A Órfã Doce
18 Invasão
Notas iniciais

“Ai meu Deus, como essa mocreia soube onde eu trabalho?”. – pensei.
– Por que está com essa cara de peixe morto, plebeia? – Ambre debochou enquanto estampava no rosto aquela expressão feia.
– O que vai querer? – perguntei com o bloco de notas para anotar pedidos.
– Vamos ver... – ela olhou para o cardápio fazendo uma careta. – O que tem aqui sem açúcar, sódio e gordura?
– Água. – respondi dando um sorriso provocante.
– Como?! – Ambre me olhou meio surpresa. – Como podem vender só gorduras aqui? – ela questionou.
– Bem... – suspirei pesado já começando a perder a paciência. – O prato que tem aproximadamente 78 calorias é a salada de frutas banhada em suco de abacaxi. Chamamos de “Mar de abacaxi”.
– Traga. – ela falou.
Anotei o pedido, ao voltar meus olhos à mesa, notei que tinham mais três pessoas. Li, Charlotte e a terceira pessoa escondia o rosto com o cardápio.
– Traga o mesmo para mim. – Li falou.
– Traga outra coisa para mim. – Charlotte falou olhando o cardápio. – Pode trazer os biscoitinhos da felicidade? – ela sorriu.
– Claro. – sorri de volta anotando. – E você? Vai querer pedir algo?
– Não. – a pessoa falou baixo tentando disfarçar a voz.
– Com licença. – falei puxando o cardápio. – Nathaniel?
– Oi Lynn. – Nathaniel falou totalmente sem graça se encolhendo no assento.
– Por que está com ela? – perguntei apontando para Ambre.
– Ele está comigo porque mamãe disse que ele precisava sair. – Ambre respondeu fazendo bico.
– Sua mãe?! – a olhei espantada. – S-são i-imãos?!
“Evangeliza senhor!” – pensei.
– Por que ficou tão impressionada? – Ambre perguntou. – Todo mundo na escola sabe disso! E vá logo trazendo os pedidos, plebeia.
“Eu vou trazer a minha mão na sua cara, sua catarrenta”. – pensei comigo.
– Eu vou querer uma salada, Lynn. – Nathaniel sorriu sem graça.
Anotei o ultimo pedido que era o dele. Fui para a cozinha, coloquei a mão na cabeça e soltei um suspiro enorme.
– Está cansada, Lynn? – Cristal perguntou enquanto preparava os pedidos.
– Não é isso. – fiz bico. – Umas metidas lá da escola estão aqui.
– Oh! – Cristal me olhou. – Elas são ruins assim?
Ao Cristal encerrar a frase, ouvi gritos vindos do restaurante. Aprecei-me para ver o que ocorria, ao sair da cozinha me deparei com uma cena. Lana segurando o gato que eu tinha lhe dado e Ambre com cara de nojo.
– Você chutou o meu gato! – Lana gritou para Ambre.
– Tira esse bicho asqueroso daqui. – ela falou fazendo careta.
– Ambre! – Nathaniel segurou a sua mão dando-lhe um olhar de censura. – Esse “bicho asqueroso” é lá no abrigo. Deve ter respeito em locais públicos, depois você pergunta o porquê do meu receio de sair com você. – Nathaniel logo ficou de frente para Lana. – Peço desculpas pela minha irmã. – ele falou a olhando fixamente. – O gato está machucado?
– Não. – Lana respondeu lançando um olhar de ódio para Ambre. – Agradeço sua preocupação. – ela falou ainda séria e se retirou do local indo até a cozinha.
Sinceramente eu só tinha visto esse olhar vindo de Lana uma vez, foi quando ela era pequena e viu um vizinho maltratando um animal. Na mesma semana o vizinho foi atropelado por um carro enquanto andava bêbado no meio da rua. Lembro-me que tia Cristal a deixou de castigo por causa disso, só depois que eu vim entender que as palavras de uma bruxa tem muito mais poder do que as de uma pessoa normal.
Senti um arrepio da nuca às pernas. De certa forma eu tinha medo do que Lana poderia fazer à Ambre. Lana sempre teve uma aparência de uma menina boazinha, mas quando ela se enchia de fúria, parecia outra pessoa. Pelo menos naquela época... Tia Cristal disse que por causa do poder que as bruxas têm, é necessário aprender a controlar suas emoções.
Lana insistiu em levar os pedidos para a mesa, fiquei apenas observando enquanto anotava outros pedidos. Ela voltou com um sorriso gentil, como se nada tivesse acontecido.
– Aqui está! – Lana exclamou tirando da bandeja e distribuindo os pedidos na mesa, colocando a salada de frutas na frente de Ambre. – Sinto muito pelo ocorrido de agora a pouco. – ela encerrou saindo com a bandeja.
Segui Lana até a cozinha, logo vi dando umas risadinhas baixinhas e discretas.
– O que você fez? – perguntei curiosa já estampando um sorriso no rosto.
– Não sei o que você está falando. – ela respondeu pegando outros pedidos para levar aos clientes. – Mas tem algo relacionado com laxante.
Achei a saída de Ambre com os outros muito rápida. Como nenhum outro passou mal, ninguém poderia falar que foi culpa da comida do restaurante. Era o crime perfeito, e eu acho até que Lana analisou esse lado antes de fazer o que fez.
Continuei a trabalhar até ser chamada para outra mesa, novamente eu mexia no bloco de notas antes de olhar para os clientes.
“Porra, essa cambada não desgruda?” – pensei comigo olhando para os F4 em pessoa.
– Eu os trouxe. – Alexy falou sorrindo.
Estavam Castiel, Armin, Alexy e Lysandre. Percebi que Kentin não estava com eles, então nem resolvi perguntar nada.
“Será que ele ainda está com raiva do que aconteceu lá no campo de tiro?” – pensei.
Assim que anotei os pedidos escutei o barulho da porta abrindo, me virei para dar as boas-vindas aos clientes. Até os ver com armas de fogo e máscaras.
– Todo mundo pro chão. – um falou apontando a arma para mim. – Essa é a menina, não tire os olhos dela. – um cara falou para o outro que logo apontou a arma para mim.
Os clientes estavam apavorados, o F4 também. Fiquei olhando de um lado para o outro sem mexer a cabeça, suspirei. Ao todo eram seis caras. Não eram assaltantes, pois não levaram o dinheiro. Os vi tirando Lana e a Tia Cristal da cozinha.
– Não façam isso! – Cristal gritou enquanto se debatia sendo trazida por um dos caras. – DEUSA, MOSTRE QUE ELES ESTÃO CEGOS.
Lana estava muda, paralisada, colocaram-na do meu lado.
– Lynn. – Lana segurou minha mão enquanto chorava.
– Calma. – falei baixinho tentando tranquiliza-la.
“O que esses caras querem?” – perguntei a mim mesma. – “Não posso reagir, eles são muitos e as armas são de munição pesada”.
Um deles estava com várias fotos na mão. Uma delas era a minha, o resto eram a dos meninos do F4.
– São eles. – um dos caras apontou para os meninos.
Logo levaram todos quatro, sem exceção de nenhum. Assim que os cinco caras saíram, o sexto que estava com a arma apontada pra mim, bateu com ela na minha cabeça. Na mesma hora caí no chão e perdi a consciência.
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