A Órfã Doce
19 Sequestro Parte 1
Notas iniciais

Quando abri os olhos, tudo estava embaçado, eu via luzes azuis e vermelhas piscando. Depois que minha visão voltou ao normal, vi que era o carro da policia.
– Pode me dar uma descrição? – a policial perguntou.
– Não sei. – Tia Cristal respondeu. – Eles estavam de máscaras. Eles só levaram os meninos, acho que são amigos da Lynn.
Percebi que estava no colo de Lana, me levantei bem devagar com a mão na cabeça. Segundo a Lana, eu tinha sido atendida por uma das clientes que era enfermeira. Disse que eu não tinha sofrido nada e que estava tudo bem.
– Onde estão? – Rosalya chegou abrindo a porta com toda potência.
– Eles foram sequestrados, acho que foram vítimas de uma quadrilha que anda por aí sequestrando os outros. – a policial falou.
– Então descubra onde eles estão, Kim! – Rosalya exclamou e logo veio falar comigo. – Estava aqui na hora?
– Sim. – respondi com a mão na cabeça. – Não sei por que, mas um deles apontou a arma pra mim como se eu fosse reagir.
“Claro que eu reagiria, pelo menos se eles não fossem tantos...”. – pensei. – “Eu não sei se eu minto ou digo a verdade sobre a escola militar. Sei que eu acho que essa quadrilha deve ser muito bem trabalhada para saber na hora que eu poderia ser uma possível ameaça. Não quero mentir para a polícia, mas não sei o que dizer”.
– Essa quadrilha é muito habilidosa. – Rosalya confessou com um suspiro. – Já sequestraram a filha do prefeito, eles a seguiram e descobriam tudo sobre as pessoas mais próximas.
“Então é isso”. – pensei. – “Mas como sabiam que eu era da escola militar e poderia reagir?”. – perguntei a mim mesma.
– O CHIP! – Rosalya de uma hora pra outra soltou um grito como se uma lâmpada acendesse em cima da sua cabeça, era como nos desenhos animados. – Me acompanhe.
Deixei o restaurante. Outros policiais ficaram por lá fazendo perguntas à Lana e a tia Cristal.
– Para onde vamos? – perguntei.
– Para minha casa. – ela respondeu me colocando dentro da viatura e fechando a porta. – Já mandei uma mensagem pro Kentin me encontrar lá urgente.
MINUTOS DEPOIS...
– Como isso aconteceu? – Kentin perguntou.
– Uma quadrilha. – respondi. – Não tem muito que dizer.
Ao encerrarmos, Kim ligou para Rosa pelo rádio da policia.
– Rosalya. – Kim a chamou pelo rádio.
– Pode falar. – Rosalya respondeu apertando um botão do rádio para falar.
– Os sequestradores entraram em contato com a polícia e com a imprensa, pediram recompensa. – Kim deu a noticia. – É seu irmão... É bom pagar, certo?
– Errado. – Rosalya falou. – Eu vou jogar todos aqueles ratos de esgoto na prisão. – Rosalya gritou zangada. – Eu mesma vou lá. – e por fim ela desligou o rádio.
Rosalya rasgou uma parte do papel de parede, lá escondia um botão, ela o apertou e uma porta abriu.
– Venham. – ela falou.
Kentin e eu a seguimos, havia um corredor que levava para uma sala subterrânea. Fiquei boquiaberta, pareciam àquelas coisas de filmes de espiões, tinha até um papel de parede meio estranho. Tinha armas nas paredes, munições, havia arsenais completos. Em seguida ela ligou uma pequena TV.
– Quando eu fui assustar vocês na sala do F4... – Rosalya pausou um pouco sem nos encarar. – Fui para testar todos, eu sabia que vocês continuavam os mesmos bundas moles de antes. – ela olhou para Kentin, logo voltou a me olhar. Ela estava me explicando a situação. – Fiz isso não só para zoar, foi para tentar convencer Castiel de que é melhor ele aprender a se defender. Não só ele, como também o resto do F4. Quando Castiel era mais novo, ele foi sequestrado. Talvez pelas mesmas pessoas de agora. Além dos seis membros, ainda devem ter pessoas de suporte. Descobrimos que quatro dos seis membros eram policiais. – ela suspirou. – Eu tenho que detê-los. – Rosalya logo demonstrou fraqueza na voz.
– Eu vou. – Kentin falou dando um passo a frente.
– Você... – Rosalya pausou boquiaberta. – Mas você...
– Eu vou. – ele repetiu cruzando os braços. – Os meninos do F4 são meus melhores amigos.
– Eu também vou. – falei dando um passo a frente assim como Kentin fez.
– O que? – Kentin me olhou. – Você não tem preparação para isso.
– Daí é que você se engana. – retruquei. – Atiro melhor que você.
– Isso é verdade Kentin? – Rosalya o olhou. – Você passou cinco anos na escola militar e essa menina atira melhor do que você?
– Foi um golpe de sorte. – ele cruzou os braços emburrado.
– Não, não foi. – virei a cabeça para o lado empinando o nariz. – Quero ir, eu quero ajudar eles. – falei pegando na mão de Rosalya.
