A Órfã Doce
27 Explicações
Notas iniciais

– Lembrei assim que ouvi seu nome. Lynn não é um nome comum. – ela riu. – Como tem passado?
– Mais ou menos. – cocei a cabeça. – A Sweet Amoris não é fácil.
– Mas... Você já tinha estudado lá. – ela retrucou.
– Mas o F4 tomou conta da escola quando eu saí. – suspirei.
– Oh, claro. – Angela encarou o chão. – Kentin me contou sobre você...
– Falando nele. – corei um pouco. – Eu sei que parece uma pergunta indiscreta, mas... Vocês fizeram?
– Fizemos o que? – ela me olhou inocente, quando percebeu, corou feito um pimentão. – NÃO! – ela exclamou sacudindo os braços.
– Tem certeza? E aquelas marcas nas costas dele? – interroguei fazendo bico.
Angela lançou um olhar triste para o chão seguido de um suspiro.
– Ontem nós brigamos. – logo ela me encarou. – Naquele dia que eu saí de casa para ir a outro lugar, na verdade eu tinha ido pra escola militar. – ela mudou de assunto. – Eu juro que eu ia voltar por você. Quando meu pai morreu...
Ao lembrar-me da personalidade do pai, me toquei e percebi qual o motivo de verdade para Angela sair de casa. Era o tipo de homem que resolvia os problemas com os punhos, um tremendo alcoólatra violento. Ele já tinha batido em todos os filhos, mas em especial em Angela. Angela uma vez apanhou pra me defender das agressões dele.
– Eu não voltei. – ela me olhou. – Me disseram que tinham devolvido você ao orfanato, eu fiquei tão furiosa que não voltei mais para casa. Não dei nem o gosto ao meu pai de estar presente no funeral dele. Pra ser sincera com você, nem sei se meus irmãos estão vivos ou mortos. E pra mim, pouco me importa se estão ou não, lavei as mãos com todos eles.
– Não vai contar o que houve ontem? – interroguei com um tom de voz baixo. Ela havia aberto seu coração para tentar me dar explicações caso eu guardasse mágoas. Mas saber sobre aquilo não foi tão bom assim.
– Oh! Isso... – ela deu um meio sorriso. – Eu ia chegar nessa parte. – ela coçou a cabeça constrangida. – Eu conheci a Rosalya e a Kim na escola militar. Elas viraram policiais e eu saí da escola militar e fui pra academia de luta. Antes de ficar famosa, eu costumava a andar constantemente na casa de Rosalya, isso também era na época de antes dela ser transferida para a cidade vizinha... Bem... Faz muitos anos que Kentin e Castiel têm uma rixa... Eu me sinto meio mal por isso.
– Então quer dizer que os dois gostam de você? – interroguei, ela não respondeu. Até porque era óbvio que se tratava disso, nem precisava falar nada. – Que azar!
– Azar? – ela riu. – Bem... Ontem eu sabia quais eram as intenções de Kentin, mas... Naquele dia eu fui estabelecer limites.
– Enfiando a língua na boca dele? – arqueei a sobrancelha.
– Eu não pretendia aquilo. – ela corou.
– Não adianta dizer que ele te agarrou, você estava em cima dele. – cruzei os braços. – Não me diga que foi por pena?! – ela ficou calada, levei aquilo como um sim. Logo caí na gargalhada. – Os meninos da escola militar reclamavam sobre esse tipo de menina, mas não achei que existia mesmo gente que fizesse isso. Fala sério! O Kentin é desejado pela metade das meninas da escola, por que ele quer justo você?
– Também me pergunto isso. – ela suspirou passando a mão no cabelo. – Ele e o Castiel são assim. O Castiel ficou muito aborrecido. Ele sempre tenta me provocar com outras meninas ao longo desses anos, achando que isso me provoca ciúmes. – ela revirou os olhos. – Ele fez isso com você agora a pouco. Ele tentou te beijar porque viu que eu estava olhando.
É claro! Estava explicado. Angela explicou que estava tendo uma conversa normal com Kentin, então ele falou algo sobre ela ser uma pessoa especial na vida dele e conversa fiada do tipo.
– Eu me arrependo do que eu fiz. Eu nem acredito que uma mulher da minha idade caiu no papo de um moleque. Eu pareci uma menina de 13 anos. – logo ela fez uma expressão estranha. – E sinceramente, eu não vou ficar me entregando e me dedicando para me usarem e descartarem. Não é assim que a banda toca.
– É. – concordei pensativa. – Castiel está aborrecido. O que pensa em fazer sobre isso?
– Ele que fique do jeito que está, não sou a mãe dele pra mimar ele toda hora. – ela sorriu. – Se é que ela ainda o mima.
– E o que pensa em fazer com Kentin? – interroguei enquanto me olhava no espelho.
– Em questão a ele eu já fiz. – ela me olhou colocando a mão no meu ombro ficando por trás de mim. – Eu não queria magoar ninguém, mas jovens são assim. Além de jovens serem ingênuos, eles vêm às coisas minúsculas como o fim do mundo. Você é uma pessoa um pouco vivida, não acho que pense da mesma forma que eles.
Ao encerrar a frase, Angela foi em direção à porta, onde destrancou e girou a maçaneta.
“Para aquelas marcas ficarem daquele jeito ela deve ter descido o cacete nele lindamente”. – ri internamente.
