A Última Aurora

9 Cicatrizes Que Aprendem a Viver


A Roundtable Hold tornou-se um ponto de regresso, não de abrigo absoluto, mas de pausa. O quarto do berço continuava intacto. A criança crescia lentamente, como se o tempo ali se movesse de outra forma.

A Recluse aproximava-se dele com cuidado, como se ainda não acreditasse totalmente no direito de ali estar. O Guardian observava-a à distância, respeitando o espaço que ela própria exigia.

— Tenho medo — confessou ela um dia. — Não de o perder… mas de não merecer ficar.

O Guardian aproximou-se por trás e envolveu-a num abraço firme.

— O merecimento não apaga o passado — disse. — Mas o que fazemos agora é dá-lhe sentido.

Ela virou-se para ele, os olhos húmidos. Beijou-o, um beijo lento, profundo, sem desespero. Quando se separaram, encostou a testa à dele.

— As cicatrizes ficam — murmurou.

— Ficam — concordou ele. — Mas deixam de nos guiar.

Nem todos os dias eram fáceis. Havia noites em que o Guardian acordava com o som de gritos que já não existiam. Havia dias em que a Recluse se afastava, esmagada por memórias que não pediam licença para regressar.

Nesses momentos, não se salvavam mutuamente. Apenas permaneciam. Sentavam-se juntos. Tocavam-se. Respiravam no mesmo ritmo. E isso bastava.

A Noite continuava a existir. Mas já não era inimiga, nem juíza. Era apenas parte do mundo que aprenderam a habitar juntos.

E, pela primeira vez, Nightreign não parecia um fim mas um lugar onde a vida, apesar de tudo, continuava.