Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a morangochan. Na ultima vez que eu fiz esse capítulo, as mina ficaram tudo confusa, então irei adiantar. Mika = tia. Miki = vocês vão saber. Boa leitura.

Já haviam passado três dias desde que Kentin e eu voltamos para casa, nada tinha acontecido depois disso.

“Que bom que Lana conseguiu”. – pensei.

Já íamos para a escola normalmente, já que não havia mais desculpas para faltar. De manhã cheguei, coloquei minhas coisas na carteira ao lado da de Lana, observei. Suas coisas estavam na carteira, mas ela não estava.

Fui até o jardim, onde encontrei Kentin tocando um som no violino. Quando ele me viu, parou.

– Por que sempre faz isso? – cruzei os braços.

– Iria perguntar o mesmo. – ele suspirou. – Vá passando. Vai para a piscina, certo?

– Não. – balancei a cabeça de modo negativo. – Não estou mais indo para lá, estou sem vontade. – falei me sentando no banco que tinha ali.

– Brigou com a Iris? – Kentin suspirou, sentou-se a meu lado. Já sabia que eu não sairia para que ele ficasse sozinho e em paz novamente.

– Não. – fiz bico. – Só não tenho mais vontade...

– Sério que eu tenho que aguentar essa sua meninice? – Kentin revirou os olhos.

– “Eu sou seu irmão”. – falei a frase que era autoria de Kentin enquanto fazia uma voz mais grossa e toda desengonçada.

– Eu já disse uma vez pra você parar de cu. – ele me deu um leve empurrão.

– Isso é modo de falar em um local público? – cruzei os braços e fiz bico. – As pessoas veem você como exemplo nessa escola.

– Problema dos que veem, eu não pedi para que eles fizessem isso. – Kentin levantou-se e apoiou o violino no ombro. – Vaza.

– Treine em casa. – fechei a cara.

– Me infernize em casa. – ele revirou os olhos ainda querendo me expulsar.

– Como você é chato. – fiz bico.

– Eu vou ter que bater em você? – Kentin fez uma expressão de saco cheio. – Porra, me deixa quieto aqui.

– Eu vou sair, mas não porque você mandou. – me levantei de braços cruzados, antes de sair andando ainda mostrei a língua para ele.

Tudo que eu queria era conversar com alguém. Desde que Lety chegou Iris não falava muito comigo, não sabia onde Lana estava e pelo visto Kentin estava de TPM.

Saí pela escola andando vagamente sem rumo, cheguei cedo demais, o horário de aulas ainda estava meio distante. Eu juro que eu não queria, eu juro que eu daria um mortal para trás para que isso não acontecesse, mas eu esbarrei em Ambre.

– Olha por onde anda. – ela falou em um tom rude.

– Você quem esbarrou em mim. – revirei os olhos, na verdade nem deveria ter respondido, já que eu não estava com saco para aguentar as bobagens de Ambre.

– Vamos embora, Ambre. – Charlotte pediu suspirando.

– Sua amiga Lana. – Ambre arqueou a sobrancelha. – Ela é bem hipócrita, quase comeu a cara da Lety e agora está amiguinha dela.

– Como?! – a olhei, incrédula.

– Isso mesmo que você ouviu. – Ambre cruzou os braços. – Estão na piscina se eu não me engano.

Não dei tempo para mais palavras, já fui pisando duro em direção à piscina. Passei pelo jardim, onde ouvi um suspiro sentido de Kentin, apenas ignorei e segui na mesma postura. Ao chegar à piscina, Iris e Lety estavam nadando e Lana apenas observando sentada numa cadeira mais distante para não se molhar.

– Lana. – a chamei.

– Bom dia, Lynn. – ela me sorriu docemente. – Vim aqui ver a piscina, você já me falou que gostava de vir aqui, fiquei curiosa para ver como era.

– Ela é muito gentil. – Iris sorriu me olhando.

– É, ela é uma boa menina. – Lety confirmou, Lana ainda sorria.

“Você caiu mesmo nessa, Lana?” – pensei dando um leve suspiro despercebido.

– Pensei que não tivesse vindo hoje. – inventei uma desculpa qualquer para tirar Lana dali. – Preciso falar com você, Lana. Tenho uma novidade para te contar.

