A Órfã Doce
20 Sequestro Parte 2
Notas iniciais

Entramos no prédio, Rosalya fez um sinal para cada um checar. Eu e Kentin fomos primeiro, ficamos de costas um para o outro apontando as armas para o corredor. Estava vazio. Fomos checando corredor por corredor. Rosalya explicou que precisaríamos pegar um caminho mais longo para não darmos de cara com a maioria dos caras armados.
– Peguem as armas deles se vocês ficarem sem munição. – Rosalya falou.
– Isso não é contra lei? – Kentin perguntou.
– Não perguntei nada a você. – ela retrucou olhando para Kentin.
Kentin fez bico e foi checando os outros corredores comigo.
– Estamos na metade do caminho. – Rosalya falou checando o GPS.
Avançamos muito rápido porque Rosalya pediu que deixássemos as bolsas no sótão, levamos apenas a munição necessária. Estava correndo na frente, ouvi o barulho de algo caindo no chão. Assim que avistei uma granada perto do meu pé, a chutei o mais longe possível, era uma granada de fumaça. Foi uma questão de tempo até lançarem mais três. E acabamos nos perdendo na fumaça.
– Rosalya! – a chamei, em seguida senti uma mão segurando a minha e correndo em um corredor que a fumaça não alcançava. – Kentin?!
– Corre, sua anta. – ele falou me empurrando, fazendo com que eu corresse mais.
Uns caras nos alcançaram, cessei a corrida para atirar, eram dois, assim que acertei no ombro de cada um segui com Kentin. Observei que logo apareceram mais cinco homens, um deles estava com uma bazuca.
– Não vai dar tempo! – Kentin gritou me puxando.
Como ali era uma fábrica de reciclagem, haviam saídas para o lixo. Eram gavetas onde as pessoas abriam para por o lixo separado, logo os mesmos seguiam por uma larga tubulação e eram deixados em enormes caçambas de lixo.
Kentin com as duas metralhadoras abriu um buraco na parede. Enquanto corria ele se abaixou para tomar impulso e entrar na tubulação, assim que ele fez isso eu o segui. Parecia um escorregador, quando cheguei no final Kentin estava lá e me segurou com os braços.
Vi um laser vindo de cima, era a mira de uma arma. Quando levantei a cabeça vi o cara da bazuca atirar. Puxei Kentin para baixo e empurrei a caçamba de lixo que virou de lado. Estava me recuperando, minha visão ficou embaçada e só escutava um zumbido alto no meu ouvido. Assim que dei por mim, estava deitada ao lado de Kentin.
– Kentin. – o chamei me afastando.
Cambaleei um pouco tentando me levantar, Kentin levantou com a mão na cabeça que já sangrava um pouco.
– Ok. – falei me levantando com dificuldade. – Vamos seguir.
As metralhadoras de Kentin haviam ficado sem munição e por acidente ele soltou a munição quando foi atravessar pela tubulação. Dei minha arma a ele, abri a blusa tirando dois pentes de balas e o entregando.
– Não seja maluca. – ele recusou me devolvendo a arma.
– Eu insisto. – empurrei a arma para ele e abotoei minha blusa.
– Então como vai se defender? – ele perguntou me olhando.
Peguei a faca de combate que estava presa a perna. Havia um machado dentro de um suporte de vidro, com o cabo o quebrei e peguei o machado.
– Nós vamos seguir. – falei pegando o machado. – Eu vou seguir o que a Rosalya disse.
Subimos de volta aos corredores. Seguia sempre atrás de Kentin, já que estava com o machado. Logo encontramos Rosalya. Havia sete homens à frente. Havia vários corredores e o corredor central, Kentin e eu estávamos no corredor da direita e Rosalya na esquerda. Kentin e Rosalya estavam se comunicando por sinais. Tomei a arma de Kentin e atirei em todos os caras rapidamente.
– É assim que se faz, seu amador. – provoquei entregando a arma para ele.
Corri até os caras com o machado na mão. Estava revistando um até outro aparecer apontando a arma para mim. Cravei o machado na perna dele sem pensar duas vezes.
Todos aqueles caras tinham o mesmo rifle, coletei a munição de todo mundo. Abri alguns botões da blusa e guardei as munições.
Pelo visto nossa presença no prédio não era novidade. Lançaram uma granada de fumaça, na mesma hora senti minha pele rasgar. Senti uma fraqueza enorme, fiquei em posição de mira, com um joelho no chão e o outro levantado. Assim que eu vi que estavam atirando. Deitei-me no chão e rolei para um dos corredores menores ao lado de Kentin.
