coração ficou cada vez mais pequenininho.
— Grávida? – ele olhou pra baixo, não podendo esconder o quanto estava decepcionado. – Você devia estar feliz. Não é? Vai ter um filho do cara que você ama.
— Esse é o problema. Eu contei pro Nicolas e ele disse que não queria esse filho.
POV Daniel
Quando a Julie me disse que ela estava grávida do creti... Quer dizer, do Nicolas, eu não pude esconder a minha decepção. Eu confesso que fiquei muito triste. Um filho deles existia e agora a Julie vai estar presa ao Nicolas pra sempre por causa dessa criança. A sensação de raiva e de decepção foi maior quando a Julie disse que o Nicolas não queria esse filho. Como assim não? Ele a ajudou a fazer e agora pula fora. Senti-me ferver de raiva.
— Como assim esse cretino e cafajeste não quer o filho? Ele vai assumir sim. Quem ele pensa que é.
— Ele não quer e ainda me mandou tirar o filho.
— O QUE? Esse viado não tem amor à vida. Ele vai assumir sim, nem que para isso eu tenha que matá-lo. Ele não é ninguém pra dizer que você tem que tirar a vida de uma criança que ainda nem nasceu.
— Calma, não adianta ficar nervoso por nada. Não quero mais saber do Nicolas. Eu, por mim, vou criar sozinha. Não preciso dele pra nada.
Abracei a Julie. – Você tem razão. Ele pode até não querer esse filho, mas ele vai dar o nome dele pra ele. Eu posso te ajudar a criar. Vou ser um pai pra seu filho, não se preocupe. Vou ser um pai muito melhor do esse monte de merda do Nicolas. – eu disse. Julie deu uma risada. Sorri, era bom vê-la sorrindo, vê-la alegre. O Nicolas não merece as lágrimas dela.
— Obrigada por tudo.
Notas finais
Eu queria abrir uma mini-enquete. A pergunta é: O que vocês seriam capazes de fazer por alguém que amam muito?
isso é só por distração msm, mas tem td a ver com a minha fic.......bjinhos e até o proximo capitulo....
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