A Última Chance - J e of

5 Capítulo 5 - Acabando com o meu emocional


Notas iniciais
mais um capitulo............desculpa a demora, mas é a falta de tempo mesmo..............espero que gostem desse capitulo........boa leitura............

POV Julie

Eu estava, a cada dia, mais péssima. Acordei pela manhã incrivelmente exausta. Na noite anterior eu chorei até meus olhos arderem. Minha cabeça parecia querer explodir. Ontem contei para o Nicolas que estava grávida. Sua reação foi a que menos esperava. Ele não quer assumir esse filho. Ainda não tive coragem de contar para o meu pai. Acho que ele vai ficar muito decepcionado comigo. Tenho medo da sua reação. Talvez eu devesse esperar, ou talvez pedisse uma ajuda para alguém antes de fazer isso. Daniel está sendo um grande amigo comigo. Está me ajudando em tudo.

Me levantei hesitante. Eu não queria ir, mas precisava. Fiz minha higiene e fui. Passei pela sala e encontro o Daniel.

— Oi. Vai pra escola? Você está bem? Acha que está em condições de ir? – Dani perguntou. Fiquei até tonta com tantas perguntas.

— Calma. Não se preocupa. Eu estou bem. Obrigada. Você é um grande amigo.

— É. Amigo. – ele disse, abaixando a cabeça. Vi a tristeza em seu olhar. – Boa aula então. – ele disse e me abraçou. Não entendi o seu jeito. Preferi deixar pra lá.

Saí de casa. Cheguei à escola e encontrei a Bia. Contei tudo pra ela e ela ficou espantada. Mas do que eu.

— Não acredito nisso. Julie, eu nunca pensei que o Nicolas fosse assim. Eu estou chocada. Pelo jeito, o Nicolas não é o que você pensou. Né?

— É. Eu chorei o dia inteiro ontem. E estaria chorando até agora, se não fosse o Daniel pra me animar. – eu disse sem pensar.

— Daniel? Como assim? – Bia perguntou, arqueando a sobrancelha.

— É. O Daniel ué. O que tem de mais?

— Nossa. Ele é rápido né? Nem esperou o lugar do Nicolas esfriar e já botou as garrinhas de fora. – Bia disse, rindo muito da minha cara. Fiquei meio com raiva. Quer dizer, com uma raiva artificial.

— Bia. Para com isso. Deixa de ser boba. Não tem nada a ver. Nós somos só amigos.

— Sei. Amigos. Julie. Pára de negar pra você mesma. Eu sei que você é afim do Daniel. Não disfarça.

— Quê? Que afim o que? Ta louca?

— Não estou louca. Estou sendo realista. Isso sim.

Fomos pra sala antes que a Bia continuasse com o seu incansável discurso. Mal entrei e encontro o Nicolas conversando animadamente com a Thalita. Eu tinha até esquecido que hoje era o primeiro dia dela na escola depois do seu regresso da Califórnia. Eles estavam bem perto. Perto demais. Mesmo chateada com ele, eu confesso que fiquei morrendo de ciúmes deles dois. Eu ainda amo o Nicolas, mesmo depois de tudo o que ele me disse. O Nicolas ainda era o garoto que eu me apaixonei perdidamente anos atrás. Mesmo com a mudança repentina do seu jeito de ser. Ele parecia doce, fofo, carinhoso e muito compreensivo. Mas ontem ele se mostrou um verdadeiro monstro, um canalha sem coração e sem um pingo de consideração comigo. Eu mais parecia uma mocinha de novela mexicana, que no final das contas acabou sofrendo pelo galã, que ela achou que fosse um príncipe. E só depois de, praticamente, comer o pão que o diabo amassou, ela, a ingênua e tola apaixonada, percebe que o seu amor verdadeiro estava ao seu lado e ela não viu. Aquele mesmo que ela vivia chamando de amigo. Amigo... Foi inevitável não lembrar do Daniel nessa hora. A Bia podia muito bem ter razão. Eu podia mesmo estar afim do Daniel. Mas não sei. Acho que esse “amor” não é recíproco. Ele é um fantasma e ele nunca poderia me amar. Ele sempre me odiou, ele me chamava de cretina e me dizia que eu era imprestável até para cantar, que eu não servia para ser cantora de rock. Será que o Daniel poderia amar uma viva? Eu não sei.

Com esses pensamentos, fui em direção a minha carteira e me sentei. Passei toda a aula reparando a troca de olhares da Thalita e do Nicolas. Estava me mordendo de raiva. Nem percebi que a aula tinha acabado até a minha amiga Bia estralar os dedos na frente dos meus olhos. Recolhi meu material e sai da sala. Do lado de fora da escola encontro Nicolas e Thalita aos beijos. Isso pra mim foi o fim. Despedi da Bia e corri. Corri o máximo que eu podia. Logo já estava em casa.

Me tranquei no quarto. Encostei as costas na porta e deslizei por ela, até que eu me sentasse. Fechei meus olhos e lágrimas caiam cada vez mais. De olhos fechados, a imagem daquele beijo aparecia em minha mente, muito visível. Isso me fazia sofrer mais. Com as duas mãos, bati nas minhas têmporas tentando esquecer as lembranças, esquecer tudo. Levei minha mão em meu ventre. Acabou me fazendo lembrar da noite que esse ser foi concebido.