Rosalya acabou cedendo. A TV mostrava a imagem de um GPS que dizia a localização de Castiel. Castiel tinha um chip no cérebro que foi feito para localização sempre que precisasse. Afinal, a família de Castiel era a mais rica do país. Logo Rosalya descobriu que Castiel estava preso com os meninos numa fábrica de reciclagem abandonada.
– Vão montando o arsenal de vocês e treinando a mira nos alvos. – ela mandou. – Quero o mapa interno dessa fábrica. Bom... Pelo menos Castiel sabe que eu estou indo salvá-lo. – Rosalya sorriu saindo.
– Como ele vai saber? – perguntei a Kentin.
– Eu já estive uma vez com ele quando o chip foi ativado. – Kentin falou pegando uma metralhadora de peso leve. – Ele disse que escuta barulhos atrás da cabeça dele. O chip faz esses barulhos quando é ativado.
– Entendo. – falei procurando alguma arma boa para mim. – Eu entrei nessa, mas confesso que estou com medo.
– Medo? – Kentin me olhou dando um sorriso sarcástico. – Estamos com a Rosalya. Medo do que?
– Medo de fracassar. – suspirei.
– Devia ter pensado melhor antes de se candidatar a uma coisa séria assim. – ele suspirou e logo se distanciou de mim.
Ficamos duas horas na sala subterrânea. Eu troquei a roupa por uma das roupas de Rosalya, era discreta, parecia ser de colegial.
– A Rosalya já foi espiã. – Kentin sorriu a me ver com a roupa. – Essa era um dos disfarces dela. A roupa não está frouxa?
– Não. – respondi me olhando no espelho. – Por quê?
– Porque a Rosalya é gostosa e você não. – Kentin revirou os olhos.
– Muita coragem sua falar uma coisa dessas quando estamos só nós dois no meio de tantas armas.
Notava-se que essa roupa era para missões importantes. Quando eu a achei, estava num manequim numa vitrine. Assim que tirei a parte de cima da roupa, havia um espartilho com vários acessórios. Havia vagas para por facas, munições, essas coisas. Além de acessórios que serviam para amarrar na perna, eu portar munição e facas.
Kentin havia colocado uma roupa normal, seu peito estava maior, devia estar usando um colete.
– Deveria usar. – ele falou.
– Não. Arrisco mais no espartilho. – respondi recarregando minha arma.
Cada um levaria uma bolsa grande com as armas dentro, que fossem leves de preferência. No caso eu tive que deixar meu rifle de lado e optar pelas metralhadoras mais leves.
– Eu sou atiradora de longa distancia. – choraminguei. – Isso vai ser um desastre.
– Para de choramingar. – Kentin me repreendeu. – Você sabe atirar com essa porcaria, então vai atirar com essa porcaria. A polícia vai cercar o prédio poucos minutos depois que entrarmos lá.
Fomos para lá de carro, Rosalya parou 100 metros antes da fábrica. De fato era uma fábrica no meio do nada, pela história, diziam que a fábrica foi desativada por ações suspeitas dentro da mesma.
Rosalya sacou o binóculo da bolsa.
– Lynn, pega isso. – ela me deu um rifle. – Atira naquela câmera. – ela falou me dando um binóculo. – Esse rifle vai ficar aqui fora. A munição dele é um dispositivo eletrônico que confunde o sistema de câmeras, ao invés de gravar, elas vão ficar passando partes anteriores da monitoração. Ou seja, nunca vão nos ver. – explicou.
Avancei alguns metros com cautela me escondendo atrás das árvores. Deitei-me no chão, a distancia ainda era muita. Mas em compensação o rifle tinha uma precisão tão grande que mesmo se eu não quisesse acertar, eu acertaria o tiro. E foi isso que aconteceu. As câmeras faziam movimentos de um lado para o outro, quando ela virou para a esquerda eu atirei o dispositivo na sua lateral, Rosalya explicou que atirar na lente não adiantaria.
Assim que o disparo foi concluído e as câmeras pararam de se movimentar, fiz sinal para que nós entrássemos na fábrica.
– Eles devem estar vigiando a parte da frente com toda certeza. – Rosalya falou. – A policia vai dar um falso comunicado da negociação com os bandidos, vão marcar o horário para daqui há uma hora. Então é o seguinte: A gente entra, metralha todo mundo, pega os meninos e vazamos. Alguma pergunta?
– Sim. – levantei o braço. – Matamos?
– Não. – Rosalya respondeu. – Quero todo mundo vivo pra lotar a cadeia. Com as fichas eles pegam perpetua ou até pena de morte, eu vou ter mesmo o prazer de ligar a cadeira elétrica. – ela deu um sorriso abrindo uma porta de um alçapão. – Essa entrada leva ao porão. Com toda certeza eles não sabem que temos o mapa interno da fábrica. Colocaram os silenciadores nas armas?
– Sim. – eu e Kentin respondemos em conjunto.
– Ótimo, não quero que o barulho atraia ninguém. – Rosalya falou descendo as escadas. – Peguem esses GPS’s – Rosalya entregou um para cada um. – a luz vermelha é onde você está, a azul é onde os meninos estão. – ela explicou. – Vamos lá.
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