Observei a cara de curiosidade que Lety fez, aquela linguaruda apenas ficaria no gostinho da curiosidade. Aliás, nem tinha o que contar, era só uma desculpa para que Lana não se infectasse com o parasita “pentelhus Leticius”.

– Por que está falando com Lety? – interroguei baixinho, fora da sala da piscina.

– Apenas observando. – Lana cruzou os braços. — Observando pela superfície, ela nem é aquela coisa horrorosa que você mencionou.

– Pode crer que eu tenho meus motivos para pensar assim. – murmurei. – Espero que não caia na laia dela. Se cair, me desculpe, mas você é burra. – Lana fez bico, aborrecida. – Falta de aviso é que não foi.

– Eu sei, eu sei. – ela repetiu cruzando os braços. – Pelo menos eu descobri uma coisa.

– Que coisa? – interroguei não muito interessada.

– Há uma menina aqui na Sweet Amoris que está grávida. – Lana mordeu o lábio, pensativa. – Lety disse que descobriram depois que ela saiu com um dos meninos do F4.

– Deve ser mentira. – cruzei os braços virando a cara.

– Não seria o Kentin, seria? – perguntou Lana, com um tom de preocupação.

– Como pode ser ele? – questionei. – Kentin vive em casa, ele não anda saindo com garotas e muito menos as levando para casa.

– Então será... – ela pausou, dava para ver que ela não tinha pensado num nome para falar.

– Deve ser só boato de menina fofoqueira. – fiz bico. – Ela falou o nome da menina pelo menos?

– Não. – Lana respondeu. – Ela disse que ouviu isso da Nina.

– Nina? E ela ouviu isso de quem? – coloquei a mão na cintura.

– Da Violette. – logo Lana começou uma associação. – Que ouviu da Charlotte que ouviu da Ambre que contou para a Peggy.

– Tenho pena de quem acreditar nisso. – revirei os olhos. – São só bobagens, acredite.

– E se for verdade? – Lana franziu a testa.

– Isso vai mudar algo na sua vida? – ela fez que não com a cabeça. – Então não vejo motivo para ficar se preocupando.

Lana realmente era uma pessoa que se preocupa com tudo e com todos. Ela sempre quis ver um mundo bom que não houvesse mal, por isso que é ingênua em continuar insistindo nesse pensamento. Ela acaba julgando as pessoas por ela mesma, esse é um dos maiores defeitos nela.

– Vai ficar aí? – perguntei.

– Acho melhor não. – ela coçou a cabeça. – Você não me parece contente.

– Fique se quiser. – suspirei. – Não vou brigar com você, e muito menos te obrigar a ir comigo. Se quiser pode ficar, depois você me conta o que descobriu. – pisquei para ela, que retribuiu com um sorriso.

É até meio hipócrita esse meu lado, de detestar pessoas fofoqueiras e ao mesmo tempo adorar fofocas. Acho que todo mundo tem um lado hipócrita, esse é o meu. Lana também não ficava para trás, além de ter um lado hipócrita, ainda era sorrateira. Não era falsidade, até porque ela nunca prometia nada para as pessoas que ela se aproximava para descobrir as coisas. Sim, todas nós temos um lado podre. Um lado podre que qualquer uma tem, e muitas vezes não admite por querer parecer a correta, poucas são as que assumem o que são.

Kentin disse iria fazer as compras depois da aula. Ele foi para um lado e eu para o outro, fui para a cafeteria que Castiel tinha me levado dias atrás. Sentei numa mesa e fiquei mexendo no meu celular aguardando a garçonete vir me atender. Ouvi um suspiro bem alto e olhei para o lado, um garoto de cabelos prateados com cartas de baralho sobre a mesa.

– Lysandre? – o chamei pelo nome.

– O que? – ele olhou para os lados sem me encontrar.

– Aqui. – falei chegando até a mesa e a olhando. – Está jogando paciência?

– É o único jogo que se dá para jogar sozinho com cartas. – ele sorriu.

– Sabe jogar poker? – perguntei, ele apenas sorriu.

