A Órfã Doce
28 Briga
Notas iniciais

– A nova é que... – Alexy ia falar quando foi interrompido por um grito agudo vindo do lado de fora do salão. Ficava perto da piscina, dava-se para ouvir, pois a música tinha cessado.
Corri até lá com Alexy. Alexy nem abriu a boca para contar o que estava acontecendo. Castiel e Kentin seguravam um a camisa do outro, ambos se olhavam com expressões bem zangadas e com os punhos cerrados prontos para bater um no outro.
– Quem mandou fazer isso? – Kentin gritou para Castiel dando-lhe um soco.
– Eu faço o que eu quero! – Castiel devolveu o soco.
– Eu já mandei pararem com isso! – Angela gritou mais alto que os dois, que após o comentário ainda não cessaram a briga.
– Você é um pervertido! – Kentin exclamou e empurrou Castiel.
– Se eu sou um pervertido você é o que? – Castiel retrucou devolvendo o empurrão em Kentin.
– Que palhaçada é essa? – perguntei me metendo.
– Cala a boca! – Kentin exclamou.
– Escuta aqui seu playboy. – falei empurrando Castiel de leve e agarrando Kentin pela gola da camisa. – Você me trancou na sua casa, não moveu um dedo para me ajudar a salvar o Castiel e agora está estragando a festa, quer que eu te dê um soco?
– Deveria bater nesse pervertido. – Kentin apontou para Castiel.
– Já chega! – ele falou vindo até nós e indo pra cima de Kentin.
Separei os dois, colocando a mão no peito de cada um empurrando ambos para trás.
– Calma aí vocês dois! – exclamei encarando um e depois o outro. – Vocês parecem duas crianças!
– Seu bosta! – Castiel pulou em cima de Kentin.
Ambos caíram perto da piscina, os dois rolavam no chão indo em direção a mesma. Angela foi para frente dos dois e deu um chute, quem fosse o alvo que tivesse azar, ela não estava se preocupando com isso.
– Vão parando logo com isso! – ela deu outro chute.
Castiel saiu de cima de Kentin e caiu de lado se encolhendo no chão.
– Você é má! – Castiel gemeu de dor.
– Bem feito. – Kentin sorriu.
– Cala a boca você também. – Angela gritou chutando ele da mesma forma que fez com Castiel. – Vocês estragaram a festa com essa briga idiota. Eu odeio os dois!
Após Angela gritar como uma maluca, saiu andando bem rápido, pisando duro.
– Seu bocó. – Kentin deu uma tapa no braço de Castiel. – Tá vendo o que você fez?
– Calado. – Castiel falou devolvendo a tapa. – Você fez o mesmo.
– Afinal, o que aconteceu? – perguntei antes de bater em alguém.
– O Castiel agarrou a Angela. – Armin respondeu por eles. – No meio de todo mundo presente aqui. – ele tinha um tom de provocação na voz.
– Estavam brigando por causa dela? – perguntei. – Como vocês são idiotas.
– Eu que a vi primeiro. – Castiel retrucou.
– Mas ela gosta mais de mim. – Kentin sorriu.
– Que gosta nada! – Castiel exclamou. – Ela odeia você.
– E por que ela “fez” comigo? – Kentin deu um sorriso pervertido.
– Ela fez...? – Castiel ficou boquiaberto.
– Mentira sua, seu babaca! – Alexy se intrometeu. – Você tentou agarrar ela e ela desceu o cacete em você.
– Que coisa feia, Kentin! – Armin olhou para ele com tom de reprovação. – Está tentando difamar a imagem de uma moça decente?
“Então as marcas nas costas dele eram isso?” – pensei. – “Bem que ela disse que eles brigaram”.
– E quem é você para dizer que é mentira? – Kentin se levantou ficando frente a frente com Alexy.
– Ela me contou. – Alexy colocou as mãos na cintura fitando Kentin sem se sentir intimidado.
– Ninguém chamou você aqui! – Kentin deu um leve empurrão em Alexy. – Cai fora, sua bicha.
– Sou mais homem que você. – Alexy devolveu o empurrão. – Ser homem não é só ter um pau. É ter caráter também. E pelo que eu saiba, eu nunca saí falando mal de menina alguma para ficar pagando de comedor.
– Eu não falei mal dela. – Kentin retrucou.
– Acabou de falar uma mentira a respeito dela. – Alexy inclinou a cabeça de lado com uma expressão já meio alterada. – Não seja hipócrita, todo mundo ouviu.
– Eu já disse. – Kentin suspirou. – Ninguém chamou você.
– E ninguém chamou você. – Alexy cruzou os braços. – Eles estavam aqui resolvendo as coisas deles, você que veio se intrometendo como uma puta de cabaré.
Kentin levantou a mão para Alexy, instintivamente eu a segurei muito forte como se nunca fosse soltar. Ele me encarou e eu o encarei, encarei séria com um pouco de fúria no final.
– Eu só tenho uma coisa a te dizer. – falei calmamente segurando a mão dele e apertando mais forte. – Levanta a mão pro Alexy de novo que eu faço uma mágica para sumir com seus dentes.
– Saia daqui. – Kentin falou.
– Está me entendendo?! – gritei empurrando a mão dele.
Kentin saiu pisando duro assim como Angela fez. Armin e Alexy ajudaram Castiel a se levantar.
– Parece uma menina, mas bate como um menino. – Castiel falou referindo-se a Angela. – Obrigado por me ajudarem.
– Eu não estou do seu lado. – Armin falou se afastando. – Estou em cima do muro. Em briga de cabo de guerra eu sou a corda. Eu sou seu amigo, cara. Mas dessa vez você foi muito babaca em estender aquela briga idiota com o Kentin.
– Estou do lado da Lynn. – Alexy falou colocando a mão no meu ombro.
– Não estou do lado de nenhum dos dois, só pra deixar claro. – cruzei os braços encarando Castiel. – Se você a beijou ou se ela beijou o Kentin, não me importa. Tanto não tenho como não me importo com nada do que vocês fazem.
– Então por que me salvou? – ele perguntou.
– Se eu soubesse que era você, nem tinha me movido. – sorri brincando. – Castiel. – fiquei séria novamente. – Eu não pensei muito, só sabia que tinha que te salvar. E se você era tão apaixonado pela Angela, por que raios ficava se comportando como uma criança?
– Não me comportei como uma criança. – ele desviou o olhar cruzando os braços.
– Claro que se comportou. – bradei umedecendo os lábios. – Você ficava mesmo pegando outras meninas pra fazer ciúme bobo a Angela? Não responda. – gritei no final dando um suspiro de quem já estava sem paciência. – Se tiver outra ideia dessas de ficar me usando pra fazer ciúme à outra pessoa, eu mato você.
Por ultimo eu saí, Alexy me ofereceu carona. Aceitei e fui para casa, ao parar na porta, vi a policia em frente ao meu prédio.
– O que houve? – perguntei tocando uma policial no ombro.
– Oh! É você Lynn. – era a Kim, ela sorriu. – Acabaram de levar um dos moradores do seu prédio. Talvez você conheça, é o loirinho apartamento 112.
– Oh meu Deus! – coloquei as mãos no rosto encarando o chão. – É o Nathaniel. O que houve com ele?
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