FLASHBACK ON~

Eu e Nicolas estávamos em uma festa. Percebi que Nicolas bebia sem parar. O repreendi dizendo que ele estava bebendo demais e que ele devia parar. Ele me chamou de chata e dizia que ia beber o quanto ele quisesse e que não era para me meter. Preferi deixá-lo se “estabacar” e fiquei quieta em meu canto. Estava sentada em um sofá e Nicolas pediu para ir embora. Eu tive que levá-lo carregado. Ele não conseguia andar, nem parar em pé. Pensei um pouco. Decidir que era melhor levá-lo em casa e depois eu poder ir para casa. Abri a porta da casa dele subi as escadas e o deixei no quarto. Quando eu estava passando pela porta, Nicolas me puxou pela cintura e fechou a porta.

— Nicolas, me larga. Tenho que ir pra casa. – disse tentando me soltar.

— Não Julie. Fica. Eu te quero. ahukru................... – Nicolas começou a falar enrolando. Palavras indecifráveis que eu não entendia nada.

— Não Nicolas. Não vai dar. Me deixa ir.

— Não. Você vai ficar. Você é minha... – disse.

Nicolas me empurrou pra cama dele. Tirou as suas roupas e depois tirou as minhas. Ele estava muito afobado, como se tivesse a anos sem transar. Ele deitou sobre mim e me penetrou sem nem esperar. Ele estava se divertindo, eu não. Eu não estava sentindo prazer. Estava sentindo nojo, repulsa. Ele estava bêbado e totalmente fora de si. Quando acabou, ele virou pro lado e dormiu. Eu me vesti, peguei as minhas coisas e fui pra casa.

FLASHBACK OFF~

Lembrar disso fez meu sangue ferver. Naquela noite, o que fizemos não foi amor, foi só uma transa. Não tinha sentimento naquele ato. E isso é o que mais me revolta. Foi a primeira vez que me senti usada, me senti suja, me senti uma qualquer. Só então parei para pensar que esse serzinho que eu carregava não é fruto de um amor. É fruto de uma noite qualquer.

Ainda não aceitando essa dor em meu peito, me levantei daquele chão frio e vasculhei em minhas coisas a busca de um papel dado a mim dias atrás quando comprei toda aquela bebida. Assim que encontrei encarei aquele número de telefone e o dono do telefone. Cabeça. Nome estranho. Sem me preocupa disquei o número e esperei que eu fosse atendida. Escuto uma voz grossa do outro lado da linha.

— Oi, é a Julie. Acho que você sabe o que eu quero.

— Claro gatinha. Eu já levo na sua casa. Posso ir, né?

— Pode. Meu pai e meu irmão não estão.

— Ok. Já chego ai. – e o celular é desligado. Pronto, agora é só esperar.

Dez minutos depois, a campainha toca. Desço as escadas e atendo a porta.

— Está ai. Olha, cuidado viu. Moderação, lindinha. – o tal do Cabeça disse.

— Ta, eu sei. Não enche. – fechei a porta, subi pro meu quarto e tranquei a porta.

Procurei debaixo da cama uma garrafa de vodka, a minha favorita. E a única que sobrou daqueles dias em que eu me embebedava. Agora eu vou fazer de um jeito diferente. Olhei para meu mais novo aliado. Uma cartela de LSD. A abri e peguei umas 4 cápsulas. Escondi as outras. Peguei um copo e enchi de vodka. Escondi a garrafa também. Tomei aquelas cápsulas de uma vez só e dei uma golada da bebida, para ajudar a engolir. Senti que minha garganta queimava. A sensação era 10 vezes maior do que se eu tivesse só bebido. Bebi o resto daquele “líquido do alívio”, como eu havia apelidado carinhosamente, e esperei que ele fizesse efeito. E minutos depois eu já começava a sentir-me mais leve. Me joguei de costas na cama e senti minha visão mais fraca. Minhas pálpebras pesavam. Eu não estava mais em mim. Me sentei com dificuldade na cama. Olhei para a porta fechada. Forcei minha visão para enxergar melhor. Vi Nicolas parado me olhando. Ele se aproximou de mim e começou a me bater. Eu não conseguia me mexer. Quando dei por mim eu estava indo ao chão. Eu apaguei.

POV Narradora

Julie estava sobre o efeito da droga e por pura alucinação, pensou ter visto Nicolas. Ela tentou se defender do vento, por achar estar se defendendo do imaginário Nicolas, acabou tonteando, caindo no chão e desmaiando.

POV Daniel

Eu estava na edícula tocando a minha guitarra e a Bia entra do nada.

— Bate na porta. Pode ser?

— Daniel, eu não tenho tempo para as suas ironias. Eu estou procurando a Julie. Achei que ela estivesse aqui. Deve estar no quarto. – Bia ia sair, mas a interrompi.

— Bia. Espera. O que aconteceu com Julie?

— O Nicolas. Como sempre. Depois ela te explica essa historia melhor.

— Eu vou com você. Quero saber mesmo o que aconteceu e ver como ela está.

Eu sai atrás da Bia e fomos em direção ao quarto da Julie. Bia girou a maçaneta. Estava trancada.

— Julie... Julie... Abre aqui. Sou eu, a Bia. – Bia deu leves batidas na porta.

— Deixa. Eu atravesso. – eu disse e atravessei.

— Julie, você est... – paro de falar assim que vejo a Julie desmaiada perto da cama. Me abaixo perto dela e a balanço levemente. – Julie. Julie, fala comigo. O que aconteceu com você? Julie, meu amor. Responde. Por favor. – me desesperei. Levantei e destranquei a porta. – Bia, a Julie. Ela está desmaiada. Me ajuda, por favor.

— Ta. – ela entra. Depois virou para mim. – É melhor chamar um médico.

Assenti. Peguei Julie no colo e a levei para a sala enquanto a Bia chamava ajuda. Fiquei abraçado ao corpo da minha... Quer dizer, da Julie, enquanto a ajuda não vinha.

Notas finais
se gostaram e se não gostaram também, deixem reviews.............não me matem plis...............até o proximo capitulo........