Sentei-me na mesa com ele, Lysandre embaralhava as cartas rapidamente. Só pela habilidade que ele tinha em embaralhar as cartas, dava para ver de longe que ele deveria saber jogar melhor que eu. Dito e feito, na primeira partida ele me venceu.

– Onde um menino como você aprendeu a jogar isso? – perguntei surpresa.

– Como assim “Um menino como eu?” – ele arqueou a sobrancelha enquanto embaralhava as cartas mais uma vez.

– É que tipo... Poker não é um jogo muito... – pausei sem ter o que falar.

– Entendo, sei bem como você pensa. – ele sorriu. – Eu e Leigh aprendemos com o nosso pai.

Lysandre contou que teve uma época que o pai dele se viciou em jogo. De uma forma que ele passou uma semana em Las Vegas, a mãe dele quase teve que pedir o divorcio para ele parar com a jogatina.

– E onde você aprendeu? – assim que essa pergunta surgiu eu meio que congelei para arrumar uma desculpa.

– Com meus antigos primos. – menti.

Na verdade eu tinha aprendido na escola militar, apesar de que tinham uns filhas de uma puta, também tinham pessoas legais. Tipo os gringos, eles também eram excluídos, acabei fazendo amizade com eles. Havia um garoto da Califórnia, foi ele quem me ensinou a jogar poker, ele e o irmão dele. A família deles também tinha problema com jogo, mas não era o pai como o de Lysandre, era a mãe dos meninos que tinha problema com jogo.

– Posso anotar o pedido? – perguntou a garçonete com o bloco de notas em mãos.

– O de sempre. – Lysandre olhou para ela e voltou os olhos para o baralho.

– Vejamos... – olhei para cima pensando um pouco. — Um cappuccino descafeinado com caramelo. – a garçonete anotou e saiu.

– O Castiel costuma a tomar desses. – Lysandre me deu um sorriso.

– É, ele veio aqui comigo um dia desses. – suspirei puxando minhas cartas. – Você vem para cá muitas vezes? – deduzi pelo fato da garçonete saber o que ele pede.

– Sim, eu vim nesse lugar desde criança. Segundo a Leigh, esse foi o primeiro lugar que eu vim depois de... – ele pausou um pouco, parecia ter dificuldades em continuar. – Depois que eu fui internado no hospital.

– O que você tinha? – perguntei, curiosa.

– Foi só um acidente que eu sofri. – ele suspirou. – Faz muito tempo mesmo, na verdade eu nem me lembro dele, só o Leigh, ele estava comigo e era mais velho para conseguir lembrar-se disso.

– Um acidente...? – naquela hora passou pela minha mente o acidente que matou minha mãe.

“Lysandre tem uma cicatriz nas costas... Será que foi nesse acidente que ele a conseguiu?” – pensei.

– Lysandre... – pausei quase mordendo a língua de curiosidade. – Onde você conseguiu a cicatriz que você tinha nas costas?

– Como? – ele me olhou espantado. – Quem contou?

– Me falha a memória nesse momento. – menti. – Desculpe se eu estou invadindo a sua vida pessoal, mas... Sua tatuagem...

– O que tem ela? – ele ficou de olhos no baralho de cartas.

– Por que a cicatriz te incomodava tanto? – interroguei novamente, eram muitas duvidas na minha cabeça.

– A cicatriz foi no acidente que eu mencionei. Meus pais vinham aqui quando o casamento deles era mais alegre. – Lysandre suspirou.

Tive uma vaga lembrança dos pais de Armin e Alexy.

– Eu venho nesse café há muito tempo. – ele sorriu. – É um lugar bem tranquilo, entende?

– Sim. – sorri. – A maioria do F4 vem do estrangeiro...

– Nem tanto. – ele me encarou. – Só Armin e Alexy que são da Alemanha.

– Kentin não era de outro país? – perguntei.

– Não. – Lysandre balançou a cabeça. – Ele sempre foi daqui, ele só se mudou por um tempo por causa do pai. Foi meio difícil para ele aprender Alemão. Para falar a verdade, até hoje ele não aprendeu direito. – ele deu uma risadinha. – Eu falo muito de mim e dos meus amigos. Nunca faço perguntas da sua vida.

– É... – cocei a cabeça dando um sorriso sem graça. – Se quiser perguntar algo...