– Ah Meu Deus! – Kentin falou ao ver o sangue. – Eu mandei usar o colete, sua teimosa.
– E quem fez o favor de perder a munição? – retruquei. – Eu vou ficar bem. – falei soltando um inevitável gemido de dor.
Olhei no GPS. Faltavam poucos corredores para chegar. Por sorte o tiro pegou de raspão na parte esquerda das costelas. Se tivesse acertado em cheio eu tinha morrido com uma perfuração no pulmão.
Kentin se jogou no corredor principal junto com Rosalya, os dois atiraram em todo mundo.
– Deixa o rifle. – Rosalya mandou. – Pega isso. – ela me jogou uma pistola.
– Certo. – falei pegando a pistola.
Um cara apareceu de lado, Rosalya segurou o queixo dele e virou para o lado esquerdo quebrando o pescoço do mesmo.
– Você mandou não matar ninguém. – eu falei.
– Eu sei o que eu falei. Não precisam ficar me lembrando. – ela falou ofegante. – Falta pouco, vamos!
Rosalya abriu a porta com um chute, os seis cara da quadrilha estavam lá. Eram seis contra três.
Um veio para cima de mim, tentei usar a arma. Facilmente ele a tirou de mim, já que eu estava debilitada. Peguei a faca que estava na perna e cravei no peito dele, a tirei e fiz o mesmo com outro homem mais próximo.
Em um piscar de olhos todos estavam no chão. Coloquei a mão no meu ferimento que ainda sangrava, os meninos estavam em cadeiras amarrados com cordas, peguei a faca e fui cortando rapidamente. A ultima cadeira foi a de Castiel, assim que cortei as cordas, caí nos braços dele. Minha visão embaçava.
– Lynn. – Castiel se desesperou, talvez por ver o ferimento. – Vamos tirar ela daqui.
O caminho da sala para a porta principal era muito mais curto do que o caminho que fizemos para evitar todo o pessoal armado. Castiel me levava nos braços, minha vista embaçava mais. A ultima coisa que eu lembro de ter visto foi a ambulância e a policia cercando o prédio.
Abri os olhos lentamente, senti a brisa bater no meu rosto suavemente. Ainda sentia dores devido ao tiro. Ao me sentar, notei que estava numa cama, bem fofa por sinal. Olhei para os lados e logo me veio uma dúvida.
– Onde estou?! – gritei bem alto me desesperando.
– Nossa. – ouvi uma voz de lado. – Você é muito escandalosa.
– Castiel?! – pronunciei seu nome o olhando. – Onde eu estou?
– Não é óbvio? – Castiel me olhou arqueando a sobrancelha. – Na minha casa, você ficou desacordada por uma semana.
– Uma semana?! – gritei ficando de queixo caído.
– Sim. – ele falou vindo até mim e ficando de lado à cama. – Levar um tiro não é pra qualquer um.
– Não levei um tiro. – cruzei os braços. – Pegou de raspão.
– Mas mesmo assim, você se machucou. – Castiel retrucou fazendo uma careta. – Tem que descansar.
– Mas nem pensar! – falei me levantando. – Vou sair daqui. – ao levantar senti uma tontura e dor, coloquei a mão no local ferido.
– Está vendo, sua teimosa! – Castiel me empurrou para a cama. – Precisa dormir.
– Minha tutora... – falei olhando para Castiel. – Ela tem que saber...
– Kentin falou com ela. – Castiel sorriu para mim. – Ele disse que a mãe dele é amiga da sua tutora.
“Como?!” – pensei comigo. – “Como a Tia tem contato com algum parente do Kentin?”.
– Deixei uma coisa pra você aí no criado mudo. – Castiel apontou para o criado mudo. – Eu vou indo, espero que goste. – ele se retirou corando.
Assim que ele bateu a porta, suspirei e me deitei de novo. Encarei o ambiente, era um quarto bem decorado. Não aparentava nem ser de menina e nem de menino. Vim na casa de Castiel com Rosalya e Kentin para aquela sala subterrânea, como estávamos só de passagem, logicamente que eu não iria conhecer a casa inteira.
“Pobre Rosalya, ela testou os meninos para ver se eles estavam preparados para se defenderem. Acabou que aconteceu o que ela temia”. – pensei soltando um longo suspiro. – “Ainda bem que conseguimos completar nossa missão”.
Olhei para a caixinha enfeitada no criado mudo, a peguei puxando o laço para abri-la. Ao abrir me deparei com um vestido e uma lingerie com estampa camuflada.
– Aquele pervertido! – bradei para mim mesma. – Vou torcer o pescoço dele como uma toalha molhada.