A segui até o salão principal, Angela foi passa o lado de Lysandre, notei que ela disse algo que o fez sorrir. Lysandre veio na minha direção em passos lentos.
– Poderia dançar comigo? – ele me pediu com um sorriso, seria impossível negar. Balancei a cabeça confirmando seu pedido.
– O que ela disse a você? – perguntei corada.
– Nada demais. – ele segurou meu braço me levando até o meio do salão. Segurou-me pela mão e levou a outra até minha cintura. – Você está bem?
– Sim... Por que a pergunta? – corei.
– É que... – ele deu uma pausa soltando uma risada. – Você está parecendo um tomate. – ele continuou rindo, eu apenas corava mais. – Mas não tem problema, você está linda da mesma forma.
– Obrigado. – agradeci com o olhar voltado ao chão.
– Confesso que eu prefiro mais o modo que você se veste. Este é um dos vestidos de Angela, não é? – ele interrogou no final.
– Sim. – respondi envergonhada.
Na verdade aquele vestido nem era tão diferente dos meus, mas ele tinha muitos babados. Os meus eram mais básicos e com um toque de renda de vez em quando. Para falar a verdade, o vestido que eu usava lembrava muito as roupas que Lysandre estava usando. Claro que ele gostava do estilo de roupas dele! Mas acho que ele prefere meninas que não se vestem igual a ele, e sim de um modo parecido.
“Alexy tinha razão”. – pensei. – “Eu também gosto das roupas do Lysandre”.
Uma música lenta começou, Lysandre me guiava em passos lentos, ao mesmo tempo deslizávamos com graça no tom da música. Ainda estava morrendo de vergonha, nunca tinha dançado com ninguém antes. Tinha medo de pisar no pé dele ou tropeçar e cair dos saltos altos.
– Sabe o segredo pra dançar bem? – ele interrogou com um sorriso.
– Qual? – perguntei.
– Olhe nos meus olhos. – ele pediu.
“Socorro!” – pensei.
Fiz o que ele mandou. Ele deu uma leve risada de novo, deveria ser por eu estar corada, mas ele parecia não querer passar isso na minha cara. Eu morria de vergonha e me derretia só de olhar pra ele.
– Lysandre... – o chamei. – Quando o Castiel começou a gostar da Angela?
– Hum? Então você sabe sobre isso... – ele desviou o olhar e voltou o olhar para mim rapidamente. – Não sei se a Rosalya te falou, mas o Castiel já foi sequestrado uma vez. E também não sei se ela te contou isso, mas quando vocês foram nos resgatar, foi a segunda missão de resgate dela.
– C-como? – perguntei, estava entendendo bem?
– A Rosalya, a Kim e a Angela se conheceram na escola militar. – Lysandre pausou um pouco respirando fundo. – O Castiel foi sequestrado pelo mesmo motivo, dinheiro. Elas arrumaram as armas e foram elas mesmas salvar ele, sem falar com a policia nem nada.
– Ela não falou nada disso...
– O Kentin tinha sido sequestrado junto com Castiel. Naquele dia eles estavam brigando. – Lysandre deu um sorriso leve. – Tanto que eles armaram uma briga depois da aula. Ninguém foi olhar porque sabiam que eles iam desistir e pedir desculpas um ao outro.
– O Castiel tinha o chip? – perguntei.
– Oh! Você sabe sobre o chip. – ele sorriu. – Não. Ele não tinha ainda.
– Então... Como descobriram onde eles estavam? – perguntei.
– Eu e os gêmeos os seguimos até o esconderijo. Armin era especialista em seguir os outros ou em aprontar coisas erradas. – Lysandre fez uma expressão de quem estava tendo uma nostalgia. – Ele entrava na sala da diretora e revirava a sala inteira, ele fazia o mesmo com a dos professores. Alexy as vezes levava a culpa por Armin, dizia que sentia pena dele.
– Você é sempre uma pessoa calada. – Lysandre me olhou.
– Sempre parece estar pensativa... Às vezes dá impressão de que está triste ou aborrecida com alguma coisa.
– Você é sempre assim? – perguntei. – Quer dizer, sempre notando as expressões das pessoas?
– Não perco muito meu tempo com isso. – ele corou. – A não ser com você, você é bem divertida. – ele riu. – A escola era meio morta... Não tinham pessoas com coragem de enfrentar o F4.
– Você é uma pessoa tão gentil. – suspirei. – Por que está no F4?
– Os outros são gentis também. – ele retrucou. – O único que é mais esquentadinho é o Castiel e às vezes o Kentin. Mas... Acho que foi por causa da nossa amizade. Imagina só... Seus amigos são sequestrados e você vai lá tentar ajudar. E as vezes se meter em travessuras de criança como: quebrar as janelas das vizinhas, tocar campainha e sair correndo...
– Você fazia esse tipo de coisa? – perguntei rindo. – Não parece coisa do seu tipo.
– Tem razão. – ele sorriu. – Mas são coisas de crianças, e eu já fui uma.
Vi que a música tinha parado, Lysandre me soltou e agradeceu pela dança. Outra música começou a tocar, Alexy veio direto em minha direção, segurou minha mão e colocou a outra na minha cintura.
– Normalmente as pessoas pedem permissão. – fiz bico.
– Não estou metendo a mão nos seus peitos. – ele revirou os olhos, logo riu. – Vim pra cá pra te contar as novas. Tenho que ser discreto, ou vão saber do que nós estamos fofocando.
– Que novas? – perguntei.
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