– Não queria perguntar esse tipo de coisa... – Lysandre corou. – Acho meio triste...

– É algo sobre meus pais? – suspirei adiantando as coisas. – As pessoas sempre me dirigem olhares de pena quando falam sobre isso.

– Desculpe, não foi minha intenção. – ele desviou o olhar, envergonhado. – Então... – ele meio que travou de uma vez. – Como os perdeu?

– Meu pai numa guerra e minha mãe num acidente de carro. – falei de forma resumida, era meio ruim tocar nesse assunto, embora que eu já deveria ter que acostumado com o mesmo.

Lysandre ficou em silêncio, com o olhar baixo, parecia triste. Mas por quê? Tinha acontecido comigo e não com ele.

– Não está com pena de mim, está? – arqueei a sobrancelha já com um tom meio rude. – A ultima coisa que eu quero é um olhar idiota de pena.

– Não se sente sozinha? – ele me cortou com uma pergunta.

– Não... – joguei uma carta na mesa. – Eu sempre tive pessoas boas para me apoiar de vez em quando. Mas tive que encarar muito filha da puta e ralar muito.

– A vida nos dá boas cartas, se jogarmos juntos. – ele me deu um sorriso.

– Flush. – devolvi o sorriso jogando as cartas na mesa.

– Quatro valetes e a dama. – ele jogou as dele na mesa vencendo a partida.

– Como consegue? – fiz bico.

– Minha dama da sorte. – ele tirou uma dama de copas do bolso, a que estava na mesa era uma dama de ouros. – Já me tirou de várias enrascadas.

– Preciso de um baralho só de damas. – murmurei.

Foi bem agradável aquele tempo que eu passei com Lysandre, após uma tarde de trabalho no Culinária Mágica, voltei para casa totalmente cansada. E para piorar Kentin tinha me deixado de orelha vermelha do tanto de reclamações que eu tinha ouvido dele. Isso tudo porque eu não fui com ele fazer as compras.

– E por acaso você não sabe ler, seu burro? – revirei os olhos finalmente respondendo as reclamações dele.

– As meninas do mercado deram risada de mim. – ele cruzou os braços. – Sabe o que é ter que comprar absorvente?! É muito constrangedor!

– Da próxima vez eu vou, porque ao contrario de você, eu sei ignorar piranhas do mercado. – dei um suspiro bem alto e fui tomar banho.

Estava na banheira quando Kentin entrou no banheiro.

– Você perdeu! – ele falou quando abriu a porta.

– NÃO SABE BATER NA PORTA? – bradei me abaixando na banheira cobrindo meus seios com as mãos.

– Por que fica escondendo algo que não tem? – ele provocou. – Enfim. Mamãe veio aqui de tarde.

– O que? – fiz um tom de decepção. – Por que não me ligou?

– Porque ela estava de passagem. – ele suspirou. – Ela não passou nem duas horas direito aqui.

– O que ela veio fazer? – perguntei ainda meio aborrecida por causa da invasão dele.

– Veio pegar uns troços aí. – ele falou chegando perto da banheira. – Quer que eu esfregue as suas costas?

– Vaza daqui antes que eu castre você. – falei bem devagar e bem claramente para que ele fixasse bem o que iria acontecer com ele.

– Estava só zoando, sua chata. – ele revirou os olhos. – Até amanhã, já vou dormir.

– Vai tarde. – fechei a cara.

Dormi tranquilamente. Acordei um fio de luz que se espremia numa fresta só para me incomodar pela manhã. Levantei, a casa estava meio bagunçada, fui passar o aspirador.

– Kentin ainda está dormindo, aquele idiota. – resmunguei ligando o aspirador.

– Só eu que me fodo nessa merda.

O aspirador era muito grande, sem querer eu coloquei na potencia mais alta e acabei perdendo o controle dele, que se movia freneticamente. O aspirador bateu na porta do quarto da tia que logo se abriu.

“Ela deixou aberto? Como assim que ela deixou o quarto aberto?” – pensei surpresa.

O dilema era: Entro ou não?

Abri a porta, colocando a cabeça para dentro. Logo dei de cara com uma foto em uma moldura enorme na parede, eram duas meninas, gêmeas.