– Não foi Castiel. – uma pessoa se pronunciou entrando na sala. – A Rosalya quem comprou. – a mulher falou. – Sou a policial Kim. – ela foi se aproximando de mim. – Rosalya pediu que eu viesse entregar-lhe isso, não sabia que iria acordar hoje.
– Onde Rosalya está? – perguntei.
– Ela foi embora ontem. – Kim falou soltando um suspiro. – Ela é uma boa amiga, queria que ela pudesse ficar aqui. – sua voz tinha um tom de lamentação.
– Oh! Claro! Vim aqui com outro proposito. – ela sorriu mudando de assunto. — Vim em nome do departamento de policia lhe entregar essa medalha de honra. – ela falou estendendo-a para mim. – Aquela quadrilha realizava dois sequestros diários. Vocês tiraram um grande peso da cidade, agora eles estão onde eles merecem, atrás das grades!
Segurei a medalha, feliz. Realmente acabei não só ajudando quatro pessoas, acabei fazendo um bem maior para a população. Acho até que valeu a pena ter me machucado desse jeito.
– Fizemos a cerimônia de premiação ontem antes de Rosalya ir embora. – Kim contou fazendo uma expressão pensativa. – Castiel até pediu que nós adiássemos para que você pudesse participar. – ela riu. – Bem... Mas não dava, já que Rosalya tinha coisas pra fazer no departamento de policia da outra cidade.
– É... É uma pena. – soltei um suspiro.
– Bem, se me der licença eu já vou indo. – Kim olhou para a porta e colocou a mão na cintura. – Obrigado mesmo.
Assim que Kim saiu, me enrolei nas cobertas até cobrir a cabeça, fiquei lá, corada. Lembrando-me de quando fizemos a missão, de como foi interessante trabalhar com Kentin. De como foi um alivio cair nos braços de Castiel, já que eu sabia que tudo aquilo iria acabar.
– A Rosalya já foi espiã. – Kentin sorriu a me ver com a roupa. – Essa era um dos disfarces dela. A roupa não está frouxa?
– Não. – respondi me olhando no espelho. – Por quê?
– Porque a Rosalya é gostosa e você não. – Kentin revirou os olhos.
Logo uma veia pulsou na minha testa e eu fiz uma careta. Depois do que Kentin falou sobre Rosalya, ele parecia ter uma queda por ela. Apesar de que dar em cima da irmã de um cara vingativo com Castiel deve ser perigoso. Talvez fosse só minha impressão, uma mulher bonita como a Rosalya deve no mínimo ter um namorado.
A porta abriu novamente, tirei as cobertas do rosto e virei de lado para ver quem era.
– Fala aí! Popozuda! – Alexy exclamou todo animado entrando dentro da sala.
– Oi Alexy! – o cumprimentei corando.
– Alexy, não fale com as pessoas assim. – Armin repreendeu fazendo uma careta e cruzando os braços. – Não liga não Lynn, ele fala com todo mundo assim.
– Se você não estivesse machucada, eu te daria um abraço muito forte. – Alexy sorriu sentando-se na ponta da cama. – Eu queria muito agradecer à você.
– ele pegou minha mão, logo vi que seus olhos brilhavam. – Quando você ficar melhor, eu vou te levar pro shopping com certeza.
– Certo. – respondi sem jeito dando uma risada constrangida.
– Nossa Lynn, queria ter visto você em ação. – Armin deu um sorriso sentando-se na outra ponta da cama. – Você devia estar parecida com a Lara Croft ou com a Ada Wong.
– Isso é modo de agradecer? – Alexy interrogou batendo a mão na testa.
– Eu já ia agradecer. – Armin fez bico. – Obrigada, Lynn. – ele segurou minha mão ficando com o mesmo olhar que Alexy, os dois me olhado do mesmo jeito.
“Isso é meio estranho”. – pensei enquanto dava um sorriso sem graça.
Armin e Alexy foram embora, pois Castiel havia dito que eu precisava descansar. Bobagem dele, a nossa conversa estava divertida.
Após três dias, eu chamei a Tia para vir me buscar, apesar que Castiel fez um barraco para que eu ficasse e blá blá, acabei decidindo voltar para casa. O ferimento estava quase todo cicatrizado, eu já estava pronta para voltar a trabalhar e estudar novamente.
Ao chegar à escola de manhã, todos estavam reunidos a frente da TV da cantina. Aproximei-me de para ver do que se tratava, senti um frio na espinha. Até as “três belezas” olhavam para mim impressionadas.
“De novo não”. – pensei engolindo a saliva.
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